Como o acordo europeu afeta seus investimentos?

28 de outubro de 20111 comentário

acordoOntem foi um dia de festa no mercado internacional, com a celebração do acordo que promete acabar com ao menos uma das preocupações mais iminentes dos investidores – a situação financeira da Grécia, mais imediatamente e, espera-se, que a situação dos demais países que enfrentam problemas com o endividamento. O mercado respondeu rapidamente, com altas extremadas por todo o planeta. Mas é importante entender o acordo a fim de compreender como ele pode afetar seus investimentos.

 

O objeto do acordo financeiro

O acordo tratou de três pontos principais. O primeiro deles – e mais alardeado até aqui – diz respeito à redução da dívida grega em 50%, com um desconto no valor dos títulos da dívida grega. Mas fica a dúvida: por que os bancos privados aceitaram esse corte extremado na dívida? Pelo simples fato de que havia o risco real de que eles não viessem a receber quase nada da dívida, caso os líderes da zona do Euro resolvessem deixar o governo grego seguir o caminho da insolvência, com uma possível decretação de moratória. A intenção é diminuir a dívida grega de algo em torno de 150% do PIB para aproximadamente 120% do PIB até o final da década – o que significa que provavelmente mais medidas restritivas deverão atingir a pátria de Aristóteles.

Além disso, os líderes da zona do Euro decidiram ampliar o poder de fogo do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, para que possa, caso necessário, injetar capital em economias como a italiana, a espanhola e a portuguesa, que também estão passando por problemas na administração de suas contas públicas.

E, por fim, o plano também abrangeu a recapitalização dos bancos da região com 150 bilhões de euros. Havia o medo da falência de algumas instituições e a medida visa dar liquidez às instituições a fim de manter o fluxo de crédito da região.

Dúvidas a respeito do acordo ainda mantém o mercado em alerta

Embora o acordo tenha representado um alívio para o mercado financeiro, ainda há muitos pontos em dúvida que precisam ser solucionados a fim de que se possa, enfim, dizer que a crise acabou. A propósito, eu acredito que ainda veremos muitos desdobramos, porque países importantes da região, como Itália, Espanha e Portugal (além da Inglaterra, que tem sido menos mencionada pela mídia) têm enfrentado problemas com suas dívidas públicas, e não creio que essas medidas serão suficientes para conter uma crise da dívida soberana desses países. Espero que esses países estimulem suas economias a fim de recuperar o crescimento econômico e, assim que a economia estiver estabilizada, tomem medidas drásticas para conter suas dívidas. Infelizmente, não creio que isso irá acontecer.

Mas, quanto ao acordo firmado, existem algumas dúvidas: a primeira delas diz respeito à redução da dívida grega em 50%. Para que o acordo seja realmente efetivado, é preciso que as instituições financeiras credoras aceitem individualmente a redução do montante. Não se sabe, ainda, o que irá acontecer ao final e como os bancos serão pagos. Além disso, não se sabe ao certo de onde virão os 150 bilhões de euros necessários para capitalizar os bancos europeus, ou mesmo o montante integral que será injetado no Fundo Europeu de Estabilização Financeira.

Isso tudo tem deixado o mercado em alerta, aguardando os próximos rumos da negociação. Ë bem possível que a volatilidade ainda permaneça por algum tempo por conta disso, mas a notícia do acordo é decerto positiva: afinal, ela poderá dar um estímulo adicional para resolver a crise americana, já que a Europa é um dos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, sendo responsável por 19% do total exportado por aquele país. Vamos aguardar os próximos acontecimentos.

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Sobre o autor ()

Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.

Comentários (1)

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  1. Renato Eduardo Gonçalves disse:

    Fábio,

    Acrescente também aos países que você mencionou a Irlanda. O problema é que a mídia trata a crise como se o problema fosse apenas na Grécia. É o país com maior risco, é verdade, mas pouco mencionam as demais nações que enfrentam problemas em suas dívidas públicas.

    Aproveito para lhe parabenizar pela qualidade do blog. Graças a sua didática aprendi bastante sobre o mundo dos investimentos e finalmente estou entendendo como funciona o mercado de ações.

    Abraço.

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