O pequeno investidor finanças pessoais, renda fixa, ações, investir, investimentos, poupança, tesouro direto, estratégias de investimento, aposentadoria, imóveis, bolha imobiliária 2012-02-22T14:27:10Z http://opequenoinvestidor.com.br/feed/atom/ WordPress Fábio Portela <![CDATA[Análise da Petrobras]]> http://opequenoinvestidor.com.br/?p=19351 2012-02-20T16:48:07Z 2012-02-22T02:00:12Z

Texto publicado orignalmente em O pequeno investidor Análise da Petrobras

Petrobras e Vale são as empresas mais populares da bolsa de valores brasileira. Nos últimos 17 anos, foram a razão da alegria de muitos investidores que investiram seus recursos em suas ações. Mas, nos últimos tempos, ambas as empresas têm trilhado caminhos bastante distintos. Enquanto a Vale ainda se mantém com um forte ritmo de [...]

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Texto publicado orignalmente em O pequeno investidor Análise da Petrobras

Petrobras e Vale são as empresas mais populares da bolsa de valores brasileira. Nos últimos 17 anos, foram a razão da alegria de muitos investidores que investiram seus recursos em suas ações. Mas, nos últimos tempos, ambas as empresas têm trilhado caminhos bastante distintos. Enquanto a Vale ainda se mantém com um forte ritmo de crescimento em seus lucros, a Petrobras tem derrapado desde que se anunciou a descoberta de petróleo no pré-sal. Muito da performance apenas mediana se deve a problemas de câmbio e à variação no preço do petróleo (problemas com os quais a Vale também tem que lidar, já que é uma característica do setor de commodities), mas decerto o fator que tem mais afastado os investidores da Petrobras é a excessiva interferência do governo brasileiro na companhia. Mas, apesar dos problemas, vale a pena investir na companhia?

Vendas da Petrobras aumentam em ritmo superior ao lucro

O primeiro fator a ser destacado é que o lucro por ação da Petrobras tem crescido a um ritmo menor do que o ritmo de crescimento da receita líquida. Dê uma olhada nos seguintes gráficos:

LPA

O primeiro gráfico mostra o crescimento do lucro por ação da Petrobras. Veja como o lucro por ação mostra um crescimento constante até 2006, em 2007 uma queda abrupta, seguido de forte crescimento em 2008. Em 2009, nova queda no lucro, para um avanço forte em relação a 2009, mas pequeno em relação a 2008. Em 2011, um lucro por ação próximo ao obtido em 2008. O segundo gráfico mostra o crescimento da receita líquida de vendas – ou seja, o valor líquido que a empresa recebeu por suas vendas no período. A receita variou bem menos do que o lucro por ação da Petrobras – tem crescido com relativa constância em todo o período, com uma breve queda em 2009, justamente o ano em que a crise do setor imobiliário norte-americano mais afetou a economia real. De lá para cá, a receita apresentou uma continuidade no ritmo de crescimento.

Isso tudo fica ainda mais claro quando examinamos o terceiro gráfico, que consolida a comparação entre o crescimento do lucro por ação e a receita líquida de vendas: vejam como a receita mantém um ritmo de crescimento vigoroso por todo o período, enquanto o lucro por ação cresce a um ritmo bastante inferior. No período compreendido entre 2004 e 2011, o lucro por ação cresceu a uma taxa composta de 8,10%, ao passo que a receita líquida evoluiu a uma taxa composta de 10,71%. Parece uma diferença pequena, mas ela é responsável por uma grande distorção ao final: os lucros cresceram 86,52% entre 2004 e 2011, ao passo que a receita líquida de vendas cresceu 125,67% no mesmo período – uma performance quase 50% inferior!

Por que a relação entre o lucro e a receita é importante? Por que ela mostra se a empresa tem sido eficiente na administração de seus recursos. Uma empresa que consiga aumentar seus lucros a uma taxa superior ao do aumento da receita provavelmente está diminuindo seus custos. Já uma empresa que aumente os lucros a uma taxa muito inferior ao do aumento de sua receita provavelmente está administrando seus recursos de maneira ineficiente. Infelizmente, parece que é o que está acontecendo com a Petrobras. Quando examinamos a margem de lucro da Petrobras, isso fica claro:

MLucro

O gráfico indica que a Petrobras tem perdido eficiência, ou seja, sua margem de lucro tem diminuído ao longo dos anos. A margem de lucro bruta caiu de 41,68% para 31,63% entre 2004 e 2011 (uma queda de aproximadamente 25%), e a margem de lucro líquida também caiu consideravelmente, de 16,51% para 13,64% – cerca de 18% no período.

Essa queda de eficiência também pode ser observada com o exame do retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) da empresa:

ROE

O ROE da companhia despencou de 28,68% em 2004 para 10,10% em 2011. Ou seja, em apenas 7 anos o retorno sobre o patrimônio líquido da empresa caiu aproximadamente 65%! É uma queda imperdoável. O ROE indica a eficiência com que a companhia consegue transformar seu patrimônio líquido em lucro líquido. Uma queda de 65% significa que a Petrobras precisa, hoje, de um patrimônio três vezes maior do que o de 2004 para gerar o mesmo lucro líquido daquele ano! O resultado só não foi mais impactante para o acionista porque o patrimônio líquido da empresa avançou significativamente no período – mais do que três vezes -, o que tornou possível que o lucro apresentado em 2011 seja superior ao de 2004:

PetrobrasComo você pode observar, o valor do patrimônio por ação – ou seja, a fração do patrimônio líquido que corresponde a cada ação da empresa – saltou de R$ 4,77 para R$25,29 – um aumento de 429,68%, ou 23,17% ao ano. Mas esse salto não foi linear. Entre 2004 e 2009, a taxa de crescimento foi de 16,97% ao ano. Entre 2010 e 2011, de apenas 7,53% ao ano. Mas… entre 2009 e 2010, a taxa saltou de R$ 12,22 para R$ 23,52 – um aumento espetacular de 92,47%. Por que isso aconteceu? Como você está lembrado, em 2010 a empresa realizou um processo de capitalização magnífico, que aumentou espetacularmente seu patrimônio. Mas a que custo? O de tornar a empresa extremamente ineficiente na geração de lucro para o acionista. Como era esperado, o aumento abrupto do patrimônio líquido é o fator que explica a queda abrupta no ROE, já que o novo patrimônio em reservas do pré-sal ainda não foi capaz de gerar um aumento substancial nos lucros da empresa. Como o patrimônio aumentou abruptamente sem gerar lucro novo, a rentabilidade total do patrimônio líquido despencou. A aposta da companhia é de que o lucro do pré-sal só será percebido nos próximos anos, e por isso o investidor não teria com o que me preocupar. De minha parte, continuo com as “barbas de molho”. O ROE da Petrobras já vinha despencando desde 2005. As margens de lucro também já vinham apresentando desempenho inconsistente. A capitalização da empresa só veio a confirmar a perda de eficiência, não gerá-la. A empresa continua bastante capaz de honrar suas dívidas. Seu índice de liquidez geral está em 2,22 – resultado também impactado pelo processo de capitalização, já que os ativos da companhia aumentaram bastante.

Enfim, não há o que se preocupar no tocante à capacidade de a empresa continuar operando. O que me preocupa é a capacidade dela gerar valor a seus acionistas. Esta parece ser a última das preocupações da Petrobras. O lucro vem sendo inconstante, a empresa tem perdido eficiência ao longo do tempo e, para piorar, os dividendos pagos também têm sido bastante inconstantes:

DivComo pode ser observado, a empresa pagou menos dividendos em 2011 do que pagava em 2006! Pior do que isso, a tendência dos últimos anos tem sido declinante. Desde 2008, quando a Petrobras pagou aproximadamente o mesmo valor em dividendos por ação, o valor pago tem diminuído a cada ano.

Que rentabilidade esperar das ações da Petrobras?

É difícil prever como serão os próximos anos da empresa. O pré-sal ainda deve exigir muitos investimentos antes que traga os lucros que dele se espera. Além disso, o retorno esperado depende de muitas variáveis que não estão nas mãos da companhia: a regulação do setor, a interferência do governo, o câmbio, o preço do petróleo. Além disso, eventualmente a empresa necessitará de uma nova capitalização para poder investir o montante necessário para explorar o pré-sal, tornando-a ainda mais ineficiente na geração de lucro. São esses os motivos que me levaram, há algum tempo, a me desfazer das ações que eu tinha da empresa.

De qualquer modo, tracei uma expectativa de rentabilidade para quem decidir investir na empresa. Realizei dois tipos de simulação: uma moderada, levando em consideração o ritmo de crescimento do lucro por ação da Petrobras nos últimos oito anos; e uma bastante conservadora, levando em consideração o ritmo de crescimento do lucro por ação a um ritmo mais baixo, de metade do ritmo que a empresa apresentou no período. Sei que essa é uma previsão bastante conservadora, mas acredito que é melhor ser conservador do que otimista demais.

Vejamos os resultados:

Cálculos moderados

Em primeiro lugar, indico que os cálculos aqui indicados não significam qualquer recomendação de compra ou venda da empresa. São apenas estimativas nas quais eu me baseio para decidir investir ou não em uma companhia, e não que eu esteja recomendando para ninguém. Ressalto que não sou analista de mercado certificado e, portanto, minhas considerações devem ser objeto de reflexão por parte dos leitores, que são os únicos responsáveis por suas decisões de investimento.

Para efetuar esses cálculos, levei em consideração que a Petrobras tem apresentado um crescimento médio no lucro por ação de 8,10% ao ano de 2004 a 2011 e, por considerar essa taxa medianamente razoável para o longo prazo, decidi utilizá-la para projetar o crescimento dos lucros nos próximos 10 anos. Além disso, considerei que a empresa deverá manter o patamar dos dividendos em sua média histórica dos últimos 8 anos, de cerca de 3,76% ao ano. Com esses parâmetros em mãos, tracei a seguinte projeção:

Petrobras

 

Assim, mantido esse ritmo de crescimento, a Petrobras teria, em 2022, um lucro por ação de R$ 6,02. Como o P/L médio apresentado pela companhia no período de 2004 a 2011 foi de 11,52, utilizei esse indicador para calcular a cotação média esperada para 2022 – que seria de R$ 69,34. Com uma cotação atual de R$ 24,05, isso significaria uma rentabilidade total de 188,32%, ou 11,17% ao ano, sem computar os dividendos. Computando-os, a rentabilidade total já seria de 256,75%, ou 13,56% ao ano. Trata-se de rentabilidade superior à apresentada pela Selic, que está na casa de 10,5% ao ano.

Assumindo essas premissas, quem investir hoje R$ 24.500,00, comprando 1.000 ações da empresa, poderá esperar um patrimônio total, sem reinvestir dividendos, de R$ 85.798,12 em 2022. Ressalte-se apenas que isso depende de o mercado manter o P/L em sintonia com sua média histórica. Caso o P/L atual seja mantido, na casa de 9,42, a cotação média esperada já ficaria na casa de R$ 56,70, e a rentabilidade já cairia para 135,76% (sem dividendos), ou 8,95% ao ano.

Note ainda que, se as premissas estiverem adequadas, os preços atuais da Petrobras indicam que, quem comprar ações hoje, estará levando a empresa por um índice P/L equivalente a 4,00 em relação aos lucros projetados para 2022.

Cálculos conservadores

Caso adotássemos a premissa mais conservadora de que o crescimento do lucro por ação da Petrobras cairia para 50% do ritmo apresentado nos últimos 8 anos, a rentabilidade esperada do investimento seria muito pior. A nova projeção seria a seguinte:

Petrobras

Com essas premissas, em 2022 o lucro por ação da Petrobras estaria na casa de R$ 3,95, e a cotação média esperada, com o P/L médio dos últimos anos, seria de R$ 45,55 em 2022. No total, a rentabilidade esperada sem dividendos é de 89,4% (ou 6,6% ao ano). Com os dividendos, o retorno já subiria para 157,65%, ou 9,93% ao ano. Perceba o quanto os dividendos geram impacto positivo para a rentabilidade ao final do período: nesse último caso, mais conservador, eles corresponderiam a quase metade de toda a rentabilidade obtida no investimento.

Resumo de indicadores

Seguem, ainda, algumas tabelas com minhas premissas. Nessa primeira tabela, resumo uma simulação de um investimento inicial de alguém que adquirisse 1.000 ações da empresa aos preços atuais. Indico a rentabilidade esperada conforme as premissas que estabeleci acima. Na parte final do gráfico está a margem de segurança esperada atualmente. Pelos meus cálculos, extraído de uma média das premissas conservadora e moderada, o preço justo das ações da companhia é de R$ 31,21 – aproximadamente 22,95% acima do preço atual. Uma premissa mais conservadora indicaria um preço justo de R$ 30,62, com uma margem de segurança de 21,45%.

Petrobras

Conclusões? De minha parte, acredito que os indicadores da Petrobras ainda mostram forte incerteza sobre o futuro da empresa. De qualquer modo, mesmo quem decida investir na empresa aos preços atuais pode esperar obter uma rentabilidade medianamente superior à renda fixa nos próximos anos. Se as expectativas dos mais otimistas se confirmarem, é possível até que minha projeção moderada se mostre conservadora demais. De minha parte, embora acredite que seja razoável a probabilidade de o futuro ser mais otimista do que minhas previsões, prefiro permanecer cauteloso.

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Fábio Portela <![CDATA[Poupança e tesouro direto: qual o mais rentável?]]> http://opequenoinvestidor.com.br/?p=19315 2012-02-22T14:27:10Z 2012-02-20T02:00:49Z

Texto publicado orignalmente em O pequeno investidor Poupança e tesouro direto: qual o mais rentável?

Poupança ou tesouro direto? O que rende mais? Muitas vezes, é difícil comparar a rentabilidade entre investimentos de natureza diferentes. Afinal, cada investimento está sujeito a uma regulação diferente, a impostos diferentes, e a uma metodologia de cálculo diferente. Por essa razão, muitas pessoas preferem nem tentar comparar investimentos de natureza diferente e acabam por [...]

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Texto publicado orignalmente em O pequeno investidor Poupança e tesouro direto: qual o mais rentável?

Poupança ou tesouro direto? O que rende mais? Muitas vezes, é difícil comparar a rentabilidade entre investimentos de natureza diferentes. Afinal, cada investimento está sujeito a uma regulação diferente, a impostos diferentes, e a uma metodologia de cálculo diferente. Por essa razão, muitas pessoas preferem nem tentar comparar investimentos de natureza diferente e acabam por decidir investir na modalidade de investimento mais cômoda – normalmente, a poupança. Nesse post, pretendo traçar uma comparação entre a rentabilidade líquida do Tesouro Direto e a poupança, a fim de verificar qual modalidade de investimento é potencialmente a mais atrativa para o investidor.

Os custos do tesouro direto diminuem o retorno dos títulos públicos em relação à poupança

De partida, os títulos do tesouro direto já têm uma desvantagem séria com relação à poupança: eles trazem embutidos três taxas, que reduzem substancialmente a rentabilidade do investimento. Em primeiro lugar, existe a taxa de negociação, que corresponde a 0,10% sobre o valor total investido. Em um investimento de R$ 10.000,00, essa taxa corresponderia a R$ 10,00. Além disso, existe a taxa de custódia cobrada pela BM&F Bovespa, correspondente a 0,3% por ano de investimento – ou R$ 30,00 sobre um investimento de R$ 10.000,00. Por fim, existe a taxa de custódia cobrada pelo próprio agente de custódia, que é a instituição a partir da qual os títulos são negociados. Ela varia entre 0% e 1% ao ano. Essas taxas são cobradas automaticamente no momento em que a aplicação é efetuada.

E também não podemos desconsiderar os efeitos do imposto de renda na rentabilidade: há uma alíquota entre 15% e 22,5%, que diminui ao longo do tempo. A alíquota mais baixa é cobrada para os investimentos com prazo superior a 720 dias. Investimentos resgatados em menos de 30 dias após a aplicação sofrem ainda a incidência de IOF. Portanto, não se esqueça: o ideal, ao investir no Tesouro Direto, é aplicar apenas o valor que se deseja resgatar a partir de dois anos após o momento da aplicação.

Custos com impostos e taxas podem levar a retorno menor no tesouro direto em relação à poupança

Ao investir no tesouro direto, o investidor tem o poder de controlar três variáveis que terão impacto fundamental em sua rentabilidade: o prazo do investimento, que afetará a alíquota de Imposto de Renda; a instituição financeira onde investe seus recursos, que afeta a taxa cobrada pelo agente de custódia; e o título do tesouro direto que pretende adquirir, o que determina a rentabilidade bruta esperada. Esses fatores são essenciais para definir se é melhor investir no tesouro direto ou na poupança.

Para comparar ambas as modalidades de investimento, fiz algumas simulações, variando o prazo do investimento e a taxa de custódia. Para realizar a simulação, escolhi vários títulos do tesouro direto – alguns corrigidos pela inflação, como as NTN-B Principal, e outros com taxas pré-fixadas. Como parâmetro de comparação, fixei a rentabilidade da poupança em 7,45%, que corresponde à taxa dos últimos 12 meses. Além disso, usei a remuneração da data de 17 de fevereiro para fixar a rentabilidade dos títulos do tesouro direto, e para o cálculo da inflação nos títulos corrigidos pelo IPCA, usei o índice de inflação de 6%. Por fim, considerei a rentabilidade dos títulos apenas baseada na taxa esperada por quem decidisse carregar os títulos até o vencimento, desconsiderando os efeitos da flutuação nas taxas de juros.

No primeiro exemplo, o investidor aplicou seus recursos por um prazo superior a dois anos, garantindo a menor alíquota de imposto de renda possível, e escolheu uma instituição que não cobra a taxa do agente de custódia. Vejamos os resultados:

tesouro direto

Como você pode observar, o Tesouro Direto apresentou, nessas circunstâncias, uma rentabilidade líquida bastante superior à poupança. No melhor caso – a NTN-B Principal com vencimento em 2024 teve uma rentabilidade de 9,19%, 23,33% superior à da poupança. No pior cenário (LTN 2015), o investidor ainda conseguiria uma rentabilidade 11,12% superior à poupança.

Vejamos o segundo cenário:

Sim2

Nessa simulação, o agente de custódia cobra uma taxa de 0,5% (como o Banco do Brasil, por exemplo), e o investidor decidiu aplicar seus recursos por período inferior a seis meses, recolhendo um imposto de renda à base da alíquota de 22,5%. Nessa situação, a vantagem do tesouro direto sobre a poupança diminui consideravelmente. Em três casos – NTN-B Principal com vencimento em 2015, LTN com vencimento em 2015 e NTN-F com vencimento em 2017, a rentabilidade é inclusive inferior à da poupança. Isso reforça o que havíamos dito antes: tesouro direto é para investimentos superiores a 2 anos!!

Sim3

O terceiro cenário é o pior dos três. Nele, o investidor aplica em uma instituição que cobra 1% de taxa de agente de custódia (como o Itaú, por exemplo), e investe por um prazo inferior a seis meses, incorrendo em uma alíquota de imposto de renda de 22,5%. Nessa situação, TODOS os títulos do tesouro direto examinados apresentariam rentabilidade inferior à da poupança – em alguns casos, inferior em mais de 10%!

Essas simulações mostram a importância de escolher instituições que cobrem uma taxa de custódia mais baixa e de manter os títulos em sua carteira de investimentos por pelo menos 720 dias. Não cumpridas essas condições, investir no tesouro direto pode resultar em rentabilidade bastante inferior à da poupança.

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Fábio Portela <![CDATA[Política de moderação de comentários ]]> http://opequenoinvestidor.com.br/?p=19297 2012-02-17T16:40:55Z 2012-02-17T16:36:29Z

Texto publicado orignalmente em O pequeno investidor Política de moderação de comentários

Prezado leitor, Pretendo modificar a política de moderação dos comentários do blog. Até aqui, tenho adotado uma política bastante libertária, até porque não acredito em repressão. A liberdade de expressão é um princípio basilar de uma democracia e também é essencial à própria estrutura da Internet. Contudo, nosso blog tem sofrido com a intervenção de [...]

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Texto publicado orignalmente em O pequeno investidor Política de moderação de comentários

Prezado leitor,

Pretendo modificar a política de moderação dos comentários do blog. Até aqui, tenho adotado uma política bastante libertária, até porque não acredito em repressão. A liberdade de expressão é um princípio basilar de uma democracia e também é essencial à própria estrutura da Internet. Contudo, nosso blog tem sofrido com a intervenção de trolls, que visam apenas estimular um debate enviesado, deturpando o conteúdo e as intenções dos textos

Tentei me manter imparcial ao tema, para que não sofresse a acusação de adotar a censura no blog. Sou contrário a inviabilizar a participação de alguns, mas reconheço a necessidade de estabelecer algumas regras para que o debate seja o mais sério possível, em harmonia com o propósito do blog. Até aqui, eu apenas excluía comentários manifestamente ofensivos, até para evitar problemas judiciais.

As modificações que sugiro são as seguintes:

  • Não autorizar os comentários que manifestamente procurarem apenas emitir opiniões baseadas em uma deturpação do texto, com o objetivo de desestabilizar a discussão;
  • Não autorizar comentários exclusivamente bajuladores, que procurem deturpar a discussão, embora aparentemente sejam “elogiosos” ao texto.

Observação: isso não significa que pretendo excluir textos contrários ao post. A divergência é salutar e necessária. Boas discussões decorrem justamente da discordância; mas não quero ter que tolerar quem deseja exclusivamente inviabilizar uma boa discussão, ofendendo, mesmo indiretamente, o autor e outros leitores que eventualmente desejarem participar.

Mas não farei nada sem dar ao leitor a oportunidade de se manifestar. Se vocês acharem que adotar as regras que proponho é algo ruim, por favor se manifestem nos comentários a esse texto e respondam à enquete abaixo do texto. Levarei em consideração a opinião da maioria dos leitores, inclusive no que diz respeito às regras que forem estabelecidas. Não deixe de sugerir o que você acredita que poderia melhorar o blog. Caso haja outras sugestões, poderemos adotá-la e votá-la novamente. Esta é uma oportunidade para você decidir uma parte dos rumos que o blog deve tomar daqui pra frente.

Espero a compreensão de todos.

Segue a enquete:

Note: There is a poll embedded within this post, please visit the site to participate in this post's poll.

 

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Fábio Portela <![CDATA[Marx estava certo? O capitalismo vai acabar?]]> http://opequenoinvestidor.com.br/?p=19270 2012-02-18T03:19:38Z 2012-02-17T02:00:41Z

Texto publicado orignalmente em O pequeno investidor Marx estava certo? O capitalismo vai acabar?

Um tema comum após a crise de 2008 foi o da fim do capitalismo. Aliás, é tema comum sempre que ocorre uma crise. Normalmente, é um tema muito invocado por marxistas que ainda acreditam no socialismo utópico que seria fruto das contradições do sistema capitalista.  Essa semana, o excelente blog Visão Panorâmica, mantido pelo blogueiro [...]

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Texto publicado orignalmente em O pequeno investidor Marx estava certo? O capitalismo vai acabar?

Um tema comum após a crise de 2008 foi o da fim do capitalismo. Aliás, é tema comum sempre que ocorre uma crise. Normalmente, é um tema muito invocado por marxistas que ainda acreditam no socialismo utópico que seria fruto das contradições do sistema capitalista.  Essa semana, o excelente blog Visão Panorâmica, mantido pelo blogueiro Amilton Aquino, publicou um texto muito bom sobre esse tema, onde mostra porque essas previsões do “fim do capitalismo” estão erradas e porque o ocaso desse sistema não é algo que deveria ser desejado.  Segue o texto:

Fonte: Marx estava certo? O capitalismo vai acabar?

Autor: Amilton Aquino

A cada nova crise do capitalismo, Marx é ressuscitado com sua famosa profecia de que o capitalismo irá acabar. Esta, portanto, não é nem a primeira nem a última vez que o expoente máximo das esquerdas será exortado, afinal o capitalismo vive de ciclos de progresso e de crises. Mas como sempre acontece, a cada nova crise o capitalismo se renova e segue adiante e Marx volta ao ostracismo.

Portanto, já antecipando a conclusão, a resposta a pergunta do post é: não. O capitalismo não vai acabar. Certamente vai mudar em alguns aspectos, como já ocorreu nas diversas fases do capitalismo, desde o mercantilismo e industrialismo das fases iniciais, pelo financeirismo do pós-guerra (hoje em crise), chegando ao “capitalismo informacional”, que tem caracterizado as duas últimas décadas como a era da informação.

E o que há em comum em todas estas fases? A liberdade das pessoas de usufruírem dos frutos dos seus trabalhos e/ou investimentos da maneira que melhor lhes convier. Esta é a essência do capitalismo. Ou seja, para acabar com o capitalismo é preciso acabar com sua essência que está diretamente ligada à liberdade, o que, convenhamos, é muito pouco provável que isto venha acontecer algum dia num mundo cada dia mais globalizado.

Além disso o capitalismo não é nenhuma “criação” maquiavélica, como tentam fazer parecer os esquerdistas.  Não tem nenhum mentor.  Ele é o resultado da evolução (ou involução) das relações de troca da humanidade. Ou seja, é parte de um contexto e não o todo.  A idéia de “conspiração” de capitalistas para escravizar proletários é apenas um instrumento de mobilização dos líderes esquerdistas para conseguir apoio das camadas menos favorecidas na luta contra um inimigo imaginário. Aliás, um subterfúgio usado e abusado por todos os ditadores para se justificarem seus tirânicos poderes.

E mais uma vez a história tratou de desmistificar mais esta suposta conspiração. Em apenas uma década, a geopolítica e a economia mundial foi completamente modificada. Quem imaginaria que os EUA unilateral do início da década de 2000, a locomotiva do mundo, chegaria ao ponto de ver seu presidente fantasiado de Mickey tentando atrair turistas para a Disneylandia?

Pois é, os “donos do mundo” já não são mais os mesmos. Aliás, os pobres já não são mais os mesmos. Contrariando o discurso esquerdista de que seria impossível aos países chamados subdesenvolvidos ascender ao status de desenvolvidos, hoje o clube de ricos foi bastante ampliado, com tendência de ampliar ainda mais. Até a miserável África está passando por um boom econômico. O antigo G7 virou G14 e agora G20. Onde estaria então a conspiração capitalista para perpetuar os ricos e pobres?

Portanto, a clássica crítica dos esquerdistas ao capitalismo deve ser mais vista como uma crítica a humanidade, e não propriamente à uma suposta elite maquiavélica e exploradora. Até porque, foi o capitalismo que possibilitou que explorados ascendessem também à posição de “exploradores”. Pouco se fala dos primeiros donos de fábrica, mas o fato é que estes tiveram que lutar contra a elite da época, os nobres, para poder produzir bens para as massas. Afinal, não eram os nobres que compravam as peças de roupas ou ferramentas que os capitalistas produziam.

E da mesma forma que nos primeiros momentos do capitalismo, ainda que em nível de indivíduos, a diferença entre os mais ricos e mais pobres aumente, o fato concreto é que nunca na história da humanidade tantas nações ascenderam ao clube dos ricos. Da mesma forma, nunca na história da humanidade tantos milhões de pessoas cruzaram a linha da pobreza.

Aliás, foi o capitalismo que tirou a humanidade da barbárie do milênio passado. Se hoje a fome no mundo é restrita a alguns países da África onde ainda não há nenhum resquício de capitalismo, na Inglaterra até o século XVII, por exemplo, a fome era a regra e não a exceção. E olha que a Inglaterra era a nação mais rica do mundo. O que dizer então das demais?

Quando começaram a surgir as primeira fábricas, massas de miseráveis migraram dos campos para as cidades dispostas a trabalhar metade do dia em troca de um prato de comida. Ainda hoje os esquerdistas usam as condições deploráveis dos trabalhadores da fase inicial do capitalismo para satanizá-lo. Mas que outra opção estes trabalhadores tinham a não ser viver como indigentes?

Por fim, para acabar com o capitalismo é preciso ter algo para colocar no lugar. Na época de Marx, o socialismo não havia sido ainda implantado e esperava-se que este sistema criado pelas mentes de iluminados viesse um dia a substituir o capitalismo. Mas a história mostrou que tal sistema além de ineficiente, mostrou-se uma verdadeira fábrica de tiranos, sendo responsável pelo maior genocídio de humanidade, que matou entre 65 milhões e 94 milhões de pessoas nas várias tentativas de implantação do sistema socialista.

Portanto, no mundo globalizado, onde a eficiência e a liberdade de expressão caminham de mãos dadas, esperar que um sistema comprovadamente ineficiente e antidemocrático venha substituir o capitalismo é algo completamente desprovido de qualquer lógica.

Seja lá o que venha acontecer nos próximos anos, a certeza é que as relações de produção e troca serão resultantes de erros e acertos da humanidade e não das mentes de alguns “iluminados”. O nome que daremos a este sistema é o que menos importa. O importante é que este sistema possibilite o que o capitalismo tem possibilitado até aqui: liberdade de escolha e mobilidade social.

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Fábio Portela <![CDATA[Brasil é o que mais paga dividendos por ação entre os BRICs ]]> http://opequenoinvestidor.com.br/?p=19279 2012-02-16T17:00:48Z 2012-02-16T16:57:45Z

Texto publicado orignalmente em O pequeno investidor Brasil é o que mais paga dividendos por ação entre os BRICs

Mais uma boa notícia para os investidores brasileiros: o dividend yield das empresas brasileiras, que reflete o percentual pago em dividendos em relação ao total investido em uma companhia, é o maior entre os países emergentes. Dividendos brasileiros estão entre os maiores do planeta É o que mostra matéria do Valor Econômico: Mesmo após a [...]

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Texto publicado orignalmente em O pequeno investidor Brasil é o que mais paga dividendos por ação entre os BRICs

Mais uma boa notícia para os investidores brasileiros: o dividend yield das empresas brasileiras, que reflete o percentual pago em dividendos em relação ao total investido em uma companhia, é o maior entre os países emergentes.

Dividendos brasileiros estão entre os maiores do planeta

É o que mostra matéria do Valor Econômico:

Mesmo após a valorização superior a 14% do Índice Bovespa no ano, a bolsa brasileira ainda se mostra atrativa ao investidor em relação a outros mercados emergentes. Entre os países que compõem o grupo dos Bric (sigla para Brasil, Rússia, Índia e China), o Ibovespa é aquele que apresenta o maior retorno médio com dividendos para os investidores. Além disso, o mercado acionário local está mais barato que a média de outros emergentes. Isso quer dizer que o investidor pode sair comprando tudo, sem realizar muita análise? Não é bem assim.

Estimativas da Ágora Corretora mostram que o retorno apenas com dividendos – o chamado “dividend yield” – projetado para o Índice Bovespa neste ano é de 3,6%, em média. O valor está acima dos 2% registrados pela Rússia, enquanto a bolsa da China apresenta “dividend yield” médio de 1,6% e a da Índia, de 1,5%.

Um dividend yield mais elevado pode sinalizra que, mesmo após as altas recentes, as ações do Ibovespa podem estar desvalorizadas. Isso acontece porque, quanto mais baratas as ações de uma empresa, maior o dividend yield, desconsiderados outros fatores.  Por exemplo, uma empresa que distribua R$ 1,00 em dividendos por ação e esteja cotada a R$ 10,00 paga um dividend yield de 10%; uma empresa que distribua o mesmo valor e esteja cotada a R$ 5,00, tem uma rentabilidade em dividendos de 20%.

Não apenas os dividendos levam a essa conclusão; o P/L brasileiro também indica atratividade

A matéria ainda  indica que o indicador P/L do Ibovespa está mais atraente do que o dos demais BRICs, o que sugere, novamente, que os preços das ações brasileiras estão razoáveis para o investidor de longo prazo:

Quando se fala em Preço/Lucro (P/L, indicador que dá uma ideia do prazo para o investidor ter retorno dos papéis), o Ibovespa também se mostra ainda bastante atraente. Quanto menor essa relação, melhor. Esse indicador da bolsa brasileira se mostra mais alto apenas que os das bolsas da Rússia e de Hong Kong. O P/L do mercado acionário brasileiro é de 10,8 vezes, enquanto o russo está em 5,8 vezes e o de Hong Kong, em 9,4.

“Mesmo após vários pregões de alta, o Brasil ainda se mostra mais atrativo e abaixo da média dos outros países”, ressalta Cataldo, da Ágora. Entre os emergentes analisados, a bolsa da Índia é a que se mostra mais cara, com P/L de 17,6 vezes.

À primeira vista, apesar de o Ibovespa ter apresentado uma das maiores valorizações entre os mercados acionários mundiais neste ano, a bolsa brasileira ainda não está cara, afirma Martins, do BofA. O investidor, no entanto, deve manter uma certa cautela, pois o fluxo de recursos para o Brasil ocorreu de maneira muito forte e rápida, abrindo espaço para a realização de lucros. Só para se ter ideia, no acumulado do ano, o saldo (aplicações menos resgates) de investimento estrangeiro na bolsa estava positivo em R$ 7,644 bilhões até o dia 13 de fevereiro.

Pelos cálculos do BofA, o P/L da bolsa local projetado para os próximos 12 meses é de 9,9 vezes ante 10,4 dos emergentes e de 11,5 vezes no mundo. Observando-se o P/L histórico do Ibovespa, é possível perceber também que não há sobrevalorização, diz Martins, lembrando que a média histórica do indicador é de 11 vezes.

Será que os bons tempos na bolsa podem estar voltando? Aguardemos as cenas dos próximos capítulos…

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Fábio Portela <![CDATA[Porque você não deveria investir em IPO]]> http://opequenoinvestidor.com.br/?p=19184 2012-02-15T11:43:33Z 2012-02-15T02:00:01Z

Texto publicado orignalmente em O pequeno investidor Porque você não deveria investir em IPO

Em janeiro, o iBovespa apresentou uma boa alta, e com ela vieram notícias de novos IPO. Ou seja, muitas empresas brasileiras estão planejando abrir seu capital, emitindo ações para se capitalizar. No exterior, até o Facebook está pretendendo aproveitar o (será?) bom momento das ações no mundo para lançar suas ações no mercado. Para muitos, essa [...]

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Texto publicado orignalmente em O pequeno investidor Porque você não deveria investir em IPO

Em janeiro, o iBovespa apresentou uma boa alta, e com ela vieram notícias de novos IPO. Ou seja, muitas empresas brasileiras estão planejando abrir seu capital, emitindo ações para se capitalizar. No exterior, até o Facebook está pretendendo aproveitar o (será?) bom momento das ações no mundo para lançar suas ações no mercado. Para muitos, essa é uma boa oportunidade de investir nessas empresas, apostando no seu crescimento futuro. Mas será que o investimento em Ofertas Públicas Iniciais vale a pena? E que cuidados é importante tomar antes de decidir investir em um IPO?

Por que uma empresa ofereceria suas ações em um IPO?

Vamos lá, respire fundo e reflita sobre a seguinte situação: você é um empresário bem sucedido, tem uma empresa de sucesso comprovado, com crescimento sustentável. Sua empresa é conhecida por ter vantagem comparativa durável. Ou seja, ela tem maiores margens de lucro que a concorrência, uma marca reconhecida e de prestígio, apresenta bons lucros. Sua situação é confortável no mercado. Pensou direitinho na situação? Se imaginou na cadeira de CEO da empresa, sendo bajulado por todo mundo, com um salário que te permite passar um mês inteirinho de férias em Dubai, nos melhores hotéis do mundo? Bacana… agora que você imaginou essa situação pra lá de confortável, eu te pergunto: por que você abriria o capital de sua empresa?ipo

Basicamente, você faria isso por três razões: (i) você acredita que a sua empresa tem condições de se expandir a taxas muito mais rápidas com o dinheiro que ingressar com a venda das ações; (ii) sua empresa não está tão bem quanto a situação descrita no parágrafo anterior deu a entender, e precisa do dinheiro para continuar funcionando; e (iii) o mercado está topando pagar preços tão absurdos pelas ações de sua empresa que seria irracional não vendê-las. Existem exemplos de cada uma dessas situações.

Mas quero que você compreenda o seguinte: uma empresa só emite ações em uma Oferta Pública Inicial (ou IPO, que é a sigla para o termo em inglês) em benefício próprio. Para o bem ou para o mal do investidor.

Cuidado para não pagar um preço alto demais em um IPO

O Facebook não está emitindo ações porque o Mark Zuckerberg é um sujeito bacana. Aliás, se você já leu a biografia dele e a história da criação do Facebook ou assistiu ao filme bacana que Hollywood fez , sabe muito bem que ele é tão ávido pelo seu negócio quanto qualquer outro empresário. Ou seja, para que o Facebook decida emitir ações em um IPO, é preciso que haja boas razões para isso: ou a empresa precisa de mais capital para se expandir, ou não está dando conta do recado com o dinheiro disponível atualmente, ou divisa que o mercado topa pagar muito alto por suas ações. Como não acredito que o Facebook esteja precisando de capital, nem que ele esteja passando por dificuldades, é bem provável que estejam tentando aproveitar a popularidade da rede social para inflar os preços das ações em seu IPO. Afinal, os preços anunciados nas últimas semanas indicam que cada ação da rede social seria negociada a uma relação Preço por Lucro próxima a 100. Muito além de qualquer critério razoável… por isso, é bem provável que o único motivo de o Facebook estar abrindo seu capital é agora é que suas ações podem ser vendidas por um preço caro demais.

Claro, o futuro é imprevisível. Quando o Google emitiu suas ações, também havia essa suspeita (o P/L estava na casa dos 67), mas a empresa conseguiu manter um crescimento tão absurdo de lá para cá que quem investiu nela naquela época obteve bons lucros. Mas essa não é a regra dos IPOs: em boa parte dos casos, a ação é emitida simplesmente por um preço alto demais para ser justificado. Como Warren Buffett costuma dizer, “é muito melhor comprar uma empresa espetacular a um preço razoável do que uma companhia razoável a um preço alto”.

Infelizmente, o histórico de IPOs das empresas brasileiras tem sido bem complicado para quem apostou neles. Essa semana, mais um caso prejudicial a quem investiu no IPO  veio à tona: o Itaú ofereceu aos acionistas da Redecard R$ 35,00 para fechar o capital da empresa, retirando suas ações do mercado. E este é o lado oposto do IPO: a OPA (Oferta Pública de Ações) é o fechamento do capital aberto de uma empresa, tornando suas ações indisponíveis para o mercado. Normalmente, isso acontece quando a controladora da empresa acredita que as ações estão baratas. O lado ruim da história é que, no IPO, o índice Preço por Lucro da empresa estava na casa de 30, e hoje está na casa dos 17. Ou seja, a empresa teve seu capital aberto com base em uma avaliação superior à de hoje. Para empatar com a avaliação da época do IPO, o acionista deveria receber ao menos uns R$ 60,00 por ação. De qualquer maneira, quem investiu na Redecard no seu IPO e terá que se desfazer por aproximadamente R$ 36,00, terá um lucro decente com a valorização do ativo e os dividendos pagos no período, de cerca de 68%. Parece muito, mas é menos do que a Selic pagou – cerca de 10% ao ano, desde o IPO. Quem investiu no IPO da Magazine Luiza também não deve estar muito contente, com sua desvalorização de mais de 1/3 desde a emissão das ações.

De minha parte, prefiro não investir em IPOs. Os dados históricos são muito poucos, e é difícil prever o que a empresa fará com o dinheiro recebido. Em alguns casos, o dinheiro é simplesmente desperdiçado e não agrega valor algum à companhia. Em outros casos de sucesso, o dinheiro é bem investido, como ocorreu com Drogasil, Le Lis Blanc e Natura há alguns anos. Mas é difícil saber o que vai acontecer. Não é possível elaborar qualquer análise fundamentalista decente sem histórico da companhia e, por essa razão, prefiro ficar de fora da farra dos IPOs. Tem quem invista neles esperando lucro rápido, mas isso também não é fácil de prever. É apenas sorte – e, como sabemos, a sorte não garantirá seu lucro no mundo dos investimentos. De minha parte, mantenho distância de qualquer IPO.

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Fábio Portela <![CDATA[Warren Buffett explica porque as ações são melhor investimento do que ouro e títulos públicos]]> http://opequenoinvestidor.com.br/?p=19159 2012-02-14T02:50:24Z 2012-02-13T02:00:23Z

Texto publicado orignalmente em O pequeno investidor Warren Buffett explica porque as ações são melhor investimento do que ouro e títulos públicos

Aprender com Warren Buffett é sempre uma honra e um prazer. O “velhinho”, além de ser um investidor espetacular, não hesitar em ensinar ao mundo seu estilo de investir e suas convicções. Suas cartas, publicadas anualmente como relatórios da Berkshire Hathaway, são verdadeiras lições para os investidores.  E, mais uma vez, ele decidiu compartilhar seus ensinamentos. [...]

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Texto publicado orignalmente em O pequeno investidor Warren Buffett explica porque as ações são melhor investimento do que ouro e títulos públicos

Aprender com Warren Buffett é sempre uma honra e um prazer. O “velhinho”, além de ser um investidor espetacular, não hesitar em ensinar ao mundo seu estilo de investir e suas convicções. Suas cartas, publicadas anualmente como relatórios da Berkshire Hathaway, são verdadeiras lições para os investidores.  E, mais uma vez, ele decidiu compartilhar seus ensinamentos. Em um artigo publicado na revista Fortune durante a semana passada (a prévia de sua carta anual), Buffett explicou sua convicção de que, no longo prazo, o investimento em ações trará mais retorno do que o investimento em títulos públicos (bonds) ou em ativos como o ouro. Tomei a liberdade de traduzir o artigo para os leitores de O pequeno investidor. Espero que vocês gostem tanto do texto quanto eu!

PS: Peço perdão por algum equívoco de tradução. Não sou tradutor profissional e tomei certas liberdades na hora de traduzir o texto, com o objetivo de torná-lo mais acessível e claro ao público brasileiro.

Título: Porque as ações batem o ouro e os títulos públicos (publicado na revista Fortune)

Autor: Warren Buffett

Muitas vezes, investir é descrito como o processo de abrir mão de dinheiro no presente com a expectativa de receber mais dinheiro no futuro. Na Berkshire Hathaway (BRKA), adotamos uma abordagem mais exigente, definindo o investimento como a transferência, para outros, do poder de compra presente com a expectativa razoável de receber mais poder de compra — depois que os impostos tenham sido pagos sobre os ganhos nominais — no futuro. Mais sucintamente, investir é abrir mão do consumo no presente de modo a ter a possibilidade de consumir mais em uma data posterior.

De nossa definição decorre um corolário importante: o risco de um investimento não é medido pelo beta (um termo de Wall Street que mede a volatilidade e é muitas vezes utilizado como medida de risco), mas pela probabilidade — a probabilidade razoável — de que o investimento cause a seu proprietário a perda de poder de compra durante o período de manutenção do ativo em sua propriedade. Os preços de um ativo podem flutuar bastante e não ser arriscado investir nele, desde que seja razoavelmente certo que ele retorne um poder aquisitivo crescente durante o período em que está na propriedade do investidor. Como veremos, o investimento em um ativo cujos preços são estáveis podem carregar muito risco embutido.

As possibilidades de investimento são muitas e variadas. Todavia, há três categorias amplas, e é importante compreender as características de cada uma. Então, vamos investigá-las.

Investimentos denominados em uma determinada moeda incluem fundos de negociação de moedas, títulos públicos, hipotecas, depósitos bancários, entre outros instrumentos. Muitos desses investimentos baseados em moeda são tidos como “seguros”. Mas a verdade é que eles estão entre os ativos mais arriscados. Seu beta pode ser igual a zero, mas seu risco é elevadíssimo.

Durante o século pass ado, esses instrumentos destruíram o poder aquisitivo de investidores em muitos países, mesmo durante o tempo em que eles continuaram a receber o pagamento de juros e do capital investido. Esse resultado horrível, além disso, ocorrerá novamente no futuro. Os governos determinam o valor fundamental do dinheiro, e forças sistêmicas irão levá-los a adotar políticas inflacionárias. De tempos em tempos essas políticas saem do controle.

Mesmo nos Estados Unidos, onde é forte o desejo por uma moeda estável, o valor do dólar diminuiu incríveis 86% desde 1965, quando assumi o controle da Berkshire. Hoje, é necessário usar US$ 7,00 para comprar o que custava apenas US$ 1,00 naquela época. Consequentemente, uma instituição isenta de impostos necessitaria captar juros anuais de 4,3% de seus investimentos em títulos públicos durante todo esse período apenas para manter seu poder aquisitivo. Seus administradores estariam sendo ingênuos se considerassem qualquer parte desses juros como “renda”.

Para investidores que pagam impostos, como você ou eu, o quadro é ainda pior. Durante o mesmo período de 47 anos, a rolagem contínua dos títulos do tesouro norte-americano renderam 5,7% anualmente. Parece satisfatório. Mas, se um investidor individual pagasse um imposto de renda de, em média, 25%, os juros de 5,7% não teria trazido nenhum retorno real. O imposto de renda teria retirado 1,4% do rendimento nominal, e o imposto inflacionário invisível teria devorado os 4,3% restantes. É importante notar que o imposto inflacionário representou mais do que o triplo do imposto de renda que nosso investidor pensara ser o seu principal obstáculo. A expressão “Deus seja louvado” pode estar impressa em nossas cédulas, mas as mãos que ativam a impressora do governo é bastante humana.

É verdade que altas taxas de juros podem compensar os investidores pelo risco inflacionário de investimentos baseados em moeda — e, de fato, as taxas do início da década de 1990 cumpriram esse papel. As taxas de juro atuais, contudo, nem de perto anulam os riscos para o poder aquisitivo dos investidores. Nesse momento, os títulos públicos deveriam vir com um alerta.

Nas condições atuais, portanto, não gosto de investimentos baseados em moeda. Mesmo assim, a Berkshire possui uma quantidade significativa desses investimentos – especialmente os de curto prazo. Na Berkshire, a necessidade de ampla liquidez ocupa um lugar central e nunca será diminuída, por mais que as taxas de juros recebidas sejam inadequadas. Para suprir essa necessidade, investimos basicamente em títulos do tesouro norte-americano, o único investimento com os quais se pode contar para garantir a liquidez mesmo nas condições econômicas mais caóticas. Para trabalharmos, precisamos de um nível de liquidez de US$ 20 bilhões; US$ 10 bilhões é nosso mínimo absoluto.

Para além das exigências que a liquidez e a legislação impõem sobre nós, investiremos em ativos relacionados a moeda apenas se for oferecida a possibilidade de um ganho incomum – seja porque o preço de um título de crédito está definido equivocadamente, como pode ocorrer em fiascos periódicos com títulos podres, ou porque os juros se elevam a um nível que oferece a possibilidade de realizar ganhos de capital substanciais em títulos seguros quando as taxas de juros caem [nota do tradutor: é por essa razão que os títulos do tesouro direto apresentam rentabilidade excepcional quando a taxa Selic cai]. Embora tenhamos explorado ambas as oportunidades no passado – e podemos fazer isso novamente – não acreditamos nessas perspectivas. Hoje, um comentário irônico que Shelby Cullom Davis fez há algum tempo parece adequado: “Títulos promovidos como se oferecessem retornos sem risco agora estão negociados a preços que possibilitam o risco sem qualquer retorno”.

A segunda grande categoria de investimentos envolve ativos que jamais produzirão nada, mas que são adquiridos na esperança de que outra pessoa – que também sabe que o ativo será eternamente improdutivo – pagará mais por ele no futuro. As tulipas, de todas as coisas, rapidamente se tornaram a favorita de tais investidores no século XVII.

Essa classe de ativos requer uma quantidade em expansão de compradores, que, por sua vez, estão atraídos porque acreditam que o número de compradores irá se expandir ainda mais. Os proprietários não estão atraídos pelo que o ativo pode produzir – ele irá permanecer sem vida eternamente -, mas pela crençad e que outros o irão desejar ainda mais avidamente no futuro.

O maior ativo nessa categoria é o ouro, que atualmente é o grande favorito de investidores que temem quase todos os outros ativos, em especial o papel moeda (e eles estão certos em temer o seu valor, como já destacado). O ouro, contudo, tem duas falhas significativas: ele não é nem muito útil, nem procria. É verdade, o ouro tem alguma utilidade industrial e decorativa, mas a demanda para esses propósitos é tanto limitada quanto incapaz de estimular nova produção. Enquanto isso, se você possui um quilo de ouro pela eternidade, continuará possuindo um quilo de ouro no fim dos tempos.

O que motiva a maioria dos compradores de ouro é a sua crença de que a quantidade de medrosos aumentará. Na última década, essa crença se provou correta. Para além dela, o preço crescente gerou entusiasmo adicional pela compra do ouro, atraindo compradores que enxergam a elevação dos preços como uma validação de uma tese de investimento. Quando os investidores que “pegaram a carona” entram em uma festa, criam sua própria verdade — por um momento. [Nota do tradutor: reflitam sobre a situação dos imóveis no Brasil… ]

Nos últimos 15 anos, tanto as ações da internet quanto o mercado imobiliário demonstraram os excessos extraordinários que podem ser criados pela combinação de uma tese inicialmente prudente com a divulgação pública de preços crescentes. Nessas bolhas, um exército de investidores originalmente céticos sucumbiu à “prova” entregue pelo mercado, e a quantidade de compradores – por um tempo – se expandiu suficiente para manter o trem em movimento. Mas bolhas infladas o suficiente inevitavelmente estouram. E então o velho provérbio é confirmado mais uma vez: “o que o homem sábio faz no início, o tolo faz no final”.

Hoje, o estoque mundial de ouro é de 170.000 toneladas. Se todo esse ouro fosse fundido, formaria um cubo de aproximadamente 20 metros de lado (Você pode imaginá-lo confortavelmente dentro da área interna de um campo de beisebol). A US$ 1.750 a onça – o preço do ouro no momento em que escrevo – seu valor seria de US$ 9,6 trilhões. Chame esta pilha de cubo A.

Vamos criar uma pilha B que custe o mesmo valor. Para ela, poderíamos comprar toda a área cultivável dos Estados Unidos (400 milhões de acres que rendem cerca de US$ 200 bilhões anualmente), mais 16 Exxon Mobils (a companhia mais lucrativa do mundo, que rende mais de US$ 40 bilhões anualmente). Depois dessas compras, teríamos cerca de US$ 1 trilhão de troco, para despesas diárias (afinal, seria estranho se sentir sem dinheiro depois desses gastos extravagantes). Você pode imaginar um investidor com US$ 9,6 trilhões escolhendo a pilha A em detrimento da pilha B?

Além do valor absurdo do estoque atual de ouro, os preços atuais tornam a produção anual do ouro avaliada em cerca de US$ 160 bilhões. Os compradores – seja de jóias ou para o uso industrial, indivíduos medrosos ou especuladores – precisam absorver continuamente essa quantia adicional para simplesmente manter um equilíbrio nos preços atuais.

Daqui a um século, os 400 milhões de acres de terra arável terão produzido quantidades absurdas de milho, trigo, algodão e outras culturas – e continuará a produzir valores generosos, seja qual for a moeda. A Exxon Mobil provavelmente terá devolvido trilhões de dólares em dividendos a seus proprietários e também terá em seu poder ativos avaliados em muitos outros trilhões (e, lembre-se, você tem 16 Exxons). As 170.000 toneladas de ouro permanecerão com o mesmo tamanho e ainda incapazes de produzir qualquer coisa. Você pode amar o seu cubo, mas ele não irá responder.

Reconheço que daqui a 100 anos, quando as pessoas estiverem com medo, provavelmente continuarão a investir em ouro. Estou confiante, contudo, que os US$ 9,6 trilhões da avaliação presente da pilha A trarão um retorno, em juros compostos, muito inferior ao alcançado pela pilha B.

Nossas primeiras duas categorias usufruem da máxima popularidade em picos de terror: o medo de um colapso econômico leva os indivíduos a buscar ativos baseados em moeda, e mais particularmente títulos do tesouro americano, e o medo do colapso da moeda impulsiona a busca por ativos estéreis como o ouro. Nós ouvimos a expressão “dinheiro é absoluto” [Nota do tradutor: a expressão usada por Buffett é "cash is king"] ao final de 2008, justamente quando o dinheiro deveria ter sido investido, e não desaplicado. De modo similar, escutamos a mesma expressão no início da década de 1980, logo quando os investimentos em renda fixa estavam no patamar mais atraente. Nessas ocasiões, investidores que precisavam de um público que os apoiasse pagaram um valor muito alto por esse conforto.

Minha própria preferência – e você já sabia disso – é nossa terceira categoria: o investimento em ativos produtivos, seja negócios, fazendas, ou o mercado imobiliário. Idealmente, esses ativos deveriam ter a capacidade, em tempos inflacionários, de trazer um retorno que manterá seu poder aquisitivo ao mesmo tempo em que exige o mínimo de novos investimentos. Fazendas, imóveis e muitos negócios como a Coca-Cola, a IBM e nossa própria See’s Candy são aprovadas nesse teste. Outras empresas – pense em nossas empresas de utilidade pública, por exemplo [Nota do tradutor: traduzi o termo "utilities" por "empresas de utilidade pública". São empresas que prestam serviços públicos, como telefonia, energia elétrica e transporte] – não satisfazem esse requisito porque a inflação impõe grandes exigências de capital sobre elas. Para lucrar mais, seus proprietários precisam investir mais. Ainda assim, esses investimentos serão superiores a ativos baseados em moeda ou não produtivos.

Independentemente de a moeda daqui a um século ser baseada no ouro, conchas do mar, dente de tubarão ou em um pedaço de papel (como hoje), as pessoas desejarão trocar dois minutos de seu trabalho diário por uma garrafa de Coca-Cola. No futuro, a população dos Estados Unidos movimentará mais bens, consumirá mais alimentos, e exigirá mais habitações do que exige hoje. As pessoas irão eternamente trocar o que elas produzem pelo que outros produzem.

Os negócios de nosso país continuarão a entregar eficientemente bens e serviços desejados por nossos cidadãos. Metaforicamente, essas “vacas” comerciais viverão por séculos e produzirão cada vez mais quantidades de “leite”. Seu valor será determinado não pelo meio de troca, mas por sua capacidade de produzir leite. O resultado da venda do leite será acumulado pelos proprietários das vacas, assim como fizeram no século XX, quando o índice Dow Jones subiu de 66 pontos para 11.497 pontos (e também pagou muitos dividendos).

O objetivo da Berkshire será aumentar a sua propriedade de negócios de primeira categoria. Nossa primeira opção será possui-los inteiramente – mas também seremos os proprietários de grandes quantidades de ações negociadas no mercado. Acredito que, acima de qualquer período longo de tempo, essa categoria de investimento ser provará a vencedora entre as três que examinamos. Mais importante, ela será, de longe, a mais segura.


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Fábio Portela <![CDATA[Tem ou não tem? Bolha imobiliária]]> http://opequenoinvestidor.com.br/?p=19141 2012-02-12T15:03:58Z 2012-02-10T02:00:37Z

Texto publicado orignalmente em O pequeno investidor Tem ou não tem? Bolha imobiliária

Recentemente, a revista Construção e Negócios publicou texto a respeito da bolha imobiliária brasileira. A matéria apresenta os argumentos de um lado e de outro a respeito da existência de uma bolha imobiliária no Brasil e, para nossa grata surpresa, menciona o blog Bolha Imobiliária, nosso parceiro, assim como nosso blog, O pequeno investidor, como [...]

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Texto publicado orignalmente em O pequeno investidor Tem ou não tem? Bolha imobiliária

Recentemente, a revista Construção e Negócios publicou texto a respeito da bolha imobiliária brasileira. A matéria apresenta os argumentos de um lado e de outro a respeito da existência de uma bolha imobiliária no Brasil e, para nossa grata surpresa, menciona o blog Bolha Imobiliária, nosso parceiro, assim como nosso blog, O pequeno investidor, como referências no assunto. Fico feliz pela boa repercussão dos textos publicados aqui, muitos dos quais republicados na matéria: é sinal de que nossas ideias estão sendo debatidas. Segue o texto:

Fonte: Tem ou não tem? (Revista Construção e Negócios)

Autor: Lucas Rizzi

Para uns, o setor está apenas recuperando o tempo perdido em anos e anos de estagnação. Para outros, a escalada dos preços pode estar criando o ambiente propício para o nascimento de um fenômeno já visto em nações desenvolvidas, como a Espanha. Não importa de que lado você esteja, o fato é que o debate sobre a existência ou não de uma bolha imobiliária no mercado brasileiro tem aumentado nos últimos tempos. E é fato também que no centro das discussões está a cidade de São Paulo, maior e mais rica do País e símbolo da pujança do segmento, com a bola da vez alternando entre a área comercial e a residencial.

“Em São Paulo, por exemplo, praticamente todos os edifícios de escritórios compartilhados estão com preços inadequados, acima do valor justo”, afirma João da Rocha Lima Junior, professor titular de real estate da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e diretor do Grupo Unitas, que presta consultoria na área. O preço justo, ou adequado, teria que ser arbitrado a partir de uma combinação entre custos e expectativas de rentabilidade. Porém, em alguns segmentos, os investidores estão quantificando essa margem de renda no futuro baseados no cenário atual, o que aumenta a chance de superestimá-la. “Isso é um defeito de postura, que só pode ser corrigido com informação. Informação inadequada resulta em mercado desequilibrado.” E isso costuma variar entre diferentes tipos de produtos e também pela sua posição geográfica. Uma cidade como a capital paulista, por exemplo, pode estar com valores inadequados em um determinado bairro ou região. “No mercado residencial, os produtos de classe média, em bairros como Vila Mariana e Perdizes, também estão supervalorizados, mas não tanto como os comerciais”, acrescenta.

Porém, na comparação entre os dois segmentos que podem ser foco de formação de uma bolha, o professor destaca que, se no caso dos escritórios o risco já existe e é bem real, no residencial as evidências dos últimos meses indicam que o mercado está mais lento, com os preços parando de subir, ao mesmo tempo em que a velocidade das vendas está caindo muito. “As empresas estão com ganhos menores e os preços, provavelmente, devem parar ou subir numa curva tão fora do crescimento dos custos, como vinha acontecendo. Então não é razoável admitir uma continua elevação nos valores no ritmo em que estava nesse setor.”

Para Sandra Ralston, vice-presidente da consultoria Colliers International Brasil, havia uma demanda represada muito grande no segmento, o que, aliada à recente desaceleração nos preços, deve afastar o risco de bolha. Com base na idéia de que um empreendimento imobiliário, para garantir seu sucesso, precisa ter os três “P” (preço, produto e praça), alguns imóveis comerciais supervalorizados podem sofrer no futuro, mas não o mercado como um todo. “Algumas coisas estão um pouco além, como salas na Vila Mariana por R$ 14 mil o m². Se tiver alguma coisa vai ser em um ou outro empreendimento. A bolha nada mais é do que um desequilíbrio entre oferta e demanda. Não é algo que eu acredito que vá acontecer nos próximos dois anos, pelo menos”, explica.

Além disso, algumas características do mercado em São Paulo, para onde a maioria das atenções estão voltadas, tornam um projeto mais caro do que o normal, como as restrições do plano diretor, a demora para aprovação de uma construção e a própria escassez de terrenos, que deve provocar uma diminuição no número de lançamentos em 2012. Mesmo assim, o atual movimento de queda na taxa de juros, que nas previsões de Sandra pode chegar a 9,5% ou 9%, vai favorecer o mercado. “Isso provoca uma fuga do investidor para ativos reais”, explica.

Já o professor de finanças da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Samy Dana, o risco de estourar uma bolha no País reside justamente no segmento residencial. E o cálculo que ele faz para chegar a essa conclusão é muito simples. Hoje, o valor de um imóvel no centro paulistano está em torno de R$ 10 mil/m². Sendo assim, um apartamento de 100 m² vai custar R$ 1milhão, aproximadamente, sem considerar algum desconto que possa ter. Se esse dinheiro fosse colocado em uma aplicação conservadora, como a poupança, iria render em torno de 0,5% ou 0,6% ao mês, ou seja, R$ 6 mil. “Eu duvido que alguém pague R$ 6 mil ou mais para morar em um imóvel de 100 m² no centro do São Paulo. É melhor deixar rendendo no banco e pagar aluguel. Para o investidor também, é melhor não comprar e aplicar em outra coisa.”

Segundo ele, esse descompasso entre o valor da residência e o aluguel, em um futuro próximo, vai levar o mercado a uma encruzilhada: ou os preços caem, ou a locação aumenta. “E eu não acredito que haja espaço para o aluguel subir, então os preços vão começar a cair quando as pessoas passarem a olhar de forma mais racional”, garante. Os motivos que impulsionam a alta, na opinião do professor, é o crédito barato, com pessoas que nunca tiveram acesso a financiamento conseguindo comprar imóveis; o famoso sonho da casa própria, onde o pensamento imperante é de que é melhor ter do que alugar, mesmo que isso vá de encontro à lógica financeira; e o fato de o setor ter andado de lado por muitos anos, com uma oferta muito pequena. “Há espaço sim para crescimento do mercado, mas não para crescimento de preços. Não dá para investir com o metro quadrado nesses valores”, ressalta.

Na região central de São Paulo, Samy Dana calcula que os empreendimentos chegam a custar o dobro do seu valor real, situação que também se repete em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Essa atitude de maximizar os lucros sem contar o dia de amanhã já estaria se refletindo no mercado de ações, com os papéis de algumas construtoras sofrendo com fortes desvalorizações em 2011. “Não tenho dúvidas de que sofremos uma bolha imobiliária, e ela pode estourar em 2012, principalmente por causa da crise internacional. Os preços estão absurdamente altos, ainda mais nos imóveis residenciais das grandes cidades”, salienta.

Porém, ele ressalta que mesmo que uma bolha exploda os efeitos não serão os mesmos que foram vistos nos Estados Unidos, onde o grau de alavancagem era muito maior. O conservadorismo dos bancos brasileiros evitaria uma quebradeira como a que aconteceu entre os americanos. “Pode ter inadimplência, uma queda no setor, mas não na economia como um todo. O PIB não vai cair”, explica.

Porém, o problema está justamente na dificuldade em perceber ou prever a formação de uma bolha, o que em geral só acontece quando ele se esvanece. No mercado paulistano de escritórios, só vai ser possível saber se os empreendimentos foram supervalorizados ou não quando estiveram prontos, daqui dois ou três anos, já que eles são completamente vendidos ainda na planta. “Só vai dar para notar quando os investidores perceberem que os aluguéis não estão compatíveis com o valor que ele previu”, salienta João da Rocha Lima Junior.

Mas segundo ele não há muito o quê fazer perante isso. Pela Lei da Avidez e da Riqueza, termo que o professor da Poli prefere utilizar no lugar da famosa Lei da Oferta e da Procura, se o vendedor tiver a oportunidade de comercializar pelo preço mais caro possível, ele vai fazer isso. Enquanto isso, se o comprador puder adquirir o imóvel por um valor mais barato, também não irá hesitar. “Dessa forma, esse jogo de forças de mercado não pode ser resolvido a não ser pelo seu próprio reequilíbrio.”

Para José Augusto Viana Neto, presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), a existência de uma bolha imobiliária no Brasil está fora de questão. Ele explica que um evento desse tipo só acontece em decorrência da concessão de crédito para pessoas que não têm capacidade de pagamentos, ou então pela comercialização de imóveis por preços acima do seu valor real. Viana Neto defende que os bancos brasileiros são bastante ortodoxos. Dessa maneira, no Brasil só consegue acesso a financiamentos quem pode provar que é capaz de pagar. “Quem não consegue, não vai ter crédito, não tem perigo. E quando o imóvel está acima de preço de mercado ele não passa pelos avaliadores do banco de maneira nenhuma”, conta. Outro dado que o presidente do Creci-SP utiliza para corroborar a sua visão é o ticket médio de financiamento residencial, que atualmente corresponde a 62% do valor da residência, garantindo ao banco ao menos 38% do total. “E ainda tem a alienação fiduciária. Se não pagou você perde o imóvel na hora.”

Nos segmentos comercial e industrial, a chance de uma bolha acontecer seria ainda menor, porque os investidores estudam muito mais para fazer uma aquisição para não pagar mais do que o imóvel realmente vale. “Nesses setores é mais difícil ainda de ter bolha do que no residencial, porque quem faz negócios dessa natureza vai pesquisar com muito mais profundidade.”

Bolhaimobiliaria.com

Acredite você ou não na formação de uma bolha no mercado imobiliário brasileiro, é impossível negar que o assunto vem sendo cada vez mais discutido. Para agrupar todas as notícias e artigos que são publicados sobre o tema, um morador de Curitiba criou uma página na internet chamada bolhaimobiliária.com. O site é inspirado no www.opequenoinvestidor.com.br, de autoria de Fabio Portela, onde sempre havia textos sobre a hipervalorização dos imóveis em Brasília. “Como ele sempre cogitou a existência de uma bolha de preços, conversei com ele por email e perguntei o que ele achava de criar o site, com o intuito de centralizar os artigos”, diz o criador do blog, que prefere manter o anonimato. A única coisa que ele diz é que vive na capital paranaense, tem 28 anos e trabalha na área de TI, mas estuda economia como hobby e pretende, talvez um dia, cursar uma faculdade e se tornar profissional. “Prefiro ficar no anonimato por questão pessoal por se tratar de um assunto bem delicado e que mexe com muito peixe grande”, diz. No início, eram basicamente artigos do Fábio Portela que explicavam algumas teorias sobre a hipervalorização imobiliária. Aos poucos começaram a surgir textos de outras pessoas, que foram levados para o site. Hoje, tudo o que saí sobre o tema em jornais, revistas, portais, blogs e etc. é publicado. Nos últimos meses, a página mantém uma média de 1,5 mil a 2 mil visitantes diários. “A visitação aumenta conforme cresce o número de pesquisas no google do termo ‘bolha imobiliária’. Eu jamais pensei que poderia chegar neste patamar”, conta. Outra motivação para a criação do blog ocorreu quando seu autor se mudou para Curitiba, em 2008, e se espantou com a rápida subida nos preços do local onde alugava um apartamento, saltando dos R$ 90 mil para R$ 210 mil em pouco tempo. “Daí vem a revolta, porque eu não concordo que o direito do cidadão de ter uma moradia se torne objeto de especulação. Por este motivo, e outros, resolvi criar o blog, como forma de protesto.”

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Fábio Portela <![CDATA[Dicas para economizar no supermercado]]> http://opequenoinvestidor.com.br/?p=19112 2012-02-09T18:47:04Z 2012-02-08T02:00:51Z

Texto publicado orignalmente em O pequeno investidor Dicas para economizar no supermercado

Não tem como fugir das compras periódicas no supermercado. Mas, se não é possível evitá-las, é perfeitamente possível economizar um pouquinho adotando certas práticas que tornam o processo mais eficiente, fazendo com que se evite certas armadilhas para o seu bolso. No fim das contas, pode até sobrar um dinheirinho extra pra você investir… Supermercado [...]

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Texto publicado orignalmente em O pequeno investidor Dicas para economizar no supermercado


Não tem como fugir das compras periódicas no supermercado. Mas, se não é possível evitá-las, é perfeitamente possível economizar um pouquinho adotando certas práticas que tornam o processo mais eficiente, fazendo com que se evite certas armadilhas para o seu bolso. No fim das contas, pode até sobrar um dinheirinho extra pra você investir…

supermercadoSupermercado é projetado para estimular consumo

Quantas vezes você não foi ao supermercado pensando em gastar R$ 100 e acabou gastando R$ 150 ou R$ 200 porque acabou levando pra casa um item ou outro de que você não precisava? Mas por que isso aconteceu? Não se engane: um supermercado não é apenas uma grande loja em que você pode pegar o que quiser para depois pagar. Tudo nele é projetado para otimizar o valor gasto por cada consumidor – ou seja, para espremer até o último centavo possível. Inevitavelmente, todos já caímos (e provavelmente cairemos) em algumas das armadilhas preparadas para que isso acontecesse, mas tomar consciência delas é importante para que se possa evitá-las e acabar consumindo algo inconscientemente.

Vamos às principais armadilhas que você pode enfrentar em um supermercado:

* Ambiente - o ambiente em um supermercado é meticulosamente preparado para que você se sinta confortável e não sinta o tempo passar. Na maioria dos estabelecimentos, não há relógios ou janelas para o mundo externo, e não faz nem muito calor ou frio. Tudo isso decorre de planejamento para que você permaneça por lá o máximo tempo possível. Sem relógios ou janelas, os consumidores perdem a noção do tempo. Com um clima relativamente agradável, se sentem bem o suficiente para não querer sentir urgência para sair do supermercado.

* Promotores de produtos – essa talvez seja a mais óbvia e direta estratégia de tentar induzir o consumidor a levar para casa algo que não deseje. Os promotores de produtos preparam a amostra de um produto – café, churrasco, bolos, etc. – para que os consumidores experimentem gratuitamente. Muitos acabam levando o produto para casa sem que tenham previamente planejado.

* Produtos de primeira necessidade ficam distantes da entrada do estabelecimento – você já reparou como os produtos de que você mais necessita normalmente ficam longe da entrada? A padaria e o açougue ficam bem no fundo. O material de limpeza, nas últimas seções do estabelecimento. Isso acontece para que o consumidor tenha que passar, antes de chegar a essas seções, pelas prateleiras de vários outros produtos que não havia planejado adquirir anteriormente.

* Cuidado com as falsas promoções – Você já reparou que, às vezes, os supermercados disponibilizam produtos estão em vitrines de promoção distantes dos lugares em que normalmente aqueles produtos específicos deveriam estar localizados? Por exemplo: disponibilizar uma vitrine com um achocolatado em pó específico perto dos produtos de limpeza (e não próximo à seção de alimentos). Por que isso acontece? Para evitar que o consumidor compare o preço específico daquele achocolatado com o de outra marca, induzindo-o a levar aquele específico. Na maioria dos casos, vale à pena ir à seção específica e fazer a comparação.

* Localização dos produtos nas prateleiras é projetada para estimular o consumo de determinadas marcas – Muitas vezes, o supermercado tem acordos especiais com determinados fornecedores, o que o faz divulgar melhor seus produtos. Uma maneira de fazer isso sem ser ostensivo é disponibilizar os produtos em lugares mais acessíveis nas prateleiras. Os supermercados normalmente disponibilizam os produtos que desejam promover nos níveis intermediários das prateleiras, nem muito acima da vista de uma pessoa de altura média, nem muito abaixo, de modo que aqueles produtos sejam os primeiros produtos a serem vistos. Como nem todo mundo tem o hábito de pesquisar os produtos similares, esses produtos acabam sendo mais comprados, por pura comodidade.

Portanto, fique ciente desses aspectos para evitar ser traído por eles. Não deixe nunca de pesquisar pelos produtos mais baratos e de qualidade: infelizmente, é a única forma de evitar ser traído pela maneira como o supermercado é projetado.

Hábitos úteis para gastar menos no supermercado

Certos hábitos ajudam a economizar mais nas compras ao supermercado. Veja algumas dicas que podem ajudar a tornar seu gasto mais eficiente:

* Planejamento – não deixe de planejar as contas com supermercado. Faça a lista de compras com os itens realmente necessários e atenha-se a ela. Para elaborá-la, é importante administrar a quantidade de produtos de limpeza e de alimentos que é realmente necessária no seu dia a dia, a fim de evitar desperdícios.

* Não vá ao supermercado com fome – fazer compras com fome é prejudicial por duas razões. Em primeiro lugar, você estará predisposto a se alimentar no próprio supermercado, gastando mais do que pretendia. Em segundo lugar, você poderá adquirir produtos alimentícios de que não necessita apenas por estar com fome, por impulso.

* Não faça compras com crianças pequenas – embora seja interessante ir às compras com crianças pequenas periodicamente, até com o intuito de ajudar na educação financeira delas, não faça disso um hábito regular. Muitas vezes, elas acabam implorando por itens desnecessários e os pais acabam se deixando levar pelos pedidos dos “anjinhos”. Quem nunca viu aquela criança de 4 ou 5 anos chorando, implorando pelo chocolatezinho que viu na fila do caixa – e que foi colocado ali de propósito, para estimular esse desejo no último momento em que o consumidor estará no estabelecimento?

* Faça compras menores, regularmente – muitos brasileiros ainda permanecem com o hábito de fazer compras “de mês”, onde compram produtos demais com o objetivo de que eles durem pelos próximos 30 dias. Foi uma prática não apenas útil, mas rigorosamente necessária, nos anos de inflação galopante que vivemos até o Plano Real. Comprar o suficiente para 30 dias (e além) era garantia de menores gastos, graças à inflação. Mas, numa economia em que a inflação é mais estável, como a que temos hoje, essa prática pode levar a gastos ainda maiores. Afinal, inevitavelmente todos têm que passar no mercado pelo menos uma vez por semana, nem que seja para comprar produtos mais perecíveis, como verduras e legumes. Além disso, comprar para prazos muito longos pode levar ao desperdício, já que alguns dos produtos que não forem consumidos no prazo podem simplesmente perder a validade. O ideal, então, é fazer compras semanalmente ou a cada quinze dias.

* Se o produto tem refil, utilize-o – alguns produtos de limpeza têm refil. Ou seja, você adquire o produto completo primeiro e, depois, apenas compra o conteúdo dele, sem a embalagem. Normalmente, a diferença de preço é relativamente alta, o que torna preferível a aquisição do refil.

 

 

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Fábio Portela <![CDATA[Balanço da carteira em janeiro de 2012]]> http://opequenoinvestidor.com.br/?p=19099 2012-02-06T15:45:36Z 2012-02-06T02:00:48Z

Texto publicado orignalmente em O pequeno investidor Balanço da carteira em janeiro de 2012

Janeiro foi um excelente mês para quem  terminou 2011 com uma parte de seu patrimônio investido no mercado financeiro. A maioria dos títulos do Tesouro Direto apresentou uma rentabilidade razoável e as ações dispararam. E, como tem sido de praxe, o início do mês é hora para conferirmos o desempenho de minha carteira de investimentos. [...]

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Texto publicado orignalmente em O pequeno investidor Balanço da carteira em janeiro de 2012

Janeiro foi um excelente mês para quem  terminou 2011 com uma parte de seu patrimônio investido no mercado financeiro. A maioria dos títulos do Tesouro Direto apresentou uma rentabilidade razoável e as ações dispararam. E, como tem sido de praxe, o início do mês é hora para conferirmos o desempenho de minha carteira de investimentos.

Carteira perdeu pro Ibovespa no mês, mas apresentou excelente rentabilidade

sDepois de um ano de 2011 em que perdeu mais de 18%, o Ibovespa disparou em janeiro: se valorizou em 11,13%. Como dissemos em artigo recente, essa disparada confirma aquilo que sempre temos dito: que um dos maiores riscos para quem investe é ficar fora do mercado de ações. Às vezes, estão todos preocupados com uma determinada crise e, não mais do que de repente, o mercado se recupera rapidamente. Quem vende suas ações, esperando entrar em um momento no qual o mercado estiver menos instável, pode simplesmente perder a maior parte do movimento de alta. Não estou dizendo que os próximos meses serão de rentabilidade excepcional, o que pode ou não vir a acontecer. Pode ser até que o Ibovespa venha a descer a níveis inferiores aos de agosto, quando tocou os 49.000 pontos. Mas pode ocorrer também o oposto, e o Ibovespa disparar para formar uma nova máxima. Quem sabe o que pode vir a acontecer? NINGUÉM. De qualquer modo, perceba uma coisa: em apenas um mês, o Ibovespa reverteu mais da metade de todo o prejuízo do ano passado. Ano passado caiu 18%, agora já subiu mais que 11%.

Como minha carteira de ações não se desvalorizou muito no ano passado, era esperado que subisse menos do que o Ibovespa no início da recuperação. Foi o que efetivamente aconteceu. Vejamos o comparativo com o índice:

Jan2012

Graças à forte alta, entre o final de maio de 2008 e janeiro de 2012, o Ibovespa acumula queda de 6,55%. Registro esse período porque comecei a registrar a performance de minha carteira apenas nessa época, quando voltei a investir em ações. Desde então, a carteira de ações tem uma alta acumulada de 26,42%. No mês, acompanhou parcialmente a alta do Ibovespa, subindo 5,84% no mês de janeiro.

Ou seja, mesmo em um período no qual a economia mundial tem passado por uma forte crise, a carteira tem garantido uma valorização razoável – aproximadamente 0,56% ao mês. O resultado é fraco quando comparado a outros ativos, mas acredito que tem tudo para se recuperar no longo prazo. De qualquer modo, como o parâmetro de comparação adotado é o Ibovespa, a carteira o tem superado com consistência, com valorização superior ao índice em 35,28%.

Ao comparar o resultado do índice com a composição completa da carteira, os resultados de janeiro são um pouco piores. A carteira como um todo teve rentabilidade positiva de 4,90%, contra os 11,13% do índice. Mas, no longo prazo, a diversificação com os títulos do tesouro direto tem se mostrado bastante útil. Entre maio de 2008 e janeiro de 2012, a carteira teve rentabilidade acumulada de 33,73% contra os -6,55% do índice. Ou seja, a carteira como um todo apresentou um retorno 43,10% superior ao do Ibovespa. A meu ver, é uma performance bastante significativa, mostrando os benefícios da abordagem de investimento nesses primeiros 4 anos de registro.

Vencedores, perdedores e novos ativos na carteira em janeiro de 2012

É importante verificar, ainda, quais foram os ativos que apresentaram as piores e as melhores performance em janeiro. Segue a tabela com o resumo do desempenho:

Na média, o mês foi excepcional. Quanto ao tesouro direto, as NTN-B Principal com vencimento em 2015 apresentaram rentabilidade superior a 2% e, desse ponto de vista, a carteira se beneficiou bastante, já que a maior parte da alocação da renda fixa está nesses títulos. As NTN-B Principal com vencimento em 2024 apresentaram rendimento pífio, de 0,06%.

Quanto às ações, as vencedoras do mês na carteira foram Banco do Brasil (+14,73%), CSN (+21,83%) e Inepar (+18,88%). Todas essas foram ações que apanharam bastante em 2012 e, por essa razão, tinham muito espaço para se recuperar. Quanto às ações da Inepar, reitero que se trata de ações que nem considero tanto da carteira, já que pretendo me desfazer delas (só não o fiz até agora por ter uma quantidade tão pequena delas na carteira que pagaria quase o valor a ser recebido por elas apenas em corretagem e emolumentos). Só fiz o registro porque, afinal, as ações estão na carteira. Quanto ao Banco do Brasil e à CSN, trata-se de duas empresas que, de fato, compõem a carteira para o longo prazo – e aproveitei o período de queda nos últimos meses para adquirir mais ações de ambas. Apenas duas ações encerraram o mês no vermelho: Ambev e Eletropaulo.

Ainda aproveitei o décimo-terceiro salário recebido em dezembro para realizar novas aquisições. Comprei ações de Ambev, CSN, Vale, Eletropaulo, Saraiva, Marcopolo, Randon, Eternit e abri posição na Brasil Foods. Um pouquinho de cada, como a minha estratégia de investimentos indica ser aconselhável. Tendo em vista as incertezas do mês, preferi não efetuar o lançamento coberto de opções.

Vamos ver o que fevereiro nos aguarda…

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