Análise da Cielo

28 de julho de 201117 comentários

Depois de dois anos de desempenho ruim das ações da Cielo (antiga Visanet) na bolsa, as ações enfim despontaram. Em um ano péssimo até aqui para o mercado de ações, os investidores da empresa não têm do que reclamar até aqui. Apesar das quedas em 2009 (-4,78%) e em 2010 (-5,55%), as ações ordinárias da CIelo (CIEL3) dispararam em 2011, com uma alta acumulada de 26,63% no ano (e de 14,26% nos últimos 12 meses). Mas essa alta tem fundamento?

1. Preocupação do mercado com a concorrência fez com que as ações da CIelo derrapassem nos últimos tempos

Às vezes o mercado paga preço de ouro por empresas que não valem nada, e paga pouco por empresas que valem muito. No caso da Cielo, o mercado passou muito tempo preocupado com alguns fatores, e negligenciou por demais a performance que o negócio da empresa vinha apresentando. Em especial, muita gente deu atenção demais aos rumores de que muitos competidores entrariam no mercado e de que as margens de lucro da Cielo despencariam. Além disso, houve intensa preocupação com a concorrência da Redecard.

Não que a concorrência seja desprezível, mas a verdade é que o negócio da Cielo melhorou ao longo do tempo. Sua participação no mercado aumentou de 56,9% para 57,2% no primeiro trimestre desse ano, mesmo com a forte concorrência da Redecard e da tentativa de novas empresas de entrarem no mercado.

2. Administração eficiente da Cielo…

A empresa tem sido bastante eficiente em sua administração. As margens de lucro da empresa, hoje, são melhores do que as do período anterior à oferta de ações, que ocorreu em 2009. A margem bruta de lucro subiu de 61,96% em 2007 para 71,71% em 2010, e a margem líquida subiu de 33,35% para 46,58%. Isso significa que cada R$ 1,00 de receita gera algo em torno de R$ 0,47 em lucro para a empresa.

cieloAlém disso, a empresa não tem dívidas com empréstimos ou financiamentos a serem pagos no futuro. Sua liquidez corrente também é boa, embora não fantástica: está em torno de 1,07, o que demonstra que a empresa tem capacidade de pagar suas dívidas. Trata-se de um indicador bem parecido com o da Redecard (1,06), mas a administração da dívida da Cielo é melhor, já que não tem dívidas decorrentes de empréstimos ou financiamentos. A dívida da Redecard, por sua vez, é superior a seu patrimônio líquido: dividindo-se a dívida pelo patrimônio líquido da empresa, obtém-se uma relação de 1,54, significando que a dívida supera em 54% seu patrimônio líquido (dados extraídos do Fundamentus).

Outros indicadores da Cielo também revelam a eficiência de sua administração. Seu ROE (indicador que apresenta o retorno sobre o patrimônio) é de 204%. Isso significa que cada R$ 1,00 de patrimônio líquido da empresa gera um lucro líquido de R$ 2,04 para a companhia. E o ano atual não é uma anomalia; a média dos últimos 4 anos foi de 338%, contando-se o ROE absurdo de 876% em 2008. Mesmo descontando-se esse ano, verifica-se que o histórico do ROE da empresa é altíssimo: 2007 (144%), 2009 (178%) e 2010 (155%) mostram a eficiência da empresa em extrair lucro de cada centavo de seu patrimônio. Para que o leitor tenha uma ideia do quão elevado é esse retorno, a Redecard tem um ROE de 79% (que já é muito bom!), e uma empresa como a Vale tem um ROE de 31%, que também é excelente!

Nos últimos anos, a empresa tem um portfólio de bandeiras bastante diversificados. Apesar de ter pedido a exclusividade da bandeira Visa, a empresa, em 2010, conseguiu bandeiras importantes, como Mastercard, American Express e Ticket. Em 2011, trouxe a novata Elo. Além disso, não é desprezível mencionar a inovação da empresa ao possibilitar a negociação virtual em sistemas de celular.

3. …gera bons lucros para quem investe na Cielo

Esse retorno absurdo tem gerado bons retornos no lucro por ação para o acionista. Mesmo que essa realidade ainda não tenha sido incorporada aos preços da ação, o lucro da empresa tem crescido bastante. Em 2007, o LPA era de R$ 1,48; terminou 2010 em R$ 3,07; e hoje está em R$ 3,32. Isso significa um crescimento total de 124%, e um crescimento médio de 27,44% entre 2007 e 2010. Entre 2008 e 2010, o LPA cresceu a uma taxa de 14,56%; e entre 2009 e 2010, a uma taxa de 19,27%. Ou seja, apesar de uma certa irregularidade, o LPA da empresa tem crescido a taxas bastante elevadas. Mesmo que calculemos o índice PEG com base na menor das taxas apresentadas (19,27%), isso indicaria que a ação está subavaliada, pois o PEG está próximo a 0,63 (o P/L da empresa está em 12,25).

Uma explicação razoável para a queda das ações em 2009 e em 2010 é uma das razões pelas quais o investimento em IPOs é ruim. No início de 2009, a empresa tinha um LPA de R$ 2,34 (ajustado após as bonificações e desdobramentos recentes). Como, no IPO, a ação da empresa era negociada a R$ 37,82, seu P/L era de 16,16 – um pouco elevado, mas nada próximo do crescimento que a empresa tem apresentado. Ainda em 2009, com a queda nos preços, o P/L caiu para 13, e em 2010, para 10. Hoje, com o aumento do lucro da empresa, o P/L subiu para 12. Como no IPO as ações foram compradas por um valor mais caro do que o mercado estaria disposto a pagar nos últimos meses, as ações caíram. Mas mesmo quem a comprou no IPO pode vir a ter bons lucros no futuro, se a empresa continuar a manter o ritmo forte de crescimento em seu LPA.

E a empresa tem pago, também, bons dividendos. O dividend yield médio apresentado nos últimos 2 anos foi de 6.91% (2009, em 5,94%, e 2010, em 7,88%). O percentual do lucro da empresa que se destina aos dividendos (dividend payout) médio, no período, foi de 80,54%. O patrimônio líquido da empresa também tem crescido bastante, a uma taxa média de 24,52% nos últimos 4 anos. Só no último ano, cresceu 37,12%.

Resta saber se, com o aumento da concorrência, a empresa continuará a crescer como vem feito. Pessoalmente, acredito que, embora nos próximos 2 anos a situação possa ser difícil (se é que será), se a empresa continuar a ser bem administrada como vem sendo, poderá ser uma excelente oportunidade no futuro.

* Como parte da política de transparência que adoto, informo aos leitores que sou acionista da Cielo e não tenho ações da Redecard. Mas isso não significa dizer que eu esteja recomendando o investimento em ações de qualquer das companhias. A decisão por investir em ações da Cielo é exclusivamente da responsabilidade do investidor.

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Sobre o autor ()

Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.

Comentários (17)

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  1. fox disse:

    Só não investi nela pela falta de longos dados históricos. 2 ou 3 anos de dados é muito pouco.

  2. Raphael Soares disse:

    Fábio,

    Como voce comentou em posts anteriores, o crescimento LPA ao longo dos anos é um forte indicador que a empresa está crescendo e que seu retorno é “garantido”. Mas onde é que eu consigo essa informação ?? Onde é que eu vejo o historico dos LPA’s de cada empresa ???

    • Fábio Portela disse:

      Raphael,

      Você pode conseguir isso no INI e, com boa vontade para fazer alguns cálculos, nos sites Fundamentus e ComDinheiro.

  3. Obviamente no medio prazo a concorrencia vai acirrar com a entrada de novos players e a Cielo ou perderá market share ou terá que diminuir as margens, provavelmente os dois.

  4. Fhillus disse:

    A empresa está bem consolidada e as notícias de entrada de novos grandes players não é nova. Aproveitei o pavor do mercado diante dessas notícias e comprei bem perto do fundo do 1º Trimestre desse ano. Essa ação que está segurando minhas aplicações em RV. Em setembro deve pagar dividendos e devem vir algo em torno de 1,4x e 1,5x por ação. Enquanto isso vou mantendo.

    Abraços

  5. Ronnie disse:

    Prezado Fábio,

    Uma coisa que me deixa muito apreensivo. Talvez vc com essa sua visão tão clara do mercado, talvez possa me apontar a direção correta.

    A Cielo pertence ao setor financeiro. O negócio dela é ser remunerada por serviços de intermediação financeira. Um negócio que se apóia firmemente no consumo forte, economia forte, empregos e farta oferta de crédito. E ser um negócio bem administrado, claro, é vantagem numa ambiente de concorrência. Mas ser bem administrada, em tese, é a obrigação de qualquer empresa. O mais importante de tudo é que exista um ambiente favorável, fértil e promissor para os negócios da empresa. Caso contrário, fica difícil. Eu acho…

    Portanto a dúvida que está me incomodando é o fato que vc vem afirmando que estamos testemunhando uma bolha imobiliária prestes a estourar. Então se a sua previsão de estouro da bolha imobiliária se concretizar, provavelmente, será motivada por conta de uma desaceleração da economia brasileira, com possível forte retração da oferta de crédito.

    Então pergunto: a bolha imobiliária, o consumo forte, a farta oferta de crédito, a economia aquecida, empregos em alta…. todos esses elementos não guardam uma correlação positiva entre si ?

    Então quando a sua previsão de estouro bolha imobiliária ocorrer, será que os outros setores que guardam correlação positiva com o setor imobiliário (consumo, crédito, empregos) também não entrariam em colapso ou pelo menos numa boa retração ?

    Por conta dessa correlação tão próxima, a Cielo também não poderia ser uma vítima indireta do estouro da bolha imobiliária ?

    Desde já agradeço sua valorosa atenção

  6. Andre V.H disse:

    Ronnie

    Seguindo esse pensamento é melhor não investir em RV e pronto, difícil pensar em um setor que não tenha relação mesmo que indireto com o imobiliário, na verdade os setores são todos interligados, é só lembrar de 2008, nem faz tanto tempo né? É justamente esse o significado de “Investimento em valor”!

    Se uma empresa com bons resultados e boa administração (e nem todas têm boa administração embora realmente devessem ter) está sendo prejudicada por fatores externos seus preços caem e se tornam bons negócios. Nada mais é do que uma pechincha a ser aproveitada.

    Quando o macro se estabilizar aqueles que aproveitaram a queda pra comprar ou fazer o preço médio de boas companhias colhem seus frutos. Basta voltar 3 anos no tempo e colher dezenas de exemplos.

  7. Ronnie disse:

    entendo, André.

    “Basta voltar 3 anos no tempo e colher dezenas de exemplos.”

    Pena que “colheitas” feitas em viagens ao passado – financeiramente falando – nada podemos transportar ou usufrurir para o presente ou quiçá no futuro.

    O que é do passado, pertence ao passado.

    É algo como dizer: o trem já partiu….

    A minha dúvida – que foi dirigida ao Fábio – é mais relacionada ao contraponto entre: estarmos prestes a um estouro da bolha imobiliária versus apostar na manutenção do crecimento do consumo e crédito. É uma correlação positiva ou negativa?

    PS – quando vc fala em fazer preço médio é algo como se hoje vc pagou 10, então se cair pra 5 é pra comprar mais? E aí ficar com um preço de custo de 7,5 precisando que ativo valorize 50% (de 5 pra 7,5) só pra se chegar ao 0×0 ? Correr esse risco, só porque o passado da empresa “foi” bom?

  8. Fhillus disse:

    Ronnie
    Por isso que não gosto de me guiar por notícias. Me guio pelos números da empresa.
    Eu comprando um pouquinho todo mês. Se o mercado cair, ótimo pois vou comprar boas empresas por um melhor preço. Se subir, ótimo, pois eu comprei antes quando estava barato.
    Abraços

  9. Ronnie disse:

    Mas Fhillus,

    Desculpe a minha confusão mental…

    Mas lá em cima vc escreveu:

    Fhillus
    julho 28, 2011 | 13:53

    “”"A empresa está bem consolidada e as NOTÍCIAS de entrada de novos grandes players não é nova. Aproveitei o pavor do mercado diante dessas NOTÍCIAS e comprei bem perto do fundo do 1º Trimestre desse ano.”"”

    Pergunta 1: mas o certo não é comprar se guiando pelos NÚMEROS da empresa e não pelas NOTÍCIAS da empresa?

    Pergunta 2: se a sua estratégia é ir comprando um pouquinho todo mês, então porque analisar os números da empresa? porque se cair vc afirma que tá ótimo e compra mais; e se subir também tá ótimo e vc também compra mais, então….

  10. Andre V.H disse:

    Ronnie

    Desculpa ter tomado a frente e respondido uma pergunta que não foi pra mim, é que essa era uma das fáceis! ^^

    Então, você tá certíssimo quando diz que resultado passado não significa resultado igual no futuro, só que como ninguém tem bola de cristal só restam duas alternativas: Comprar e vender às cegas ou se basear em probabilidades pra tentar diminuir os riscos.

    Essas probabilidades são extraídas através de dados estatísticos do passado e isso vale tanto pra análise fundamentalista quanto pra análise gráfica. Entre ciência e adivinhação eu prefiro a ciência!

    Repetindo que isso ajuda a diminuir os riscos mas não os elimina. Não existe risco zero, que o digam os credores do Tio Sam!

  11. Jader Anderson disse:

    Olha, não querendo ser pentelho aqui.

    Infelizmente não tenho posição na bolsa por que simplesmente não tenho dinheiro para tal. Mas se eu tivesse não teria posição em nenhuma destas empresas.

    Explico:
    – Segundo minha experiência no trabalho (sou funcionario de um banco) essas operadoras de “maquininhas” estão correndo sério risco de se tornarem apenas prestadoras de serviços. E serviços bem mais baratos.

    Por que? Bem, os lucros passados de redecard e cielo eram fortes pois ambas tinham capacidade de fazer “empréstimos” aos lojistas baseados justamente nos recebíveis que cada rede operava.

    O que aconteceu? Em junho de 2010 a febraban determinou que isso nao acontecesse mais, pois cielo e redecard não são instituições financeiras para ficar fazendo esses empréstimos. Juntamente com essa determinação comandou que todos os cartões passassem em todas as maquinas, logo a exclusividade dos tais recebíveis está pulando das operadoras para OS BANCOS. Pois agora existe um sistema da CIP que trava as operaçoes de um lojista direto a sua conta no banco para que o banco e não mais as operadoras façam operaçoes de crédito.

    Sei disso por que justamente trabalho em um sistema que gerencia esses bloqueios.

    #Ficadica

  12. Ronnie disse:

    André VH,

    Ao contrário, até agradeço a sua ajuda para com minhas dúvidas.

    Estar recebendo a atenção de investidores mais experientes e tão seguros como vcs é uma aula para mim!

    Na verdade a minha pergunta ao Fabio Portela não diz respeito a previsões futuras do comportamento do valor de um ativo.

    Mas sim, se a correlação entre o setor imobiliário e setor financeiro é positiva ou negativa. É claro que num momento de queda forte, como em 2008, tudo cai de forma simultânea, dando uma aparencia que os “setores são todos interligados”. Mas quando a recuperação é iniciada, vc irá observar que a recuperação se faz por setores: alguns mais rápidos, outros mais lentos e em alguns setores nenhuma recuperação. Portanto – não por conta do dia da queda – mas sim por conta do dia da recuperação é que devemos estar atentos sobre as correlações positivas e negativas dos ativos de nossa carteira por setores. Pra não incorrermos naquele erro que em alguns livros é apelidado de naive diversification. Mas posso estar falando besteira, e desde já peço desculpas…

    Sobre probabilidades, gostaria que vc explanasse mais sobre o tema.

    Através das probabilidades estimamos expectativas. Um campo muito estudado, muito explorado, mas que ainda pisa em nuvens. Se isso é ciência, alguns acadêmicos até reagem com certa descrença; mas isso é só a opinião pessoal deles. Só sei que “se” inferir probabilidades futuras através de eventos passados quando o assunto é “bolsa” fosse algo minimamente confiável, matemáticos seriam as carreiras mais bem pagas em bancos e gestoras, quiçá no mundo. O próprio Mandelbrot divertia-se muito com a falta de humildade dos estatísticos em suas inferências sobre o mercado.

    Mas o que te pergunto é sobre sua afirmação:

    “Essas probabilidades são extraídas através de dados estatísticos do passado e isso vale tanto pra análise fundamentalista quanto pra análise gráfica “

    Para se estimar uma probabilidade é necessário uma quantidade razoável de resultados sobre eventos. Se vc me diz que ao observar 1000 eventos de “ocos gráficos” de um ativo, vc inferiu X resultados positivos e Y resultados negativos, vc até pode extrair disso uma probabilidade para cada grupo eventos X e Y. E daí calcular uma expectativa positiva ou negativa de acordo com resultados que vc atingiu nesses 2 grupos. Se funciona ou não, aí depende da “ciência da sorte”.

    Agora o que eu gostaria de aprender com vc é como a “probabilidade” se aplica a análise de fundamentos. Como se estima as probabilidades de um ativo através dos últimos balanços da empresa que ele representa? A análise dos fundamentos não é somente o árduo e sério estudo dos resultados operacionais de uma empresa, os quais nos indicarão quando uma empresa está barata para se comprar o seu ativo?

    Obrigado por mais essa atenção e espero não ter feito uma pergunta muito difícil, porque desejo muito entender a sua resposta.

    P S – JADER, boa dica…. meu muito obrigado.

  13. Andre V.H disse:

    Ronnie

    Na verdade sou só um principiante tentando aproveitar a oportunidade pra exercitar um pouco o que tenho estudado nos últimos anos, até por isso peço que sempre me corrijam quando eu viajar.

    Enfim, o primeiro ponto que você levantou é sobre a recuperação que se dá setorialmente. Não tenho muito a dizer sobre isso pois está fora dos meus conhecimentos mas o detalhe é que, no caso deste artigo, foi feita uma análise fundamentalista da empresa e esse tipo de análise sempre visa o longo prazo, no mínimo 5 anos mas de preferência de 7 anos pra cima. Por isso os fundamentalistas não se preocupam muito com o estouro de bolhas, só aproveitam pra comprar mais.

    No caso das probabilidades, como eu disse, ajudam a diminuir o risco mas não garantem risco zero. Se você pretende ser sócio de uma empresa e tem interesse em duas companhias, uma com 20 anos de sólido crescimento de receitas e a outra com histórico irregular que varia entre prejuízos e lucros vai, em geral, escolher a primeira opção que oferece menor risco, porém o risco ainda existe.

    Você até poderia ficar com a segunda empresa e, de repente o seu produto vira a sensação do país e você tem um lucro milhares de vezes maior do que com a empresa “segura” que já é conhecida e consegue manter bem sua fatia de mercado mas tem dificuldades pra expandir mais. Quanto maior o risco maior a possibilidade de ganhos, e esses ganhos podem ser passageiros ou não. Tudo depende do seu perfil.

    Dando um exemplo grosseiro, a aplicação da probabilidade na análise de fundamentos se dá da seguinte forma:

    Baseado em dados do passado identificamos que empresas com retornos crescentes e endividamento sobre controle costumam sair mais rápido e com melhor desempenho de cenários em que o mercado como um todo enfrenta uma crise. Logo, vamos procurar empresas com esse perfil e investir nelas.

    Na minha opinião informação nunca é demais, as melhores costumam ser as “de dentro” como a do Jader aí em cima mas elas nem sempre aparecem pro investidor comum que tem que se defender como pode. É como atirar uma flecha de olhos vendados. Se simplesmente atirar você pode até acertar mas se o seu alvo fizer algum barulho suas chances aumentam.

  14. Ronnie disse:

    Andre,

    Sendo assim, então somos 2 principiantes por aqui, em busca de capturar alguns flocos da sabedoria, vasta experiência e robusto conhecimento de mercado que o Fábio Portela se dispõe a compartilhar conosco!

    Posso estar equivocado. Mas tenho uma estranha sensação que na proporção que aumentamos a medida do tempo de uma expectativa futura, mais incerta e imprevisível ela se torna. Se não temos como controlar ou monitorar inúmeras e imprevisíveis variáveis que irão interferir em eventos para o próximo ano, o que dirá daqui 5 anos ou mais ainda pra daqui a 7 anos.

    Geralmente fico na dúvida quando estou diante de alguém que afirma que é mais fácil fazer previsões para o longo prazo. Fico com a impressão que não estou diante de um cientista, mas sim de um adivinho. Mas isso é só a minha humilde opinião de leigo.

    Já sobre probabilidade, obrigado pelo seu exemplo, mas acho que ainda não me ficou bem claro:

    “Baseado em dados do passado identificamos que empresas com retornos crescentes e endividamento sobre controle costumam sair mais rápido e com melhor desempenho de cenários em que o mercado como um todo enfrenta uma crise.”

    Acho – não tenho certeza – mas esse tipo de informação não é uma probabilidade calculada através da análise dos fundamentos de uma empresa. Mas somente uma suposição generalizada que alguns acreditam observar no mercado através de uma peculiaridade que é muito usada por escribas de relatórios para transnmitirem aparente segurança: “empresas com retornos crescentes e endividamento sob controle”

    E o que vc quis dizer com: “É como atirar uma flecha de olhos vendados. Se simplesmente atirar você pode até acertar mas se o seu alvo fizer algum barulho suas chances aumentam”

    Como assim se o alvo faz barulho as chances aumentam? Seriam alvos sonoros? O lançamento da flecha não foi de olhos vendados? Estando os olhos vendados, então suponho que o tiro foi aleatório… Então se o tiro é aleatório a cada novo tiro as chances não aumentam e nem diminuem. As chances serão sempre as mesmas…

    Provavelmente não captei o sentido figurado do exemplo. Talvez a mensagem subliminar é que mesmo a flecha sendo cega, ela tira vantagem por não ser surda?

    • Rafael disse:

      Ronnie…só não entendo como você ainda não tem um blog.

      • Ricardo disse:

        Rafael,

        Ninguém iria gostar de saber que o chão onde andamos nos mercados financeiros, é de madeira podre. Que no final todos estamos especulando. E fundamentos, hummm…
        bem, deixa para lá.

        Não vale o tempo tentando explicar porque eles NÃO são uma história com final feliz. Se iludir e iludir os outros, deve ser realmente o melhor caminho.

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