Os 1% são culpados pela crise? Ou… não seriam os governos?

17 de novembro de 201119 comentários

Tenho acompanhado com interesse os movimentos de protesto contra a crise financeira pelo mundo. Com maior destaque está o movimento de ocupação de Wall Street, conhecido como “We are the 99 percent”. O movimento, que tem por objetivo lutar contra os 1% mais ricos e responsabilizá-los pela crise financeira, é composto por pessoas como você e eu, que trabalhamos o dia todo e temos que organizar nossa vida a partir de nosso pão de cada dia. Mas será que esse movimento está certo ao responsabilizar o 1% pela crise? Será que não deveria ser dirigido ao governo? Veja a opinião de Peter Schiff, uma das pessoas que previu a crise econômica de 2008, e resolveu dialogar com o movimento:

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Sobre o autor ()

Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.

Comentários (19)

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  1. Leonardo disse:

    Fábio,

    nesso ponto discordo do amigo, entendo que culpar o “governo” é realmente um argumento que cai bem a banqueiros e seus serviçais.

    Quando há regulação impedindo a especulação desenfreada, a alegação é de sufocamento do princípio da livre iniciativa pelo “governo”.

    Quando não há regulação e eles dançam a música da especulação (expressão de um banqueiro no filme “Inside Job”) até provocar prejuízos que levam a uma crise mundial, a alegação é de que o “governo” (nós) deve salvá-los por que salvá-los é salvar a nós mesmos.

    Algumas perguntas devem ser respondidas para saber se a culpa é do “governo”:

    (i) quem patrocina os candidatos ao “governo”?
    (ii) é possível se eleger sem esse patrocínio?
    (iii) em que medida os candidatos foram cooptados pelos patrocinadores, isto é quantos favores deverão prestar para garantir a próxima eleição?

    Os bancos devem ser salvos, os banqueiros não. Na prática o que se viu nos EUA foi o salvamento não apenas dos bancos mas também dos banqueiros. Os mesmos, em verdade, tinham que estar fora do comando de seus bancos e ter seu patrimônio pessoal usado para quitar as dívidas que o “governo” fez para salvar os bancos que eles dirigiam. Só assim não haverá mais “moral hazard” futuramente. Do jeito que está, sem regulação e responsabilização de CEOs, a mesma crise acontecerá de novo. Não duvidem…

    É a minha leitura.

    Ab!

    • Luiz disse:

      Faço minhas as plavras de Noam Chomsky a respeito desses 1%:

      “A forma como eles vêem o mundo é simples: capitalismo é bom pra você eu fico com o socialismo.”

      basicamente o que ele está dizendo é que esses 1% vendem a idéia de livre mercado, concorrência e que vc deve se virar sozinho sem o governo porque isso não é apenas moralmente correto, mas é o que irá te tornar forte, esperto, dinâmico e competitivo…mas NA PRÁTICA eles vivem uma realidade diferente. Eles usam todos os recursos governamentais possíveis e imagináveis a seu dispor..desde proteção tarifária, créditos especiais de bancos públicos, isenções tributárias, pressões políticas sobre outros governos para abrirem seus mercados e quando fazem tudo errado jogam no lixo essa conversa de moral hazard e metem fundo a mão no bolso da população em geral via crédito público que nunca será pago na integra.

      A questão não é do sistema Capitalista em si…desde os primórdios da humanidade, ou melhor, desde que houve algum tipo de governo – ainda que tribal – alguns perceberam que poderiam usar de influência seja intelectual, pessoal ou até familiar, dinheiro ou qualquer outro meio para se beneficiar às custas do restante do grupo.
      não foi diferente no Mercantilismo, nem na experiência Socialista/comunista do leste europeu e àsia.

      A diferença a favor do modelo ocidental estava no fato de que nos EUA e na Europa ocidental havia sido criado um CONCEITO de “grande sociedade”, para usar uma expressão do falecido economista John kenneth Galbraith , onde buscava-se um Estado do bem-estar social onde a concentração de riquezas não era vista como problema já que havia um comprometimento por parte do Estado e da elite financeira,intelectual,política e etc em utilizar parcela significativa dos recursos criados pela sociedade em prol dessa mesma sociedade..o wellfare state.
      Isso (essa mentalidade e visão de mundo – porque é apenas isso mesmo..uma visão e uma mentalidade..SÒ iSSO! aliás como tudo mais na vida…uma mentalidade que leva a atitudes e ações) começou a ser destruído nos anos 80 no governo Reagan (com sua Reagonomics) e chegou ao ápice no governo Bush com os resultados que vemos agora

      • Fábio Portela disse:

        Luiz, é importante dissociar o capitalismo do que as empresas, individualmente, querem. O capitalismo supõe um sistema de controle da livre concorrência – o Estado. Mas as empresas querem mais e mais controles e, por isso, tentam dominar o Estado. Mas isso não é um mal necessário, se o Estado souber se isolar dessa influência – que é o que o Schiff coloca muito bem.

  2. Claudio Pereira disse:

    “Captalism means private profits and private losses. it doesn’t mean private profits and socialized losses”

    Ou seja, pelo que ele diz, não era pra ter resgatado os bancos em 2008.

    É uma pena que a gente não tenha uma 2a Terra para fazer esse experimento, mas tenho a impressão que ele não ia muito longe…

    • Fábio Portela disse:

      Se esses resgates não fossem possíveis e esperados, não teríamos chegado onde chegamos. Nesse ponto, concordo com o Schiff.

      • Claudio Pereira disse:

        Cara, se a AIG quebrasse depois do Lehman, o rombo seria tão grande que não ia sobrar muita coisa de pé.
        Me parece que um dos dois tinha que ceder. Ou se mantem o moral hazard e a vaca entra até os chifres no brejo ou e se de evita o colapso completo do sistema.
        É muito fácil construir uma narrativa florida sobre uns austríacos egoístas, racionais e de gostos imutáveis mas que tem pouca ou nenhuma ligação com a realidade.
        Enfim, não temos uma outra Terra para fazer esse experimento então não é possível dizer o que teria acontecido.

        • leo disse:

          “Se esses resgates não fossem possíveis e esperados, não teríamos chegado onde chegamos”

          frase que resume tudo. os governos causaram a crise. sim, naquele ponto salvar os bancos era necessario. entretanto, eles nunca chegariam a este ponto se SOUBESSEM, DE ANTEMAO, QUE NAO HAVERIA AJUDA. afinal, eles emprestavam dinheiro pra quem nao tinha nem onde cair morto somente porque o governo funcionava como fiador da palhaçada

  3. Flavio disse:

    Claudio, resgatar bancos é evitar “public losses”, pois os correntistas dos bancos somos todos nós. “private profits” é quando o banqueiro também é salvo junto com o banco, permitindo o “moral hazard” de que fala o Leonardo em seu comentário.

    Nossa, abusei das expressões em inglês. ;)

  4. thales lopes disse:

    Sinceramente, desda minha adolescência me entendo como comunista. Hoje estou tendo uma crise existencial(rsrs), invisto em ações e objetivo me aposentar com elas. Capitalismo só existe por uma razão, razão esta que foi citada diversas vezes: você não queria ser os 1%.
    O verdadeiro problema do capitalismo são as crises cíclicas que são encaradas como normal, parte do sistema. Mas por mim deveria de se tomar quantas medidas forem necessárias para neutralizar estas crises pq quando elas acontecem; pais ficam sem dinheiro para alimentar seus filhos, famílias vão as ruas.. bem, todos nós sabemos dos pontos ruins.

    Um mundo diferente é possível:

    1) Para ter uma visão ampla do estado de saúde de nossa espécie, é importante assistir os seguintes vídeos:
    - Zeitgeist: Addendum
    - Zeitgeist: Moving Forward
    2) Para obter uma visão técnica mais ampla dos funcionamentos econômicos humanos:
    - Livros de Jacque Fresco
    - Livros de R. Buckminster Fuller
    3) Para conhecer a ferramenta de diagnóstico e suporte técnico para o processo de transição, é preciso familiaridade com:
    - a teoria do generalismo

    • Fábio Portela disse:

      Thales,
      Acabar com as “crises” significa aceitar um dirigismo estatal incompatível com o dinamismo do capitalismo. Mas isso também significa aceitar que o Estado é super eficiente para lidar com a economia – o que sabemos que ele não é, como mostrou ao longo de todos os últimos anos. Os políticos não se importam em permitir um supercrescimento inflado por bolhas, porque isso traz a eles, ao menos no início, mais votos. Daí se seguem todos os problemas estruturais que acompanham as crises do capitalismo.

    • leo disse:

      você é comunista e nos indica fontes comunistas de estudo? amigo, nao polua um ambiente com um lixo que ja matou mais de 100 milhoes de pessoas ao redor do mundo. isso é doentio.

      • Paulo disse:

        Número de pessoas assassinadas durante as revoluções socialistas, segundo a obra O Livro Negro do Comunismo:

        20 milhões na União Soviética
        65 milhões na República Popular da China
        1 milhão no Vietname
        2 milhões na Coreia do norte
        2 milhões no Camboja
        1 milhão nos Estados Comunistas do Leste Europeu
        150 mil na América Latina
        1,7 milhões na África
        1,5 milhões no Afeganistão

    • Ricardo disse:

      Ciclos ecônomicos (bolhas e estouros) são causados exclusivamente pela inflação monetária criada pelo Banco Central e os bancos que são comparsas dos governos.

      O capitalismo puro não possui ciclos econômicos. Este capitalismo de Estado que vivemos hoje é só o método encontrado pelas forças dominantes para ficarem ricos as nossas custas.

      O pior é que temos uma lavagem cerebral feita nas pessoas em geral, que enxergam em mais estado a solução, sendo que a solução é justamente o contrário.

  5. Vinícius disse:

    Fábio,
    parabéns por levantar o tema com mais um post interessante.
    Acredito que o que se discute no vídeo acaba sendo a eterna discordância entre maior regulamentação ou maior liberdade para os mercados, republicanos ou democratas, socialistas ou conservadores.Gosto do debate, mas acho que é muito difícil consenso e não haverá um ponto de vista sempre correto ou errado, sendo preciso analisar cada questão. O importante e a discussão para que se encontrem as melhores soluções.
    Abraços

  6. Gil disse:

    Fábio,

    quando você fará um post sobre a bolha nos imóveis?
    Já faz um tempão que você não toca no assunto.

  7. Leandro disse:

    Vamos aprender a falar mandarim logo agora…

    hehehe

  8. Luiz disse:

    os governos foram cooptados por esses 1% com suas teorias de livre mercado sem qualquer tipo de regulamentação, com suas teorias de “supply side” e que o bom era corte de impostos para os ricos (invertendo toda a lógica econômica que vigorou desde o início dos anos 50).
    Os mesmo pilantras e escroques (porque são isso que são) que na maior cara-de-pau foram até o governo pleitear centenas de bilhões de dólares de ajuda (nosso dinheiro!!!!) mas diziam que isso era socialismo, quando o governo tentava ajudar as camadas mais pobres da população. Os mesmo que forjaram balanços e balancetes, criaram mecanismos fraudulentos nas bolsas e usaram o dinheiro ganho para cooptar mais e mais políticos. São os mesmos que agora querem dizer que a culpa é do governo. Mas a pergunta é: onde começa o governo e onde termina eles???
    nos últimos tempos o governo tem sido mais e mais apenas uma extensão dos interesses de Wall Street em detrimento do resto da país.
    Eles que agora na maior cara-de-pau do mundo querem distorcer a história recente e jogar a culpa apenas para o governo. No próximo passo irão (escrevam o que digo) tentar jogar a culpa para a população em geral. E sinceramente..nesse ponto tem alguma razão porque acredita neles e em suas conversas e teses quem for burro o bastante ou inocente o bastante para tanto.

  9. Pedro disse:

    Eu não consegui acessar o texto de “Peter Schiff”. Onde ele se encontra?

  10. Rafael disse:

    Também não encontrei o link no post, mas acredito que seja essa entrevista – caso não seja, fica como resposta aos que ainda enxergam a solução no estado -:

    http://www.youtube.com/watch?v=DC2WGbj-X8E

    Ver, se possível, toda a entrevista.

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