Endividamento do brasileiro é recorde

21 de novembro de 20117 comentários

O nível de endividamento das famílias brasileiras alcançou patamares elevadíssimos, como mostra matéria publicada no Estadão. Entre cartão de crédito, cheque especial e outras dívidas, os brasileiros estão gastando alarmantes 40% de seu rendimento apenas para pagá-las. É, o crescimento brasileiro dos últimos anos, fundamentado basicamente na elevação do crédito, está cobrando seu preço. Resta saber até quando essa situação vai durar e se o governo vai tentar sustentá-la ou acomodá-la até que níveis mais sustentáveis de endividamento sejam alcançados. 

Segue o teor completo da notícia:

Fonte: Endividamento do brasileiro é recorde

Autora: Márcia De Chiara, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – O endividamento do brasileiro atingiu nível recorde. A dívida total das famílias no cartão de crédito, cheque especial, financiamento bancário, crédito consignado, crédito para compra de veículos e imóveis, incluindo recursos do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), corresponde a 40% da massa anual de rendimentos do trabalho e dos benefícios pagos pela Previdência Social no País, aponta um estudo da LCA Consultores ao qual o ‘Estado’ teve acesso.

Se, do dia para noite, os bancos e as financeiras decidissem cobrar a dívida total das pessoas físicas, isto é, juros e o empréstimo principal, que chegou a R$ 653 bilhões em abril, cada brasileiro teria de entregar o equivalente a 4,8 meses de rendimento para zerar as pendências. Os cálculos levam em conta a estimativa da massa de rendimentos nacional, não apenas nas seis regiões metropolitanas.

Em dezembro de 2009, a dívida das famílias estava em R$ 485 bilhões, subiu para R$ 524 bilhões em abril do ano passado e, em abril deste ano atingiu R$ 653 bilhões. Apesar dos ganhos de renda registrados nesse período, as dívidas abocanharam uma parcela cada vez maior dos rendimentos da população. Quase um ano e meio atrás, a dívida equivalia a 35% da renda anual ou 4,2 meses de rendimento. Em abril deste ano, subiu para 40% da renda ou 4,8 meses de rendimento.

“Houve uma forte aceleração do endividamento”, afirma o economista Wermeson França, responsável pelo estudo. Ele observa que uma conjugação favorável de fatores levou à disparada do endividamento do consumidor. O pano de fundo foi o crescimento econômico registrado no ano passado, quando o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,5%. Além disso, bancos e financeiras abriram as torneiras do crédito, com juros menores e prazos a perder de vista.

Dados de outro estudo intitulado “Radiografia do Endividamento das Famílias nas Capitais Brasileiras”, da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), confirmam o avanço do endividamento do consumidor. De janeiro a maio deste ano, 64%, em média, das famílias que vivem nas 27 capitais do País tinham dívidas, ante 61% em igual período de 2010. O valor médio da dívida aumentou quase 18%, de R$ 1.298 mensais, entre janeiro e maio do ano passado, para R$ 1.527 mensais em igual período deste ano.

Depois da explosão do consumo no ano passado, Altamiro Carvalho, assessor econômico da Fecomércio-SP, diz que as medidas de aperto no crédito editadas pelo do Banco Central no fim de 2010, a elevação dos juros e a redução dos prazos dos financiamentos tiveram grande influência sobre o aumento da dívidas das famílias neste início de ano. “As vendas do comércio a partir de março apontam para uma forte desaceleração do consumo”, afirma o economista, justificando que a dívida vem crescendo nos últimos meses por causa dos juros.

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Sobre o autor ()

Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.

Comentários (7)

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  1. Guilherme Ceolin disse:

    Olá Fábio

    Gosto muito de seu blog e por isso sou assíduo frequentador do mesmo, porém este é meu primeiro comentário. Em relação ao endividamento recorde, não há dúvida que, modo geral, o brasileiro é um povo gastador e que não pensa no futuro financeiro, mas fiquei curioso para saber mais sobre os dados, porque há uma diferença entre dívidas que não se consegue pagar, aquelas com juros absurdos e que viram bola de neve, e aquelas que você faz conscientemente porque precisa adquirir um bem mais caro (como casa nova, reformas, etc.).
    Se este individamento se refere somente ao primeiro caso é terrível para o Brasil, mas se refere-se ao segundo caso (ou o somatório de ambos) não é tão ruim assim, pois isso significa que o país realmente está dando condições para as pessoas melhorarem de vida, adquirindo bens que de outra forma não poderiam. Nem toda dívida é “evil”, algumas são necessárias.
    Era isso
    Parabéns pelo blog

  2. Glauber disse:

    Eu acompanho esse blog com certa frequencia e ouco volta e meia a mesma cantilena pintando de cinza uma conjuntura economica que estah mais pro rosa. Lendo a manchete do Estadao e o post do blog eu achei que – vixe Maria!!! – a casa caiu. Corre que o SERASA vem ai, minha gente!! Antes de correr (minha mae diz que “quem nao deve nao teme, mas corra por via das duvidas”), eu paro, penso e analiso: serah que a midia nao estah exagerando? Eu gostaria que me mostrassem em qual manual de economia estah escrito que um endividamento medio de 40% eh insustentavel, num pais que passou decadas com demanda reprimida. Outra coisa: o salario minimo pro ano que vem vai ser de R$622. Dona Joaquina vai poder, sim, comprar sua maquina de lavar nas Casas Bahia… E alguem ai sabia que o endividamento das familias brasileiras eh um dos menores do mundo, e que alem disso ele eh muito semelhante ao dos outros BRICs? Vamos ser um pouco mais otimistas com o futuro desse pais, o que nao significa pintar de rosa o cinza, mas simplesmente mostrar a realidade multicolorida como ela eh, com seus tons de cinza, rosa, azul, verde e amarelo.

    Grande abraco!!

    • Fábio Portela disse:

      Pois é… a dona Maria gasta R$ 248,80 com as prestações e o resto paga de aluguel. Sobrou o que para economizar e investir? Nada… e ainda vai faltar dinheiro pro resto. Ainda pagamos juros demais para justificar um endividamento nesse nível, Gláuber…

      • Glauber disse:

        Fabio, sem duvida, vc estah certo ao alertar Dona Joaquina sobre o risco de comprar aquela maquina de lavar e nao ter como pagar as prestacoes. A questao eh que nao precisamos convence-la a poupar usando como argumento a ideia de que o pais estah indo pro Armageddon.

    • Lopes disse:

      Glauber, perdoe-me pela franqueza mas acredito que você não está entendendo as mensagens do Blog.

  3. Lopes disse:

    Fábio,

    Parabéns pelo excelente site!

    Vivemos no país da enganação! O povo se endividou pois acreditou que estamos vivendo um boom econômico. Infelizmente a maioria não sabe avaliar o crédito disponível. Por exemplo, preferem fazer uma dívida de 30 anos com a CEF do que pagar um aluguel baratinho. Preferem comprar no cartão de crédito do que receber 5% de desconto numa compra à vista. Preferem comprar um carro zero e pagar juros do que gastar uma micharia com manutenção. etc, etc, etc. Mas o pior é que aqueles que usam conscientemente o dinheiro acabam pagando o pato em virtude da fartura de crédito combinada com a escassez de neurônios.

  4. César disse:

    Adorei o comentário do Lopes: “Mas o pior é que aqueles que usam conscientemente o dinheiro acabam pagando o pato em virtude da fartura de crédito combinada com a escassez de neurônios.” É a minha realidade..

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