Ações como renda fixa: a ideia das equity bonds

4 de agosto de 201125 comentários

Tratar ações como se fossem títulos de renda fixa parece um absurdo. Mas esta ideia poderia ser facilmente incluída entre as grandes teorias da humanidade. E eu admiro os grandes gênios da nossa espécie: a genialidade de Isaac Newton, Charles Darwin, Albert Einstein, Leonardo da Vinci e tantos outros gênios que a história humana produziu. E eu incluiria entre eles Warren Buffett. Se ele não foi capaz de produzir uma revolução científica como a dos gênios a que me referi, contudo, ele teve um insight fenomenal que pode produzir uma grande revolução nas finanças da maior parte das pessoas: a chamada equity bond. O termo é de difícil tradução, mas seria algo como “renda fixa do patrimônio”. Como toda ideia genial, ela é contraintuitiva: as ações podem ser compreendidas como títulos de renda fixa com juros crescentes.

1. O conceito de equity bond: ações como renda fixa

Como funciona um título de renda fixa? Basicamente, um título de renda fixa é um investimento no qual, a cada período combinado, o investidor recebe juros pré-ajustados. Ou seja, funciona como num empréstimo em que você aplica (empresta) o dinheiro para receber juros. Assim, se você ajustar um empréstimo que pague juros de 10% ao ano, você teria o seguinte fluxo de caixa no passar dos anos:

ações

Assim, com o passar do tempo, o investidor teria recebido, ao final dos 10 anos, o valor investido inicialmente (R$ 10.000,00), mais R$ 10.000,00 recebidos ao longo do tempo na forma de juros. Existem títulos mais benéficos, que incorporam os juros (também chamados de cupons) ao próprio valor do título, gerando os famosos (e deliciosos) juros compostos. Para facilitar a compreensão a respeito do que é uma equity bond, contudo, eu não incorporei os juros ao principal.

Agora, imagine um segundo tipo de título de renda fixa, que tem as seguintes características: no primeiro ano de investimento, ele paga 7% de juros para você e, a partir daí, a cada ano, os juros crescem a uma taxa de 10% ao ano. Digamos que você invista R$ 10.000,00 e cada título custe R$ 100,00 – ou seja, você compraria 100 títulos. Como seria a progressão de seu fluxo de caixa?

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Qual a diferença de uma situação para a outra? Logo de cara, você percebe que o segundo título pagou mais juros que o primeiro: apesar de ter um retorno inicial de 7%, o incremento anual de 10% fez uma grande diferença ao longo do tempo – de tal forma que, no décimo ano, os juros equivalem a 16,5% do patrimônio investido, contra os 10% do primeiro título. No primeiro caso, os juros são estáticos: o investidor sempre receberá os 10% ajustados; já no segundo caso, os retornos são crescentes.

Essa é a ideia que está por trás da teoria do equity-bond de Warren Buffett. Segundo o bilionário americano, ações de empresas com vantagem competitiva durável são capazes de, ao longo do tempo, aumentarem sua taxa de retorno ao longo do tempo. E, por isso, podem ser concebidas como títulos de renda fixa com juros crescentes.

Um leitor mais esperto poderia perguntar: “mas Fábio, ações não pagam juros! Você está falando dos dividendos??” Não. Os “juros” pagos pela ação, segundo a teoria da equity bond, é o lucro por ação da empresa. A ideia de Buffett é que o investidor não deve se concentrar no valor da cotação da ação, mas na relação entre o lucro por ação e o preço pago por ela, e na taxa de crescimento do lucro por ação. Atenção para o fato de que a teoria só se aplica a empresas que aumentam consistentemente seu lucro ao longo do tempo – existem empresas razoáveis que aumentam inconsistentemente seu lucro (num ano, apresentam prejuízo, no outro um lucro excepcional), e quanto a estas é mais difícil estabelecer esse tipo de relação.

2. Equity bond: compreendendo o conceito por meio de um exemplo com as ações da Coca Cola


Um exemplo tradicionalmente invocado para explicar o conceito de equity bond é o da aquisição das ações da Coca Cola por Buffett na década de 1980. Buffett adquiriu ações da empresa por US$ 6,50, sendo que o lucro por ação (LPA) da companhia era de US$ 0,70. Ou seja, a relação entre o LPA e o preço pago pela ação era de 10,70%. Traduzindo isso para os termos da teoria da equity bond, isso significa dizer que a situação dessa ação era análoga à de um título de renda fixa que pagasse 10,70% de juros.

Mas Buffett, analisando o histórico da Coca Cola, sabia que o LPA da empresa estava crescendo, há vários anos, a uma taxa de 15% ao ano – ou seja, ele tinha nas mãos um título de renda fixa que pagava juros inicialmente fixados em 10,7%, mas que cresciam anualmente 15%. As coisas, contudo, não saíram exatamente como o previsto: entre a década de 1980 e 2007, o LPA da Coca Cola cresceu a uma taxa menor que a estipulada, de 9,35% ao ano, para US$ 3,96. Mas, mesmo assim, o retorno obtido foi fabuloso: em 2007, as ações que Buffett comprou por US$ 6,50 tiveram um retorno de US$ 3,96, ou 60,9%!! Imagine um título de renda fixa que pagasse 60% de juros em um único ano!!

Obviamente, as ações da Coca Cola se apreciaram no período (hoje, está avaliada em torno de US$ 68, com um LPA de US$ 5,37). A teoria da equity bond prevê que o mercado de ações irá atribuir o preço de uma empresa com vantagem competitiva durável com base em um patamar que reflita o valor de seus lucros relativos à rentabilidade de títulos corporativos de longo prazo. Traduzindo para o caso brasileiro, isso significa dizer que, em algum momento, o mercado de ações irá atribuir o preço para a ação com base na relação entre a rentabilidade do equity bond e os juros pagos pela renda fixa. Quanto mais os lucros crescem, maior a cotação da ação. É claro que esta é uma afirmação que somente pode ser confirmada ao longo do tempo, já que o mercado de ações muitas vezes atribui à ação um valor equivocado, muito abaixo ou muito acima do seu real valor.

3. Equity bond: o caso das ações da Ambev

O caso da Ambev (AMBV4), no Brasil, é bastante instrutivo. Quem adquiriu ações da companhia em 2001, as comprou por R$ 6,68 (última cotação do ano), com um LPA de R$ 0,25 – os valores foram ajustados com base no número de ações de hoje, para evitar distorções. Ou seja, a taxa de retorno inicial (os “juros”) era de meros 3,78%. Mas o LPA da empresa cresceu a taxas espetaculares desde então (cerca de 28% ao ano, sendo que no ano passado cresceu a uma taxa de 27,23%). Hoje, o LPA da empresa é de R$ 2,45 – ou seja, quem comprou as ações em 2003 a R$ 6,68 tem, hoje, um “título de renda fixa” (equity bond) que rende 36,67% ao ano sobre o patrimônio inicial, com juros crescentes!

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Sobre o autor ()

Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.

Comentários (25)

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Sites que remetem a esse artigo

  1. Como vão as construtoras? : O pequeno investidor | 11 de outubro de 2011
  2. Análise de Le Lis Blanc : O pequeno investidor | 14 de outubro de 2011
  1. Jader Anderson disse:

    Fábio,

    Tendo como dados o fechamento de ontem em PETR4 (22,29).
    http://www.fundamentus.com.br/detalhes.php?papel=PETR4&x=23&y=23

    O LPA está em 2,95 isso equivaleria a um título de 13% aa correto? Soma-se ao crescimento médio de 6,5 aa e mesmo nessa zona toda que está o mercado ainda assim parece interessante.

    É assim mesmo o raciocínio?

    OBS: Usei petr4 mais como exemplo de empresa grande, nada mais.

  2. dimarcinho disse:

    Esse artigo é o “segredinho” de Warren Buffet!

  3. Ronnie disse:

    Fábio,

    Se permite uma observação crítica… mas todas suas análises e cálculos para longo prazo sempre usam como ponto de partida um fundo do mercado como esse da ambev em 2001. Sem muito esforço quase tudo (não tudo, é óbvio…) que se comprou entre 2001 ou 2002 sofreu grande valorização até os dias de hoje apesar dos tombos ao longo desse período.

    A própria Usiminas que vc afirma que acabou de vender em artigo anterior, quem comprou em outubro de 2002 pagou na época uns 5,00 (antes das bonif. e splits). E hoje, segundo o site da Usiminas na sua “calculadora de dividendos”, quem comprou 1000 ações na época (5K), hoje tem 4500 ações (após bonif. e splits) a 10,50 (47k) e recebeu dividendos constantes e crescentes ao longo desse periodo num total bruto de 31K. Ou seja, sempre que partimos uma observação de um distante fundo do mercado (ibov em out de 2002 era 8000 pts), vc SEMPRE irá obter resultados estratosféricos. Até quem comprou PLIM a 0,20 cents em out de 2002 provavelmente não saiu perdendo se manteve até os dias de hoje. Portanto, bolsa tem “ponto de entrada”, sim. Mas infelizmente essa resposta só a conheceremos no futuro: olhando pra trás.

    Aliás se vc alega que vendeu a Usiminas por conta do corpo administrativo atual. Eu acho – humilde opinião – que essa situação irá se repetir com o restante de sua carteira. Visto que vc alega que só compra com visão pra mais de 20 anos, então num período tão grande como esse, vc irá SEMPRE se defrontar com esse dilema.

    Sobre Buffett, mil perdões, não é minha intenção te contrariar só por contrariar. Mas sejamos racionais. Vc, eu e todos nós somos “pequenos investidores”. Buffett é um “grande investidor”, o maior com certeza. Então as estratégias dele, são dimensionadas aos iguais a ele e não aos iguais a nós.

    Buffett não compra ativos. Ele compra poder sobre empresas. No sentido lato da expressão.

    Vá nesse link da Coke americana e verá que o filho mais velho dele é um dos diretores da Cia.

    http://www.thecoca-colacompany.com/investors/pdfs/2011_final_proxy_vote.pdf

    Quando o Buffett compra, normalmente, ele sempre tem a intenção de participar da administração do negócio. É diferente, não cabem muitas comparações da forma dele investir com a nossa. Ele é o cara que “faz” acontecer a valorização; e não aquele cara que “espera” que vai acontecer uma provável valorização.

    Antecipo desde já minhas melhores desculpas pelas minhas observações um pouco mais críticas. E também torço pelo sucesso e sorte de sua carteira. Todos nós que aplicamos em bolsa, sempre dependeremos de um bom bull market. Mas saiba que um portfolio como o seu com 72.5% alocados em ações, sendo 60% fortemente calçada em setores relacionados a consumo, indústria, energia e financeiro é apostar ALTO e de uma ÚNICA vez que a economia irá crescer forte sem grandes sobressaltos no futuro próximo. E eu tb espero e desejo por esse futuro próximo de prosperidade. O seu sucesso tb será o meu sucesso. Só que o seu risco assumido está – sob meu único e exclusivo ponto de vista – beeem acima do prudente. Mas se tudo der certo, óbvio, vc irá ganhar muito mais e espero poder parabenizá-lo nesse dia.

    Portanto desejo a ti o mesmo que para mim: muita sorte no futuro! E ibov para cima e para alto, avante!

    Grande Abraço e espero do fundo do coração que vc não me interprete mal, mas, que se possível, pense na possibilidade de rever os seus conceitos.

    P S – qualquer comparação entre “juros simples” e qualquer forma de “juros compostos”, num exemplo de longo prazo como o da sua tabela, matematicamente, sempre ocorrerá esse “assombroso” efeito de potencialização a favor dos “juros compostos”.

    • Fábio Portela disse:

      Respondendo às críticas do Ronnie:

      (1) “Se permite uma observação crítica… mas todas suas análises e cálculos para longo prazo sempre usam como ponto de partida um fundo do mercado como esse da ambev em 2001. Sem muito esforço quase tudo (não tudo, é óbvio…) que se comprou entre 2001 ou 2002 sofreu grande valorização até os dias de hoje apesar dos tombos ao longo desse período.”
      R: Ronnie, eu pego o ano de 2001 porque é muito difícil obter dados confiáveis anteriores a este período. Os próprios ITRs e DFPs das companhias, no formato que analiso, não vão além de 2000. É uma limitação minha, claro, mas é só por isso que utilizo esses dados. Mas confio na metodologia pelas razões que já apresentei em vários e vários textos do blog. O mercado de 2001 estava deprimido, e por isso tivemos grande valorização em várias empresas, mas se quase tudo subiu de lá pra cá, podemos perceber que algumas empresas mantiveram (ou melhoraram) as vantagens competitivas que tinham naquela época. É, por exemplo, o caso da Ambev. A grande questão é: um mercado deprimido – como o que estamos vivendo hoje – é uma excelente oportunidade para adquirir ações de empresas que têm se mostrado excelentes. Mas temos que vigiá-las sempre, ver como estão sendo administradas e como está sua atividade operacional. Obviamente, em cenários como os que estão se desenhando para os próximos anos, haverá anos de lucros minguados ou até de prejuízo – mas é preciso acompanhar de perto como a administração da empresa está se comportando.
      (2) “A própria Usiminas que vc afirma que acabou de vender em artigo anterior, quem comprou em outubro de 2002 pagou na época uns 5,00 (antes das bonif. e splits). E hoje, segundo o site da Usiminas na sua “calculadora de dividendos”, quem comprou 1000 ações na época (5K), hoje tem 4500 ações (após bonif. e splits) a 10,50 (47k) e recebeu dividendos constantes e crescentes ao longo desse periodo num total bruto de 31K. Ou seja, sempre que partimos uma observação de um distante fundo do mercado (ibov em out de 2002 era 8000 pts), vc SEMPRE irá obter resultados estratosféricos. Até quem comprou PLIM a 0,20 cents em out de 2002 provavelmente não saiu perdendo se manteve até os dias de hoje. Portanto, bolsa tem “ponto de entrada”, sim. Mas infelizmente essa resposta só a conheceremos no futuro: olhando pra trás.”
      R: Ronnie, muita gente obteve lucro com quase tudo – se comprou em 2000-2002, ou antes. Mas fez isso porque confiou no crescimento econômico naquela época. Usiminas foi um grande investimento? Foi… mas não sei se será – enquanto empresa – para o futuro próximo, por conta de algumas atitudes de sua administração, como a compra de ativos ruins e essa discussão toda sobre seu controle.
      Bolsa tem ponto de entrada e de saída? Sim, a depender da estratégia utilizada. No meu caso, não acho que faça sentido sair da bolsa porque está tudo despencando. Minhas análises indicam que – hoje – há muita coisa barata. Obviamente, está barato porque o mercado espera que os lucros despenquem. Mas acredito que, no longo prazo – que no meu caso é para os próximos 20 anos – os lucros da maioria das empresas em que invisto mais do que se recuperarão; irão superar os seus recordes alcançados até aqui.
      Além disso, sua crítica pressupõe que eu sugiro que as pessoas comprem qualquer coisa a qualquer tempo. Não; há critérios bem definidos. A estratégia que eu transcrevi pressupõe que a empresa apresente um histórico excelente de lucros crescentes. Peguei o caso da Ambev como exemplo, mas há muitas empresas que não apresentaram quase evolução alguma em seus lucros nos últimos dez anos, mas que, não obstante, tiveram seu preço de mercado elevado (e em outros casos, não). Mas prefiro confiar numa administração que apresentou lucros crescentes, controlando margem de lucro, ROE, aumentando market share, do que confiando em empresas que não apresentam nada disso.
      (3) “Aliás se vc alega que vendeu a Usiminas por conta do corpo administrativo atual. Eu acho – humilde opinião – que essa situação irá se repetir com o restante de sua carteira. Visto que vc alega que só compra com visão pra mais de 20 anos, então num período tão grande como esse, vc irá SEMPRE se defrontar com esse dilema.”
      R: Ronnie, eu sou paciente. Minha suspeita quanto à Usiminas já vinha de algum tempo, e desde então fui me desfazendo pouco a pouco de minhas posições na empresa. Assim como compro aos poucos, também vendo aos poucos (a não ser que aconteça algum evento repentino que realmente torne – a meus critérios – razoável a venda do ativo). Apenas consolidei esse processo esse mês.
      (4) “Sobre Buffett, mil perdões, não é minha intenção te contrariar só por contrariar. Mas sejamos racionais. Vc, eu e todos nós somos “pequenos investidores”. Buffett é um “grande investidor”, o maior com certeza. Então as estratégias dele, são dimensionadas aos iguais a ele e não aos iguais a nós.
      Buffett não compra ativos. Ele compra poder sobre empresas. No sentido lato da expressão.
      Vá nesse link da Coke americana e verá que o filho mais velho dele é um dos diretores da Cia.
      http://www.thecoca-colacompany.com/investors/pdfs/2011_final_proxy_vote.pdf
      Quando o Buffett compra, normalmente, ele sempre tem a intenção de participar da administração do negócio. É diferente, não cabem muitas comparações da forma dele investir com a nossa. Ele é o cara que “faz” acontecer a valorização; e não aquele cara que “espera” que vai acontecer uma provável valorização.”
      R: Obviamente, não quero, nem nunca quis, me comparar ao Buffett. Mas discordo parcialmente de sua informação de que as estratégias dele são “dimensionadas aos iguais a ele e não aos iguais a nós”. Não temos o poder de interferir nas decisões de uma empresa, mas podemos tentar escolher empresas que satisfaçam os critérios adotados por ele para escolher investimentos que tragam maior probabilidade de ganho no longo prazo. Acredito que a estratégia que adoto – Buy and Hold aliada a “Dollar Cost Average” (ou formação de preço médio) – será bem sucedida no longo prazo.
      (5) “Antecipo desde já minhas melhores desculpas pelas minhas observações um pouco mais críticas. E também torço pelo sucesso e sorte de sua carteira. Todos nós que aplicamos em bolsa, sempre dependeremos de um bom bull market. Mas saiba que um portfolio como o seu com 72.5% alocados em ações, sendo 60% fortemente calçada em setores relacionados a consumo, indústria, energia e financeiro é apostar ALTO e de uma ÚNICA vez que a economia irá crescer forte sem grandes sobressaltos no futuro próximo. E eu tb espero e desejo por esse futuro próximo de prosperidade. O seu sucesso tb será o meu sucesso. Só que o seu risco assumido está – sob meu único e exclusivo ponto de vista – beeem acima do prudente. Mas se tudo der certo, óbvio, vc irá ganhar muito mais e espero poder parabenizá-lo nesse dia.
      Portanto desejo a ti o mesmo que para mim: muita sorte no futuro! E ibov para cima e para alto, avante!”
      R: É engraçado como estratégias diferentes trazem visões diferentes. No meu ponto de vista, a melhor coisa que pode acontecer para meu portifólio, no longo prazo, é um longo bear market. Com isso, posso avaliar de maneira mais realista a qualidade da administração das empresas em que invisto, e em como elas respondem a cenários desafiadores. E, além disso, posso ir acumulando, a preços cada vez mais baixos, suas ações.
      Quanto à excessiva alocação de patrimônio em ações. Não acho que esteja fazendo bobagem. Dificilmente eu perderei meu emprego (sou servidor público), e não tenho despesas grandes à vista. Compro ações de empresas que têm apresentado bom padrão de qualidade, e de setores dos quais toda a atividade econômica dependerá para crescer no futuro. E em algum momento isso irá acontecer – ou então até quem investiu na renda fixa estará enfrentando grande risco, já que nem o governo terá condição de pagar suas dívidas. Quando isso acontecer, acredito que estarei bem posicionado para aproveitar o crescimento.
      (6) “Grande Abraço e espero do fundo do coração que vc não me interprete mal, mas, que se possível, pense na possibilidade de rever os seus conceitos.”
      R: Por que eu reveria meus conceitos, se estou confortável com minha estratégia, e se os estudos que já li me informam que ela é a mais racional?
      (7) “P S – qualquer comparação entre “juros simples” e qualquer forma de “juros compostos”, num exemplo de longo prazo como o da sua tabela, matematicamente, sempre ocorrerá esse “assombroso” efeito de potencialização a favor dos “juros compostos”.”
      Concordo. É por isso que acredito no poder da minha estratégia de investimento, no longo prazo.

  4. Flavio disse:

    O segredo do Buffet é: comprar ações de empresas excepcionais a preços razoáveis.

    Se isso fosse fácil, eu já estaria rico há muito tempo!

  5. Wanessa disse:

    Fabio,

    Infelizmente tenho que concordar com o Ronnie. Infelizmente, existe um bordão que diz que ninguém pega o fundo e a tendência simultaneamente. E, perceptivelmente, você só consegue bater a bolsa se conseguir evitar, em um dado ano, quedas como a que estamos observando agora.

    Wanessa

    • Fábio Portela disse:

      Wanessa,

      Eu não quero pegar o fundo e a tendência simultaneamente. Quero pegar a média do crescimento nos próximos 20, 30, 40 anos.

      Abraços,
      Fábio

  6. Adailton disse:

    Pelo que eu entendi a pessoa tem que ficar bastante tempo com as ações? Isso afetaria a liquidez dela na bolsa eu acho… Gostaria de uma opinião mais técnica, pois sou inciante nesses estudos.

    • Fábio Portela disse:

      Sim, Adaílton. A pessoa tem que ficar bastante tempo com as ações: é o único motivo para alguém investir nelas. Ninguém compra uma casa pensando em vendê-la no dia seguinte; por que seria diferente com as ações? Quanto à liquidez, não se preocupe; tem muita gente girando as ações da maioria das empresas para que isso venha a se tornar um problema para nós, pequenos investidores.

      • Fábio Portela disse:

        A propósito, isso só serve se você quiser enxergar as ações como equity bonds.

  7. Sérgio disse:

    Depois da queda das bolsas mundiais nesta semana, perdi toda confiança no mercado de ações. Vou aguardar um tempo, torcer para ver se o meu prejuízo diminua um pouco e vender todas as minhas posições.

    Questiono-me sempre: qual é o real motivo que leva donos de companhias a lançarem suas ações no mercado? A resposta é simples: para tirar dinheiro de pessoas como eu.
    Um Eike Batista da vida lança ações de sua empresa no mercado, fica bilionário de uma hora para outra vendendo um pedacinho de seu património, que obviamente não vale o quanto pagaram por ele. Porém, Eike ainda mantém para si o controle da companhia, maqueia a contabilidade de forma a distribuir o mínimo de dividendos possível e vejam só: os minoritários, sem poder algum na empresa, só terão o seu dinheiro de volta se e somente se ainda haver trouxas dispostos a comprar suas ações e continuar o ciclo de especulação. É um gigantesco esquema PONZI.

    O post do Ronnie deve ter sido um dos melhores que eu já li neste site. Warren Buffett ganha muito no mercado de ações simplesmente porque quando ele compra ações, compra o suficiente para ter controle sobre as decisões da empresa e não ser um mero expectador/especulador do mercado.
    Os bobos fazem analise fundamentalista ou até mesmo a pseudo-científica analise gráfica (possui tanta credibilidade quanto a astrologia), mas a verdade é que não há almoço grátis no mercado de ações. Quando abrimos o nosso home broker e compramos um punhado de ações, estamos fazendo tudo, menos investindo. Estamos na verdade especulando e quando especulamos possivelmente perderemos.
    Pensem bem: por que cargas d’água alguém colocaria a venda parte de seu negócio se ele fosse realmente rentável? Eu preferiria mante-lo LTDA e vocês?
    Muitos podem dizer que a abertura de capital tem o objetivo de alavancar o negócio, financiando-o. Mas ai pergunto: quem de dentro lutará pelos interesses dos minoritários? quem garantirá que o balanço contábil seja fidedigno (não me venham com essa história de auditorias independentes como Deloitte ou Ernst & Young)? quem garantirá que os minoritários não sejam diluídos no futuro?
    Conselho que dou aos “investidores” do mercado de ações: saiam a quanto antes. Aos que pensam em entrar: não entrem, prefira Tesouro Direito, é mais honesto e garantido.

    Desde já peço desculpas pelo post radical, mas é isso que eu penso (agora).

    Obs: não tenho e nunca tive ações da família X.

    • dimarcinho disse:

      Se eu não me engano, o próprio Warren Buffet fala que a estratégia que ele adota para comprar ações e empresas é a mesma.

      Em algumas ele sim, interfere. Em outras não.

      Pq ele mentiria para todos, então? Ele já ficou bilionário, será que precisa mentir para ter prestígio?

      Desculpa, mas ele não é o único bilionário que chegou ali com B&H. Enqto eu estou aguardando o primeiro bilionário que use especulação/análise técnica.

      []s!

  8. Sérgio disse:

    O artigo abaixo expressa um pouco do que estou aprendendo do pior jeito possível: com os próprios erros.
    http://www.saturnov.com/artigos/150-analfabetismo-financeiro

    Leiam até o fim e vejam que o método BUY&HOLD não é lá essas coisas.

    • Fábio Portela disse:

      Prezado Sérgio,

      O texto do autor não desconstitui nada do Buy and Hold. Leia os textos do blog sobre a estratégia, e você verá que a descrição do texto indicado sobre o Buy and Hold é um mero espantalho. Já falei sobre isso várias vezes por aqui. Além disso, a premissa do Buy and Hold não é simplesmente de que qualquer ativo se valoriza sempre no longo prazo; mas sim a de que empresas que são bem administradas e têm vantagem competitiva durável, no longo prazo, tendem a se valorizar. Seus lucros tendem a aumentar consistentemente e, com isso, o preço de suas ações também sobe. Além disso, usar o período de 2008 a 2011 para “desmistificar” o B&H é inadequado, já que a premissa da estratégia é de que ela funciona no longo prazo, trazendo maior estabilidade em prazos de pelo menos 20 anos.

      Além disso, a premissa de que o valor do ouro é relativamente estável ao longo do tempo é errada; o ouro passou por muitos anos (décadas) de desvalorização intensa, e nesses últimos 10 anos, se valorizou abruptamente. Por fim, também é inadequada a afirmação de que o lucro real dos investimentos tende a zero; há dezenas de estudos mostrando a valorização real de vários ativos diferentes.

      Esse texto é um desserviço para quem quer aprender alguma coisa sobre investimentos; no fim das contas, ele só falta dizer que quem gasta todo o seu dinheiro e não investe nada é que está certo.

      • Sérgio disse:

        Fábio,
        lamento dizer isso, mas eu discordo.
        Obviamente o texto é uma opinião pessoal do autor e o postei aqui porque achei-o pertinente e adequado a este local de troca de ideias. Concordo com a maior parte do texto, porém não por completo. Existem falhas na argumentação do autor, como a de utilizar a valorização acumulada do índice Dow Jones entre os anos de 1928 à 2010, comparar com a inflação brasileira atual e tirar a conclusão que o Buy&Hold dá prejuízo.
        Entretanto o autor acertou ao afirmar que o método Buy&Hold não é para principiantes; tem que estudar muito, pois caso contrário poderá haver prejuízo (dependerá da sorte).
        Outro ponto que discordo de você é a crítica sobre a utilização do ouro como referência monetária. Que ativo você utilizaria? bananas? O ouro teve sim grandes variações ao longo das décadas, porém, entre os demais ativos pertinentes, é o estável.
        Gostei da seguinte parte do texto:
        “Para ganhar dinheiro é necessário abrir um comércio, trabalhar duro 12 a 16 horas por dia, com risco de ter alguns períodos de prejuízo, sofrer assaltos, inadimplência de clientes, atrasos de fornecedores e por aí vai. Mas mesmo descontando tudo isso, os ganhos são reais a longo prazo, isto é, mesmo depois de descontar inflação e todos os custos para manter o negócio, ainda há lucro. O problema é que os ganhos não são compostos, na forma “juros sobre juros”. Isso limita o ritmo de crescimento, que é aproximadamente linear, enquanto o investimento em ações, quando feito adequadamente, como fazem Buffett e Soros, é um crescimento exponencial, com ritmo incomparavelmente mais rápido e acelerado.”
        O trecho acima responde a ironia presente no último paragrafo de seu post. O real investimento se faz na economia e não comprando ações via HB de casa.
        Digo novamente, Não há almoço grátis no mercado de ações. Achar que existem empresas na Bovespa com bons fundamentos que distribuirão ao longo de décadas bons e constantes dividendos aos seus acionistas e terá por anos valorização consistente é ledo engano. O mercado financeiro brasileiro é para especulação e não para investimento, simplesmente porque aqui sempre as regras mudam no meio do jogo (ex: a Petrobrás diluiu os seus acionistas; o governo agiu ativamente em tirar o Agnelli do comando da Vale; querem tirar a AES do país, etc. Isso sem citar a moratória da década de 80, o confisco da poupança do inicio da década de 90 e os inúmeros planos econômicos que tivemos que engolir). Ah sim: Soros e Buffett fizeram fortuna operando no mercado de ações, porém foi no mercado americano, que convenhamos: é muito mais sólido e previsível que o brasileiro. Aqui, provavelmente eles teriam sido garfados pelo governo antes que chegassem ao primeiro bilhão, portanto concluo meu argumento dizendo que a aplicação do método B&H, e qualquer outro método, na Bovespa é MUITO arriscado.
        Vai aqui uma pequena ironia de volta: com tanto thread de mercado de ações, o seu site deveria se chamar “O pequeno ESPECULADOR”. rs rs rs rs …

        • Fábio Portela disse:

          “O trecho acima responde a ironia presente no último paragrafo de seu post. O real investimento se faz na economia e não comprando ações via HB de casa.”"
          Engraçado, conheço mais gente que quebrou tentando tocar um negócio do que investindo no mercado de ações…

          “Digo novamente, Não há almoço grátis no mercado de ações.Achar que existem empresas na Bovespa com bons fundamentos que distribuirão ao longo de décadas bons e constantes dividendos aos seus acionistas e terá por anos valorização consistente é ledo engano. O mercado financeiro brasileiro é para especulação e não para investimento, simplesmente porque aqui sempre as regras mudam no meio do jogo (ex: a Petrobrás diluiu os seus acionistas; o governo agiu ativamente em tirar o Agnelli do comando da Vale; querem tirar a AES do país, etc. Isso sem citar a moratória da década de 80, o confisco da poupança do inicio da década de 90 e os inúmeros planos econômicos que tivemos que engolir). Ah sim: Soros e Buffett fizeram fortuna operando no mercado de ações, porém foi no mercado americano, que convenhamos: é muito mais sólido e previsível que o brasileiro. Aqui, provavelmente eles teriam sido garfados pelo governo antes que chegassem ao primeiro bilhão, portanto concluo meu argumento dizendo que a aplicação do método B&H, e qualquer outro método, na Bovespa é MUITO arriscado.”

          Ah, sim, nos Estados Unidos não há fraudes. O governo americano é extremamente transparente mesmo, e todas as empresas divulgam tudo corretamente. Não sei porque, mas só penso no caso da Enron. Quanto ao resto, deixo marcada contigo uma conversa no ano de 2030. Eu seguirei minha estratégia, e lá a gente conversa sobre a sua eficiência.

          “Vai aqui uma pequena ironia de volta: com tanto thread de mercado de ações, o seu site deveria se chamar “O pequeno ESPECULADOR”. rs rs rs rs …”"

          Respondo com uma citação de Benjamin Graham, retirada do livro “Security Analysis”: “Tradicionalmente, o investidor tem sido o homem com a paciência e a coragem de suas convicções que compra [ações] quando o especulador, preocupado e medroso, estava vendendo”.

          • dimarcinho disse:

            O ouro me lembra a crise das tulipas… se houver um apocalipse, vc irá querer ter em casa várias barras de ouro pra que? Ficar olhando?

            Ouro, ASSIM COMO QUALQUER COMMODITIE, é só mais um ativo especulativo e nada tem a ver com INVESTIMENTO.

            Grande abraço!

  9. Leonardo disse:

    Sérgio,

    me desculpe mas você e o teu prezado “Melao” (sic) fazem uma salada que não leva a lugar nenhum.

    Dizer que para se proteger de confisco da poupança na década de 90 é melhor ter um negócio próprio (“O real investimento se faz na economia”), ao invés de investir na Bolsa no LP, é no mínimo desconhecimento da história, para não dizer ingenuidade. Você deve ser muito jovem para não lembrar da onda de falência de pequenos empresários após o Plano Collor 1. Se a Bolsa sofre, a economia real sofre de igual forma, na maior parte das vezes. A questão é que a recuperação da Bolsa é rápida e palpável, com o desenho de um horizonte melhor no futuro. Já a recuperação do pequeno negócio falido ou quase-falido… Vai ver as estatísticas do SEBRAE sobre pequenas empresas mortas aos dois anos de idade, para começo de conversa.

    Aconselho você a ler artigos e livros de pessoas como Bogle, Fama & French, Ferri ou Edleson que estudaram profundamente o mercado de ações no LP, das mais variadas maneiras.

    Quanto ao ouro, verás que é no LP ele apenas acompanha a inflação, mais nada. Ele está indo para cima agora, mas você lembra do estouro da bolha do ouro na começo da década de 1980? Por que será que ocorreu?

    Bom, se quiser continuar a ler artigos do “Melao”, vá em frente, meu caro…

    Fábio,

    eu sei que você só responde a este tipos de posts porque tem gente nova acessando o site e pode se confundir ao ler esses posts nada frutíferos (com trocadilho, por favor).

    Mas, de fato, você sabe que nem vale a pena responder, não é?

    Abs

    • Fábio Portela disse:

      Leonardo,

      Tento levar a sério todos os meus leitores. Mas, de fato, às vezes eu penso em nem responder a certos comentários – principalmente porque já respondi às mesmas e mesmas objeções dezenas de vezes, em outros posts. Às vezes, uma breve leitura de outros artigos já mostraria meu pensamento sobre a questão. Além disso, às vezes acho que vale a pena insistir no ponto, para mostrar as razões pelas quais acredito no que acredito. Sigamos em frente, e obrigado pelo apoio; os últimos dias – acredito que por conta da queda abrupta no mercado de ações, que deve seguir nos próximos dias – foram repletos de leitores questionando minha metodologia. Sem problemas; gosto de espírito crítico.

      • Leonardo disse:

        Fábio,

        Sigamos.

        Falando em queda abrupta do mercado de ações, você me fez lembrar do Bernstein (havia esquecido de citar esse autor):

        “The opposite is true for young savers: they should be praying for a bear market so that they can accumulate shares cheaply before they retire”.

        Antes que alguém venha dizer que a Bolsa de Tóquio está em “bear market” há 20 anos e isso prova a falência do B & H, este deve responder qual era o P/L médio do Nikkei antes do colapso. Resposta: altíssimo (70,6), totalmente fora da realidade do PL histórico do Ibov/Ibrx.

        Abs

        Obs: A frase acima vale para os não tão jovens (30, 40 ou 50 anos) também, desde que pensem em se aposentar em 20-30 anos.

    • Paulo1 disse:

      É exatamente como disse o Leonardo. “Warren Buffett once wrote that value investing is like an inoculation–it either takes or it doesn’t–and when you explain to somebody what it is and how it works and why it works and show them the returns, either they get it or they don’t.” -Seth Klarman

  10. leo disse:

    lendo coisas como estas é que da pra perceber por que tanta gente falida existe no Brasil… lamentavel

    desde quando investir em açoes nao é investir na economia? alias, é o MELHOR meio de se investir na economia e contribuir para o desenvolvimento do capitalismo e do pais como um todo

    • leo disse:

      e como pode o valor de empresas que lucram mais e mais a cada ano, que dobram seus lucros a cada 10 anos, acompanhar meramente a inflaçao?? isso nao faz sentido nem para uma criança de 4 anos

      ora, empresas sao os unicos ativos que CRIAM VALOR REAL, nao especulativo, REAL, na economia. obviamente sao, em media, o unico investimento garantido acima da inflaçao

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