Usando a educação financeira no seu condomínio
Essa semana, passei por uma experiência interessante que me mostrou como os princípios da educação financeira podem ajudar a resolver problemas em praticamente qualquer aspecto da vida de uma pessoa. Até nos lugares mais improváveis, como em uma reunião de condomínio. Gosto de participar dessas reuniões por uma simples razão: nelas, é possível discutir o destino do imóvel no qual moro. Sem discutir essas questões, provavelmente o imóvel se degradará e a qualidade de vida de todos diminuirá.
É necessário planejamento financeiro para realizar os objetivos de um condomínio
Essa semana, na reunião de condomínio, discutíamos a necessidade de realizar várias reformas no prédio de apartamentos. Telhas quebradas, infiltrações, problemas na rede elétrica, nos elevadores e na fachada de um prédio que, perto dos seus quarenta anos, já precisa de maiores cuidados. Mas tudo isso demanda custos e, muitas vezes, os condôminos não estão preparados para discuti-los. Uma parte dos condôminos, assim como o síndico, sugeria a implementação de uma taxa extraordinária apenas para consertar as telhas e que, depois, fossem discutidas, sucessivamente, outras taxas para cada um dos outros problemas. O síndico elaboraria os orçamentos de cada reforma, o discutiria em outras reuniões de condomínio e seria estabelecido o planejamento para a obra.
Esse sistema poderia funcionar? Com toda certeza! Mas muito provavelmente fracassaria. Por quê? Porque dificilmente seria possível reunir, a cada três ou quatro meses, todos os condôminos (ou boa parte deles) para discutir os problemas das áreas comuns do prédio. Na primeira reunião, muitos estariam interessados, mas nas reuniões seguintes possivelmente o número de presentes diminuiria bastante. Isso também acontece em casa: se alguém vive em um apartamento cheio de problemas e decide economizar para resolver o primeiro problema, e depois que o resolve decide passar para o segundo, possivelmente não terá força de vontade e disciplina para resolver todas as questões. Resolverá o primeiro, talvez o segundo, e depois vai se acostumar com a situação e parar de se preocupar com o assunto.
Como proceder, então?
Estabeleça um padrão de economia duradouro, um “fundo de reserva” que será utilizado para resolver os problemas. Foi esse o teor de minha proposta, aprovada com unanimidade. A ideia é simples: ao invés de economizar para resolver problema por problema, o ideal é estabelecer uma taxa permanente, voltada para a construção de um fundo de reforma. Com isso, o condomínio passa a ter recursos, no longo prazo, para administrar o patrimônio comum e para se planejar para todas as reformas. Aprovamos uma taxa extra de prazo indefinido, que possibilitará, nos próximos anos, resolver todos os problemas do condomínio.
Outra vantagem dessa abordagem diz respeito ao efeito dos juros compostos. Em um primeiro momento, o dinheiro decorrente da taxa extraordinária será utilizado para resolver os problemas mais urgentes, que afetam mais imediatamente a segurança e o bem-estar dos moradores. Passada essa fase, será iniciado um processo de acumulação com o objetivo de fazer uma despesa maior, relativa à reforma da fachada que, segundo orçamento prévio pesquisado pelo síndico, custaria um valor próximo a R$ 2 milhões. Sem que se coletasse uma taxa extra voltada para o longo prazo, possivelmente o valor da taxa extra teria que ser excessivamente elevado para que, no futuro, se fizesse a reforma.
Para ilustrar esse ponto, imagine a situação de um condomínio composto por 50 unidades que necessite fazer, em dez anos, uma reforma de sua fachada que custe R$ 2.000.000,00. Se os condôminos decidirem poupar, por dez anos, o dinheiro, a conta a ser paga mensalmente é muito menor do que se decidirem poupar apenas nos últimos 4 ou 5 anos. Nesses cálculos, foi considerado que a aplicação financeira do dinheiro acumulado renderia 8% ao ano. Vejamos a diferença das situações:

Como você pode observar, um condomínio que tenha por hábito economizar visando o longo prazo exige muito menos dos seus condôminos. Para economizar a quantia de R$ 2 milhões, um condomínio que tenha divisado com antecedência que no futuro precisaria incorrer em gastos pesados, poderia ter acumulado os R$ 2.000.000 para a reforma dali a 12 anos cobrando de cada condômino apenas R$ 200,00 por mês. A quantia faz falta pra muita gente, mas é MUITO menor do que a quantia exigida no caso em que a reforma fosse planejada “em cima da hora”. Por exemplo, se o condomínio descobrisse que precisaria fazer a reforma em quatro anos (por exigência da segurança pública, por exemplo), teria apenas 4 anos para acumular os dois milhões de reais. Como o prazo é muito menor, a taxa extra precisa ter um valor muito superior – no caso, de R$ 800,00 por mês durante quatro anos. Se os R$ 200,00 já pesavam no bolso de cada condômino, imagine o quanto não pesariam R$ 800,00 por mês!!
Além disso, a economia para o longo prazo teria uma grande vantagem para os condôminos: eles contribuiriam menos para alcançar os R$ 2 milhões do que quem decidisse economizar por menos tempo. Isso ocorre porque, quem decidiu economizar por mais tempo acaba ganhando mais com os juros compostos! Esse efeito pode ser percebido na tabela abaixo:

Nessa tabela, estão sendo computados os valores efetivamente pagos pelos condôminos. Com a contribuição de R$ 200,00 por 12 anos, o total de condôminos teria pago R$ 1.545.600 em taxas extras. Mas teriam acumulado R$ 2.277.255,18. Ou seja, o efeito dos juros corresponderia a R$ 731.655,18, ou 32% do total acumulado. O esforço financeiro dos condôminos, então, é bem menor porque eles economizaram por mais tempo e receberam juros compostos por mais tempo. Já o condomínio que não se planejou e decidiu cobrar uma taxa extra altíssima, de R$ 800,00 por mês, precisaria de um esforço financeiro muito maior dos condôminos, que ganhariam apenas R$ 242.933,76 em juros; o restante do dinheiro necessário para a reforma precisaria vir do bolso de cada um.
É importante considerar que esses cálculos desconsideraram a inflação. Obviamente, uma reforma de R$ 2.000.000 hoje será bem mais cara no futuro. Mas, de resto, a conta é a mesma… basta que o valor da taxa extra seja reajustado pela inflação a cada ano.
Uma ideia ambiciosa… um condomínio que não precisasse cobrar taxa ordinária dos moradores é possível?
Esses cálculos permitem lançar uma ideia ambiciosa: a de vislumbrar um condomínio que não necessite cobrar sequer a taxa ordinária dos moradores. Isso é possível, mas os moradores precisariam estar dispostos a um esforço no presente para economizar mais, e formar um “fundo de previdência do condomínio”. Nesse fundo, seriam lançados valores, todo mês, voltados para custear, no futuro, a própria taxa condominial ordinária. Façamos mais algumas contas.
Digamos que um condomínio com 50 unidades tenha uma despesa mensal de R$ 30.000,00. Como são 50 unidades, cada apartamento tem atrelado a si um custo de R$ 600,00. Mas digamos que os moradores aceitem o desafio de contribuir um pouco mais para que, no futuro, não precisem contribuir com nada. Ao invés de pagar uma taxa condominial de R$ 600,00, eles decidem pagar uma taxa voltada para esse fundo de R$ 300,00. De quanto tempo o condomínio precisaria para gerar a receita necessária para se custear sozinho? Considerando um rendimento real (descontada a inflação) de 4% ao ano, esse condomínio precisaria de aproximadamente 30 anos para levar a cabo essa tarefa. Veja os cálculos:

Pois é… em 30 anos, o condomínio teria uma renda mensal capaz de custeá-lo sozinho. Como já considerei uma rentabilidade anual de 4% ao ano, já levo em consideração os efeitos da inflação na conta.
Um sonho utópico? Talvez, principalmente considerando que o condomínio ainda precisaria de taxas extras para suas reformas, o que talvez tornasse o custo total inviável. No nosso exemplo, seria uma taxa ordinária de R$ 600,00, e duas taxas extras (de R$ 200,00 e de R$ 300,00), totalizando um custo total de R$ 1.100,00, bem salgado para a maioria das pessoas. Mas acho que é possível fazer isso aos poucos, viabilizando a construção de um futuro financeiramente mais sustentável para os condôminos. Afinal, cuidar do patrimônio comum é uma maneira de cuidar do seu próprio patrimônio.
Categoria: Educação financeira, Imóveis







Fábio,
Infelizmente a realidade que se apresenta não recomenda agir da maneira como você sugeriu.
A prudência manda JAMAIS deixar altos valores sob responsabilidade do síndico. Por mais honestos que sejam, imagine que aparece um problema na família dele, ele não tem condições de resolvê-lo e de repente olha do lado para uma conta-corrente com mais de um milhão de reais… Não são poucos os casos de síndicos que utilizam o dinheiro em benefício próprio.
Outro aspecto é que síndicos ADORAM obras. Você nunca se perguntou o porquê? Há “esquemas” de toda ordem com lojas de material de construção e prestadores de serviço. O síndico do meu prédio, por exemplo, forçou a barra pra que o condomínio contratasse a peso de ouro um designer de interiores famoso aqui em BsB pra decorar as áreas comuns, desses que cobram mais pela assinatura nos ambientes do que pela beleza e funcionalidade dos mesmos. “Curiosamente”, a decoração da unidade do síndico, um contador de classe média-média, também foi decorada por esse designer. “Fumus muitas mutretas”!
Outra coisa, via de regra as administradoras e os síndicos “aplicam” o dinheiro dos moradores na poupança mesmo, quando muito em fundos de renda fixa de curto prazo e altíssima taxa de administração. Assim é difícil beneficiar-se dos juros compostos.
Finalmente, sua ideia de um condomínio que não precisasse cobrar taxa ordinária dos moradores é inexequível por causa da rotatividade. Sendo eu proprietário ou locatário, em caso de venda ou desocupação do imóvel OBVIAMENTE eu faria jus ao que eu paguei e que será utilizado no futuro, quando eu não mais estiver usufruindo dos serviços do condomínio.
Abraços,
Nélio
Nélio,
No meu caso em particular, como síndico de um prédio em que morei, consegui estabelecer uma cota permanente para obras, como poupança, e conseguimos fazer um monte de coisas com uma cota baixa, sem estrangular o orçamento doméstico de ninguém.
Conseguíamos bons descontos na execução de obras relativamente caras, sem entrar na arapuca famosa do “parcelamos em dez vezes”, na qual as taxas de juros…bem, você sabe. Já tínhamos todo o dinheiro necessário.
Mas no meu caso, tratou-se de um prédio pequeno, e que a rotatividade era praticamente inexistente.
Quanto ao seu questionamento de receber de volta um dinheiro em que não foi usufruído ainda em uma benfeitoria, é realmente possível que você encontre algum amparo jurídico e ganhe a causa.
Mas eis o busílis: Nossa leis e jurisprudências muitas vezes são piegas e demagogas, e no final das contas, os únicos beneficiados são os de sempre: Os banqueiros.
A lei impede que um condomínio possa aplicar uma multa superior a 1% por inadimplência, e juros igualmente não podem ser superiores a 1% ao mês.
A questão é que quando o condomínio entra no saldo devedor, paga taxas bem maiores – havia uma administradora que cobrava 17 % ao mês – ou 558% ao ano.
Então, é aquela história das leis e jurisprudências piegas: O pobre coitadinho não conseguiu pagar o condomînio, e os juros extorsivos pelo saldo devedor são SOLIDARIAMENTE pagos por quem pagou em dia e não tem nada a ver com a história.
Dá vontade de dizer para a nossa “justiça”: Kiss my ass!
Nélio,
Respeito suas críticas, mas discordo. No modelo que estipulamos no condomínio, nenhuma decisão de reforma pode ser tomada apenas pelo síndico. Na verdade, nosso síndico é bem responsável e não costuma fazer obras desnecessárias. Mas, de qualquer modo, estabelecemos uma comissão dos próprios moradores (eu entre eles) para definir que obras serão prioritárias e qual o destino do dinheiro comum. Também discutiremos a aplicação dos recursos.
Quanto ao condomínio que se autocusteasse, concordo parcialmente contigo. Lancei a ideia porque ela é possível, mas reconheço as dificuldades de sua implementação – a começar pelo alto custo das taxas de condomínio.
Abraços,
Fábio
Fábio e Nélio,
Além das questões morais, o Código Civil proíbe o síndico de realizar obras “cosméticas” sem aprovação de 2/3 dos proprietários (não dos que estão na assembléia, mas de TODOS).
Hoje eu sou síndico do meu prédio justamente porque a gestão anterior fez obras descumprindo este preceito, além de não prestar contas, etc…
Tudo isso é crime, previsto no Código Civil.
Agora estou com um impasse, em breve (pelo desgaste que é visível) teremos que fazer uma reforma da fachada e interior do prédio, os orçamentos apresentados ficaram 400% acima do que eu imaginava (pedi vários para ver se era a realidade do mercado) e não faço idéia de como juntar tanto dinheiro, o artigo deu algumas sugestões agora é tentar implementar.
Além disso, o Fundo de Obras é uma verba que, via de regra, só pode ser usada com autorização via assembléia ou, para valores menores, com autorização dos conselheiros, então só é fácil de ser usado se o próprio condomínio (moradores) deixarem.
Aproveito para agradecer ao Fábio pelo excelente conteúdo, o Henrique Arake me recomendou o blog e só este post já valeu a dica, parabéns!
Que inveja dos norte-americanos, que moram em boas casas de subúrbio, e diferentemente daqui, morar em subúrbio não é sinônimo de lugar esquecido pelo poder público em sem infra-estrutura nenhuma, em que você leva três horas para chegar ao trabalho.
Como já li certa vez, um artigo de advogado (e no qual concordo), morar em edifício é uma coisa anti-natural, pois volta e meia entra em conflito com o direito de propriedade.
Se levarmos em conta que o brasileiro médio é um analfabeto financeiro, independentemente de sua renda, é terrível você ser obrigado a compartilhar decisões com um exército de medíocres que habitualmente frequentam as reuniões.
Desulpe o tom de desabafo, mas é um fato: Este mês meu condomínio pagou 1.300 reais de juros porque ficou no saldo devedor. As pessoas não querem encarar isso, e ficam posterganto o tanto quanto possível o reajuste da cota, o que só aumenta o problema. Esses R$ 1.300 é quase o valor da cota de dois apartamentos. Enquanto isso, o prédio precisa de um monte de coisas.
Não se iluda muito com os subúrbios norte-americanos. Também se tem muito engarrafamento no suburbanismo, bem como uma dependência maior do transporte privado (carro).
Fábio, o princípio da idéia é muito bom, porém tenho que concordar com muita coisa apresentada pelo Nélio: infelizmente não se aplica a esta terra…
Muita gente tem a tendência de achar que o dinheiro dos outros faz parte de alguma forma do dinheiro dele. Infelizmente não temos bons gestores de qualquer coisa que seja pública. Digo mais, se o problema fosse só esse (apenas má-gestão) até que estaria razoável, o maior buraco é que quem se dispõe a ser gestor de qualquer coisa pública muitas vezes age de má fé, sempre querendo levar alguma vantagem pelo que ele faz pela coletividade…
E, infelizmente, também abre brecha para aqueles que saem do condomínio de exigir sua parte paga ‘para o futuro’… O brasileiro, apesar de ser um povo cordial e acolhedor, tem muito pouco sentimento de coletivismo, sendo nulo em muitos casos…
Saindo do aspecto cultural, o grande nó seria manter a disciplina. Se a cada troca de síndico ou a cada reunião mudam as prioridades, a disciplina vai para o beleléu e o imediatismo vai surgir novamente.
É por essas e outras que prefiro muito mais morar em casa do que em apartamento… Mas Fábio, muito obrigado por apresentar uma idéia legal e diferente !
Samuel, na hipótese que eu aventei, exigir o dinheiro que se pagou para o futuro é um DIREITO, muito óbvio até, e não tem NADA a ver com falta de sentimento de coletivismo. Por que eu tenho que provisionar recursos que eu não utilizarei?
Ou, fazendo o caminho inverso, e se eu me tornasse proprietário no exato mês em que o condomínio adquirisse a “independência financeira”, seria justo com os demais? CLARO QUE NÃO! A “provisão para a independência” não tem como ser precificada no valor do imóvel, e o justo, penso eu, seria o vendedor receber o valor por ele provisionado, ao mesmo tempo em que o comprador pagaria uma “jóia” para integrar o condomínio.
Colocar isso em prática eu não acho difícil, acho IMPOSSÍVEL, além de inclusive ser de legalidade discutível.
Mudando de assunto, apesar dos pesares ainda prefiro morar em apartamento, pela tranquilidade e maior segurança.
A idéia é muito legal.
Mas ao invés de pegar o dinheiro pra reformas ele fosse distribuído pra galera? Nossa, 2 milhões distribuídos dava uma grana legal pro pessoal, 40.000 reais.
Mas falando sério, o maior problema em prédios são 2 tipos de pessoas:
1- Os idosos chatos
2- O pai de família caloteiro valentão
Todo prédio tem um grupo de idosos que sempre emperra tudo e sempre quer reformar. Comandandos pelas mulheres que tem mais tempo pra futricar no dia a dia, começam a vislumbrar obras e mais obras pra estragar com o dia dos outros mais jovens trabalhadores.
O caloteiro é aquele em que toda a casa tem 5 tvs, todos tem iphone, ipod, ipad, videogame, microondas, frost free duplex, 3 ar condicionados, todo final de semana em restaurante mas fica atrasando condomínio ou não aceita soluções que impliquem em poupança conjunta o que aumentaria os gastos.
Realmente prédio é uma droga mas casa é ruim também porque é sempre afastado de tudo e os assassinatos e arrombamentos são muito maiores, morar em casa é roleta russa pra sequestro.
O prédio entra no vermelho e os juros extorsivos são rateados pelos demais condôminos, que acabam SUBSIDIANDO o consumismo do valentão.
Por isso que o ideal é ter segurança pública, porque quando querem sequestrar, arrombar, casa ou prédio não faz muita diferença. Eu já morei nos dois, mas realmente, em casa você fica menos dependente de vizinhos sem-noção, o que é muito bom. Queria morar em casa no futuro, pela liberdade maior de construção, uso do solo, animais de estimação… mas pena que não vai ser “no fervo”, perto de tudo à pé.
Aliás, eu tô tentando ser síndico do meu prédio e não consigo.
Sabe porque?
Porque os idosos não aceitam que um cara jovem com cara de garoto italiano ralé comande as coisas.
Aí colocam sempre um mané que fica fazendo besteira, obras inúteis e passando mão na cabeça de porteiro.
Ai minha vida nunca melhora porque?
Eu gosto de participar de reniões de condomínio para barrar idéias malucas, propostas por condôminos malucos (um 3º tipo muito comum, além daqueles 2 citados pelo Pobretão de Vida Ruim).
Durante uns 2 anos eu fui o único membro do conselho fiscal do meu condomínio. Aos outros 83 condôminos parecia não interessar muito saber para onde estava indo o nosso dinheiro. Todo o trabalho que eu tinha era, 1 vez por mês, examinar um balancete.
Reuniões de condomínio no meu prédio reúnem, no máximo, umas 20 pessoas, menos de 1/4 dos condôminos. A falta de interesse do brasileiro pela participação democrática se vê nesses pequenos exemplos.
Quanto a condôminos inadimplentes, a solução é colocá-los na Justiça e eles que se virem.
Temos aqui no meu condomínio um gigante problema com inadimplentes. Também perguntei por que não se processa todos, mesmo que não se tenha muito dinheiro pra isso. Me responderam que é porque temos muitos milicianos aqui, o que coage quem quiser tomar medidas.
Parece até uma das incríveis coincidências que aconteceram na vida da Ostra, mas é a mais pura verdade: há pouco fui abordado por uma moradora do prédio que está organizando um abaixo-assinado visando – pasmem! – fazer com que o síndico APRESENTE OS BALANÇOS DE 2011! Isso mesmo! Já aconteceu a AGO, a taxa foi reajustada em “módicos” 25% (!) mas o síndico não mostra como chegou a esse valor e como vem sendo empregados os recursos!
Aqui onde moro eu não sou proprietário, logo não me preocupo tanto, mas pra mim está claríssimo que tem muita coisa errada rolando nessa administração.
Já no prédio onde possuo um apartamento, na Asa Norte, sou membro do conselho fiscal e modestamente influencio bastante o síndico no bom uso do dinheiro. Por exemplo, quando a lei da individualização dos hidrômetros passou a valer, o síndico queria logo uma taxa extra pra fazer a obra (SÍNDICOS ADORAM OBRAS, LEMBREM-SE!). Mas eu bati de frente, disse que o prazo pra individualizar era até 2015, os preços estavam muito caros e deveriam baixar quando novos concorrentes entrassem no mercado etc. Qual o resultado? SEQUER PRECISAREMOS FAZER A OBRA, porque a lei foi mudada!
Eu acredito piamente em que há síndicos honestos e até mesmo que o síndico do prédio onde tenho apartamento o seja, mas se eu não confio no gerente da minha conta no banco, QUAL A RAZÃO pra confiar em alguém que a) geralmente não tem formação adequada pra administrar um condomínio e b) aparentemente é masoquista, porque ninguém, em sã consciência, abraça essa tarefa se não for masoquista (ou tiver OUTROS interesses)?
Meu interesse é tomar as rédeas e cuidar do patrimônio (prédio degradado desvaloriza o apartamento, derruba a liquidez deste, sem falar no mal estar de viver num).
Mas realmente só topei ser síndico porque meu prédio era pequeno e tranquilo. Nesses condomínios enormes, em que um síndico tem mais responsabilidades que muitos prefeitos de cidades dos interior, “tô” fora!
E do dindin a mais no mês né..
Ser síndico deve ser bom demais, sobra grana pra aportes.
Meu caro, acredite, cheguei a abrir mão do pro-labore.
Você deve ser daqueles condôminos chatos que acha que todo síndico é igual ao seu caráter (o de levar vantagem em tudo).
A parte do “mal estar de se viver num” é muito verdadeira mesmo. O meu anda assim, e como ele [bem como o bairro] é muito desvalorizado, fica difícil se mudar daqui pra um lugar mais agradável, num bairro melhor, porque vai custar 20, 40, 150, 240 mil reais a mais!
Espero poder sair daqui (e dessa cidade) o quanto antes.
Gostei das suas ideias. São utópicas, mas nos levam a raciocinar por outro ângulo.
As vezes eu paro e tento entender por que é mais caro colocar 10 familhas empilhadas no mesmo quadrado do que apenas um familha? Traduzindo: porque é mais caro morar em apartamento de 10 andares a morar em uma casa?
Condominio é um monte de gente compartilhando recursos e terreno e, mesmo assim, fica mais caro. A resposta para mim é simples: quando tem muito ser-humano junto é quase impossível evoluir para algo melhor. É um cabo de guerra. Um barco onde cada um rema para seu próprio lado.
Essa ideia de não pagar a taxa mensal de condomínio é original e me pareceu tentadora, mas acabei achando que não agrega, porque é o mesmo que cada uma das famílias abrir uma poupança individual… Esse investimento coletivo não traz vantagens adicionais e você ainca corre o risco de ser lesado. Além disso, o dinheiro fica lá empatado, rendendo pouco e sem liquidez. Igualzinho FGTS, tô fora!
Como o leoh disse, por que é tão mais caro morar em apartamento? Realmente não consigo imaginar, como tudo é compartilhado, deveria ser bem mais barato…
Fábio Portela, Pobretão e demais: vocês me deram uma idéia.
Assumir o papel de síndico seria uma boa forma de ocupar mais meu tempo e, de quebra, ainda economizar um troquinho para fortalecer os aportes (como preconizado no post anterior do portau).
p.s.
Pobreta: como síndico você poderia defender que as portarias tivessem um telefone, assim como o zelador e o síndico. Seria conveniente que cada um tivesse um iphone, para que os moradores ligassem a qualquer problema nas instalações…
Iphone, iphone… a sina da minha vida.
No meu prédio o síndico recebe um pró-labore de R$ 1.500. Eu não aceitaria o cargo nem pelo dobro desse valor.
Essa questão de fazer uma “previdência privada” do condomínio dificilmente funcionaria na prática, pois nem todos os moradores pretendem permanecer no imóvel por tempo suficiente para usufruir desse fundo. Eu mesmo estou querendo me mudar no final desse ano. Que incentivo eu teria para contribuir para esse fundo?
Embora eu não pretenda morar onde moro pelos próximos 30 anos, pretendo estar vivo daqui a 30 anos, por isso faço meus aportes mensais em investimentos de longo prazo. A lógica é diferente.
Você está abrindo mão de 1500 reais de aportes pra se tornar rapidamente rico? Meu deus!
Porque deus não me dá essas oportunidades?
Pobretão, você está respondendo ao meu comentário ou ao do Álvaro Guilherme?
Só sei que se não tomasse a iniciativa de me tornar síndico, meu prédio estaria tão caidinho quanto o que está na foto que ilustra este artigo.
Peguei o condomínio no vermelho, pagando juros altos, e o prédio precisando de conservação.
Pessoal, desculpem-se por voltar no assunto velho da semana passada. Será que numa situação hipotética que nem chegou a ser vislumbrada pelo Nélio, num condomínio constituído entre amigos, seria possível aplicar a idéia do Sr. Fabio junto com o método de AC (alocação de ativos) desenvolvido pelo colaborador SHC (Sr. Henrique) para obter melhores rendimentos com menos risco?
A maioria não quer auxiliar o sindico. Só há omissão. e a maioria do povo brasileiro é composta por caloteiros e estelionatários. Não se ofendam. Eu escrevi a maioria. ao menos é a minha experiencia aqui na grande Porto Alegrre.O ruim de morar em condominio são os casais novos que gastam em restaurantes e festas e pensam que o prédio não precisa de reforamas.etc…