Precauções antes de investir em empresas que pagam bons dividendos
Muitos investidores procuram ações com um bom dividend yield para alcançar um único propósito: ganhar dinheiro com os dividendos que são pagos periodicamente. Quem olha o elevado dividend yield de algumas empresas já fica empolgado. E não é para menos: em tempos nos quais a renda fixa dificilmente rende mais do que 10% ao ano, olhar para as ações da Eletropaulo e ver que a empresa está pagando mais de 20% ao ano torna tentadora a ideia de investir nela somente pelos dividendos. E não apenas a Eletropaulo: várias empresas apresentaram dividend yield altÃssimo nos últimos 12 meses: a Monark (BMKS3), por exemplo, apresentou um dividend yield de 108,2%, e a Yara Brasil Fertilizantes (ILMD4), um yield de 71,50%. Mas, antes que você corra para o home broker a fim de comprar essas ações, é preciso tomar alguns cuidados.
O excelente portal The Motley Fool publicou recentemente uma matéria sobre o assunto, mostrando três fatores que o investidor deve prestar atenção antes de comprar ações de uma empresa com o propósito de receber dividendos polpudos.
1. DÃvidas muito altas afetam irremediavelmente a capacidade de manter um dividend yield elevado
Verifique a dÃvida (de curto e longo prazo) da empresa e se ela tem condição de pagá-la com tranquilidade. Às vezes, uma empresa vem pagando bons dividendos por um bom perÃodo de tempo, mas como a sua dÃvida é extremamente alta, dificilmente a companhia conseguirá manter elevado o patamar de pagamento dos dividendos. A razão para isso é óbvia: se a empresa tem que pagar suas dÃvidas, terá que cortar os dividendos para quitá-las, concorda?
Dê preferência a empresas que paguem bons dividendos e consigam manter baixo o seu Ãndice de liquidez (de preferência, superior a 1). A BMKS3 (Monark) passou com folga nesse teste, já que apresenta um Ãndice de liquidez corrente superior a 7,00 e a relação entre sua dÃvida bruta e seu patrimônio é zero.
2. Dividend yield alto demais pode sinalizar problemas
Outro motivo para suspeitar da capacidade de pagamento de dividendos no longo prazo é o pagamento de um dividend yield alto demais. O artigo do The Motley Fool ilustra essa questão com um dado histórico do mercado de ações americano: mais de 1/4 das empresas que pagavam mais de 8% em dividend yield em 2001 não pagaram um único centavo em dividendos no último ano. Claro, 8% não é um valor absurdo para a realidade brasileira, mas é um dividend yield excepcional para a realidade americana, na qual os juros pagos em um tÃtulo público (bond) com vencimento em 10 anos está girando a uma taxa de 3% ao ano. Comparando-se com o Brasil, isso equivaleria a algo em torno de 30% de dividend yield!!
O cuidado a ser tomado com empresas que pagam um dividend yield elevado demais está no fato de que o mercado pode estar divisando problemas demais no futuro da companhia. O dividend yield expressa a relação entre os dividendos pagos por ação (DPA) e a cotação da ação. Assim, se uma ação custa R$ 1,00 e a empresa pagou R$ 0,20 em dividendos num determinado ano, a empresa apresenta um dividend yield de 20%. Se o preço cair para R$ 0,40, o dividend yield já aumenta para 50%! É o caso, por exemplo, da Eletropaulo: como o mercado acredita que a empresa passará por muitas dificuldades, a usa cotação caiu demais – mas como a empresa continuou a pagar bons dividendos, o dividend yield subiu muito.
É importante observar que, às vezes, o mercado também erra na avaliação de uma empresa: o preço de uma empresa fantástica cai injustificadamente e o dividend yield pode subir bastante, trazendo uma excelente oportunidade de investimento.
3. O dividend yield de empresas de setores arriscados corre riscos
Outro ponto a ser observado é o setor de atuação da empresa. O artigo do The Motley Fool mostra como uma empresa aparentemente sólida como o The New York Times teve que diminuir drasticamente o pagamento de dividendos por causa das mudanças que seu setor de atuação sofreu. Como a venda dos jornais impressos despencou (e com ela o valor pago pelos anunciantes), a empresa passou por sérias dificuldades financeiras.
No Brasil, é importante tomar muito cuidado com setores em que a concorrência é muito acirrada, como o varejo e a aviação. Nesses setores, é bem comum que empresas aparentemente sólidas apresentem prejuÃzo e venham eventualmente a falir. Outro setor que é bom ficar “de olho†é o de telefonia fixa, já que cada vez mais o setor vem perdendo espaço para empresas de telefonia móvel – e, portanto, é importante que o investidor observe se a empresa está procurando se reposicionar no mercado. Também é importante tomar cuidado com os setores cÃclicos (como o de commodities), já que uma eventual virada nos preços pode levar embora boa parte dos dividendos pagos pela empresa.
* Os dados relativos ao dividend yield foram extraÃdos do site Fundamentus.
** As empresas foram mencionadas apenas como exemplo ilustrativo, não significando recomendação de compra ou venda dos ativos. Ressalte-se que, além do dividend yield, existem muitos outros fatores a serem analisados antes de comprar uma ação.
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Sobre o autor (Perfil do autor)
Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.Comentários (9)
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- A força do reinvestimento dos dividendos | 1 de outubro de 2011





Belo Artigo, Fábio.
A Cada dia que passa aprendemos mais alguma coisa.
Fábio, boa tarde!
Um segmento como o financeiro, por exemplo, que contém algumas empresas que pagam bons dividendos (Cielo, Banco do Brasil), seria aconselhado para a composição de uma carteira a longo prazo?
Abraços,
Fábio Santana
Prezado Fábio Santana,
É importante ter ações de empresas de vários setores, e o financeiro tem sido um bom setor no Brasil. Mas é importante não investir nas empresas do setor apenas por conta dos dividendos; é preciso investigar outros aspectos da empresa, como por exemplo a composição de seus empréstimos.
Abraços,
Fábio
Gosto de empresas boas pagadoras de dividendos, mas não só eles são importantes para se escolher uma emprea. A dívdia bruta ,a margem de lucro liquida ,tudo isso é por demas importe
Parabéns pelo texto Fábio!
Abraços!
Ótimo artigo, tenho um plano investimentos baseado em dividendos, e está totalmente de acordo com o dito em seu texto. Só uma resalva, dá impressão de que você está “cantando a pedra” para a Eletropaulo, você deve ter ações dela…rsrs;Parece que há um interesse em que elas subam…mas tudo bem, eu também tenho…!!
fabio, seu blog t a desformatado. varias palavras c simbolos e não com cedilha e til.
Eu sei… estou resolvendo o problema aos poucos!! Tenho que reeditar manualmente os artigos: imagina o trabalhão que dá!
Abraços,
Fábio