Revisitando a estratégia de formar preço médio reinvestindo os dividendos

18 de julho de 20119 comentários

Logo que comecei a escrever os posts pro blog, escrevi um texto sobre as vantagens da formação de preço médio para o investidor de longo prazo. Naquela ocasião – em meados de 2009 -, fiz uns cálculos para tentar demonstrar que a estratégia de construir um bom preço médio, reinvestindo rigorosamente os dividendos recebidos ao longo dos anos, seria bem interessante. Hoje, revisito aquele post a fim de mostrar as vantagens desta estratégia mesmo para os momentos de crise como os que estamos vivendo nos últimos 3 anos.

1. A metodologia adotada para calcular o preço médio em 2009

Naquela oportunidade, eu fiz alguns cálculos com três empresas diferentes – Petrobras (PETR4), Marcopolo (POMO4) e Pão de Açúcar (PCAR4). As premissas adotadas foram as seguintes: o investidor compraria R$ 1.000,00 por ano em ações de cada uma das empresas e reinvestiria os dividendos recebidos adquirindo ações das mesmas empresas.

Os resultados obtidos foram bem animadores: em todos os casos o investidor teria feito bom negócio – bem melhor do que se apenas comprasse as ações das empresas ao longo do tempo.

2. O preço médio das ações desde 2009 até 2011

Hoje, calculei como a rentabilidade da estratégia se comportaria desde então. A metodologia adotada é a mesma: o investidor continuaria a comprar R$ 1.000,00 por ano em ações das companhias e reinvestiria os dividendos recebidos. Que resultados teriam sido obtidos?

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Como o leitor pode observar, quem comprou ações da Petrobras entre 2000 e 2011 seguindo a metodologia utilizada, teria investido R$ 11.000,00 e teria, hoje, R$ 37.617,35 – uma rentabilidade total de 241,98%. Mas, como a cotação das ações da Petrobras despencou entre 2008 e 2011, a rentabilidade média do investidor é inferior ao obtido até 2008. a cotação, hoje, é 31,45% inferior à cotação média de 2008.

Mas ainda assim a estratégia de formar preço médio ajudou o investidor que a utilizou. Como visto, a cotação de hoje é 31,45% menor do que a de 2008 – mas o fato de comprar ações aos poucos e reinvestir os dividendos fez com que o investidor tivesse um prejuízo menor: seu patrimônio caiu apenas 20,44%. Parece pouco, mas isso significa que o investidor teve um prejuízo 35% menor do que a queda total das ações. E, na média, o investidor continua com uma rentabilidade bastante significativa – 14,46% ao ano em todo o período analisado. E, se o leitor observar bem, a queda nas ações possibilitou ainda a compra de mais ações no período de crise do que nos períodos em que as ações estavam com a cotação maior (em 2010, por exemplo, o investidor comprou 94 ações, contra as 69 que adquiriu em 2009). Isso significa que, nos anos de bonança, receberá mais dividendos do que receberia caso os preços estivessem maiores.

O preço médio também se revela uma boa estratégia para quem investiu nas ações do Pão de Açúcar (PCAR4). O resultado pífio obtido até 2008 (rentabilidade total, incluindo dividendos, de 2,58%) foi parcialmente revertido, como mostra a tabela a seguir:

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Como o leitor pode observar, até 2008 o investidor teria obtido um rendimento total de 12,40% (rentabilidade anual de 1,31%); como as ações dispararam de R$ 32,60 para R$ 67,18 em 2011 no período, o investidor que insistisse na estratégia teria acumulado uma rentabilidade total de 122,31% (maior em quase 9 vezes a rentabilidade obtida entre 2000 e 2008!), e uma rentabilidade anual de 11,23%, também bastante significativa – embora inferior ao obtido, por exemplo, com um investimento que espelhasse a rentabilidade da taxa Selic. Os R$ 11.000,00 investidos no período teriam se transformado em R$ 24.453,95.

E as ações da Marcopolo (POMO4), como se comportaram no período?

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As ações da Marcopolo também se beneficiaram bastante da formação de preço médio. Mas a empresa teve um comportamento mais uniforme para o investidor; se até 2008, a rentabilidade anual média era de 19,42%, entre 2000 e 2011, a rentabilidade permaneceu num patamar bastante próximo, tendo diminuído para 18,23% ao ano. Mas o rendimento total, com uma rentabilidade anual tão alta, foi bastante superior à obtida até 2008; foi de 431,14%, contra 293,91% obtidos até então. Esse é um dos efeitos dos juros compostos; quanto mais o tempo passa, maior é a rentabilidade absoluta.

preço médioE, com a crise em 2008/2009, o investidor teve uma oportunidade excepcional de comprar mais ações da Marcopolo; sua cotação média chegou a R$ 2,44 e, por isso, o investidor poderia, com o investimento dos dividendos recebidos e os R$ 1.000 aplicados anualmente, comprar quase 3 vezes mais ações do que teria comprado no ano anterior.

3. Conclusões: o preço médio é uma estratégia interessante para períodos de crise?

A meu ver, a utilização da estratégia de formar preço médio é uma maneira bastante interessante de investir em ações. Caso o investidor tivesse aplicado de maneira diversificada, comprando R$ 1.000,00 em ações de cada uma das empresas por ano (e reinvestindo os dividendos), teria aplicado no total R$ 33.000,00 no período. E seu patrimônio total seria de R$ 120.496,37, com uma rentabilidade total de 265,14% e rentabilidade anual de 12,49%. Se pode parecer uma rentabilidade baixa porque não é uma taxa tão distante da renda fixa (especialmente considerando os anos de juros superiores a 15% ao ano), acho importante lembrarmos de que estamos passando por uma crise enorme do mercado de ações, que já dura 3 anos – e ainda assim a rentabilidade média obtida é bastante satisfatória. Imagine o que não poderia acontecer com o patrimônio do investidor que utilizasse a estratégia de formar preço médio caso a economia voltasse ao eixo…

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Sobre o autor ()

Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.

Comentários (9)

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  1. Ronnie disse:

    uma característica interessante dos seus 3 exemplos é que o preço médio foi sendo feito pra cima. Ou seja, de 2000 até 2011 essas ações foram subindo de preço ao longo do tempo. Mas já se vc tivesse feito esse preço médio pra baixo, com o preço das ações em direção inversa caindo ao longo do tempo, a medida que vc fosse comprando mais, talvez vc fosse ficar bem decepcionado com o resultado. Então não seria o caso dessa estratégia conter um risco de incerteza bem grande a medida que ela só funciona depois que se constata que ela teve a sorte de ter sido iniciada na direção favorável ?

    2 dúvidas usando o quadro da petr4 como exemplo:

    1) o valor investido a ser considerado não seria os 11.000 + 7.440 dos dividendos reaplicados? Os div. não são descontados do valor de mercado da própria ação quando elas ficam ex-dividendos?

    2) em 2010 a máx da petr4 foi 35,76 e a mín 23,46. Vc considerar como “cotação média” pra sua tabela o valor de 26,23 pro ano de 2010 não é jogar um pouco pra baixo demais essa média?

    • Fábio Portela disse:

      Ronnie,

      Não necessariamente as ações subiram de preço ao longo de tempo. As ações do Pão de Açúcar ficaram no mesmo patamar até 2008. As ações da Marcopolo despencaram em 2009. As ações da Petrobras estão num patamar inferior ao de 2008. Além disso, se o preço médio fosse feito com elas despencando (mas os fundamentos melhorando, e este é um ponto MUITO importante), o investidor estaria comprando por um preço cada vez menor uma ação cada vez melhor. Seria um negócio da China, já que provavelmente os dividendos estariam melhorando a cada ano.
      Quanto a outras dúvidas:

      1) Não. O valor investido é só os R$ 11.000,00. Os dividendos reaplicados são fruto da própria ação e, portanto, devem ser considerados parte da rentabilidade. O efeito do desconto no valor de mercado da ação deve ser desconsiderado, porque só afeta os preços no pregão do dia em que eles são pagos.

      2) Os dados utilizados me deram esse valor de cotação médio. Mas você pode fazer os cálculos com seus dados… :)

  2. Ronnie disse:

    obrigado, estou sempre aprendendo por aqui!

    então já que o valor investido foi 11.000, caso o pequeno investidor vendesse as 1638 petr4 por 22,95 perfazendo um total bruto de R$37.617, nesse caso ele deve recolher o IR de 15% sobre um lucro bruto de 26.617 e não sobre um lucro de 19.245 que seria sobre o custo médio das compras das 1638 açoes? certo?

    • Fábio Portela disse:

      Do ponto de vista tributário, ele deveria considerar os dividendos como dinheiro dele (e então deveria recolher os 15% de IR sobre o lucro de R$ 19.245). Mas, na prática, isso não significa nada – porque, afinal, os dividendos fazem parte do lucro dele, e não do dinheiro que ele teve que desembolsar para investir.

      Aliás, o direito tributário é composto de várias ilusões… :)

      Abraços,
      Fábio

  3. Muito bom artigo, esclarecedor.
    Vejo que de uma maneira ou de outra, todos nós, investidores individuais e conscientes, temos os mesmos pensamentos.
    Reinvestir cada dividendo ou JCP é o caminho da felicidade, quando o assunto é acumular riquezas.
    Um texto simples e claro, com exemplos e tal, ficou 10
    Abraços!

  4. dimarcinho disse:

    Só não vamos esquecer dos custos de corretagem atrelados ao processo. Para o pequeno investidor, é essencial que não pague taxas, pois comprar R$ 300 em ações, pagando R$ 15 de corretagem, é gastar 20% do capital em CORRETAGEM!

    Grande abraço!

    • FabioL disse:

      Você quer dizer 5% certo?
      Abs,

      • dimarcinho disse:

        Ops, falha minha!! Não sei de onde tirei esse 20! rsrs

        Mas a ideia é tomar cuidado com os custos de corretagem, pq dessa maneira, vc já começa seus investimentos com taxas pesadas relativamente, neste caso com -5%.

        Grande abraço

  5. Phillipe disse:

    No cenario atual, GGBR4 e USIM5 seria uma boa opção a meio e longo prazo ? o que me diz sobre estes papeis ?

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