A renda fixa realmente bateu o investimento em ações nos últimos 15 anos?

2 de agosto de 201133 comentários

Segundo uma visão que tem sido muito propagada, as ações apresentaram um retorno pior do que os investimentos em renda fixa nos últimos 10 ou 15 anos. Aqui no blog mesmo eu divulguei uma matéria da Exame que mostrava como os rendimentos em ações perdiam, em rentabilidade, dos títulos do tesouro. Mas será que isso é efetivamente verdade?

No excelente blog do INI  (Instituto Nacional de Investidores), foi publicado um estudo excelente sobre a questão no dia 11 de julho. O estudo mostra que essas matérias partem de um pressuposto equivocado e que faz toda a diferença: o de que os investidores efetuaram uma única aplicação no início do período e nunca mais aplicaram dinheiro algum. O problema é que a maior parte dos investidores não faz isso, mas investe periodicamente. E isso faz toda a diferença. Vale a pena ler!

As tradicionais comparações entre o Ibovespa e a Renda Fixa têm um erro metodológico sério

Sempre que a bolsa (leia-se Índice Bovespa) passa por maus bocados, surgem as comparações depreciativas com a renda fixa brasileira.

Este breve estudo pretende demonstrar que as comparações entre o Ibovespa e a Renda Fixa são inadequadas e imprecisas, transmitindo uma visão distorcida do investimento em bolsa.

Ressalve-se aqui que os profissionais que fazem essa comparação não tem qualquer culpa nem dolo por utilizar uma metodologia imprecisa.

É a própria falta de conhecimento da dinâmica do mercado de ações que leva ao erro metodológico.

Metodologia do estudo

O estudo compara investimentos em bolsa (RV) e renda fixa (RF) entre janeiro de 1998 e junho de 2011.

Para equilibrar os números são simulados dois fundos, um atrelado ao Ibovespa e outro à Selic mensal. Não serão considerados custos e impostos, pois em fundos de longo prazo, pela regras de hoje, as alíquotas seriam iguais. Não há taxas de administração para quaisquer dos fundos.

A planilha com os dados completos está AQUI.

Primeiro e principal erro: Método de Acumulação de Patrimônio

Os estudos que aparecem na mídia, demonstrando que o investimento em RF foi melhor que o investimento em RV nos últimos anos cometem um pecado metodológico sutil, mas decisivo para viciar os resultados.

Por “viciar” os resultados entenda-se que a metodologia utilizada tende, na maioria das vezes, a beneficiar a RF. É como se, ao jogar um dado, o resultado fosse 90% das vezes um número par, por exemplo.

As comparações sempre levam em consideração um investimento único, feito no início do período, tanto para RF quanto para RV.

Esse método é correto para RF, mas errado para RV.

Não há qualquer dúvida de que migrar uma grande quantidade de dinheiro de uma só vez para RF seja uma atitude prudente ou correta, mas colocar todo o dinheiro em bolsa de uma só vez é jogo, é aposta.

Resumindo: a metodologia tradicional compara uma atitude de investimento INDICADA para a renda fixa e CONTRA-INDICADA para a bolsa.

O leitor deve estar imaginando se isso é tão grave assim. É gravíssimo.

Pois imagine que o estudo fosse feito com atitudes de investimento INDICADAS para ambos os casos.

No estudo que gerou esse artigo, simulou-se a compra regular de R$ 1.000 em cotas de um fundo de índice (RV) e mais R$ 1.000 em cotas de um fundo atrelado à SELIC (RF), ao longo de 162 meses.

Entre janeiro de 1998 e junho de 2011, os resultados:

  • R$ 163.000 investidos em cada fundo (contando aporte inicial período ZERO)
  • R$ 521.856 no fundo atrelado ao Ibovespa (RV)
  • R$ 485.268 no fundo atrelado à SELIC

Mas não é isso que prova o viés negativo que acaba quase sempre deixando a renda variável em situação desfavorável nas comparações.

A prova do viés metodológico

Na metodologia utilizada tradicionalmente, que aqui se quer demonstrar que tem viés amplamente favorável à RF, simula-se um único aporte no início do período, tanto para RF quanto para RV.

Nesse exemplo, nos 162 meses do estudo, em quantos a RF estaria em vantagem em relação à renda variável?

O patrimônio em renda fixa estaria maior em 143 meses, contra apenas 13 meses nos quais a renda variável estaria com patrimônio maior.

Mas na metodologia correta, que compara bolsa e renda fixa utilizando uma modalidade de investimento adequada para ambas, o resultado seria AMPLAMENTE diferente.

Nesse segundo exemplo, nos 162 meses do estudo, em quantos a RF estaria em vantagem em relação à renda variável?

O patrimônio em renda fixa estaria maior em 72 meses, contra 90 meses nos quais a renda variável estaria com patrimônio maior.

Creio que esse cálculo simples demonstra com rigor matemático o enorme viés favorável à renda fixa que a metodologia utilizada pela maioria dos meios de comunicação e de pesquisa carrega.

Além disso, a divulgação acaba estimulando a idéia errônea de que bolsa é “hora certa“. Na simulação que acumula patrimônio ao longo do tempo os resultados da bolsa teriam sido melhores na maioria dos períodos.

Por fim…

Ressalve-se que esse estudo nada diz sobre o futuro e nem tem por objetivo dizer qual foi ou será o melhor investimento, muito menos quer demonstrar que bolsa é melhor do que renda fixa.

Seu objetivo é simplesmente demonstrar que o método utilizado pelos principais meios de comunicação e de pesquisa é inadequado para indicar qual teria sido o melhor investimento nesses últimos anos.

Isso porque utiliza uma sistemática de investimento correta para a renda fixa e inadequada para a bolsa.

A demonstração deixou claro que, em situações equânimes, em que os investimentos regulares mitigam a “chance” de escolher pontos especialmente ruins ou bons para a bolsa, a bolsa apresentou-se, na maioria das vezes melhor do que a renda fixa.

Ah… e com uma renda fixa, às vezes, superior a 40% ao ano (alguns meses de 1999).

Por fim, dois gráficos para demonstrar a diferença entre investir regularmente (comparação de patrimônios) e investir de uma só vez (comparação de cotas):

Método tradicional (adequado para RF e inadequado para RV)

Método de aportes regulares (adequado tanto para RF quanto para RV)

 

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Sobre o autor ()

Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.

Comentários (33)

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  1. Ronnie disse:

    Prezado Fábio,

    Talvez eu esteja profundamente equivocado. O que não seria nenhuma novidade, visto que estou aqui para aprender com vc e outros mais experientes. Por isso fico às vezes tão perdido entre tantos conceitos e idéias que estão além do meu limitado alcance.

    Mas é que fiquei um pouco assustado quando vc afirmou que os profissionais que estão por ai fazendo análises e estudos sofrem de “falta de conhecimento da dinâmica do mercado de ações que leva ao erro metodológico.”

    Então só de imaginar que existe por aí um número enorme de pessoas que são ditas profissionais – mas sem essas noções básicas – tentando exercer algo que NADA sabem é assustador! Obrigado por nos alertar de mais esse perigo!

    Mas fiquei um pouco confuso com essa questão de que “as comparações entre o Ibovespa e a Renda Fixa são inadequadas e imprecisas, transmitindo uma visão distorcida do investimento em bolsa.”

    Seilá, mas parece (e não tenho a menor certeza da besteira que posso estar escrevendo…) que quando é realizada essa forma de “comparação” que vc descreveu como inadequada e imprecisa, o objetivo é somente analisar as escolhas pela ótica do “custo de oportunidade”, quando após determinado período, uma escolha é comparada ao outra escolha que teria sido mais rentável; não importando em qual mercado. E não com o objetivo de afirmar que algo historicamente guarda ou promete mais ou menos rentabilidade. Até porque RF e RV são investimentos absolutamente distintos e não guardam nenhuma similitude. Enquanto a RF é pagamento de juros sobre o principal, que em tese estará preservado. Já RV é valor de mercado sem previsão desse valor, que em tese jamais promete preservar o principal investido. Até porque a RV – tanto para mais quanto para menos – sempre apresentará maiores valores de variação que a RF ao longo do tempo.

    Talvez por isso que quando olhamos o seus 2 gráficos acima, observamos uma linha ascendente constante (RF) e outra errante (RV) independe da forma certa ou errada de comparação como vc definiu.

    Aliás observando a linha errante (RV), acho, mas posso estar bem errado, mas mesmo fazendo uso da estratégia de compras regulares, aqueles investidores que começaram a comprar ibov a partir de janeiro de 2008, talvez ainda estejam sofrendo perdas ou ganhos muito tímidos, apesar de vc nos garantir que “ idéia errônea de que bolsa é “hora certa“.

    Não sei e posso estar passando uma grande vergonha…. Mas acho que se considerarmos essa “visão de RV sem vícios” sempre partindo de um valor de ibov mais baixo que o atual, claro, a RV sempre irá mostrar maior rentabilidade ou pelo menos próxima que a RF.

    Então pra isso funcionar, talvez, não seja obrigatório que o ibov só suba e jamais entre numa fase de congestão como o djia que desde 97 está encapsulado entre 7K e 14K?

    Acho até que é por esse motivo, talvez, que não usam esse critério de “aportes regulares”. Porque dependendo do ponto de partida da sequência de valores utilizada para RV (e do dia exato dos aportes…), os resultados podem ser bem diferentes ao longo do tempo. Enquanto que a RF, em tese, será sempre uma constante.

    Mas é aquilo: estou só expondo esses meus equívocos acima, que é para vc corrigi-los o que agradeço desde já.

    Meu muito obrigado!

    • Fábio Portela disse:

      Prezado Ronnie,

      O texto não é meu (eu escrevi apenas os primeiros parágrafos). Como indicado, trata-se de um texto do INI.

    • dimarcinho disse:

      Oi, Ronnie,

      vejo sempre sua “preocupação” com o que o Fábio fala sobre os Analistas do Mercado, que como vc mesmo disse, são profissionais.

      Conhece a história da caverna de Platão? Como você irá discernir se algo é real ou não se passou a vida inteira aprendendo o irreal?

      Recomendo a leitura do seguinte livro: “A Lógica do Cisne Negro” de Nassim Thaleb.

      Existe muita, mas MUITA coisa que é utilizada amplamente no mercado e simplesmente não faz o muito sentido, maaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaas, os ESPECULADORES ganham dinheiro com isso.

      Não sei você ainda não percebeu, mas o site do Fábio é voltado aos INVESTIDORES e não ESPECULADORES.

      E é por isso que, creio eu, será muito difícil você olhar para matérias sobre análise técnica, por exemplo.

      Em tempo, a grande maioria das análises é feita utilizando modelos estatísticos considerando que as cotações das ações apresentam uma variação normal.

      No chutômetro, creio que em 98% (ou mais) dos casos funciona.

      Tem um estudo que mostra que o S&P tem ~50% da sua alta nas últimas DÉCADAS atreladas a apenas 8 ou 10 dias de pregão.

      Ou seja, aqueles 2% fazem MUITA diferença, só que é completamente ignorado pelos analistas.

      E quem paga a conta é VOCÊ.

      Grande Abraço

  2. Olá Fábio!

    Este texto do INI é interessante para mostrar as diferenças entre o Lump Sum Investing (LSI) e o Dollar Cost Averaging (DCA).

    No longo prazo, mesmo que o retorno não seja melhor via DCA, o risco será diminuido, o que já é muito importante para o investidor.

    Eles poderiam ainda usar o Value Averaging (VA) que historicamente tende a apresentar resultados melhores do que o DCA.

    Existe um livro que trata somente deste assunto. Bem interessante!

    Grande Abraço!

    • Fábio Portela disse:

      Qual o livro, Henrique??

    • fox disse:

      Portinho depois faz uma comparação entre LSI e o DCA:
      http://blogdoportinho.wordpress.com/2011/07/14/corrigindo-outros-equivocos-dollar-cost-averaging-x-lump-sum-investing/

  3. Olá Fábio!

    Vou deixar o link para a resenha deste livro do Guilherme do Valores Reais:

    http://www.valoresreais.com/2010/07/03/resenha-value-averaging-de-michael-e-edleson-livro-em-ingles-%E2%80%93-parte-i-introducao-e-capitulos-1-a-8/

    Grande Abraço!

    • Fábio Portela disse:

      Valeu, Henrique!!

      A propósito, que coisa fizeram com o Guilherme… deve ter sido grave mesmo para que ele suspenda o trabalho que tem feito no Valores Reais!!

      • Helio disse:

        Olá Fábio! Muito interessante este artigo. Sei que não é da sua autoria, mas agradeço por divulgar. Tenho aprendido bastante com seu blog.

        Fábio com relação ao artigo vc acha que se o estudo fosse feito com um portfolio misto utilizando DCA, metade rendafixa e metade acoes, digamos que a cada mes o aporte variaria entre renda fixa e ações, este portfolio misto renderia mais do que o somente com ações?? Ou não??

        Um comentário rápido agora sobre o que vc disse aí em cima sobre o blog do nosso amigo, também me pergunto o que realmente aconteceu. Fiquei sabendo do caso, e fiquei surpreso ao saber quem é o blogueiro que vem fazendo supostos ataques ao blog do nosso colega, pois acompanho sempre que posso o referido blog e creio que vc também, e acho meio difícil acreditar nisso. Inclusive vi que vc e outros blogueiros foram citados em um comentário feito por um leitor do suposto blogueiro no blog dele, e vc deu uma resposta bem justificada. Inicialmente dei meu suporte a um dos dois, pois achei um absurdo alguém plagiar o artigo de outro colega de blog, mas depois que li aquele comentário, fiquei com a pulga atrás da orelha. Esta história está muito mal contada, e enquanto essa história não for esclarecida, e vc como advogado deve saber bem disso, enquanto os fatos não forem devidamente esclarecidos, não apoio nenhum deles. Espero que as coisas voltem ao normal logo, pois gosto muito dos 2 blogs.

        Abraços!

        • Fábio Portela disse:

          Pois é, Helio… até agora não sei bem o que houve. Apóio o Guilherme não no sentido de dar razão a ele (até porque não sei bem o que aconteceu), mas mais no sentido do coleguismo mesmo, de dar um apoio moral para que ele supere a situação. Tanto que eu “tirei o meu da reta” no caso. Mas acho que provavelmente o que deve ter acontecido foi um mal entendido que, espero, deverá se resolver logo.

  4. Ronnie disse:

    Prezados Fábio e Henrique,

    Fui agora correndo na amazon pra comprar esse livro!

    Mas fiquei um pouco assustado com uma resenha negativa que escreveram lá, falando que essa estratégia só funciona se o ativo ou o mercado continuarem em alta.

    Vcs poderiam dar uma lida e comentarem os equívocos de Mr. Kleinman para que eu me sinta mais seguro nesse meu novo investimento em conhecimento?

    http://www.amazon.com/Value-Averaging-Strategy-Investment-Classics/dp/0470049774/ref=cm_cr_pr_product_top

    Value Averaging, February 11, 2007
    By C. Kleinman (San Francisco, CA USA)

    This review is from: Value Averaging: The Safe and Easy Strategy for Higher Investment Returns (Wiley Investment Classics) (Paperback)

    I’m sorry, but I put this book down after reading the first three chapters. This book takes into account strategies that only work if the individual stock or market continuously goes up. If a stock hits a new high or low, taking this books advice, you should buy ignoring all other market conditions. This will hedge your profit or loss while investing blindly into the market. No wonder why the majority of individual investors will end up losing in the stock market.

    With the housing boom coming to an end, interest rates artificially being kept low, and inflation on the horizon, the book will lower your net worth for years to come.

    For a man with an MIT PHD and the Managing Director of Morgan Stanley, this book is a big disappointment.

    • fox disse:

      Eu sugiro comprar, ler e tirar suas próprias conclusões. Sempre haverá críticas negativas. Como já disse Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra”.

    • dimarcinho disse:

      Eu discordo da estratégia Value Averaging.

      Como eu mesmo já coloquei no meu Blog, essa estratégia é ineficiente e só funciona se o mercado for um fortíssimo bull market, assim como mencionado no comentário do gringo.

      De qq forma, seria a fórmula mágica que todos buscam para comprar na baixa e vender na alta. E todos sabemos que não existe fórmula mágica no Mercado Financeira.

      []s!

  5. Yuzuru disse:

    Só comentando um detalhe, um pouco off topic, admito

    “Ressalve-se aqui que os profissionais que fazem essa comparação não tem qualquer culpa nem dolo por utilizar uma metodologia imprecisa.”

    Nao é correto: eles podem nao ter dolo (intenção proposital de enganar ou confundir), mas se eles estão usando uma metodologia inadequada, na qualidade de profissionais, estão sim, agindo de forma irresponsável, e portanto teriam “culpa”.

  6. Andre V.H disse:

    Tenho a ligeira impressão que esses estudos não levam em consideração os dividendos, em muitos carteiras são eles que fazem a diferença.

  7. Fábio,

    Deveríamos criar um “twitaço” contra a manipulação do Ibovespa. Quer um exemplo de “manipulação autorizada”?
    O uso da “operação vendida”. Acho que esse procedimento deveria ser banido. Simplesmente as grandes corretoras entram vendendo determinado ativo (alugando de coitados)e derrubam os papéis. Além disso, conheço uns 2 sites de ações que se vendem as estratégias manipuladoras.
    As tuas orientações são de grande valia, porém perdem força numa bolsa manipulada.

    Pense a respeito!

    Dr. Leonardo – Cardiologista – USP

    • Fábio Portela disse:

      Leonardo,

      No longo prazo, esse tipo de manipulação não tem como prejudicar minhas estratégias de longo prazo. Se as corretoras derrubarem os preços das ações de uma empresa excelente do meu portifólio, eu ficarei feliz por poder comprá-las com desconto e garantindo mais dividendos; e se elas elevarem os preços até níveis insustentáveis, eu as venderei com lucro. E, no longo prazo, a excelência do negócio aumentará tanto o lucro por ação que não restará saída ao mercado a não ser reconhecer isso nos preços.

      Abraços,
      Fábio

  8. Ronnie disse:

    Dimarcinho,

    Que bom que temos algo em comum! Eu tb já li o THaleb (obrigado por mais essa correção porque eu pensava que era Taleb).

    Só não compreendi aonde entrou em alguma das minhas dúvidas divagações sobre análise técnica, especuladores ou investidores. Vamos com um assunto de cada vez, caso contrário é muita informação pra mim e eu me confundo com muita facilidade nesse tema intrigante que é o mercado.

    Mas falando mais sobre Thaleb, seilá, posso ter lido o livro com muita desatenção…

    Mas – ao contrário do que vc afirma – acho que ele expõe justamente sobre o fato que é uma grande falácia acreditar em:

    “modelos estatísticos considerando que as cotações das ações apresentam uma variação normal”

    “No chutômetro, creio que em 98% (ou mais) dos casos funciona.”

    Segundo o libanês, cap. 15 se não me engano, cotações não seguem modelos de variação normal como numa curva de Gauss. E que seguir esse tipo de modelagem, na verdade, seria quase que errar em 98% dos casos. Acho que deve ter sido isso mesmo que ele disse, porque senão ia ser muito fácil trabalhar previsões de volatilidade em mercado na maior parte do tempo. Porque segundo o Thaleb, qualquer um com uma calculadora financeira e a fórmula de B&S seria um vencedor no mercado.

    Esse estudo que vc lembrou sobre SP500 – eu acho e me perdoe minha ignorância – só corrobora mais ainda o fato que cotações não seguem modelos de variação normal. E os analistas profissionais não ignoram esse problema; o fato é que eventos em mercado são imprevisíveis até o dia que ocorrem, desrespeitando qualquer base de avaliação estatística mesmo as mais sofisticadas. Ou seja, está acima de qualquer forma de análise, enfoque conceitual ou estratégico de mercado. Por isso são carinhosamente apelidados de Cisne Negro.

    Esse estudo sobre o SP500 consta no livro do Mandelbrot. E se vc abrir a primeira página do Cisne Negro descobrirá que ele é dedicado a Mandellbrot, sua obra é a fonte de inspiração pro Thaleb.

    E, mais uma vez, obrigado por suas dedicadas e paciente explicações. Estou aprendendo muito com vc!

    P S – sobre EU e não NÓS pagarmos as “contas” da especulação do mercado – me perdoe mais essa dúvida – mas só é possível VOCÊ estar acima disso, caso vc não participe do mercado de renda variável ou tenha domínio ou controle sobre o mercado…

  9. É no caso ai o amigo Ronnei esta correto, pois nós pagamos a conta. Desculpa-me dimarcinho.
    O detalhe é que todos sabemos o *mix* que devemos fazer em nosso investimentos. E a pesquisa com detalhes de uma comparação entre RF e RV, com aporte inicial de *Tudo de uma só vez* é ai que esta o erro. Somente isso e nada mas.
    Outro problema é que : se torna muito difícil explicar para o *povo* que a maneira em que os pesquisadores, reportes e agentes de mercado, estarem mostrando esta comparação, deixa muita gente confusa e com o pé atrás perante o mercado acionário. E é isso que eles querem, já que é mais fácil ganhar dinheiro com os desinformados e inocentes. Não acham?
    Já dizia Chê Guevara: *Povo que não sabe ler é fácil de enganar*. Ou seja, sem estudo e conhecimento sobre o mercado será acada vez mais simples enganar e confundir as coisa.
    No final nas contas o que vale mesmo é a diversificação de nosso portfólio, RF, RV, imóveis, FII, ETFs, câmbio, ouro etc.
    O intuito desse comentário é exemplificar as coisas e deixar claro que não existe o correto e errado, apenas estude, leia livros importantes, aprenda, seja humilde, completando nossos dias de prazer e dedicação aos nossos investimentos. Isso sim é o que vale a pena.
    Abraços a todos e bons negócios. Parabéns Fábio pela excelente ideia em posta este texto aqui.
    Abração!

  10. Ronnie disse:

    Fábio,

    Me perdoe a intromissão na sua estragégia…

    Mas desde o final dos anos 90, eu já ouvia muito falar sobre essa sua estratégia:

    “Se as corretoras derrubarem os preços das ações de uma empresa excelente do meu portifólio, eu ficarei feliz por poder comprá-las com desconto e garantindo mais dividendos”

    Por exemplo, no final dos 90, muita gente competente, convicta, séria e criteriosa jamais acreditou que a Embratel (exemplo um pouco mais distante, mas emblemático, fora outras histórias similares recentes…) pudesse deixar de ser um “excelente negócio” no futuro.

    Meio que lembrando agora de alguma coisa que li lá no THaleb, graças ao Dimarcinho:

    “Em mercado, a história dos perdedores nunca é contada…”

    PS – doutor Rosa, se vendas a descoberto (com ações alugadas, é claro…) fossem banidas do mercado, isso só aceleraria mais ainda os desequilíbrios da especulação formando perigosas pirâmides para o alto nos preços dos ativos. O verdadeiro problema se concentra mais no mercado de deritavitos exóticos e de títulos sem lastro, tipo junk bonds.

    • Fábio Portela disse:

      Ronnie,

      Por isso eu acredito na diversificação, como já disse milhares de vezes. Como há o risco de comprar uma “Embratel”, eu o minimizo comprando ações de várias empresas que considero terem vantagem competitiva. Só com muito azar, minimamente provável, todas elas irão me dar prejuízo.

  11. Ronnie disse:

    Fabio,

    entendo, bem pensado: diversificar.

    mas segundo sua estratégia, durante uma queda do ativo, vc vai comprando cada vez mais ativos dessa mesma empresa que vc acredita. Ou seja, vc vai dobrando a sua aposta.

    agindo assim, vc não estaria enfraquecendo a sua diversificação caso vc esteja errado naquilo que vc acredita?

    • Fábio Portela disse:

      Não. Eu vou comprando ações de todas as empresas em que invisto, não apenas as que caíram demais. Meu portifólio navega quase no piloto automático: todo mês, vou rotacionando as ações em que invisto, comprando-as aos poucos. E isso não significa dizer que eu não me desfaça de alguma posição de vez em quando. Ontem mesmo vendi o restante das minhas ações da Usiminas, porque não acredito que a administração da empresa esteja sendo competente. Com o dinheiro, vou aumentar posição em outras empresas que considero estarem sendo melhor administradas.

  12. Helio disse:

    Olá Fábio! Obrigado por me responder.

    Quero lhe fazer um alerta e acredito que você já deva ter percebido que ultimamente tem aparecido no seu blog um leitor com a maior pinta de ser um troll fazendo comentários engraçadinhos e sarcásticos com outros leitores do seu blog. Olho-vivo neste sujeito. Pra quem não sabe o que é um troll, a leitura abaixo é recomendada:

    Não alimente os troll.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Troll_(internet)

  13. Wanessa disse:

    “Ontem mesmo vendi o restante das minhas ações da Usiminas, porque não acredito que a administração da empresa esteja sendo competente. Com o dinheiro, vou aumentar posição em outras empresas que considero estarem sendo melhor administradas.”

    Mas, Usiminas está sendo comprada pela CSN. É acreditar que você conhece mais do setor de siderurgia que os próprios steel makers. Como responde isto?

    Grata.

    • Fábio Portela disse:

      (1) Para quem quer apostar na aquisição, talvez valha a pena comprar ações USIM3, que têm tag along. No meu caso, eu tinha ações USIM5, preferenciais.
      (2) Reconheço que a Usiminas está barata, mas reconheço minha ignorância para avaliar o quanto ela está barata. Prefiro realocar meus investimentos em outro setor que eu entenda um pouco melhor.
      (3) Talvez a aquisição pela CSN seja o que de melhor possa acontecer à Usiminas, já que provavelmente ela seria melhor administrada. Mas não quero apostar nisso. Reduzi minha exposição à Usiminas e mantenho minha posição na CSN.

  14. Wanessa disse:

    OK, deixa a gente avaliar.

    Se vendeu USIM5, comprou outra? Qual? Ou fez caixa em momento de baixa? Não fugiu do método que preconizou neste post?

    • Fábio Portela disse:

      (1) Ainda não comprei outra ação, mas estou pensando em qual deverei comprar – provavelmente, comprarei Ambev, Natura, Banco do Brasil ou alguma empresa do setor elétrico (Coelce, Eletropaulo ou Cemig). Talvez compre um pouquinho de cada.

      (2) Na prática, fiz caixa para comprar mais ações.

      (3) Não fugi do método, já que vendi as ações não para “sair do mercado”, mas porque minha avaliação diz que a administração da empresa não está muito confiável. Na verdade, só confirmou minhas expectativas, já que eu já havia vendido um pouco de ações da Usiminas antes. Apenas vendi o restante agora. Agora, posso usar o dinheiro para adquirir ações de outras empresas que fazem parte do meu portifólio e que tem apresentado bom resultado operacional, mas os preços têm despencado.

      Abraços,
      Fábio

  15. Wanessa disse:

    Fábio,

    Conheço um dos instrutores do método. Ele comprou Usiminas, pelo método. Todos sabem que o setor siderúrgico está caindo pelos erros/crises do próprio setor. O método se baseia na análise (superficial ou não) da empresa, não nas peculiaridades do setor em dado momento. Poderia ter vendido as Usiminas sob outra perspectiva. Macroeconômica, por exemplo. Mas, não pelo método. Sua decisão foi subjetiva.

    É por isso que duvido das pessoas que preconizam um critério de buy and hold baseado em fundamentalismo. Trocar Usim5 por Coce5 ou Natu3 é até anti buffetiano (se é que isto vale algo). Os gestores de fundos, com as quedas, estão mirando em papéis com Beta, depois de grandes quedas. Você está fazendo o contrário.

    • Fábio Portela disse:

      Pois é, Wanessa. A questão é que minha análise da maneira como a Usiminas (sua administração) tem se comportado no momento não me traz confiabilidade. Meu problema não é com o setor (tanto que tenho ações da CSN), mas com a administração da empresa!

      Não concordo que seja antibuffetiano comprar ações da Coelce ou da Natura no momento. Meu problema não é com a queda de valor da Usiminas, mas com a administração da empresa, que não me passou confiança nos últimos meses. Natura também está caindo, assim como a Ambev, se for por isso.

  16. Anônimo disse:

    Empréstimos “podres” começam a causar problemas no Brasil, Índia e China:

    http://www.bloomberg.com/news/2011-07-31/banks-in-brics-signaling-credit-risks-as-bad-loans-curb-growth.html

    http://advisoranalyst.com/glablog/2011/08/02/bloomberg-bad-debts-beginning-to-snare-banks-in-brazil-china-and-india/

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