Rentabilidade da carteira – março de 2012

| 2 de abril de 2012 | 14 Comentários

O índice da Bolsa de Valores de São Paulo encerrou o mês em queda de 1,98%, com as preocupações em torno das dívidas soberanas dos países europeus e com a diminuição do ritmo de crescimento da economia chinesa. No ano, o índice acumula uma importante alta de 13,60%, graças aos expressivos resultados de janeiro e fevereiro. Mais um mês encerrado, mais um mês em que a carteira de investimentos bateu o iBovespa. Com uma novidade: ultrapassamos a rentabilidade do Ibovespa no ano com a carteira de ações. Vejamos como foi o mês para a carteira.

O mês de março: defensividade da carteira tem se mostrado eficiente

A minha carteira de ações tem uma característica: salvo uma ou outra ação, a grande maioria delas vem de setores bem defensivos, como o de energia elétrica e o bancário. São setores extremamente regulados e não acredito que estejam sujeitos a riscos sistêmicos extremos. Mas, como esses riscos também podem ocorrer (não nos esqueçamos dos cisnes negros!), a carteira também investe em outras ações – a maioria de empresas entediantes, como Ambev, BR Foods, Cielo ou Saraiva. Sem apostas no setor de tecnologia ou em outros setores mais “empolgantes”. O que há de mais arrojado na carteira são as ações da Natura (-1,95% no mês) e da Le Lis Blanc (+8,33%).

Segue a rentabilidade da carteira no mês:

carteira

 

As novidades da carteira?

(i) Comprei ações da Taesa no fim de fevereiro, e a aposta se mostrou válida. A empresa estava muito barata e o preço disparou depois de minha compra. 24,38% de alta no mês, e 40,47% desde que a comprei.

(ii) Compras do mês (em azul): Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Cielo e Eternit. Nenhuma razão especial para as compras, mas Itaú e Banco do Brasil tiveram quedas interessantes. Apenas segui o meu ciclo de compras, em rodízio: a cada mês, tenho comprado um pouquinho, e vou rodando as ações, a não ser que apareçam boas oportunidades. E só. Keep it simple!

(iii) Parei de investir no tesouro direto, como anunciei em fevereiro. Com a queda dos juros da renda fixa, preferi aumentar um pouquinho mais a exposição em ações, mas em um fundo de investimento do Banco do Brasil (o BB Ações Dividendos), que apresentou boa alta desde que comecei a investir nele, no início de março (+1,92%).

(iv) Depois de pequenas operações com o lançamento coberto de opções, resolvi agregá-las de vez a minha abordagem. Mas decidi adotar uma abordagem conservadora: espero uma boa sequência de altas e lanço opções de compra com vencimento mais distante, e com um strike mais alto que ofereça boa rentabilidade. E recompro as opções tão logo o preço delas caia a um patamar razoável (já deixo a operação programada no home broker).

Minhas operações no mês: depois de uma boa sequência de altas, vendi opções de compra do Itaú (ITUBD40), com vencimento em abril e strike em 40. Naquela oportunidade, as ações do Itaú vinham de quatro altas seguidas (de R$ 36,58 a R$ 37,70) e eu supus que o movimento não duraria muito mais. Além disso, o strike que delimitei me pareceu razoável, já que me oferecia um ganho de 6,10% sobre o preço do dia. Ou seja, mesmo que eu fosse obrigado a vender as ações em razão do exercício das opções, ainda teria um lucro de 6,10%. E o preço estava bem razoável: R$ 0,60 por opção, ou 1,62% do valor da ação. Minha suposição estava certa: logo depois o preço da ação começou a despencar, e recomprei as opções por R$ 0,22 – um lucro aproximado de R$ 0,38 por opção, próximo a 1% do valor total do patrimônio em ações do Itaú. Nada mal para uma operação que durou quatro dias.

No dia 16 de março, surgiu oportunidade semelhante com as ações do Itaú e do Banco do Brasil. Vendi opções ITUBE41 (vencimento em maio e strike próximo a R$ 41,00) por R$ 0,75 e BBASE31 (vencimento em maio e strike próximo a em R$ 31,00) por R$ 0,54. E recomprei por R$ 0,18 (BBASE31) e R$ 0,24 (ITUBE41). No total de todas as operações realizadas apenas com essas duas ações, garanti uma rentabilidade adicional ao meu portifólio de ações de 0,5% no mês. Parece pouco, mas é como se a carteira devolvesse para mim algo em torno do que a poupança paga. Essas operações estão computadas na coluna “proventos” (computei o ganho nas opções como se fossem dividendos ou juros sobre capital).

Por que lanço opções com vencimento tão distante? Basicamente, porque as opções perdem valor com o tempo: quanto mais tempo faltar para o exercício, maior a incerteza sobre o valor da ação ao final do período. Isso significa que essas opções são mais arriscadas e, por isso, são mais caras. Mas o risco maior não é o de quem vende; mas o de quem compra. A cada dia que passa, menos o fator tempo impacta no valor da opção e, por isso, ela perde valor. Mas o fato de o tempo estar a meu favor também me dá uma carta na manga: quanto maior o tempo, maior a probabilidade de que, em algum momento, o valor das ações caia e abra uma oportunidade para que eu recompre as opções com um valor muito mais barato, fechando a operação.

(v) A rentabilidade da carteira contou com a sorte

O fator “sorte” impactou bastante minha carteira esse mês. Ações como a Ambev, Cemig e Taesa dispararam no mês (as duas últimas, em razão da especulação a respeito de eventual consolidação dos ativos da Taesa pela Cemig), e isso elevou bastante a rentabilidade da carteira.

Comparativo entre Ibovespa e carteira

E ao longo do tempo, como anda a comparação entre a carteira e o Ibovespa (que é o meu benchmark pessoal)? Vejamos a nossa tradicional tabela:

tabela2

Como você pode observar, a carteira de ações tem superado o Ibovespa por ampla margem – mais de 40% desde o fim de maio de 2008, quando comecei a computar minha rentabilidade. No ano, o Ibovespa tem uma alta de 13,6%, e minha carteira de ações, 14,52%. No combinado entre ações, renda fixa e o fundo de ações a que me referi, a minha carteira apresenta rentabilidade de 7,41% no ano, e de 43,33% no total. Esse resultado reafirma a importância da alocação de ativos mesmo em uma carteira concentrada em ações como é a minha.

Vejamos o que nos espera em abril.

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Categoria: Educação financeira

Sobre o Autor ()

Fábio Portela é investidor desde 2006 e disponibiliza neste site seus conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, seja com sua experiência, seja por meio das leituras que fez ao longo dos anos. O autor é mestre em Direito Constitucional e em Filosofia pela UnB, e atualmente cursa doutorado em Direito Constitucional na mesma instituição.

Comentários (14)

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  1. Você tem alguma planilha que controla sua carteira?
    Pode nos disponibilizar? Preciso de uma para meu controle.

    Muito Grato e parabens pela carteira!

  2. Renato Pudney disse:

    BOM DIA FABIO, PARABENS PELA CARTEIRA, ESPERO QUE CONTINUE COM ESSA “SORTE” E QUE TENHA O MESMO SUCESSO EM ABRIL, EU QUERIA SABER SE VOCE JÁ POSTOU ALGUM ARTIGO SOBRE COMO TRABALHAR COM OPÇÕES?? EU SEI QUE É UM ASSUNTO MUITO MAIS COMPLEXO, E COMO EU SOU MEIO CABAÇO NA BOLSA (TO COMEÇANDO A ESTUDAR AGORA) GOSTARIA DE LER ALGO SOBRE ISSO…APENAS COMO CONHECIMENTO…..ABCS!

  3. investindoalp disse:

    Bom rendimento, Fábio!

    O único “problema” em sua carteira, a meu ver, são as ações da Inepar (INEP4). Por ela ocupar parte insignificante do seu portfólio, não seria mais interessante realizar o prejuízo nelas e comprar, por exemplo, títulos do tesouro nacional ou alocar esse valor na poupança ou em algum fundo de investimento potencialmente mais rentável? Posso estar errado, mas não a vejo como uma empresa promissora no Longo Prazo…

    Um abraço!

  4. Felipe popre disse:

    Fabio temos algumas ações parecidas em nossas carteiras e uma das que temos em comum é a Taesa, comprei 2 lotes com um preço perto do seu, com preço médio de 39. Eu sou um comprador bem holder mas essa alta tão grande não poderia ser uma boa para vender? não vejo muito a taesa subindo depois desses 50%, sera que ela pagará bons dividenso nos próximos anos? acho que o que pode fazer ela subir tambem seria o aumento do free float que ta em 0,27% talvez com liquides ela suba ainda mais .. o que você espera desse papel? um abraço

  5. Breno disse:

    Dá uma olhada nessa rentabilidade mensal da NTN-BP 15 e 24, fiz minha carteira de março de manhã e deu bem diferente.

    Abs

  6. Caramba dá inveja dessas ações, que bela carteira.

    Pessoal comentando que queriam ver os big boys da comunidade de finanças no ranking.

    Agora este mês, putz, vai ser carnificina tá com cara de queda viu.

    Parabéns pelo rendimento!

    Forte abraço.

  7. Claudio Gomes disse:

    Andei fazendo alguns calculos e percebi alguns erros vou procurar o meu advogdo/contador para evitar problemas.

    Agradeço pelas dicas.

  8. Adriano disse:

    Boa tarde,

    Você teria uma indicação de onde conseguir um exemplo dessa planilha em xls?

    Obrigado

    Adriano

  9. Maah disse:

    Tenho bastante interesse no mercado de ações,minha pergunta é (pode parecer muito idiota),mas a rentabilidade da ação é medida em cima da quantidade de ações ou do capital investido?

    Obrigada!

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