Meu vizinho Warren Buffett
O livro “Meu vizinho Warren Buffett” é útil para refletir sobre a predisposição das pessoas a acreditarem que o investimento em ações é algo extremamente difícil, que exige alguma sacada genial para obter grande sucesso. Muitos pensam que é preciso ter um dom especial para enxergar o que mais ninguém enxerga e, com essa “informação privilegiada”, seria possível se antecipar ao mercado e obter rentabilidade extraordinária.
Meu vizinho Warren Buffett: pessoas comuns podem obter rentabilidade extraordinária
Ledo engano. Talvez porque a literatura sobre investimentos enfatize alguns poucos personagens que obtiveram sucesso estrondoso, como Warren Buffett, Peter Lynch, George Soros e mais uns poucos iluminados, muitos pensem que ser bem sucedido no mercado de ações não é para “pessoas comuns”. Mas a verdade é que muitas pessoas como você e eu têm obtido resultados tão ou mais extraordinários que os grandes medalhões do mercado financeiro.
Esse é o grande mérito do livro de Matthew Schiffrin, “Meu vizinho Warren Buffett“. A obra mostra como é enganoso pensar que somente os grandes investidores foram capazes de investir com sucesso no mercado de ações. Partindo da análise do desempenho de portifólios de investimento de investidores individuais, o autor mostra como esses investidores obtiveram retorno espetacular ao longo dos últimos anos.
“Meu vizinho Warren Buffett” conta a história de dez investidores que obtiveram excelentes resultados divulgados em alguns fóruns de investimento nos EUA que registram o desempenho de carteiras virtuais dos seus membros. Embora a metodologia utilizada seja interessante, e alguns dos investidores entrevistados pelo autor tenham realmente tido a rentabilidade descrita, essa talvez seja a principal falha da obra, já que em pelo menos um dos casos o entrevistado admitiu que apenas administrava a carteira virtual, e não investia seu próprio dinheiro no mercado de ações. E, como sabemos, é bem mais fácil lidar com dinheiro de mentira do que com o suado produto de nosso trabalho diário.
Apesar disso, muitas das histórias contadas em “Meu vizinho Warren Buffett” são inspiradoras. Em vários dos casos, os entrevistados obtiveram a independência financeira utilizando as mais variadas técnicas de investimento. Um dos sujeitos se arriscava bastante utilizando opções e derivativos; em outro caso, o investidor utilizava unicamente a estratégia Buy and Hold; e um terceiro obteve muito sucesso com análise técnica. Enfim, são muitos os caminhos que podem levar ao sucesso financeiro e “Meu vizinho Warren Buffett” mostra isso claramente: basta muito estudo, disciplina e se ater ao plano estabelecido e o sucesso se torna cada vez mais provável.
A leitura do livro é bastante agradável e útil para desmistificar a ideia de que é necessário saber algum segredo especial para investir com sucesso no mercado de ações. Embora nenhum dos leitores tenham terminado como vizinhos de Warren Buffett, o objetivo da obra é alcançado: mostrar como pessoas comuns podem sim obter um retorno percentual fantástico, compatível com o de grandes gênios do mercado.
Metodologia de “Meu vizinho Warren Buffett” tem problemas, mas que não diminuem o valor da obra
Como ponto falho da obra destaco duas questões. Em primeiro lugar, o livro dá a falsa ideia de que qualquer um, adotando qualquer metodologia, pode alcançar uma rentabilidade espetacular. A obra poderia detalhar mais os riscos de cada metodologia exemplificada pelos investidores cuja performance é examinada, para evitar que os leitores se aventurem sem o devido conhecimento. Além disso, por vezes o livro se detém demais no exame da vida particular dos investidores, ao invés de detalhar com mais atenção suas estratégias de investimento.
Apesar disso, recomendo a leitura da obra. Os pontos positivos superam muito os negativos, e é sempre bom ver como outras pessoas comuns investem, com seus erros e acertos, e conseguem construir um patrimônio invejável.
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Claro, nunca vai faltar alguém pra aparecer com um elogio pra qualquer treco. Mas é um livro escrito com deliberada ingenuidade acreditando numa provável ingenuidade de quem vai ler. Livro de banca de rodoviária pra vender, folhear e esquecer. Histórias de sucesso tiradas de sites, como as que vemos pelo orkut e similares, rs.
E ainda por cima quem prefacia esse livro é o Geraldo Soares, que tb escreveu um livro bem bobo com a versão nacional de “casos de sucesso” de quatro investidores. E o mais interessante é que o ponto comum a todos os tais 4 investidores é que todos eles deram a “sorte” de estarem comprados em telefonia antes das privatizações, rs.
Alberto,
O livro tem metodologia. Os sites americanos – ao contrário dos fóruns brasileiros – têm a metodologia de registro de cada operação de compra e venda realizada por seus usuários. Ou seja, não é algo feito a partir dos resultados que os leitores divulgam: quem calcula o próprio resultado é o próprio site. Considero mais isento do que a sua leitura indica.
Abraços,
Fábio
nao sabia disto. Gostei.
Portela,
Agora em janeiro nossa casa completa 2 anos. Que tal um post pensando numa retrospectiva e contando sua trajetória de sucesso tanto pessoal como profissional. É tão difícil encontrar material de qualidade na internet que seu blog é quase um oasis!!! Uma garrafa de água geladinha…
Abraços,
Seria interessante dar uma pincelada na sua formação multidisciplinar também, sempre fiquei muito curioso em como você trabalha tudo isso nas suas decisões de investimento e no blog, cada comentário seu deixa explícita uma maturidade que não vem de graça e quase não se vê por aí.
Saudações,
José.
Obrigado pela sugestão, José! Vou pensar em algo pros próximos dias, aproveitando o fim do ano e o início do próximo…
É ridículo manter essa porcaria de publicidade forçada da “playboy” no lado esquerdo da tela. Digo forçada porque cobre o texto, o tempo todo, obrigando o leitor a utilizar apenas uma pequena parte da tela acima desta “porcaria forçada”. Sugiro que tenham mais respeito com o leitor, dando a ele a opção de ver ou não essa publicidade. Onde esta o direito de escolha do consumidor ? Até para escrever essa mensagem tenho o espaço espremido e reduzido a 15 ou 20% da tela. Isso é vergonhoso, nojento.