Investimento em valor e investimento em crescimento
Dentro da escola de análise fundamentalista, há uma distinção que separa duas categorias de ações: as relacionadas a empresas de valor (value stocks) e as relacionadas a empresas de crescimento (growth stocks). Essa distinção é tão importante que uma das grandes “discussões” entre os fundamentalistas diz respeito a qual seria o melhor investimento. O que é possível aprender com essa distinção? E, mais importante: é preciso tomar um lado nessa discussão?
Investimento em valor e em crescimento
Investir em valor ou investir em crescimento? Ao se colocar a questão dessa maneira, parece que são dois estilos de investimento inconciliáveis e que o investidor deveria sempre privilegiar uma modalidade sobre a outra.
Mas o que está em jogo nessa distinção? Em primeiro lugar, é importante traçar conceitualmente o que se entende por investimento em valor e por investimento em crescimento. O investimento em valor é uma escola cujas origens remontam aos estudos de Benjamin Graham – investidor marcadamente conservador que buscava comprar empresas por um valor muito abaixo do seu valor intrínseco. Tipicamente, um investidor em valor busca comprar empresas a partir de critérios como os seguintes:
- baixo P/L
- baixo P/VPA
- baixa relação entre o Preço e o Fluxo de Caixa
- Alto Dividend yield
Já o investidor em crescimento procura comprar ações de empresas que apresentam altas taxas de crescimento – mesmo que às vezes pague um preço mais alto por elas. Alguns dos critérios utilizados por um investidor em crescimento são os seguintes:
- Alta taxa de crescimento dos lucros
- Alta taxa de crescimento das vendas
- Alto ROE
- Alta margem de lucro
É possível investir em valor e em crescimento?
Aparentemente, portanto, há realmente uma grande diferença entre os investidores em valor e aqueles que apostam no crescimento. Mas esses dois estilos de investimento são inconciliáveis? De minha parte, acredito que não.
Em primeiro lugar, é possível conciliar ambos estilos de investimento por meio da diversificação. Na minha carteira, por exemplo, há ações que se qualificam como de valor (Banco do Brasil, Vale e algumas do setor elétrico, por exemplo) e ações que se qualificam como de crescimento (alguns dos exemplos são Le Lis Blanc, Saraiva e Ambev). Ou seja, nada impede que alguém invista em ambos os tipos de ações.
Além disso, sempre existe a possibilidade de conciliar as duas abordagens, se o crescimento for incluído como uma das variáveis da análise do investimento em valor. Ou seja, no momento de analisar o valor intrínseco do ativo, o investidor pode incluir nas variáveis o exame do crescimento da empresa. É o tipo de abordagem que Warren Buffett favorece, como se pode ver na seguinte passagem:
“As duas abordagens se encontram, no final: o crescimento é sempre um componente do cálculo do valor. Desde que você compre grandes empresas por menos do que valem, não se importe com o modo como o investimento é chamado, apenas assista ao crescimento de sua conta ao longo do tempo”.
Concordo com Buffett. E esta é uma diferença fundamental do estilo dele investir com relação ao de seu mentor, Graham. Para Graham, o investidor deveria avaliar o quanto a empresa valeria se ela fosse à falência – ou seja, o que restaria dela depois que ela pagasse suas dívidas e encerrasse suas atividades. Já Buffett investe pensando no lucro que a empresa pode gerar no futuro, com suas atividades ordinárias. Desde que não se pague um preço excessivo, pode valer a pena apostar no futuro.
E você, prefere investir em valor ou em crescimento?
Categoria: Ações







Legal, estratégia de investimento é algo subjetivo e que sempre gera bons debates. Acredito que o melhor é ter uma carteira que contemple ambos lados: parte dela com empresas de valor, para segurá-la um pouco mais em momentos de crise como o que estamos atravessando e render, periodicamente, bons dividendos, e outra parte com empresas de crescimento (não confundir empresa alavancada, com crescimento de receita acompanhado de margens pífias com empresa de crescimento), que podem gerar mais valor à carteira durante os períodos de alta. Volto a dizer, estratégias de investimento são subjetivas, se o sujeito prefere especializar-se em um ou outro tipo de investimentos e sente-se bem assim, não há nada de errado nisso desde que ele consiga ter bons resultados no Longo Prazo.
Dinheiro não tem carimbo, Small.
Ótimo post, obrigado Fábio.
“As duas abordagens se encontram, no final”
Isso não define tudo???
( )$.
O maior mentor de Buffett não foi Graham, foi P.Fisher.
Só que Warren é tão esperto que nunca citou o Fisher. Uma maneira de esconder a galinha dos ovos de ouro!
Só que Buffett fala em Graham mas na prática faz o que prega P. Fisher.