Análise da Vale

| 23 de abril de 2012 | 23 Comentários

Muitos leitores têm pedido, há algum tempo, uma análise da Vale (VALE3/VALE5) a partir do modo como costumo avaliar as ações que compõem minha carteira. Pois bem: resolvi atender aos pedidos e fazer minha análise. Eu nem achava que valia à pena, já que o histórico da empresa é por demais conhecido e os atuais patamares de preço indicam que ela está bastante barata. Mas, fazendo as contas, eu mesmo me surpreendi com o quão baratas estão as ações da empresa.

Vale apresentou crescimento fantástico nos últimos anos… mas o que importa são os próximos. O que esperar da companhia?

O que vou mostrar aqui é de conhecimento público e notório. A Vale cresceu, e muito, nos últimos anos. Se você não estava em Marte e chegou ao Brasil apenas hoje, já sabe disso. Mas você sabe o quanto a Vale cresceu nos últimos anos? Vamos lá:

- O lucro por ação da empresa cresceu, entre 2004 e 2011, 485,40%, com uma média de crescimento anual de 24,72%. Quando consideramos a média dos últimos 5 anos, ela cai para 13,58% – algo fantástico se consideramos que nesse período houve a crise de 2008/2009 e começamos a enfrentar, em 2011, a crise da dívida soberana na Europa. E mesmo assim, pegando os últimos 3 anos (de 2009 a 2011), a empresa consegue apresentar uma média de 54,52% ao ano (viciada porque o primeiro ano do período foi o pior da empresa na sequência). Em 2008, o lucro por ação (LPA) da empresa estava em R$ 3,97 e recuou, por conta da crise, em 2009, para R$ 1,91. Mas 2010 já mostrou uma incrível recuperação, para R$ 5,60, que foi mantida em 2011, com um LPA de R$ 7,05. Um desempenho assombroso, como se pode ver nos gráficos abaixo:

Vale

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Outro fator que esses gráficos mostram é que a receita líquida de vendas da Vale está crescendo a um ritmo superior do que o seu lucro por ação, nos últimos anos (na média geral, o lucro por ação cresceu a uma taxa superior). Isso pode ser interpretado de duas maneiras: por um lado, pode significar que a empresa é um pouco ineficiente na conversão de sua receita líquida em lucro líquido efetivo; e por outro, pode indicar um fator positivo para o acionista: que o crescimento do lucro é sustentável. Existem empresas que conseguem aumentar seu lucro fantasticamente sem aumentar tanto assim a sua receita líquida. Como? Melhorando a sua eficiência interna, com a redução de custos. Mas se essa também é uma maneira inteligente de ver os lucros crescerem, ela tem suas limitações; afinal, é impossível melhorar infinitamente a sua eficiência. Em algum momento, a empresa deverá ter que aumentar a sua receita de vendas para ver seu lucro melhorando.

Mas, veja bem: eu não estou dizendo que a Vale é ineficiente. Mostrei apenas que, salvo no ano de 2009, quando houve crise no mundo inteiro e forte redução na demanda pelos produtos da empresa, em todos os outros anos da série analisada houve forte crescimento da receita e dos lucros. A eficiência da empresa pode ser observada em suas margens de lucro:

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Como você pode observar, as margens de lucro da companhia, mesmo com as crises dos últimos anos, melhorou substancialmente. Em 2004, a margem bruta da empresa estava em 48,73%; ou seja, de toda a receita líquida que entrava, quase metade era convertida em lucro bruto. Em 2011, a margem bruta subiu para 60,76%. E a margem líquida acompanhou esse movimento, tendo subido de 23,45% para 36,64%. Ou seja, 36,64% do dinheiro que entra na empresa é convertido em lucro líquido, já descontadas todas as despesas.
Outro fator que ilustra a eficiência da Vale é a evolução do seu índice de liquidez geral, que mede a capacidade de a empresa honrar seus compromissos. O ideal é que uma empresa consiga ter liquidez igual ou superior a 1,00 e a Vale conseguiu subir de um índice de 1,72 para 2,88.

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Com isso, a empresa consegue acesso mais fácil ao financiamento de suas atividades, a juros menores, pois representa menor risco para as instituições financeiras.

Outro fator que ilustra o forte crescimento da Vale é a evolução de seu valor patrimonial por ação, que saltou de R$ 3,39 para R$ 26,74 entre 2004 e 2011 – um aumento total de 689% em 8 anos, ou 29,47% ao ano. Em apenas um único ano não houve elevação desse indicador, 2009. Em todos os outros anos, crescimento. Um forte crescimento.

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Talvez o único fator que destoe um pouco seja a evolução do Retorno sobre o Patrimônio (ROE – Return On Equity), que caiu de 43,42% em 2005 para 26,36% em 2011. Não acredito que seja um problema, contudo, já que a empresa tem feito grandes investimentos nos últimos anos – o que, evidentemente, corrói um pouco a rentabilidade sobre o patrimônio. Afinal, o patrimônio que aumenta ainda demora um pouco para se tornar lucrativo. Por outro lado, mesmo os 26,36% de ROE já são espetaculares por si sós. Significa que, a cada ano, a empresa gera um lucro de 26,36% sobre o valor de seu patrimônio total. É como se todas as máquinas, computadores, escavadeiras e fábricas da empresa gerassem de lucro 26,36% sobre o que elas valem.

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Por fim, outro fator a ser salientado é o ritmo do crescimento dos dividendos da empresa. Sempre que possível, a empresa tem aumentado o valor pago em dividendos a seus acionistas – o que, no longo prazo, é um dos grandes motivos que alguém deve ter para investir em ações. De 2005 a 2011, a empresa aumentou o valor dos dividendos pagos anualmente em 329%, com média anual de 20% no período. Em 2005, pagou R$ 0,67 por ação e em 2011, R$ 2,88. O dividend yield médio da empresa no período foi de 3,34%. No último ano, foi de 7,75% (ou seja, só em dividendos as ações da Vale já pagaram em 2011 aproximadamente o que alguém receberia investindo na poupança). Veja o histórico de crescimento dos dividendos:

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Como você pode observar, 2011 foi um ano fantástico para quem investiu na Vale pensando nos dividendos…

Por todos esses dados, acredito que as próximas décadas serão boas para a companhia, se ela mantiver a sua administração. O principal fator de risco é o preço das commodities, que cresceu muito nos últimos anos. Mas, como a empresa não pode controlar isso, podemos esperar momentos de instabilidade cíclica – típica do setor -, mas que devem ser superados com a manutenção da boa administração.

E o preço da Vale? Está atraente?

O que mais me surpreendeu nessa análise da Vale foi a análise do preço das ações. Que elas estão relativamente baratas pelo histórico apresentado, não há dúvidas: o índice preço por lucro (P/L) está em 5,95 – ou seja, você pode comprar ações de uma empresa cujo lucro cresceu 24,72% ao ano nos últimos 8 anos por menos que seis vezes o lucro anual.

Fazendo minhas análises, cheguei às seguintes conclusões:

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O que esses cálculos querem dizer? Primeiro, vamos ver os cálculos em verde. Na primeira tabela, eu considerei o valor esperado de cada ação da empresa, caso seus lucros continuem a crescer, nos próximos 10 anos, a 15% ao ano. Essa é uma aposta arrojada e arriscada, reconheço, mas esse é apenas um experimento de pensamento. Considerei no cálculo, também, a taxa Selic como fator de decomposição dos lucros de dez anos adiante para cá. Se a empresa conseguir que seus lucros cresçam a 24% ao ano, em 2022 o lucro por ação estará em R$ 32,79 – o que, utilizando a Selic como fator de regressão para os preços atuais, significaria um LPA atual de R$ 12,77 por ação (atualmente, está em R$ 7,05). Como o P/L médio da empresa é de 10,14, o valor intrínseco da ação é de R$ 129,42 (produto da multiplicação de R$ 12,77 x 10,14). Como as ações estão valendo R$ 41,93 no dia em que escrevo, isso significa uma margem de segurança de 67,60%. Mas sejamos mais conservadores: ao invés de crescer 15% ao ano, a Vale vai crescer apenas 10% ao ano. Essa é a conta refletida na segunda tabela verde. Mesmo assim, a margem de segurança é enorme: 47,17% e um preço justo de R$ 79,37.

Na média, a margem de segurança estaria em 57,39%. É como levar uma nota de R$ 1,00 por R$ 0,43.

Mas essa é a minha metodologia de fazer esses cálculos. Mas, como não quero que você acredite em mim, resolvi utilizar a famosa equação de Graham, levando em consideração a taxa Selic de 9,00%. Fazendo as contas, cheguei aos seguintes dados: com um crescimento no LPA de 15% ao ano, o valor intrínseco das ações da Vale estariam em R$ 132,66. A 10%, em 98,20. Ou seja, minhas contas, apesar de parecerem arrojadas à primeira vista, foram ainda mais conservadoras do que as de Benjamin Graham, reconhecidamente conservador. E mesmo assim, chegamos a uma margem de segurança de 62,85%. Ou seja, por esses cálculos as ações da Vale estão MUITO baratas.

Um fator que muitos investidores não se dão conta é a importância do valor patrimonial por ação para a sua análise do valor intrínseco da ação. Pegue o caso da Vale: as ações preferenciais (VALE5) estão cotadas em torno de R$ 41,00. O valor patrimonial de suas ações, contudo, é de R$ 26,74. Ou seja, você paga R$ 41,00 para levar para casa todo o patrimônio da empresa por R$ 26,74, sem contar os lucros futuros. Mas, como a empresa lucra, você ainda leva pra casa o patrimônio mais o lucro dela. No ano passado, seu lucro foi de R$ 7,05 por ação. Ou seja, pagando R$ 41,00, você leva R$ 26,74 (o valor patrimonial por ação) mais R$ 7,05 (o lucro por ação), num total de R$ 33,79. E ainda leva todos os lucros futuros da empresa; se ela continuar apenas a repetir o lucro por ação nos próximos 3 anos, você já terá levado para casa mais do que o valor pago por ela hoje. Que negócio!!

Obviamente, as incertezas sobre o futuro da Vale são crescentes. Há a recente interferência do governo no controle da companhia e as incertezas sobre o crescimento da China e a respeito da existência de uma bolha no setor de commodities. Mas acho que, independentemente disso, os preços atuais da Vale parecem injustificados. Vejamos as cenas dos próximos capítulos.

* Como parte da política de transparência que adoto no blog, informo que esta não é recomendação de compra ou de venda das ações, que não sou analista de mercado e que detenho ações VALE5 em minha carteira de investimentos.

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Categoria: Ações

Sobre o Autor ()

Fábio Portela é investidor desde 2006 e disponibiliza neste site seus conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, seja com sua experiência, seja por meio das leituras que fez ao longo dos anos. O autor é mestre em Direito Constitucional e em Filosofia pela UnB, e atualmente cursa doutorado em Direito Constitucional na mesma instituição.

Comentários (23)

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  1. Dijanjão disse:

    Dr. Portela,

    Por favor, eduque-me:

    Vc desenvolveu um longo e detalho estudo com cálculos, valores e projeções, mas no fundo, resume suas esperanças nesse parágrafo:

    “Por todos esses dados, acredito que as próximas décadas serão boas para a companhia, se ela mantiver a sua administração. O principal fator de risco é o preço das commodities, que cresceu muito nos últimos anos. Mas, como a empresa não pode controlar isso, podemos esperar momentos de instabilidade cíclica – típica do setor -, mas que devem ser superados com a manutenção da boa administração.”

    ***

    Pelo o que eu entendi toda a robustez da sua análise se alicerça na “esperança do administrador”.

    Mas “como” que uma boa administração vai dar manutenção no valor em bolsa e na regularidade dos dividendos de uma empresa exploradora de commodities, caso ocorra o estouro da bolha das commodities?

    1) dobrando o preço do frete?
    2) pedindo ajuda ao governo, tipo isenção de impostos?
    3) reestruturação dos funcionários colocando robots em seus lugares?

    E se pensarmos em termos de ajudar o Brasil com nossas robustas idéias desenvolvidas aqui no seu Portal, pergunto:

    Se uma boa administração é capaz de superar o estouro de uma bolha de commodities…. O mesmo princípio da “boa administração” também não poderia ser usado pra superar o nosso “já” previsto estouro da bolha imobiliária?

    Pra pensarmos em bloco…. e ajudarmos o Brasil a crescer em sua Educação Financeira!

    • Fábio Portela disse:

      Dijanjão,

      Não podemos controlar a existência dessa bolha especificamente. Depende de muitos fatores – recuperação na Europa, nos EUA e na China. Até aqui, somente em 2009 houve retração nos preços – e mesmo assim pequena. Mas quando observamos o volume de produção e de negócios da Vale, eles só aumentaram em momentos de crise.

      Além disso, a “esperança do administrador” diz respeito a como ele vai conduzir a empresa, e não com essas soluçòes que você apresentou. De minha parte, acredito que o histórico da empresa não foi por acaso.

      Quanto à bolha imobiliária, o histórico de administração das empresas do setor é exatamente o oposto – tanto que vários esqueletos saíram do armário nos últimos balanços.

      Abraços,
      Fábio

  2. Dijanjão disse:

    Dr. Portela,

    Acabei de receber um relatório mui detalhado do Research do HSBC com data de hoje e eles classificaram a VALE como “neutral”, com um certo viés de risco acima do aceitável.

    Entre outra coisas nos alertam:

    “Quanto à Vale, a maior parte dos investidores brasileiros com quem nos reunimos estava otimista devido aos múltiplos muito atrativos e avaliação barata, principalmente em relação a outros setores no Brasil.
    (nota do copista: exatamente como analisa o dr. Portela).

    “Além disso, a maioria dos clientes repudiou as atuais acusações feitas pelo governo brasileiro sobre impostos atrasados, acreditando não se tratar de um problema relevante e de ser o momento de focar mais nos fundamentos.”
    (nota do copista: com certeza, dr. Portela foi um dos entrevistados pelo HSBC)

    “Isso diverge totalmente da maioria dos investidores estrangeiros com quem conversamos, os quais frequentemente citam o risco político e os IMPOSTOS ATRASADOS como as principais preocupações relativas à Vale. A maioria com quem conversamos adotou uma posição mais global, e concordou que outros produtores de minério de ferro (Rio Tinto, BHP Billiton) representam um melhor investimento no presente.”
    (nota do copista: se um desses investidores estrangeiros entrevistados pelo HSBC foi o espertíssimo dr. Buffett apostando no FRETE MENOR das australianas, precisamos ficar de orelhas em pé….)

    Mas em todo caso, como o senhor mesmo concluiu com muita propriedade e objetividade:

    “aguardemos as cenas dos próximos capítulos”

  3. James Nascimento disse:

    Obrigado pela análise Fábio! Estou esperando uma análise da Saraiva. Um abraço.

  4. Carla disse:

    Achei analise um pouco imparcial já que exalta as qualidades da companhia mas pouco foi falado sobre a desaceleração da China e intervenção do governo com a mesma ênfase que critica o setor imobiliário.

    • leo disse:

      seria muito cômodo destacar as Qualidades e os Problemas e ficar em cima do muro, como 90% das análises… que a empresa tem incertezas ao seu redor – e qual nao têm??? – todos sabemos.

      ele pode ter sido parcial, mas pelo menos emitiu uma opiniao.

      e as Qualidades e Problemas que ele destacou estao nos numeros. ou seja, podem ser precificadas e valoradas. foi o que ele fez. agora, quantificar qualidades e incertezas que nao estao nos numeros, ou que estao no futuro, ou que dependem de N variáveis absolutamente imprevisiveis, é muito dificil. pra nao dizer impossivel. é para isso que serve a margem de segurança e o conservadorismo. como quantificar a “interferência do governo”? o quanto ela afetará os lucros futuros?

      dentro do possível, analisar empresas é isso mesmo que o Fabio fez. as premissas podem estar erradas, mas elas estao ali expostas, ate mesmo para serem alteradas.

      • Dijanjão disse:

        Leo,

        Vc agora tocou no ponto mais importante para construção de uma educação financeira com excelência em investimentos:

        “é para isso que serve a margem de segurança”

        Todos aqueles como nós, investidores de longo prazo, um dia já ouvimos falar sobre essa lição de Ben Graham: a margem de segurança!

        Então para que nós aprendamos na prática o bom exercício da margem de segurança, trago-lhe um exemplo e gostaria de saber como você aplicaria neste exemplo o conceito de margem de segurança daqui a 3 anos.

        Exemplo:

        Eu compro hoje 1000 Vale5 a 41,50.

        Então após de 3 anos com essas 1000 Vale5 em carteira, qual seria o provável valor de mercado futuro que acionaria o alerta da sua “margem de segurança”? E como é que funciona o mecanismo da margem de segurança na prática quando acende a luz amarela ou vermelha no seu portfolio?

        • leo disse:

          Nao entendi direito a pergunta.

          Tudo depende da tua avaliaçao. Por que comprarias a Vale5 a 41,50?? Essa é a primeira pergunta. O fabio compraria pois ele entende que elas valem de 80 a 120 reais (conforme exposto no artigo).

          Como qualquer dono de boteco sabe, o lucro se faz na hora da COMPRA e nao na venda. Comprando bem, por preços bons e baratos, o lucro é certo. Nao se sabe de quanto será o lucro, mas que havera, havera.

          Renda variável nao é tao simples quanto isso, mas a ideia é a mesma. A unica dificuldade está na correta avaliaçao.

          O mecanismo da margem de segurança funciona da seguinte forma: eu avalio que o blog do Fábio vale 1 milhao de reais. Só aceitarei compra-lo por 500 mil ou menos, pois, alem do risco que terei de o blog falir ou algo parecido, ainda posso ter avaliado o seu valor intrínseco de forma errada.

          A luz amarela acenderia se o mercado começasse a negociar suas ações a 900 mil, 1 milhao. A luz vermelha acenderia, com certeza, quando estivesse sendo vendido a 1,4, 1,5 milhao. Ou caso eu revisasse minhas premissas, passando a avalia-lo em valor significativamente inferior ao 1 milhao inicial.

  5. leo disse:

    Tive que parar a agradavel leitura para destacar esse paragrafo:

    “Outro fator que ilustra o forte crescimento da Vale é a evolução de seu valor patrimonial por ação, que saltou de R$ 3,39 para R$ 26,74 entre 2004 e 2011 – um aumento total de 689% em 8 anos, ou 29,47% ao ano”.

    A capacidade de criar valor dessa companhia é absurda! 3 reais para 26 reais num intervalo de 7 anos é assustador.

  6. Nélio disse:

    Boa análise, como sempre. Faltou só comentar a DESASTROSA INGERÊNCIA DO GOVERNO na administração da empresa, e como isso foi TERRÍVEL para os acionistas (sendo o Governo, curiosamente, o maior deles), tal como demonstrado aqui: http://exame.abril.com.br/negocios/gestao/noticias/murilo-ferreira-da-vale-tem-feito-tudo-certo-mas-ele-ainda-acende-vela-pra-china.

  7. leo disse:

    tenho açoes da Vale tambem.

    mas infelizmente essa análise de passado nao funciona tao bem para esse setor de commodities..

    infelizmente nao me considero apto a fazer analises nesse tipo de setor, em que as variaveis sao incrivelmente grandes, e podem afetar severamente o negocio das companhias. por exemplo, esse lucro absurdo de 7 reais por ação de 2011 é um baita de um benchmark para os lucros futuros.. crescer 15% a.a. em media a partir dele seria muita coisa. talvez eu utilizasse uma media dos ultimos 3 anos, ou uma media entre 2011, 2010 e 2008 (o ultimo lucro “normal” na linha de crescimento)..

    enfim, nesses casos, penso que o mais sensato é ser bem conservador

  8. Ibrahim disse:

    Muito boa analise Fabio. Parabéns.

  9. Me desfiz das minhas Vale porque ela não deve repetir o passado pois a China irá desacelerar e minério de ferro lixo será coisa do passado.

    Commoditties são uma droga, a empresa pode fazer tudo certinho, ser der algum problema no produtinho, pronto vai a falência ou fica podre.

    A Vale será a próxima Paranapanema da bolsa junto com a Petro.

    O futuro é de bens essenciais. Cerveja e elétricas.

    • Fábio Portela disse:

      Pobretão,

      Para a recuperação da economia mundial, será necessário muito ferro… mesmo que a China se desacelere. Além disso, ainda há uma Índia para se desenvolver, e toda uma África. Não sei para quando, mas em algum momento isso levará a mais consumo de ferro. E a Vale não trabalha só com ferro.

      Bom, de minha parte sigo com uma parte aplicada nela, mas também invisto em outras empresas. Vamos ver o que o futuro reserva.

      • Você tem razão neste ponto, a questão é se a demanda destes continentes será suficiente para manter os absurdos lucros que ela teve ou se India e África são meras ilusões.

        Como vê, commodities é momento. Eu, como você Fábio, adoro analisar produtos sustentáveis com vantagens competitivas. Eu tenho desconfiança no minério de ferro no futuro.

        Ótimas análises!

        Forte abraço!

  10. R st disse:

    Tenho vale5 na carteira, compradas em um momento de empolgacao com os aparentes baixos multiplos. Hoje, melhor analisando minha compra, nao sei dizer se fiz um bom ou mau negocio. O preço do minerio de ferro teve uma forte escalada nos ultimos anos inflando os numeros da empresa. Se estes preços forem sustentaveis no longo prazo terei feito um dos melhores negocios da minha vida, se nao forem terei comprado uma mera ilusão. Qualquer analise seria da empresa deve ser feita levando em conta os precos do minerio de ferro, algo que ignorei em minha compra e, pelo visto, voce tambem em seu estudo.
    Abraco e boa sorte a nos dois, que seguimos comprados.

  11. Ricsilva disse:

    Parabéns Fabio….
    Sempre que leio seu blog….. é possível sempre levar uma bela aprendizagem !!!

    Abraços

  12. Guibro disse:

    O Jim Rogers é um dos maiores investidores do mundo e se especializou em commodities, inclusive com livros sobre o assunto, talvez seja interessante conhecer as teses dele.

  13. Cilio disse:

    Caro Fabio,
    Primeiramente gostaria de te parabenizar pela analise, sempre estou lendo seu blog, e ja comentei anteriormente com o nome de Marcilio, como tambem acredito que fui uma das pessoas que mais te pedi para fazer esta analise. Este seu trabalho é muito bacana, desejo que voce continue se aperfeicoando cada vez mais.

    Gostaria aqui de fazer uma analise SWOT da Vale:

    Vantagens:
    A empresa possui uma saude financeira incrivel como poucas da bovespa, como foi demonstrado de Sr. Fabio em sua analise.
    Empresa que em tempos de crise pode diminuir o seu lucro, mas ainda nao se ouviu falar em prejuizo, pois empresa que nao tem prejuizo nao quebra. Somente este motivo pra mim já é uma razao de investir na empresa.
    A Vale é a segunda maior mineradora do mundo(1a BHP Billinto, 2a Vale, 3a Rio Tinto), e a que tem a maior exploracao de minerio de ferro, minerio que corresponde a 54% da sua receita em 2011, podemos dizer entao que esta é a sua especialidade. Essas tres mineradoras citadas representam aproximadamente 60% da exploracao de minerio de ferro em todo o mundo. Com esses dados da para sentir o peso da Vale no mercado de minerio de ferro em todo o mundo. Minerio que o Brasil ainda possui muitas reservas a ser exploradas, por isso este crescimento nao vai parar por aqui

    Mineracao é um setor que nao tem espaco para empresas de pequeno porte, pois os investimentos iniciais sao muito altos e dificeis de serem levantados. Por exemplo: Em 2001 surgiu uma cervejaria artesanal chamada Devassa, esta empresa pequena, porem comecou a fazer um grande sucesso pelo Rio de Janeiro incomodando as grandes cervejarias. A Schincariol acabou fazendo uma oferta irrecusavel, e acabou comprando esta cervejaria. Casos parecidos a estes aconteceu com o guarana Jesus no Maranhao, sucos mais e del vale, os quais foram comprados pela coca cola. Portanto casos como estes jamais se enquadraram no setor de minerio de ferro, onde os investimentos sao realmente muito altos, dai ja eliminamos a figura da pequenas empresas que em outros setores, carne por exemplo, representam grande fatias do mercado.

    Desvantagens:
    É uma empresa que lida com comodities, e ninguem esta livre de ser pego despreparado, portanto sempre haverá ciclos, e por ser uma empresa globalizada ela esta mais vulneravel a crises internacionais do que locais. No caso da Vale, os ciclos sao crescentes.
    “Ativo Permanente, quanto menos melhor”. Esta é uma frase de Warren Buffet relatado em seu livro sobre balancos e demonstracoes contabeis. A Vale possui em ativo permanente 188 bilhoes, é um valor considerado alto se obedecemos esta ideia de Buffet. Representa 78% dos seu ativos e é maior que seu Patrimonio Liquido. Portanto acredito que em tempos de crise este fator será uma desvantagem para as empresas de mineracao.

    Oportunidades:
    Como o Sr. Fabio mencionou em um dos seus comentarios, ainda temos a India, Africa pra construir, sem contar que estamos atravessando um momento que de recuperacao da Europa e EUA. E toda construcao, principalmente industrial precisará de minerio de ferro. Portanto acredito que o ritmo de crescimento das receitas continuaram subindo. O que é mais magnifico é que apesar do crecimento da receita, a Vale consegue manter os extraordinarios niveis de margem bruta e liquida.

    Ameacas:
    “Desaceleracao da China” – Na verdade nao é a China que esta desacelerando, sao os outros paises que estam retomando o crecimento e a participacao da China na receita da Vale esta se tornando menor. Fato que deixa de ser uma desvantagem para se tornar uma vantagem, pois é bem mais saudavel para empresa ter sua carteira de cliente mais diversificada. A Vale uma das empresas mais globalizadas do Brasil, e durante os dez ultimos anos, a Europa e os EUA, como a China é hoje, ja foram a maior origem das receitas da Vale. Portanto podemos comparar minerios como alça de caixao ( quando um solta sempre haverá outro esperando pra segurar e nao deixar cair ).
    “Intervencao do governo” – A Vale é responsavel por aproximadamente de 80% a 90% do minerio exportado pelo Brasil. A fatia da Vale nas exportacoes brasileiras representam aproximadamente 20%. Portanto podemos concluir que o Brasil depende da Vale. Grande parte dessa farra de consumo de produtos importados é sustentado pelas suas exportacoes para poder manter o superavit. Portanto é logico que havera uma influencia no governo, entretanto nao chega a ser tao grande como a Petrobras que tem o seu controle estatal. Nao diria que isso é uma ameaca, porem uma consequencia devido ao seu tamanho.

    Se nos basearmos no P/L da Vale, o momento oferece a melhor oportunidade de compra nos ultimos 10 anos.
    E com muito ressentimento que estou sendo forcado a vender minhas acoes da Ambev, pois apesar de ser uma excelente empresa nao so pelo que é demonstrado nas suas demonstracoes contabeis, mas pelo que ouço sobre as pessoas que trabalham nesta empresa, o seu P/L de 29 esta me forcando a isso. Continuarei investindo na Vale, e tenho certeza que ela se tornará a maior empresa em valor de mercado da Bovespa.

    • dimarcinho disse:

      Resumindo, hoje ninguém quer comprar.

      Quando os commodities dispararem e juntamente o lucro das ações, aí vão fazer altas projeções de um belo mercado em Júpiter e etc…

      Nada muda mesmo…

      Grande abraço!

  14. Flavio disse:

    O Estado não é mais controlador da Vale, mas ainda possui legalmente alguma ingerência sobre sua administração pois possui a totalidade das ações de classe especial (golden shares) daquela empresa.

    Vejam no estatuto social da Vale, art. 5º, 7º e 8º.

    http://www.vale.com.br/pt-br/investidores/governanca-corporativa/estatuto-social/Documents/110518_Estatuto_p.pdf

  15. Rafa Barros disse:

    Muito boa avaliação. Não achei parcial, mas sim exposição de uma opinião. A CHINA pode quebrar como também poderá haver uma guerra núclear e ninguém mais comprar nada. O futuro é incerto e vc quis expor aqui os fundamentos da empresa mostrando que sempre foi geradora de receita e lucros. Agora se ela a longo prazo vai gerar ou não aí é adivinhação o que vale é empresa hj se amanhã não mais me agradar retiro meu dinheiro dela e coloco numa que dê aquilo que procuro!

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