Aposentadoria: você tem que se preocupar com ela o mais rápido possível

| 18 de abril de 2012 | 21 Comentários

A maioria das pessoas não se preocupa muito com a aposentadoria. Mas esse é um erro. A economia brasileira está mudando, os juros estão caindo, e o governo vem, aos poucos, mudando as regras da aposentadoria. E você deveria se preocupar.

Aposentadoria: a responsabilidade é sua!

A atual geração é uma das primeiras a viver uma situação curiosa: a de ter que depender exclusivamente de si mesmo para viver bem na velhice. As gerações anteriores vinham de famílias maiores e, por essa razão, os idosos podiam contar em grande medida com o apoio dos filhos ou dos parentes. Essa realidade, contudo, está mudando drasticamente, uma vez que o número de filhos por casal diminuiu muito nas últimas décadas, situação que torna difícil contar com os filhos para ter uma velhice minimamente digna.

Além disso, essa realidade afeta a aposentadoria dos brasileiros porque, com um menor número de crianças por família, há um número menor de pessoas que irá sustentar a sua aposentadoria no futuro. Isso ocorre em razão das características de nosso sistema previdenciário: quem sustenta as aposentadorias dos atuais aposentados é quem está trabalhando, e não as contribuições previdenciárias daqueles que já se aposentaram. O dinheiro recolhido por eles quando trabalhavam já foi gasto há muito tempo, quando eles ainda estavam trabalhando.

aposentadoria

Esse sistema funciona enquanto há mais jovens do que aposentados. Como a composição etária brasileira está se modificando, passando para uma população composta por mais adultos e idosos, o sistema passa a se tornar cada vez mais insustentável. Por isso, o governo tem cada vez mais mudado as regras do jogo: há alguns anos introduziu o fator previdenciário, instituiu a contribuição previdenciária dos servidores inativos (que, na prática, significa que os servidores públicos aposentados custeiam parte de sua aposentadoria quando já estão aposentados), aumentou a idade de aposentadoria e, agora, está implementando o fundo de previdência complementar do servidor público, buscando uma maior igualdade entre os proventos de aposentadoria do sistema de previdência dos servidores e o dos demais trabalhadores.

Tudo isso indica que o horizonte é complicado para quem pretende se aposentar nas próximas décadas. Eis algumas situações para as quais você deve estar preparado:

i. Não tenha dúvidas: a idade mínima de aposentadoria será maior do que hoje;

ii. O tempo mínimo de contribuição será maior do que hoje;

iii. Provavelmente, o valor da aposentadoria será menor, em termos reais, do que hoje;

iv. É possível que o valor da contribuição previdenciária aumente, com alíquotas mais elevadas do que as de hoje.

Por isso tudo, nem pense em não se preocupar com sua aposentadoria. Se você não quiser depender da bondade de terceiros ou viver em um asilo degradante, deve começar a economizar e a investir HOJE com o objetivo explícito de complementar sua renda no futuro. Mesmo que você seja servidor público, provavelmente as regras do jogo irão mudar.

O cenário fica pior: a aposentadoria deve ser garantida com base em investimentos de rentabilidade menor à dos últimos anos

Você achou ruim o cenário descrito? Pois então, prepare-se: o cenário é ainda pior. Com a queda dos juros, a estabilização da economia e a maior confiança dos investidores externos, os investimentos em renda fixa ou em ativos considerados mais “seguros” dificilmente trarão rentabilidade próxima à das últimas décadas. No início dos anos 2000, investimentos em renda fixa chegaram a render mais de 20% ao ano. Mesmo hoje, os juros pagos por esses investimentos são considerados altos para o padrão mundial. Dificilmente conseguiremos manter esse patamar de juros nas próximas décadas – a não ser, evidentemente, que o cenário de estabilidade se deteriore drasticamente.

Isso significa que é preciso começar a economizar e a investir com o objetivo de gerar uma renda razoável para a aposentadoria o mais rápido possível. Com juros menores, é preciso contar com um horizonte de tempo maior para que o efeito dos juros compostos se torne significativo.

Além disso, isso significa que é necessário investir em ativos mais arriscados. É preciso aprender o que são debêntures, letras de crédito imobiliário, e também é importante começar a investir em ações. Esses investimentos provavelmente trarão maior rentabilidade, no longo prazo, do que o investimento em títulos do tesouro nacional.

Enfim, é preciso ter educação financeira. Sem ela, a aposentadoria não será nada mais do que um sonho distante.

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Categoria: Educação financeira

Sobre o Autor ()

Fábio Portela é investidor desde 2006 e disponibiliza neste site seus conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, seja com sua experiência, seja por meio das leituras que fez ao longo dos anos. O autor é mestre em Direito Constitucional e em Filosofia pela UnB, e atualmente cursa doutorado em Direito Constitucional na mesma instituição.

Comentários (21)

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  1. Ricardo Silva disse:

    Ola Fabio,

    Primeiro, gostaria de parabeniza-lo por manter ele belo site de educação financeira… E esse tema que vc abordou hoje, é muito importante, pois muita gente que conheço quer se aponsentar logo… mas não pensa em seu futuro financeiro !!!

    Abraços

  2. investindoalp disse:

    Bom artigo, Fabio!

    Resumindo, se dependermos apenas da previdência comum e da nossa família para sobrevivermos na velhice, estaremos quebrados. Espero que esses espertões que se endividam a perder de vista para manter suas ostenteções um dia pensem nisso.

    Um abraço!

  3. Pedro disse:

    Post muito bom, perfeito! Educação financeira deveria ser tratado, mesmo que um pouco, nas escolas.

  4. Por isso que as pessoas me criticam por não viver nada da vida enquanto aporto 2.600 por mês.

    Pois quero curtir a vida logo sem precisar trabalhar e com muita grana.

    A nossa geração é a que mais se deu mal na história. Além de ser a que mais trabalha na história, ou seja, são 12 horas de trabalho por dia por 40 anos de sua vida, ela quando se aposenta se aposenta mal com pouca grana e INSS baixo e de risco.

  5. Pedro disse:

    eu invisto no vgbl 2040 do BB faz 1 ano, pago 11 por cento sobre salario minimo pro inss faz 1 ano tbm. ta certo o meu dever de casa?

    tenho um dinheiro na poupanca, qual primeiro passo pra entrar na bolsa?

    • Fábio Portela disse:

      O primeiro passo é estudar, Pedro… seu dever de casa está certo (embora eu não goste de previdência complementar, por achar que ela vem atrelada a muitas taxas) e recolher a contribuição do INSS é o primeiro passo. Mas é importante estudar bastante antes de entrar na bolsa – ou então, entrar aos poucos, via fundos de investimento.

  6. Olá Fábio.
    Importante demais a questão da previdência.
    E quanto vai precisar!
    Ontem postei sobre a questão das retiradas mensais.
    http://investidordefensivo.blogspot.com.br/2012/04/nao-acredite-na-taxa-de-retirada-de-4.html

    Abs!

  7. Excelente postagem.

    As novas gerações precisam se preocupar desde cedo com a aposentadoria. A tendência é piorar com o tempo.

    Abraços

  8. Álvaro Guilherme disse:

    Nos últimos tempos tenho me intrigado com países da Europa e o Japão.

    São países com população mais idosa que a nossa, taxas de juros que quase não repõem a inflação. Eles estão no “avant guarde” de nossos questionamentos. A população idosa de hoje ainda vive com alguma dignidade. Mas o que será dos que estão na ativa (quando não desempregados)?

    Eles podem por enquanto contar com investimentos em países emergentes, cujas taxas e potencial de crescimento ainda são elevados, mas até nestes as curvas de crescimento e taxas de juros declinarão paulatinamente.

    O fato é que o capitalismo vive do infinito. Infinitas necessidades de consumo, infinitas possibilidades de crescimento, infinitos retornos de investimento.

    Mas também é fato que uma população mais velha tende a consumir menos, seja por motivos de saúde (desânimo, depressão ou falta de disposição) ou estritamente etários (tais como filhos já criados e acumulação de bens materiais já satisfatórios) ou psicológicos (não tem o consumismo do jovem, que gosta de se auto-afirmar).

    O consumo da terceira idade tende aos medicamentos e serviços de apoio. Mas dia desses, ao precisar fazer dez sessões de fisioterapia, me caiu a ficha: Os jovens que atendiam trabalhavam sem parar, e apesar disso a demora no atendimento era muito grande. Obviamente, muitos idosos na fila. Então me questionei como será o futuro, onde um número relativamente pequeno de médicos e enfermeiros em condições de trabalhar terão que dar conta de um exército de idosos. Existirão médicos e enfermerios robôs?

    • Álvaro Guilherme disse:

      Concluindo meu raciocínio, a infinitude (do qual o capitalismo e o rentismo sobrevivem) pode não ser tão infinita assim.

      Há também o desafio ambiental, o limite dos recursos naturais. Apesar de todas as novas tecnologias, o fato é que apenas 16% da energia mundial (segundo a Wikipedia) é renovável.

      Parece papo de marxista velho, mas não…

  9. Aufredo disse:

    Perfeito. Uma outra alternativa é casar com uma italiana e ter um monte de filhos com cara de italiano pobretão e educá-los desde cedo para acreditarem que precisam sustentar os pais. Isso vai de encontro ao excelente post do Pobretão, visitem ele e adicionem no facebook!
    http://vidaruimdepobre.blogspot.com.br/2012/04/com-quem-voce-deve-gastar-mais-seu.html

  10. Sammy disse:

    Taxa de juros a 9%.
    E agora, Tesouro Direto?

  11. Felipe Dobler disse:

    Fábio,

    Você saberia informar quais impostos e taxas incidem nos investimentos em Debêntures?

    Li no Post em que ensina o que são as Debêntures, e pareceu um ótimo investimento para quem tem um bom patrimônio acumulado.

    Abraço!

  12. Alves disse:

    Educação Financeira. Estudar de verdade, focando a realidade e não viver de aparências. A moda aqui no interior do Pará é ter Camioneta e as mulheres usarem óculos grandes, puro desperdício…e no futuro, terá alguém para bancar tudo isto? Ou melhor terá renda ou poupança para garantir a velhice? Sei não…

  13. Arthur Salles disse:

    Bom dia Fabio, parabens por mais um post muito bom. Concordo com o Pedro, educação financeira devia ser dado desde a escola para começarmos a mudar o perfil e a vida dos brasileiros. Agora para nós que infelizmente ainda não temos essa oportunidade. Gostaria de compartilhar com todos os leitores desse excelente blogue o clube de Benefícios Financeiros que sou sócio, o clube já existe a 16 anos e já se encontra com quase 40 mil membros, o objetivo do clube é LEVAR EDUCAÇÃO FINANCEIRA AOS SEU ASSOCIADOS e devido a quantidade de sócios sempre crescente temos um poder de barganha que sozinhos não temos, conseguindo uma série de benefícios na área financeira, sendo um deles justamente o que foi dito aqui no post do Fabio. Um dos nossos benefícios é a possibilidade de fazermos uma previdência privada com taxas que não conseguimos no mercado, pois o clube tem uma parceria com a Sulaméria Seguros, que é a empresa que faz nossa previdência privada, e devido a quantidade de sócios ela nos oferece taxas exclusivas. Quem tiver interessado pode entrar em contato via arthurscb@gmail.com que lhes envio um material para vocês entenderem o funcionamento do clube.

  14. Álvaro Guilherme disse:

    No link abaixo, há uma matéria sobre como juntar R$ 1 milhão:

    http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2012/03/05/como-juntar-r-1-milhao-com-r-360-por-mes.jhtm

    Estarrecedor mesmo são os comentários…a mentalidade do brasileiro tem evoluir muito, muito, muito…

  15. junior silva disse:

    ME AJUDEM! Esta dificil! Tenho 36 anos, ganho 2674 reais, finalmente depois de 9 anos, consegui comprar minha casinha de 63 metros quadrados e 3 quartos e tenho um corsa 1999 (quitado) e uma CG125 (quitada). Tenho 2 filhos em escola publica (13 e 11 anos) e minha esposa nao trabalha. Tenho R$ 9365.45 na cardeneta de poupanca (acabei de checar on line na caixa).

    Sei que sou “privilegiado” por ter o que tenho e acreditem, ja deixei de fazer muita coisa para pagar o que tenho suado mesmo! Muita gente me acha “rico” porem estudando na internet percebi que estou longe, mais muito longe mesmo de ser rico.

    Podem tenho! Pagando todas minhas despesas, sobra seguramente 782 reais por mes. Sera que continuo colocando na poupanca? bolsa de valores? Sei que e dificil perder tudo de uma vez, porem o risco e grande. O que devo fazer com estes 782 reais que me sobra todo mes. Nao preciso de nada eletronico, carro novo, nada material pois sou muito simples e nao sou louco de me endividar, principalmente com filhos. Me refiro no que fazer para investir estes 782 reais. Se alguem me dar uma ajuda e agradeco muito mesmo e ainda faco uma oracao! Obrigado!

    Junior – Sacramento MG

    • Fábio Portela disse:

      Prezado Junior,

      Meus parabéns pelo que você conquistou. Não é fácil, com o seu salário, fazer sobrar R$ 782 todo mês. Parabéns mesmo! E olhe só: você é rico sim. Você tem sua casa já quitada e um automóvel, mesmo sem sua esposa estar trabalhando. Quantos podem dizer isso no Brasil?? Eu garanto que é a minoria!

      Bom, quanto a sua dúvida: você já tem um bom colchão financeiro na poupança, suficiente para sustentar vocês por alguns meses mesmo que você esteja desempregado. Como você consegue se sustentar com aproximadamente R$ 2.000,00, eu continuaria a aplicar na poupança até conseguir acumular algo em torno de R$ 12.000,00, o que é suficiente para sustentar seu padrão de vida por uns 6 meses caso ocorra de perder o emprego.

      Depois de alcançar este patamar, é o caso de pensar em vôos mais altos. Eu dividiria os R$ 782 em duas partes: a primeira seria destinada a comprar títulos NTN-B Principal do Tesouro Direto com prazos mais longos (vencimento em 2024 e 2035). É o que eu faço, para garantir uma renda fixa acima da inflação. Note que o Tesouro Direto tem seus momentos de volatilidade – em alguns meses, a rentabilidade é negativa e, em outros, é positiva. Mas, na média, é um bom produto. A outra parte eu investiria em um ETF que espelhe a rentabilidade do índice de dividendos do Ibovespa (DIVO11).

      Mas eu aconselharia que você investisse alternadamente: em um mês, aplicar em Tesouro Direto e, no outro, no ETF. Como o montante é baixo para padrões dos grandes bancos, o volume de taxas seria muito alto e comprometeria demais sua rentabilidade caso você investisse apenas uns trezentos reais. Com quase oitocentos, o percentual das taxas afetaria menos seu patrimônio.

      Se você não souber o que é ETF ou como investir em tesouro direto, procure em outros artigos do blog, que está tudo ensinado. Para investir nesses produtos, é importante abrir uma conta em uma corretora (pode ser a do seu próprio banco).

  16. edivaldo mello disse:

    Eu queria fazer igual o Junior Silva fez acima, porem com um salario de 1900 reais fica dificil. Eu ainda sou louco com eletronicos e acabei de comprar um PS3 usado e no futuro queria comprar um Tablet da Acer. Mas deste jeito fica dificil juntar dinheiro, principalmente quando gasto dinheiro no final de semana tomando chopp e gastando dinheiro com a namorada. Acredito que tenho que crescer e mudar meus habitos pois senao, vou ter que depender de aposentadoria de 622 reais.. ai nao da. Tem que ter uma vontade muito grande e nos dias de hoje com tanta diversao e distracoes, fica dificil. Se eu economiza-se 250 reais por mes ficaria super satisfeito.

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