Aprendendo a investir com as cartas de Warren Buffett

29 de agosto de 201110 comentários

Se há uma coisa de que Warren Buffett não pode ser acusado é de egoísmo. Um dos investidores mais bem sucedidos do planeta, Buffett não hesita em ensinar a outros investidores seus princípios de investimento. Seja em entrevistas concedidas para a televisão americana, seja nas assembleias anuais dos acionistas de sua empresa, a Berkshire Hathaway, Buffett sempre remete aos princípios que segue ao escolher um investimento. Mas uma das principais maneiras pelas quais Warren Buffett ensina sua metodologia aos interessados é por meio das cartas anuais da Berkshire Hathaway (B.H.). E há duas excelentes obras em português que sistematizam os ensinamentos do oráculo de Omaha em seus relatórios.

Os ensaios de Warren Buffett: lições para investidores e administradores

 As cartas anuais da B.H., escritos por Warren Buffett, são uma fonte de conhecimento inestimável para o investidor. O problema é que, embora todos os relatórios anuais da empresa estejam disponíveis (desde 1977), eles são muito pouco organizados. São várias as temáticas abordadas em cada relatório, o que pode desanimar um investidor que não tenha um instinto de garimpeiro para sistematizá-las e organizá-las de maneira mais didática.

A boa notícia é que você não precisa fazer isso, pois Lawrence Cunningham, com a autorização do próprio Warren Buffett, já fez todo o trabalho – ao menos até 2001, quando o livro foi publicado. Partindo do pressuposto de que as cartas de Buffett eram insuficientemente divulgadas na época, e de que elas tinham um valor não reconhecido, Cunningham arregaçou as mangas e organizou as cartas a partir de vários temas: Governança corporativa; Investimentos e finanças corporativas; Alternativas para as ações ordinárias; Ações Ordinárias; Fusões e aquisições; Contabilidade e avaliação; e Política contábil e questões tributárias. O texto aborda não apenas bons ensinamentos para quem pretende investir, mas também boas práticas administrativas para as próprias empresas.

Se Warren  Buffett nunca escreveu um livro, este pode ser considerado uma obra escrita pelo próprio Buffett; afinal, o livro é apenas uma organização temática das cartas do investidor. Mas isso não significa que Cunningham não fez nada. O livro conta com uma introdução escrita por ele, que é um excelente resumo da abordagem de Buffett para investir, além de revisar alguns conceitos importantes para quem quer aprender a investir. Além disso, também vale a pena ler a apresentação do texto por Rui Rebouças, que recebeu autorização do próprio Warren Buffett para traduzir a obra para o português.

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Os conselhos de Warren Buffett: o guia essencial de todo investidor

 Se o livro de Cunningham já está um pouco datado, e precisa ser atualizado com as cartas de Warren Buffett escritas de 2001 para cá, a leitura desta segunda obra, escrita por L. J. Rittenhouse, poderia ser considerada um excelente resumo das cartas dele, incluindo as mais recentes.

A primeira parte do livro é importante para qualquer investidor, mesmo para quem não tem interesse pela abordagem de Warren Buffett. Ele é um manual para ler relatórios anuais de uma empresa, e mostra as principais virtudes e deficiências de quem normalmente as escreve. E, após descrever o que normalmente os CEOs das empresas fazem, explica-se porque as cartas de Warren Buffett são diferentes – além de serem as mais longas, são dirigidas diretamente ao investidor médio, escritas como uma carta pessoal (segundo Warren, ele as escreve como se estivesse se dirigindo a suas irmãs, Bertie e Doris).

As partes seguintes do livro se dedicam a destrinchar os princípios de investimento adotados por Buffett e que são expressos em suas cartas anuais. A primeira seção da segunda parte explicita os “conselhos” de Buffett para escolher empresas administradas por excelentes gestores, que teriam, segundo o livro, as seguintes qualidades: preservam o caixa da empresa; aliam sua retórica ao desempenho apresentado ao longo dos anos; cultivam uma boa cultura empresarial; consideram as perdas quando analisam os riscos; confessam seus erros; são disciplinados e fortalecem a condição competitiva de suas empresas.

 A segunda seção da segunda parte do livro é a mais importante para o investidor. Ela explicita os “conselhos” de Warren Buffett para garantir melhores resultados nos investimentos. Entre eles, destacam-se os seguintes: trate o pessimismo do mercado como um amigo; compre mercadoria de qualidade quando ela está com preço baixo; compre uma casa que se enquadre no seu padrão de renda; e domine a linguagem dos negócios. Há outros conselhos, mas acho que esses são os mais importantes.

 A terceira parte do livro é dedicada aos princípios do capitalismo do Século XXI (e que já são seguidos há um bom tempo por Buffett): visão de longo prazo e honestidade resumem bem a maioria dos princípios.

 O livro tem leitura agradável e explicita bem os conceitos de investimento e de administração propostos por Buffett. Só acho que o texto poderia ser melhor desenvolvido, com maior explicitação dos pontos destacados. Mas é uma boa obra para quem está começandoe pretende aprender um pouco sobre as estratégias de Warren Buffett.

Warren Buffett

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Sobre o autor ()

Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.

Comentários (10)

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  1. Os 10 melhores blogs com dicas para você fazer um bom investimento. « emprestimo | 18 de setembro de 2011
  1. Ótimas dicas de leitura! Os títulos já estão na lista de leitura obrigatória!

    http://encontrodeinvestidoras.blogspot.com/

  2. dimarcinho disse:

    Fábio,

    você já pensou em utilizar estratégias de hedge?

    Apesar de existir muita “briga” entre Análise Técnica e Análise Fundamentalista, eu sou praticante de ambas.

    Elas se complementam.

    As estratégias de hedge são utilizadas por grandes fundos e podem ser utilizadas por nós também.

    Em tempos de queda, como o que estamos agora, além de permitir a manutenção do patrimônio, permitem que o número de ações da carteira aumente, o que permitirá maior retorno em dividendos!

    []s!

    • Fábio Portela disse:

      dimarcinho,

      Não utilizo estratégia de hedge porque (i) considero meu conhecimento sobre os instrumentos, como opções, insuficiente; e (ii) porque a maior parte da minha carteira é composta por ações cujas opções têm liquidez muito baixa e, portanto, traria pouco retorno. O que eu faço é alugar minhas ações: traz um retorno muito abaixo do que eu poderia obter com as opções, mas acho mais adequado para meu perfil – ao menos por enquanto, claro.

      Abraços,
      Fábio

      • dimarcinho disse:

        Na verdade, as opções são “meio-hedge”.

        Eu falo de usar o Índice (como contratos de mini-índice).

        De qualquer forma, fica uma dica pra você dar uma olhada, eu to começando a fazer e to achando bem interessante!

        []s!

        • Fábio Portela disse:

          Bacana…
          De minha parte, não gosto de operar alavancado. As operações de hedge, por serem alavancadas e dependerem da percepção da movimentação do mercado, pressupõem um tempo de acompanhamento do mercado que eu simplesmente não tenho. Não desestimulo ninguém a aprender essas técnicas de operação, mas aconselho muito cuidado a quem resolver se arriscar nesse mercado.

          Abraços,
          Fábio

  3. Flavio disse:

    Me metendo na conversa… eu acho arriscado misturar análise técnica com análise fundamentalista pois elas partem de pressupostos (axiomas?) diferentes. Enquanto a análise técnica pressupõe que o mercado é eficiente, a análise fundamentalista pressupõe exatamente o contrário. Usar as duas juntas equivale a dizer que o mercado é eficiente e o mesmo tempo não é, o que não faz o menor sentido.
    Lembrando que usar análise técnica com ações de empresas com bons fundamentos não é o mesmo que misturar as duas análises.

    • Hellisson disse:

      Flavio disse:

      ” Enquanto a análise técnica pressupõe que o mercado é eficiente, a análise fundamentalista pressupõe exatamente o contrário.”

      Esta afirmação está errada. Tanto a AT quanto a AF pertencem as Finanças Tradicionais, que consideram que o mercado não é eficiente, e portanto conseguiriam rendimentos maiores utilizando uma técnica ou outra.

      Fico surpreso que o autor do blog não tenha dito nada a respeito.

      Hellisson

  4. Rogerio S. disse:

    Fábio, por coincidência estou lendo o livro de ensaios do Buffett, organizado pelo Cunningham.

    Estou apenas na metade, mas, até onde li, posso dizer que realmente é um ótimo livro.

    A edição em português só cuida das cartas até 2001, mas, para quem tiver maior familiaridade com o inglês, há uma segunda edição que abrange cartas mais recentes, salvo engano, até 2008.

    Mesmo assim, a edição brasileira não pode ser considerada ultrapassada (e tenho certeza que não foi isso que desejou escrever em seu texto). Além de os princípios nela ensinados serem atemporais (não por outra razão, já eram utilizados com sucesso desde a primeira metade do século XX por seus criadores: Graham e Dodd ), muitas das cartas atuais contém longos trechos voltados apenas à reafirmação destes princípios.

    A carta aos acionistas de 2010, por exemplo, está quase que inteiramente no livro, apenas redigida com outras palavras.

    A obra me pareceu não apenas um ótimo ensaio sobre investimentos, como igualmente um indispensável instrumento de apoio a que sempre recorrerei para a tomada de decisões em tempos de incerteza. Afinal, para um pequeno investidor nunca é fácil comprar quando todos dizem venda.

  5. Francisco disse:

    Comprei os ensaios pela saraiva nesse sábado, mas ainda não chegou. Já tava namorando ele a algum tempo…

    Pra quem não sabe as cartas de Warren Buffett se encontram aqui:
    http://www.berkshirehathaway.com/letters/letters.html

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