Análise da Ambev
Há quase dois anos, fiz minha primeira análise da Ambev. Naquela oportunidade, mostrei como o histórico da empresa permitia vislumbrar um bom futuro para seus acionistas. Não acho que fui otimista demais: de julho de 2010 (quando escrevi aquela análise) até hoje, as ações preferenciais da companhia (AMBV4) apresentaram uma expressiva alta de mais de 120%, em torno de 50% ao ano. Mas… será que os expressivos ganhos podem se manter?
Revisitando a análise da Ambev efetuada em 2010
Em 2010, efetuei uma análise da Ambev considerando os oito anos anteriores. Naquela oportunidade, salientei os seguintes dados: taxa de crescimento do lucro por ação de 294% no período total, ou 21% ao ano; margem de lucro bruta de 65%; ROE médio de 20%. Números fantásticos… mas como a empresa se comportou de lá pra cá?
De 2004 a 2011, a taxa de crescimento do lucro por ação, que já era fantástica, aumentou ainda mais. Era de 294% em 2010, e passou para incríveis 643,93%. É interessante mostrar esse número porque eu lembro bem que, já naquela época, muitos analistas de mercado indicavam que a empresa não tinha muito para onde se expandir. Era comum ver notícias falando sobre o estrangulamento do mercado da Ambev e como as suas concorrentes apresentavam um desafio espetacular.
Claro, tudo isso pode acontecer… mas até agora ninguém chegou nem perto disso. A empresa se tornou ainda melhor do que já era. Em 2010, a média de crescimento do lucro por ação da empresa nos oito anos anteriores era de 21%; em 2012, a média subiu para 28,51%. Mas essa média tem diminuído; a média dos 5 últimos anos já cai para 25%, e a dos últimos 3 anos, para 13,02%. No último ano, o lucro por ação subiu um pouco mais do que a média do último triênio, para 14,28%.
Em 2010, o retrato era outro: os dois anos anteriores foram de crescimento espetacular, o que enviesou a curva. Esse movimento pode ser visto no gráfico a seguir:

Como você pode observar, de 2008 a 2010 a Ambev apresentou um crescimento espetacular. Embora no conjunto dos 5 anos anteriores a taxa de crescimento tenha sido modesta, de 2008 a 2010 a empresa “apenas” manteve o ritmo de crescimento. O que já é fantástico: um crescimento da ordem de 13 a 15% ao ano no lucro por ação mostra uma boa consistência e capacidade de crescimento. Mas, além disso, a empresa tem mostrado consistência no crescimento de sua receita líquida de vendas:

O crescimento da receita líquida de vendas é um indicador importante, porque mostra que a empresa tem mantido um crescimento quase linear em sua receita. Esse é um dado importante, pois mostra como a Ambev tem um mercado que não é cíclico – mesmo no ano de 2008, sua receita cresceu em linha com os anos anteriores. Mas você já deve ter percebido uma coisa: o crescimento do lucro por ação da Ambev apresentou uma discrepância em relação ao crescimento da receita líquido da empresa. Como pode o lucro crescer mais que a receita?
Esse fator pode ser explicado por um elemento: a Ambev aumentou muito sua eficiência, como pode ser observado em sua margem de lucro:

Como você pode observar no gráfico, a margem líquida – calculada a partir da relação entre o lucro líquido (o lucro que sobra depois de abatidas todas as despesas) e a receita líquida de vendas – aumentou bastante nos últimos anos, alcançando patamar superior a 30%. O que isso significa? Que a empresa tem conseguido lidar bem com suas despesas, aumentando sua eficiência e gerando maior valor ao acionista.
Essa impressão é confirmada na leitura de trecho do relatório do ano de 2011, divulgada no site da Ambev:
“No geral, após dois anos de forte crescimento de volume, em 2011 alcançamos um crescimento de dois dígitos de EBITDA apesar de uma indústria mais fraca. Também obtivemos uma significativa expansão de margem devido à implementação com sucesso de nossa estratégia de preços combinada com uma melhor gestão de custos em nossas operações, resultando em crescimento abaixo da inflação no CPV por hectolitro e no SG&A. Continuamos investindo em nossas marcas e em inovações, alcançando nosso recorde histórico de participação de mercadona operação de Refrigenanc do Brasil, uma mudança de patamar no premium internacional com o crescimento de 215% de Stella Artois e com o lançamento de Budweiser em agosto de 2011, eoutro recorde histórico nos indicadores de preferência por nossas principais marcas de cerveja no Brasil”, diz João Castro Neves, diretor geral da Ambev.
Ou seja, os custos da empresa com a produção e com gastos gerais, administrativos e de vendas cresceram menos do que a inflação, o que é algo louvável. Isso significa que cada R$ 1,00 vendido pela empresa hoje produz mais lucro do que em 2010 – o que explica o fenomenal aumento na taxa de crescimento do lucro por ação.
Isso tudo levou a outro efeito: o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) da empresa aumentou ainda mais. Em 2010, eu já salientava que o ROE da empresa, na casa dos 20%, era excepcional; mas a Ambev conseguiu melhorar ainda mais, superando os 30%. Em 2011, seu ROE estava em 33,74%. Entre 2004 e 2011, a média foi de 19,38%. Mas o histórico da empresa é impressionante: a cada ano, seu ROE é melhor do que o ano anterior.
O patrimônio líquido da empresa também tem aumentado constantemente, embora a taxas relativamente baixas (média de 5% entre 2004 e 2011), mesmo com uma “derrapada” entre 2005 e 2009. De qualquer modo, é digno de nota que a empresa tem conseguido melhorar sua rentabilidade mesmo com seu patrimônio crescendo a ritmo bem inferior:
De resto, a dívida da empresa é muitíssimo bem equacionada: o índice de liquidez corrente – que mede a capacidade de honrar as dívidas de curto prazo – é 1,02, acima de 1 (o ideal), e o índice de liquidez geral é ainda melhor, 2,25.
E o preço? A Ambev está muito cara?
Essa é a maior preocupação de quem investe na empresa. Com as recentes altas, o P/L das ações preferenciais da Ambev chegou a 27, o que precifica um crescimento bastante alto. Projetando alguns cenários, cheguei às seguintes conclusões:
(i) a taxa inicial da rentabilidade da empresa é muito baixa – apenas 3,55%. Isso ocorre porque o P/L está muito alto. Ou seja, o risco assumido depende inerentemente do crescimento da empresa: um baixo crescimento pode levar quem comprar as ações aos preços atuais a ter prejuízo. Mas que taxa de crescimento seria necessária para ter lucro na compra das ações da empresa?
(ii) Projetei dois cenários. No primeiro, mais conservador, a Ambev conseguiria manter um crescimento orgânico de 10% ao ano. Acho uma expectativa conservadora, já que ela tem conseguido manter um reajuste acima da inflação no preço de seus produtos, e tem mostrado uma boa política de contenção de gastos. Se isso ocorrer, o lucro por ação da empresa em 2022 chegaria a R$ 7,91. Mantido o dividend yield médio dos últimos 8 anos, de 3,29% ao ano, e o P/L médio de 20,59, seria possível esperar uma rentabilidade total de 17,52% ao ano (com dividendos), ou 402,61% em dez anos.
No segundo cenário, baseado no crescimento do lucro em 15% ao ano, e mantidas as demais premissas, seria possível esperar uma rentabilidade total de 695%, ou 23,04% ao ano.
(iii) Para o cálculo do preço justo, utilizei a equação de Graham estimando as diversas hipóteses. A uma taxa de crescimento do lucro por ação de 10% ao ano, o preço justo atual seria de R$ 78,99; e a uma taxa de crescimento do lucro por ação de 15% ao ano, o preço justo já saltaria para R$ 106,70. A margem de segurança extraída a partir de uma média das duas situações seria de 14,08% – inferior à média que considero mais segura, de 25%.
* Ressalto que essa análise não significa recomendação de compra ou venda do ativo. Não sou analista certificado e essa análise deve ser lida com toda a cautela… é apenas uma experiência de pensamento compartilhada com os leitores. Como parte de minha política de transparência, informo que detenho ações da Ambev (AMBV4).
Categoria: Educação financeira









Boa análise, Fábio!
P/L 27! Tá alto até pra empresa secular! O crescimento dela tem que se manter em patamares muito alto pra sustentar isso!
[]s!
Está mesmo? Tudo depende do custo do capital e da expectativa de crescimento…
PEG? Não… Dá uma lidinha:
http://www.moneychimp.com/articles/valuation/peg.htm
e
http://www.moneychimp.com/articles/valuation/pe_ratio.htm
Na verdade, se as estimativas do Fabio estiverem corretas (crescimento de 10% ao ano pelos próximos 10 anos – um senhor crescimento), estimando ainda um crescimento perpétuo em linha com a inflação (3%) e a taxa de desconto de 11% (já considerando os riscos do negócio – acima da SELIC – e lembre-se que até 2022 a SELIC cairá ainda mais!), teríamos, atualmente, um P/L justo de aproximadamente 21.
Um P/L atual de 27, mantidas as demais premissas, nos indica que o mercado está estimando um crescimento de aproximadamente 13.5% nesse mesmo período. Ou que esteja utilizando uma taxa de desconto menor que a minha.
Enfim, o papel aceita qualquer coisa. A unica coisa certa é que não é necessário que a empresa cresça a 27% ao ano para que um P/L de 27 esteja justificado. o PEG nao funciona para todas as faixas de preço/crescimento… pelo simples fato que é resultado de uma divisão de uma fração por um percentual (ou seja, a divisão por 100 aparece somente em um dos lados da equação…)!
Abraços e continuemos com o aprendizado
Bela análise, Fábio.
Vale lembrar que nao discordo que o P/L atual está alto! Apenas quis ponderar esses pontos.
A propósito, estou esperando novas atualizações do teu blog, Dimarcinho… Precisamos de material de qualidade em circulação na internet.
Um abraço.
Leo,
seus cálculos mostram que a empresa está, no mínimo, precificada, mesmo com a taxa Selic que vc previu que irá diminuir. Muitos há 2 anos previram que ela iria se manter alta durante mto tempo. Previsões de longo prazo são bem difíceis de acertar. EU prefiro ser conservador nestes casos.
Assim sendo, não me parece haver desconto.
Creio que existam oportunidades melhores na Bolsa;
Fiz uma publicação sobre Asset Allocation; se vc não for no Anônimo que já está comentando por lá, fique a vontade.
[]s!
ah, com certeza, desconto nao ha
é uma das melhores empresas em bolsa.. dificil haver desconto. somente em épocas de crise mesmo (ou nem isso)
Boa análise, Fábio!
A Ambev é uma excelente empresa, mas a meu ver seu valor de mercado já precifica um crescimento bastante grande para os próximos anos.
Um abraço!
Eu sinto na pele essa eficiência da AMBEV. Nunca mais encontrei cerveja na promoção por R$0,99. hehehehe
Falando sério, acho a empresa com bons fundamentos, mas no momento suas ações têm um valor alto. Um lotezinho de 100 custando entre R$6.000,00 e R$7.400,00 não é coisa para qualquer pequeno investidor. Bem que ela podia desdobrar suas ações.
Abraços.
Eai Andre, ela ja fez split e pagou bonificacao, o negocio para pequeno investidor é compra-la no fracionario de 25 em 25 ou de 50 em 50 cada um com sua estrategia e todos na ambv!!! rumo ao ceu de brigadeiro!
Comentários a parte, em 2008 uma cerveja no Centro do RJ custava em torno de 4,00. Hoje, não raro, encontramos bares vendendo por 9,00-10,00.
Uma alta destes preços foi muito superior a inflação.
Ei! Olha lá os lucros da empresa: dispararam a partir de 2009!
Coincidência ou não, é fato! rsrsrsrsrs
É por isso que em breve vou me tornar acionista, só espero um PL menor, afinal de contas, alguma grana do bar tem q voltar pra gente, né?? kkkkkk
[]s!
não posso concordarcom você.
daqui 10 anos com PL de 20 ainda? no sense!
e você não usa o custo de oportunidade ( taxa de juros anual) para se chegar ao valor justo de hoje? no sense!
A fórmula de Graham leva em conta a taxa de juros. O próprio texto tem um link para outro artigo do Fábio com a explicação.
Boa tarde Fabio.
Acho muito cara a empresa atualmente. Muitos da comu B&H tem ela na carteira, mas acho mto cara, pagando mto pouco de DY.
Mas gostei da sua analise, parabéns!
Legal demais a análise.
Porém está com PL absurdo, paga muito pouco DY. Pra ter 100 ações paga-se 7000 reais pra ganhar migalhas de DY anualmente.
Ainda sim é o que muitos falavam tempos atrás e ela deu shows absurdos de eficiência em todos os sentidos.
Eu fico naquela de entrar ou não entrar mas prefiro ainda não entrar pelo DY pífio.
Fábio, como você vê a governança corporativa da empresa? Não pode haver problemas para os minoritários nos próximos anos?
Como você vê o desconto da AMBV3 x AMBV4? Não é mais interessante as ON?
Jailson.
Quando comecei a acumular, não havia tanto desconto. Mas já estou pensando em fazer a troca. Quanto ao problema da governança, já há alguns anos que a empresa tem agido bem.
Sr. Fabio, aceite minhas congratulações pelos excelentes comentários e análises sobre a Petrobrás.
Aliás, peço-lhe desculpas por fazer deste espaço uso inadequado, já que meu intuito é abordar tema sobre a Petro, pois à época da publicação dos varios artigos sobre a empresa eu não conhecia este excelente sítio.
Acompanho a degringolada da ação da petro desde setembro de 2010, quando da OPA, sem que os analistas identifiquem as causas dessa surpreendente desvalorização.
Pois bem, se me permite, sr, Fábio, apresento-lhe uma opção que talvez ou seja a causa ou pelo menos tenha contribuido em muito para a queda:
as condições extremamente desfavoráveis para a empresa do Contrato de Cessão Onerosa, que impôs a compra dos 5 bilhões de barrís do pré-sal pelo preço inicial (sujeito à revisão e complementação) de 74 bilhões de reais pagos antecipadamente.
Peço licença para transcrever aqui comentário que fiz num fórum do mercado, cujo conteúdo (excluídos os excessos evidentes próprios de matéria de fóruns) põe em evidência aspectos econômicos-financeiros negativos para a empresa.
O pior, no meu entender, foi a empresa ser obrigada a desviar dos 121 bilhões da subscrição nada menos do que 75 bi para pagar a cessão onerosa.
Isso, ao contrário do que se pretendia com a OPA, descapitalizou a Petro, que luta até hoje para deslanchar o planto 2011-2015.
Gostaria de ter o prazer de conhecer, seja através de artigos aqui publicados ou por outro meio, qual a opinião que o senhor tem especificamente sobre a cessão e seus efeitos nos planos da empresa.
Segue o comentário:
”
O inesperado marasmo envolvendo o comportamento das ações da Petro após a deflagração da enigmática OPA (que,embora implementada para capitalizar a empresa, só fez desviar dinheiro dos minoritários para favorecer o governo e deixou-a pior que antes), negociadas até hoje abaixo dos 26,30 da subscrição, é cercado de mistério e surpreende pelo prejuízo recorrente que vem causando aos minoritários.
Há várias causas pontuais a justificar essa trajetória medíocre das ações, entre elas:
1 – a posição deliberada do governo em não colocar dinheiro na subscrição (ao contrário, tirou 9 bilhões dos minoritários para completar o recebimento antecipado e à vista dos 74 bilhões relativos à cessão onerosa dos 5 bilhões de barrís do pré-sal);
2 – o governo aumentou em aproximadamente 10% sua participação acionária em detrimento dos minoritários;
3 – aumentou em 48% a quantidade de ações, diluindo assim a participação dos minoritários nos proventos (dividendos e juros sobre capital próprio);
4 – o governo passou a receber dividendos sobre uma quantidade significativa de ações oriundas da cessão do pré-sal, reserva intangível e até agora inatingível que não concorre em absolutamente nada para o aumento das receitas. O bolo dos lucros continua do mesmo tamanho, mas o governo tá pegando cada vez fatias maiores…
Na prática, esses atos diluiram os direitos dos minoritários, embora se ferir o conceito legal de diluição.
Gentem, completem a lista aí, por favor, e se preparem para tomar conhecimento do pior, da pá-de-cal nas esperanças e direitos dos minoritários.
A diabólica engenharia do modelo da OPA trouxe subliminarmente no seu ventre a gestação que culminou com a imperceptível divisão da empresa em 2 blocos bem distintos e, diria, até antagônicos, se considerados seus interesses societários.
As regras da OPA e particularmente as cláusulas do Contrato de Cessão Onerosa – CCO dividiram informalmente a empresa em duas, a mais importante Petrogov – PG e a menor PM – Petro dos Minoritários.
Explico melhor.
É público e notório que a Petro está tendo dificuldade em obter recursos financeiros para custear o Plano 2011/15 (era o 2010/14, mas atrasou por falta de grana e teve seu inicio adiado), tanto que vai até tentar vender parte de seu ativo, de cerca de 15 bilhões, para angariar capital.
Oh pá, casa onde falta pão todo mundo grita e ninguém tem razão, o governo gritou mais alto, e sozinho!, e decidiu que os parcos e insuficientes recursos financeiros existentes deverão beneficiar a Petrogov e serão aplicados prioritariamente – senão unicamente – na prospecção e extração do quinhão do pré-sal cedido onerosamente pelo governo.
A PM – Petro dos Minoritários que se lixe, que se sôda, será atendida em secundo plano ou menores ainda.
A prioridade insita no CCO determina que a empresa execute nos próximos 4 anos trabalhos de prospecção e reconhecimento para avaliar a capacidade nas 7 áreas abrangidas na cessão.
São esses trabalhos prioritários da Petrogov dão origem a noticias de que novos poços encontraram óleo aqui e acolá e todo mundo, enganado, passa a comemorar pensando que isso lhes beneficiará também os acionistas da PM.
Que nada, essa festa é privativa do governo dono do bloco da PG, pois atende à prioridade de interesse do majoritário em detrimento dos minos.
Aliás, nesta altura do campeonato ou do alerta, há de se ressaltar a causa maior determinante dessa prioridade aparentemente inocente do majorengo.
O CCO fixou em u$ 8,51 o preço inicial, provisório, do barríl do pré-sal do governo.
Acontece que fixou também que a diferença entre esse preço inicial e a cotação CL vigente na NYSE à época da efetiva extração (o prazo para extração é de 40 QUARENTA ANOS), deve ser paga o governo à vista, na medida em que os barrilzinhos forem jorrando.
É isso aí, turma dos enganados, digo, minoritários, o que lhes espera doravante, menos e minguados dividendos e jurinhos…
Mas 40 anos passam rápido!
Viva!!! agora temos 2 Petros, uma mal administrada e, pior, outra pior administrada.
Não há porque se preocupar, o ditado garante que as 2 darão lucros…”
Atenciosamente, Julio
Não sei pq mas acho que Ambev vai decepcionar muita gente. É apenas um sentimento.
hehehe falou quem entende tudo… logo se vê que é um experiente investidor, afinal, comprou metalfrio e tem ‘sentimentos’ em relação ao mercado!
cada coisa que a gente tem que ler!
Fabio, gostaria de ver uma análise tua do Banco do Brasil, principalmente agora frente ao corte nos juros promovido pelo governo… Ainda nao consegui vislumbrar corretamente o impacto nos lucros.
[]‘s
Ainda estou tentando calcular o impacto. Mas acho que será menor do que parece. Já vi análises nesse sentido, inclusive. Mas prefiro aguardar os próximos balanços.
Fábio
Caro Fabio, concordo que a Ambev realmente é uma empresa excepicional, porem nao posso negar que ela esta cara demais. A Vale por exemplo, consegue reunir todas estas caracteristicas semelhantes a da Ambev de crescimento e margens, porem é uma empresa que por trabalhar com comodities, ela é ciclica. Se tiver um tempinho, analise a evolucao da receita e do lucro da Vale tambem. considerando o momento e as expectativas dentro de cinco anos acredito que seja um melhor investimento que a Ambev, pois seu P/L se encontra no patamar de 6.
dizem isso desde o inicio dos anos 2000. desde entao a sua cotaçao multiplicou varias vezes.
avalie o porquê de a Vale ter P/L de 6 e a Ambev ter P/L de 26.
o que o mercado avalia é que a AMBEV é uma empresa anti-ciclica, ou seja, o mundo pode estar acabando que seus produtos vao continuar vendendo, sempre na mesma velocidade, garantindo crescimento e lucro “certos”. Pra ela nao importa se a Grecia vai dar calote, ou se o mundo vai acabar. Todo ano o lucro dela vai ser certo e vai aumentar a taxas razoavelmente previsiveis. Por isso é segura,e por isso é avaliada a multiplos tao altos (veja bem: o DY é sim baixo, mas isso porque a empresa é avaliada em multiplos altos, e nao porque o lucro é incerto).
Já a Vale com certeza é hoje uma compra mais “racional” (será?), tendo em vista que esta avaliada a múltiplos baixissimos e com DY alto. Mas porque é avaliada a multiplos baixos (e consequentemente um DY alto???)?? Simplesmente porque é uma empresa de commodities, MUITO sujeita ao humor e ao desenvolvimento do mercado internacional.Seus lucros sao altamente volateis (como toda empresa de commodities). Por exemplo: Se a Grecia falir e a Europa for junto, respinga na China, que passa a importar e a crescer menos, e como um passe de magica os lucros da Vale podem ir ao CHAO, transformando um P/L de 5 em P/L de 40. As cotaçoes também vao ao chao no mesmo segundo. Claro que o mercado exagera e vê desastre onde nao tem. Eu mesmo tenho muita Vale5 na carteira. Mas essa volatilidade nunca ocorrerá com a Ambev. Por isso os investidores preferem pagar MAIS (e portanto esperar menor retorno futuro) pela Ambev. É nesse sentido que é um investimento mais seguro! Isso nao é opiniao minha, mas um fato, e ate por isso ela tem um P/L de 26 enquanto a Vale tem um de 5 ou 6.
Enfim, nao considero compra aos preços atuais, mas na casa dos 6x,00 ja voltamos a conversar
Caro Leo / Fabio
Concordo com tudo que voce disse, se analisarmos as duas empresas, veremos que a Ambev realmente tem mais vantagens competitivas duraveis ( como Warren Buffet exemplifica em suas empresas ), e acredito que esta entre as melhores e mais seguras empresas do Brasil.
Porem acredito que tudo tem o seu preco. Apesar de considerar a Ambev uma empresa excelente, ate escolheira a Ambev a Vale, mesmo com um PL um pouco mais alto, mas esta diferenca esta muito alta.
Tudo bem que a vale é uma empresa que sofre maior influencia de ciclos, porem se observar a empresa nos ultimos dez anos, verá que teve um crescimento muito bom, nao é atoa que tem o maior lucro do Brasil. Considerando que seus indicadores de margem, crescimento da receita de 5 anos endividamento sao tao bons ou melhores que os da Ambev.
Concordo que a Vale sofre mais ciclos, por ser uma empresa mais globalizada e negociar com comodities, mas tenho certeza que uma crise com epicentro no Brasil mecheria muito mais com as estruturas da Ambev do que da Vale, o que nao é o caso que estamos atravessando neste momento, mas tambem nao estamos livres disso.
Se analisarmos os ultimos dez anos, veremos que a Vale apresenta bons fundamentos, somente em 2009, por causa da crise mundial houve reducao da receita e do lucro, entretanto voltou a retomar o seu alto crescimento em 2010 e 2011
Minha carteira é composta de 8% Ambev e 35% Vale, desde quando comprei as duas, ja ganhei muito mais com a Ambev, porem continuei comprando Vale e vou continuar até que se mantenha este preco ou abaixe.
Esta é minha aposta, posso estar errado, mas espero que nao.
Gostaria de ver uma analise da Vale feita por Fabio
Fábio, mas uma pergunta off-topic.
Não tem como habilitar um feed (rss), dos comentários no blog?
Eu assino o rss dos posts, mas gostaria de assinar também o rss dos comentários, pra facilitar o acompanhamento dos comentários (como disponível em outros blogs)
Abs
Vou ver o que posso fazer!
Tenho certeza que a crescente da ambev esta a continuar, mais existem um problema que e difícil de resolver a inflação não foi tão alta para o preço dos seus produtos estarem neste patamar e os donos de bares não retrocedem os preços pois alegam que tem que descontar seus custos que crescem a cada dia no carro chefe da casa que no caso são as marcas da ambev fica ai uma pergunta no ar oque será dos acionista.
falo com segurança pois vejo o empasse que é falar de preços de venda com os clientes pois sou funcionário.