Investimento em valor e investimento em crescimento

| 6 de junho de 2012 | 5 Comentários

Dentro da escola de análise fundamentalista, há uma distinção que separa duas categorias de ações: as relacionadas a empresas de valor (value stocks) e as relacionadas a empresas de crescimento (growth stocks). Essa distinção é tão importante que uma das grandes “discussões” entre os fundamentalistas diz respeito a qual seria o melhor investimento. O que é possível aprender com essa distinção? E, mais importante: é preciso tomar um lado nessa discussão?

Investimento em valor e em crescimento

Investir em valor ou investir em crescimento? Ao se colocar a questão dessa maneira, parece que são dois estilos de investimento inconciliáveis e que o investidor deveria sempre privilegiar uma modalidade sobre a outra.

Mas o que está em jogo nessa distinção? Em primeiro lugar, é importante traçar conceitualmente o que se entende por investimento em valor e por investimento em crescimento. O investimento em valor é uma escola cujas origens remontam aos estudos de Benjamin Graham – investidor marcadamente conservador que buscava comprar empresas por um valor muito abaixo do seu valor intrínseco. Tipicamente, um investidor em valor busca comprar empresas a partir de critérios como os seguintes:

- baixo P/L

- baixo P/VPA

- baixa relação entre o Preço e o Fluxo de Caixa

- Alto Dividend yield

Já o investidor em crescimento procura comprar ações de empresas que apresentam altas taxas de crescimento – mesmo que às vezes pague um preço mais alto por elas. Alguns dos critérios utilizados por um investidor em crescimento são os seguintes:

- Alta taxa de crescimento dos lucros

- Alta taxa de crescimento das vendas

- Alto ROE

- Alta margem de lucro

É possível investir em valor e em crescimento?

Aparentemente, portanto, há realmente uma grande diferença entre os investidores em valor e aqueles que apostam no crescimento. Mas esses dois estilos de investimento são inconciliáveis? De minha parte, acredito que não.

Em primeiro lugar, é possível conciliar ambos estilos de investimento por meio da diversificação. Na minha carteira, por exemplo, há ações que se qualificam como de valor (Banco do Brasil, Vale e algumas do setor elétrico, por exemplo) e ações que se qualificam como de crescimento (alguns dos exemplos são Le Lis Blanc, Saraiva e Ambev). Ou seja, nada impede que alguém invista em ambos os tipos de ações.

Além disso, sempre existe a possibilidade de conciliar as duas abordagens, se o crescimento for incluído como uma das variáveis da análise do investimento em valor. Ou seja, no momento de analisar o valor intrínseco do ativo, o investidor pode incluir nas variáveis o exame do crescimento da empresa. É o tipo de abordagem que Warren Buffett favorece, como se pode ver na seguinte passagem:

“As duas abordagens se encontram, no final: o crescimento é sempre um componente do cálculo do valor. Desde que você compre grandes empresas por menos do que valem, não se importe com o modo como o investimento é chamado, apenas assista ao crescimento de sua conta ao longo do tempo”.

Concordo com Buffett. E esta é uma diferença fundamental do estilo dele investir com relação ao de seu mentor, Graham. Para Graham, o investidor deveria avaliar o quanto a empresa valeria se ela fosse à falência – ou seja, o que restaria dela depois que ela pagasse suas dívidas e encerrasse suas atividades. Já Buffett investe pensando no lucro que a empresa pode gerar no futuro, com suas atividades ordinárias. Desde que não se pague um preço excessivo, pode valer a pena apostar no futuro.

E você, prefere investir em valor ou em crescimento?

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Categoria: Ações

Sobre o Autor ()

Fábio Portela é investidor desde 2006 e disponibiliza neste site seus conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, seja com sua experiência, seja por meio das leituras que fez ao longo dos anos. O autor é mestre em Direito Constitucional e em Filosofia pela UnB, e atualmente cursa doutorado em Direito Constitucional na mesma instituição.

Comentários (5)

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  1. Eduardo Denbinski disse:

    Legal, estratégia de investimento é algo subjetivo e que sempre gera bons debates. Acredito que o melhor é ter uma carteira que contemple ambos lados: parte dela com empresas de valor, para segurá-la um pouco mais em momentos de crise como o que estamos atravessando e render, periodicamente, bons dividendos, e outra parte com empresas de crescimento (não confundir empresa alavancada, com crescimento de receita acompanhado de margens pífias com empresa de crescimento), que podem gerar mais valor à carteira durante os períodos de alta. Volto a dizer, estratégias de investimento são subjetivas, se o sujeito prefere especializar-se em um ou outro tipo de investimentos e sente-se bem assim, não há nada de errado nisso desde que ele consiga ter bons resultados no Longo Prazo.

  2. Vanessa disse:

    Dinheiro não tem carimbo, Small.

  3. James Nascimento disse:

    Ótimo post, obrigado Fábio.

  4. JMesquita disse:

    “As duas abordagens se encontram, no final”
    Isso não define tudo???
    ( )$.

  5. Bogdan Plech disse:

    O maior mentor de Buffett não foi Graham, foi P.Fisher.
    Só que Warren é tão esperto que nunca citou o Fisher. Uma maneira de esconder a galinha dos ovos de ouro!
    Só que Buffett fala em Graham mas na prática faz o que prega P. Fisher.

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