Inflação: Qual a sua e a da sua família?

| 16 de novembro de 2011 | 13 Comentários

Você sabe qual a sua inflação pessoal e familiar? Normalmente, ficamos preocupados com os dados inflacionários divulgados nos jornais, que sempre anunciam os últimos valores para IPCA, IGP, INPC, e suas subdivisões (como IPCA-E, IGP-DI, IGP-M, IPC-SP, e por aí vai). Mas a verdade é que esses índices não indicam de inflação não indicam o quanto os preços variam para nenhum indivíduo em particular ou para uma família. E ignorar esse fato é um perigo, já que, muitas vezes, a inflação particular que cada família enfrenta é bastante diferente da inflação apresentada pelos índices.

Como é calculado um índice de inflação?

Para entender porque é importante calculara seu índice de inflação pessoal, é preciso compreender antes como um índice de inflação é calculado. O objetivo da formulação de um índice inflacionário é informar as instituições políticas e econômicas a respeito de como, estatisticamente, os preços estão variando em um país (ou em uma região), a fim de que possam ser tomadas medidas para controlar a elevação dos preços ou estimular a economia (caso ocorra um processo de deflação). Por outro lado, um índice inflacionário também serve para que os cidadãos possam administrar seus gastos e administrar suas finanças.

O problema é que a maneira de calcular os índices oficiais de inflação servem para que se tenha uma ideia geral da variação dos preços. Ou seja, sua função é estatística: o índice diz o quanto, em média, o preço dos bens subiram, mas não é capaz de dizer, por exemplo, o quanto o preço de um bem particular (como o arroz, ou a energia elétrica) subiu. E o peso de cada item é arbitrário, porque a instituição que o formula necessita atribuir um peso para cada item, que não necessariamente representa fielmente o peso do item na vida de uma família. Além disso, pode acontecer de, em algum momento, a instituição que elabora um determinado índice de inflação ser corrompida e acabar dando mais peso a índices que têm um peso menor na vida de uma família média, para favorecer interesses governamentais. Infelizmente, é uma possibilidade que está sempre à espreita.

Além disso, é sempre possível decompor o índice a partir de cada um dos bens e serviços que o compõem, mas mesmo assim a conta não é exata. Por exemplo, se você decompuser, a partir do IPCA, o quanto variou a energia elétrica, essa conta poderá não ser útil para você – afinal, você pode estar em uma região cuja concessionária não aumentou os preços, ou que aumentou acima do indicado no IPCA. Como o IPCA leva em consideração a média do avanço dos preços, o índice não é tão útil para sua situação específica. Mas ele é útil, evidentemente, para que você tenha uma noção de quanto, na média, os preços subiram. Não é completamente inútil, mas pode se revelar um desastre para formular sua organização financeira e seu orçamento doméstico.

Como calcular o índice de inflação aplicável a sua situação específica?

Por todas essas razões, é importante aprender a calcular o índice de inflação aplicável a sua situação particular e à de sua família. Para calculá-lo, o ideal é preparar seu orçamento doméstico, e acompanhá-lo ao longo de alguns meses para que você identifique as categorias de cada gasto particular. Por exemplo, na categoria “habitação” você poderia incluir itens tão díspares como aluguel (ou prestação do financiamento), energia elétrica e telefone (ou tv a cabo). Na categoria “educação”, entrariam os gastos com livros, cursos e mensalidades escolares. E assim por diante. Pode acontecer, por exemplo, de o aluguel na sua região disparar e, no momento da renovação, ele subir acima do valor indicado pelo IPCA. Nesse caso, o índice não terá sido de muita valia, já que o aluguel é uma das principais despesas de uma família e, se seu preço subir demais, o índice de inflação não terá conseguido acompanhá-lo.

Mas como o índice poderia ser acompanhado? Eu preparei uma pequena planilha ilustrativa da situação de uma família particular:

inflação

Note que, acompanhando as categorias identificadas (habitação, lazer, educação e alimentação), é possível traçar o perfil da inflação sofrida pela família – de 8,18% no ano examinado. O mês de janeiro, por ser o mês adotado como padrão, não foi levado em conta nos cálculos. Note que a variação mensal, a depender da variação dos custos de cada categoria e do seu peso nas contas da família, foi bastante brusca: em determinados meses, houve deflação de 12,93%, e em outros meses, inflação de 19,82%. Como há meses em que imprevistos ocorrem, a inflação mensal pode variar bastante ao longo do tempo. No fim das contas, o acréscimo não foi tão alto – de apenas 8,18%. Mas note que, com uma planilha dessas, é possível inclusive traçar o perfil de qual categoria teve maior impacto na inflação familiar – no caso, os alimentos, com 29,88%. No seguinte gráfico, isso fica ainda mais claro:

inflação

Você gostou da planilha? Então baixe-a aqui. Há 2 abas – na primeira, estão os dados disponíveis para apresentação; e na segunda, os dados a serem preenchidos por você para ver como andam seus gráficos. Não deixe de nos informar sobre como andam seus resultados!

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Categoria: Educação financeira, Featured

Sobre o Autor ()

Fábio Portela é investidor desde 2006 e disponibiliza neste site seus conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, seja com sua experiência, seja por meio das leituras que fez ao longo dos anos. O autor é mestre em Direito Constitucional e em Filosofia pela UnB, e atualmente cursa doutorado em Direito Constitucional na mesma instituição.

Comentários (13)

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  1. J'onn J'onzz disse:

    Eu faço acompanhamento de meus gastos com uma planilha parecida, anoto cada gastozinho que eu faço, mesmo que seja um picolé. Mas não acho que isso serve para medir a inflação pessoal/familiar.

    Eu não gasto a mesma coisa todo mês. Minhas contas de luz e gás não vem igual todo mês, apesar da tarifa estar igual. Tem mês que eu gasto muito com lazer, em outros não.

    Para calcular a inflação teria que normalizar o quanto foi gasto com o que realmente foi consumido.
    Para calcular a inflação tem que fazer item a item. Aluguel, energia em kilowatts-hora, quilos de arroz, caixas de sabão em pó, etc…

    Enfim, essa planilha não tem nada haver com inflação.

    Entrentanto ela é muito útil, ela mostra para onde seu dinheiro está indo. Ela mostra sua evolução de gastos em cada categoria, que é composta pela evolução dos preços (inflação) mais a evolução dos habitos de consumo.

  2. Roberta disse:

    Onde está a planilha? Ou, ainda, qual a conta para que eu possa calcular minha inflação pessoal?

    No mais, MUITO OBRIGADA pelo blog, acompanho sempre e está me ajudando bastante!!

    • Fábio Portela disse:

      Desculpe, a planilha não foi! Vou colocá-la no blog assim que possível. Eu achei que havia feito o upload, mas só retorno pra casa no fim do dia… desculpe mesmo!!

      • Anderson disse:

        Fábio, a idéia por trás do texto é boa. A inflação de um indivíduo ou de uma família pode não ser aquela do índice oficial.

        E uma planilha de orçamento doméstico ajuda muito. Agora tenho que concordar com o J’onn J’onzz ali em cima quando diz que a planilha não serve para calcular inflação individual/familiar.

        O aumento ou diminuição no gasto de um determinado item pode significar que foi consumido mais ou menos quantidade naquele mês. E isto não tem nada a ver com inflação. Por exemplo, se no atual mês uma família gasta mais em alimentação que o mês anterior, pode significar que ela apenas comprou mais itens e não que o preço aumentou dos itens aumentou, como você da a entender no seu post. Ou seja, sua conclusão está errada.

        Você já falou em outro artigo que este blog é apenas passatempo, que vc tem outras atividades e tal. OK. Só acho que vc deveriam então abordar certos temas mais superficialmente. Ou então antes de publicar peça para alguém da área dar uma olhada no texto. Assim você diminui a probabilidade de publicar artigos com erros desse tipo.

        Pelo que vejo, você também responde mais os comentários que não fazem críticas ao seu texto. Por exemplo, vc nem respondeu ao primeiro comentário do J’onn que fez importantes observações.

        Vc disse que não tem tempo como gostaria de ter, então qual o sentido de publicar um monte de artigos, com temas interessantes, que valem ser discutidos, se vc não consegue nem discutir direito o tema com quem comenta.

        Não pense que escrevo isso para te sacanear, só quero que vc reflita sobre isso. Acho seu blog bom, faz refletir, tem boas idéias, mas acho que vc peca em não debater mais com seus leitores, ou em alguns casos como foi esse artigo em chegar a conlusões melhores e discutir mais o assunto.

        Anderson

  3. saimon disse:

    eai pequeno investidor, me diz uma coisa voce declara seus aportes mensais em açoes e titulos no programa do imposto de renda? se sim terias como me enviar um tutorial de como que se prenche a declaracao, pois estou meio perdido no programa, sei que no item bens e direitos porem nao entendi mais nada heheehe se tiver uma paciencia para explicar melhor ou um post com tutorial ja pesquisei na internet e nao axei alguma coisa concreta. abraço!

    • Fábio Portela disse:

      Não declaro mensalmente. Não é necessário declarar os APORTES mensais no programa do IRPF… só é preciso declarar o carnê-leão depois, se você fizer vendas superiores a 20.000 reais…

      • saimon disse:

        Entao, mas quando está liberada a epoca de declaracao la por volta de março de 2012 voce deverá declarar as suas compras em titulos e acoes do exercicio de 2011, se voce nao declarar quando der um boom das acoes e voce resolve sacar tudo e comprar um apartamento concerteza ira cair na malha fina e para provar que este rendimento veio das tuas poupancas ao longo dos anos isso será dificil… nao estou falando em vendas e sim nas compras pois estou acumulando acoes e titulos todos meses e queria saber como que se faz a declaracao disso no ano que vem, abraço

        • Fábio Portela disse:

          Eu declaro as compras todo ano, Saimon… na declaração de bens e direitos!

          • saimon disse:

            É isso que estou querendo lhe dizer, saberias me informar ou fazer algum tutorial de como deve ser prenchido esse item de bens e direitos? Pois ele nao é bem especificado, apenas tem o espaço mas eu nao sei por onde comecar, abraço

  4. fox disse:

    Fábio, agora o site está funcionando bem!
    Obrigado pelo ótimo post! Infelizmente parei de anotar meu orçamento há alguns meses, por descaso mesmo. Mas não posso me descuidar, e esse post me ajudou a lembrar isso! Voltarei a fazê-lo nesse mês de dezembro!

  5. Álvaro Guilherme disse:

    Concordo com os comentários que dizem que os gastos podem ser variáveis, em função de um maior/menor consumo, o que não significa que houve inflação/deflação naquele item.
    Mas tirar uma média dos gastos anuais separados por item, e compará-los com uma média do ano seguinte, se não significa EXATAMENTE inflação, significa, sem dúvida nenhuma, o seu nível de EXIGÊNCIA  de consumo, seja ele supérfluo ou não.
    Então sua renda tem que ter um crescimento que seja compatível, digamos, com o tal nível de EXIGÊNCIA de consumo. Inclusive sua renda futura de aposentadoria. 
    Isso é válido para fazer uma planilha de investimentos em que você deve acompanhar se a rentabilidade destes projeta para o futuro uma renda compatível com a sua exigência de consumo.
     

  6. Marcelo disse:

    Entendo perfeitamente a colocação do termo inflação. Nesse caso da planilha, consigo perceber se minhas despesas “inflaram” de um mês para o outro ou não. E é essa variação que me permite adequar minhas despesas de acordo com a realidade. Se os preços sobem, devo diminuir o consumo para manter estável o meu controle. Isso é muito óbvio.

    Inclusive, o Gustavo Cerbasi, que despensa apresentações, utiliza o termo “inflação” quando se refere à variação relativa nas despesas familiares.

    Não entendo o motivo de tanta implicância com coisas tão pequenas, são apenas termos. Acredito que o Fábio foi muito feliz nas suas explicações.

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