Economizar melhor: os 8 erros financeiros mais comuns que dificultam a tarefa

24 de novembro de 20117 comentários

Ao decidir começar a economizar e investir, muitos de nós precisamos superar certos erros primários que cometemos quase inconscientemente. São erros que, embora quando considerados isoladamente às vezes não levem a enormes prejuízos, são a causa inequívoca de uma vida financeira caótica. Por essa razão, é importante conhecer esses erros para corrigi-los o quanto antes e possibilitar uma otimização na sua capacidade de economizar!

Primeiro erro: Gastos inúteis demais dificultam a tentativa de economizar

Um cafezinho a menos por dia, um par de sapatos a menos por mês, a assinatura de uma revista que você quase não lê (ou poderia ler boa parte de seu conteúdo pela Internet)… enfim, são muitos os gastos que fazemos e poderiam ser evitados e que, ao final de um ano, quando somados, constituem pequenas fortunas. Um café que custe R$ 1,00 por dia útil da semana, por exemplo, equivaleria a aproximadamente R$ 240,00 a se economizar ao final de um ano. Não é muito, mas quantas pessoas não conseguem economizar nem isso ao longo de um ano, com o argumento de que não sobra dinheiro? Se você diminuir a ida ao cinema de uma vez por semana para apenas duas vezes por mês, poderia economizar algo em torno de R$ 480 a mais por ano (considerando um ingresso que custe R$ 20). Se você gosta de jantar fora e gasta R$ 100,00 em um restaurante no fim de semana, pode economizar R$ 5.200 por ano (uma quantia bem superior aos R$ 240 do cafézinho, não?). Não estou dizendo que você não deve ir ao cinema ou jantar fora de vez em quando – mas lembre-se dos custos desses pequenos prazeres ao longo do tempo e os acomode a sua situação financeira e a sua capacidade de economizar. Lembre-se sempre de que cada real investido faz a diferença no final!

Segundo erro: Parcelas demais também dificultam qualquer tentativa de economizar…

Grande negócio comprar uma televisão que custa R$ 1.500 em 24 parcelas de R$ 100,00, não é? Afinal, os R$ 100,00 cabem direitinho no seu orçamento doméstico e você vai ter em sua casa uma tevê de última geração! Pois é… mas a tevê saiu por R$ 2.400, e não R$ 1.500! Ou seja… você pagou 60% a mais pela televisão – no mínimo, já que poderia ter recebido um bom desconto se houvesse pago a televisão à vista. E ainda sobraria um dinheiro a mais para economizar. Ou seja, outro fator que pode atrapalhar seu objetivo de economizar mais e melhor é a mania que muitos brasileiros têm de parcelar suas compras a perder de vista.

economizar

Terceiro erro: Pagamentos mensais demais

Também é importante ter cuidado com os pagamentos mensais. Conta de água, energia, telefone, tevê a cabo, celular, assinaturas de revistas, sites e outros serviços que exijam pagamento mês a mês. Se o dinheiro estiver contado e você estiver incapacitado de economizar o montante planejado, considere a possibilidade de diminuir os valores das assinaturas, ou de cancelar as que forem consideradas supérfluas. Com isso, será possível economizar mais facilmente, pois sobrará um pouquinho a mais no orçamento doméstico.

Quarto erro: o abuso do cartão de crédito

Embora o cartão de crédito possa ser utilizado como importante instrumento de controle financeiro, ele pode ser um perigo se o seu portador abusar de seu uso e necessitar pagar menos do que o valor da fatura. Nesse caso, será necessário parcelar o valor – e é aí que mora o principal perigo para sua capacidade de economizar. Os juros do parcelamento são excessivos! Portanto, use o cartão de crédito com moderação.

Quinto erro: Comprar um novo carro

Antes de comprar um novo carro, reflita bastante a respeito de sua necessidade. E também reflita sobre o modelo de automóvel de que você necessita: você precisa mesmo daquele carrão importado que vem com todos os opcionais? Lembre-se de que não é apenas o preço do carro que é alto; com ele, vêm seguro, o consumo de combustível (em alguns casos, o consumo é bem maior, especialmente no caso das SUVs e carros esportivos) e o custo com a manutenção. Além disso, a depreciação desses modelos é bem superior à de um carro comum. Com tudo isso, se você não tem condições de arcar com tudo isso e ainda economizar, o melhor mesmo é ficar com o seu modelo mais antigo – ou, se você mesmo quer um desses modelos, talvez não valha a pena comprar o carro zero quilômetro: por que não comprar um modelo usado, com 2 ou 3 anos de uso? O carro continuará excelente, mas com um potencial de desvalorização maior, e um custo de aquisição muito menor. Mas o melhor mesmo é refletir se você realmente precisa e pode manter o seu sonho de consumo, e ainda economizar o suficiente para o futuro.

Sexto e sétimo erros: Comprar uma casa maior do que a que você precisa… e achar que ela é a fonte de sua segurança financeira

São dois os erros decorrentes da escolha de sua residência: comprar uma casa grande demais e achar que ela será a fonte de sua segurança financeira. Por que você precisa de uma casa ou de um apartamento enorme, se você mora sozinho ou com duas ou três pessoas? Imóvel grande demais significa mais impostos a pagar e mais custos de financiamento e manutenção.

Outro erro é tratar sua casa como se ela fosse o seu patrimônio. Se você se lembrar bem do artigo em que discuto o conceito de ativo e passivo, a residência normalmente se enquadra como passivo na maior parte do tempo, e não se lembrar disso é um obstáculo perigoso para a sua capacidade de economizar. Uma casa ou um apartamento tiram seu dinheiro do seu bolso – com impostos, dinheiro do financiamento e custos de manutenção. Ela só é um ativo a partir do momento que você a vende e ela te traz dinheiro de volta; mas boa parte das pessoas compra uma casa não para vendê-la, mas para mantê-la em seu patrimônio indefinidamente. Portanto, se você não tem condição de comprar uma casa e continuar com folga financeira para economizar e investir, considere seriamente a possibilidade de viver de aluguel – especialmente se o preço dos imóveis for superior a 16,67 vezes o valor anual do aluguel (o que equivale a um aluguel que represente algo em torno de 6% do valor do imóvel ao ano).

Oitavo erro: Não ter condição de viver um único mês sem o salário

Outro erro que os brasileiros cometem corriqueiramente é o de não ter condição de viver um único mês sem receber salário. O que acontece se o patrão deixar de pagar (ou pagar atrasado)? O que acontece se a empresa falir, ou por outro motivo o empregado for demitido? O que acontece se a economia brasileira entrar em recessão?

Esse é um dos motivos pelos quais é importante economizar e investir: ter um montante suficiente para sustentar seu padrão de vida enquanto se consegue um novo emprego. Ajuste seu padrão de vida para que seja possível economizar o suficiente a fim de ter a segurança financeira necessária para ter outra fonte de renda que não a do seu emprego. O ideal é ter o suficiente, em fonte de renda com baixa volatilidade (renda fixa, principalmente), para viver 6 meses sem emprego.

* O post foi baseado em artigo da Investopedia, e adaptado para a realidade brasileira. Acesse o original nesse post, intitulado The 7 most common financial mistakes

Você gostou do post? Então ajude o blog a crescer divulgando-o! Basta clicar em um dos botões abaixo:
Tags: , , , , ,

Arquivado em: Educação financeiraFeatured
Tags:

Sobre o autor ()

Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.

Comentários (7)

Trackback URL | Feed RSS do comentário

  1. Jean Jacques disse:

    Apenas acrescentando, outra coisa que impede as pessoas de economizarem é a cultura da falsa ostentação, pessoas que gastam aquilo que não podem para parecer ricas quando na verdade são endividados.

    • Gil disse:

      Concordo.
      Tenho colegas que afirmam que compraram aptos de um milhão.
      Sendo que na realidade, eles adquiriram foi uma dívida de quase um milhão.
      Mas, vai dizer isso para eles.
      Pura enganação! O pior, é que, neste caso, estão enganando a eles mesmos.

    • Bruno disse:

      FATO!!!!

  2. Acrescentando,,;
    A falta de CONHECIMENTO,, acreditando em qualquer coisa que é oferecido por bancos , corretoras e visto pela internet,podendo atrapalhar e até deixar o investidor endividado uma vez que ele embarque nas grandes promessas de lucro fácil.

    abços

    ITM
    http://investindo-todo-mes.blogspot.com/

  3. Rony Melo disse:

    Concordo com todos os tópicos, exceto o primeiro.Tomando como simples exemplo o cafezinho, é difícil demais separar o que é um simples prazer do que é um gasto supérfluo. Não dá pra fazer igual ao Warren Buffet, que achava até um corte de cabelo supérfluo, pois contabilizava aqueles U$ 2,00 a juros compostos por 5 anos( segundo sua biografia) e trazidos a valor presente. Se for pensar assim, nego não gasta com nada. Eu comecei a pensar assim, e vi que era uma furada. Não deixo de sair e viver, o que não é intenção deste texto, por causa do dinheiro da picanha. Substituiria este tópico por uma dica que vi no valoresReais, e que eu já empregava: destinação de uma parcela fixa para gastos “supérfluos”. Assim, se você desejar gastar mais, vai ter que aumentar mais e sua renda.

    • Fábio Portela disse:

      Rony, a questão é saber o custo de tudo, e não sair gastando sem consciência do preço que se está pagando. Eu mesmo tenho meus supérfluos…mas eles são plenamente contabilizados em meus custos, e são razoáveis. O problema é gastar tanto com eles que se inviabiliza qualquer economia. E acredite: há muita gente que faz isso.

      Abraços,
      Fábio

  4. Tiago disse:

    Acho que os custos fixos são os que devem ser cortados primeiramente.

    É bom dar um destaque para a questão do Carro e da Casa, bens tão necessários pela cultura errante da nossa população.

    Bem melhor ter um carro popular (ou até ficar um tempo sem carro), morar em uma casa menor e alugada, e poder ir a um restaurante, cinema, tomar o cafézinho, ainda fazendo uma grande economia.

    Gosto de estabelecer um mínimo (realista) a ser poupado, por exemplo 20% do salário.

    Em condições normais, podemos viver bem e poupar acima disso; e se houver um mês um pouco mais difícil, basta cortar algum lazer – apenas naquele mês específico – e poupar o mínimo estabelecido.

Comente

 Assine nossa newsletter 

Back to Top

SEO Powered By SEOPressor