A carteira de investimentos em setembro de 2011
Mais um mês de agonia no Ibovespa terminou, e como prometido, divulgo a carteira de investimentos de minha propriedade. Embora o mês tenha começado com uma alta razoável em momentos nos quais os especuladores pensavam que a crise estava arrefecendo, o índice da bolsa de São Paulo terminou o mês com uma forte queda, de 7,38%, e está acumulando, no ano, queda de 25,21%. E a carteira, como anda? Como combinamos, segue mais uma parcial dos meus resultados no ano de 2011!
Como sempre, a carteira tem se mostrado mais resiliente do que o Ibovespa
Mais do mesmo: a carteira de investimentos tem apresentado estabilidade frente ao Ibovespa. Nos momentos de queda aguda, como o último mês – que representou a maior queda no Ibovespa desde o ápice da crise de 2008 -, a carteira caiu bastante menos que o índice, mesmo considerando apenas o mercado de ações. Com a volatilidade do mercado atual, a queda total das ações foi de 3,80% – bem abaixo dos 7,38% do Ibovespa.
Vejamos o desempenho de cada ativo:

Minhas aquisições no mês foram as seguintes: Banco do Brasil, Itaú e Natura. Minha ideia original era comprar ações de 4 empresas, mas aconteceu algo que mudou meus planos originais: o Itaú vai realizar um grupamento à razão de 100 ações para cada uma em posse do investidor – e, depois, vai fazer um novo desdobramente de 1 para 100. Eu não entendi o motivo dessa medida, mas resolvi me proteger. De quê? Bom, pra você entender como essa medida pode representar um risco importante para o pequeno investidor: se você tiver 450 ações do Itaú Unibanco, a medida vai tirar 50 ações de seu patrimônio. Afinal, a primeira medida é a de agrupar as ações à razão de 100 para 1. Ou seja, se você tiver 450 ações, o Itaú irá agrupá-las, transformando lotes inteiros em ações individuais. Mas 450 divididos por 100 resulta em 4,5 ações – e, como não existe “meia” ação, o investidor a perderá. No movimento contrário, de novo desdobramento, a empresa multiplicará as ações por 100 novamente. Se você tinha 450 ações, no primeiro movimento terminará com 4 ações e, no segundo (o desdobramento), passará a ter 400 ações (e não as 450 ações originárias). Portanto, se você tem ações do Itaú Unibanco, cuidado!
No meu caso, eu me protegi de perder algumas ações completando um lote – o que me impediu de comprar ações de outras empresas que considero estarem sendo negociadas a preços atraentes, depois das quedas recentes – como Saraiva, Vale, Marcopolo ou CSN (atenção: isso não significa que eu esteja recomendando a compra de qualquer uma dessas ações!!!). Acabei comprando ações do Banco do Brasil e da Natura (novamente, como no mês anterior!), que também estão sendo negociadas a preços razoáveis para seus históricos. A Natura, inclusive, foi a ação que apresentou a maior queda entre as que compõem a carteira (de 16,05%). Por outro lado, as ações da Marcopolo apresentaram forte alta de 12,93%.
A carteira e sua rentabilidade ao longo do tempo
No cômputo geral, a carteira apresentou o seguinte resultado:

Como o leitor pode ver, minha carteira ainda está no positivo no período que vai de 2008 a 2011. Para quem não usa derivativo e não vive do mercado, acredito estar seguindo uma boa estratégia de longo prazo: afinal, a carteira de ações continua com alta de 6,24% no período, contra uma queda no Ibovespa de 24,57%, entre maio de 2008 e a data de fechamento de setembro. Em 2011, a carteira de ações apresenta baixa de 12,10%, contra uma queda no Ibovespa de 25,21%.
Quando verificamos a rentabilidade total da carteira de investimentos, incluindo a renda fixa, os resultados apresentam melhora considerável. No período de maio de 2008 (quando comecei a montar a carteira) a janeiro de 2011, a rentabilidade total é de 18,56% contra -24,57% do Ibovespa. No ano, a rentabilidade é de -5,70% e, no mês, de -2,60%. Ou seja, essa crise enorme que o mundo está passando representou uma queda de apenas 2,60% na minha carteira de investimentos. É por isso que a diversificação apresenta vantagens para o investidor no longo prazo: ao longo do tempo, ela estabiliza a carteira e ajuda a passar pelos períodos de crise.
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Sobre o Autor (Perfil do Autor)
Fábio Portela é investidor desde 2006 e disponibiliza neste site seus conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, seja com sua experiência, seja por meio das leituras que fez ao longo dos anos. O autor é mestre em Direito Constitucional e em Filosofia pela UnB, e atualmente cursa doutorado em Direito Constitucional na mesma instituição.Comentários (9)
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É o mercado não esta fácil,, hora boa para se manter firme e fazendo aportes! Pessimismo no mercado é bom para o pequeno investidor!
A minha carteira rendeu 1% e pelo que tenho visto, não posso reclamar e tudo isso graças a alocação de ativos, dividendos e a mudança para o longo prazo sem ficar fazendo compras e vendas a todo momento.
Abços
ITM
Fábio se não for pedir muito,será que tem como disponibilizar essa planilha.Iria ajudar muito.obrigado
Amigo, primeiramente parabéns pelos comentários e ajudas postadas aqui.
Bem, sou acionista do ITAÚ e não há motivos para preocupações, mesmo para quem não tem lote completo, pois se as ações que não estiverem em lotes completos serão negociadas automaticamente no mercado fracionário e o acionista receberá o dinheiro como em uma venda normal. Só que nem sempre a pessoa está afim de vende-las, mas será obrigado a isso ou a completar o lote.
Grande abraço
Sandro
http://www.d3fotografia.com
Esse desdobramento e o agrupamento também ocorrerá para holding itsa4?? É um absurdo eles fazerem issso, quem tiver 99 ações da ITUB4 pode ficar sem nada no dia 01 de novembro. ABSURDO!!!
Pois é, Alvaro! Também acho preocupante para o pequeno investidor, e por isso escrevi sobre o assunto no blog, para quem tenha ações da empresa. Não sei ainda se afetará a ITSA4…
Boa tarde, eu tenho ações do ITUB4 e recebi esse comunicado pelo correio, as ações da holding não serão afetadas…
Com relação a perda das frações, o que ocorrerá é que quem não completar o lote minimo ou vender suas frações até o dia 31/10/2011 terão suas ações automaticamente vendidas em leilão que será realizado no dia 21/11/2011.
Ainda não sei quais serão os efeitos práticos que essa manobra pode ter no preço das minhas ações, mas não pretendo vender, não possuo lotes fracionados e comprei essas ações pensando no longo prazo…. vamos ver o que vai dar…
José,
Obrigado pelos esclarecimentos.
Estou mais para vender a parte fracionada do que comprar para completar novo lote.
abs e boas compras para todos.
Se não me engano, esses agrupamentos e posterior desdobramentos, tem como objetivo “limpar” a base acionaria da empresa, fazendo com que acionistas que possuam ações do banco esquecidas e em numero pequeno, saiam da base acionaria da empresa, mas as frações de ações que serão vendidas em leilão são revertidas para seus proprietarios (em dinheiro).