PEG: um importante indicador para investir em ações

22 de junho de 201116 comentários

A maioria dos investidores em ações conhece o P/L, que é a divisão do Preço de cada ação pelo Lucro Por Ação (LPA), que indica quantas vezes a cotação da ação é superior ao lucro da empresa destinado a cada ação. Mas o P/L tem limitações também, pois utiliza como indicador apenas o Lucro Por Ação atual da empresa, desconsiderando o crescimento futuro da companhia. Já escrevi sobre isso, mostrando a importância de incluir o crescimento futuro no cálculo do P/L. Mas existe um outro indicador que já faz isso naturalmente, o PEG. Aprenda como calculá-lo e como utilizá-lo para avaliar uma ação.

O que é o PEG

O PEG é um indicador utilizado muito nos Estados Unidos para avaliar o potencial valor de uma ação. De maneira parecida com o P/L, o um indicador PEG baixo significa que a ação está desvalorizada.

Para calculá-lo, divida o P/L pelo crescimento anual do Lucro Por Ação (LPA) Estimado. Se o PEG for inferior a 1, isso significa que a ação está barata, porque o P/L dela é inferior à taxa de crescimento de seu LPA.  Por exemplo, digamos que você queira investir nas ações da Ambev e acredite que a média anual de crescimento do PEG para os próximos anos será de 25% ao ano (o crescimento do LPA dos últimos 5 anos foi de 28,36%). Como o P/L atual das ações AMBV4 é de 18,88, você deve dividir 18,88 por 25. O PEG, nessas condições, é de 0,75 – ou seja, ainda valeria a pena investir nas ações da companhia. Note que esse é apenas um exemplo, não significando que eu esteja recomendando comprar as ações da Ambev.

Lembre-se sempre de que o crescimento do LPA é projetado e, por isso, pode não ser correto. Tente sempre projetar um crescimento razoável, em linha com o real potencial da empresa. O ideal, nessa projeção, é ser conservador. De minha parte, gosto sempre de pegar o quanto o LPA da empresa cresceu nos últimos anos como critério de análise. A média de crescimento do LPA da Ambev, por exemplo, é a seguinte: nos últimos 10 anos (28,74% ao ano), nos últimos 5 anos (28,36%), nos últimos 3 anos (57,81%), e no último ano (27,23%). Ou seja, minha estimativa de 25% ao ano parece em linha com o que a empresa tem apresentado nos últimos balanços.

Mas o PEG também é útil para estimar o que aconteceria em situações diversas. Você pode testar cenários hipotéticos: o que aconteceria se a empresa diminuísse o ritmo de crescimento do seu lucro pela metade? No caso da Ambev, isso significaria que o crescimento de seu LPA cairia para cerca de 12,5% ao ano (com relação à projeção inicial de 25%). Com o P/L atual de 18,88, seu PEG subiria para 1,51 – e, nesse caso, o preço da ação estaria caro.

O PEG funciona?

O analista Joseph Khattab, do The Motley Fool, fez um estudo retroativo para verificar a eficiência do PEG como um fator preditivo da rentabilidade de ações. Ele calculou o PEG de 1.000 empresas americanas em 2003, a partir do crescimento do lucro por ação projetado para as empresas naquela oportunidade, e chegou aos seguintes resultados:

PEG em 2003 Rentabilidade mediana Rentabilidade média
Entre 0 e 0.99 154.1% 225.2%
1.00 -1.50 78.4% 92.6%
1.51 – 2.00 60.5% 79.0%
Mais que 2 44.4% 69.4%

 

Ou seja, tal como esperado, as empresas que apresentaram um PEG entre 0 e 1 tiveram rentabilidade média superior em 154% em relação às que tinham um PEG superior.

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Além disso, 92% das empresas com PEG entre 0 e 1 superaram a rentabilidade do mercado em períodos superiores a 3 anos, contra 68% das empresas com PEG entre 1 e 2 e apenas 47% das empresas com PEG superior a 2.

Limitações do PEG

Tal como o P/L, o uso do PEG também apresenta limitações. A principal delas está em desconsiderar outros fatores que o mercado leva em consideração ao estabelecer o preço de uma ação, como a margem líquida de vendas, o crescimento das vendas (e não o do lucro por ação), fluxo de caixa, dividendos, dívida e outros fatores.

Ou seja, lembre-se sempre de não confiar em um único indicador antes de investir em ações. Uma empresa é mais do que o seu lucro – mas é importante investir sempre em empresas que apresentam um crescimento constante e confiável no seu lucro líquido. Afinal, empresa que lucra não quebra!

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Sobre o autor ()

Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.

Comentários (16)

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  1. Pedro Henrique Macedo Nora disse:

    Fábio,

    PEG é uma sigla? Qual seria o significado?

    • Fábio Portela disse:

      PEG = Price-to-earnings to Growth. Seria algo como “P/L em relação ao crescimento”.

  2. Lilian disse:

    Oi Fabio,

    Seu site é muito bom, aprendemos muito aqui, parabéns.
    Tem um livro sobre investimentos que tem tudo haver com seu site que gostei muito de ler.

    http://www.gatosabido.com.br/ebook-download/151388/jose-alberto-da-silva-batismo-de-investidor.html

    Estou pensando em criar uma planilha com o PEG das principais empresas do Ibovespa para filtrar as melhores oportunidades, o que você acha?

    Lilian

    • Fábio Portela disse:

      Oi Lilian! Obrigado pela sugestão.

      Fazer uma planilha com o PEG de empresas é um bom caminho para começar. Mas é importante ter atenção com outros indicadores também, como já falei em outras oportunidades!
      O importante é ter uma noção global das empresas em que se decide investir!

      Abraços,
      Fábio

  3. Thiago disse:

    Olá Fábio,

    Onde posso pegar os dados de crescimento do LPA das empresas no passado?

  4. Grave Digger disse:

    Gostei desse novo indicador, não conhecia e é mais um parâmetro na hora de avaliar os preços das ações!

    • Fábio Portela disse:

      Pois é, Digger! É um indicador pouco conhecido no Brasil, apesar de muito utilizado nos EUA!

  5. shannon disse:

    Sugestão: disponibilizar uma tabela com os PEGs das principais companhias da bolsa.

    • Fábio Portela disse:

      Shannon,

      O problema de fazer isso é que eu precisaria de uma estimativa do crescimento das empresas para os próximos anos. E as premissas para calcular esse fator são bastante subjetivas. Cada investidor tem uma maneira de projetar os lucros futuros, e cada metodologia tem suas virtudes e seus defeitos. Por essa razão, prefiro não me comprometer. De minha parte, eu faço uma projeção do futuro a partir das médias de crescimento do LPA dos últimos 10, 5, 3 e 2 anos, e faço os cálculos a partir daí.

  6. Thiago disse:

    Pelos meus cálculos os PEG da PETR4 estaria em 1,38??

    • Fábio Portela disse:

      Depende de quanto crescimento você projetou para ela!

  7. J'onn J'onzz disse:

    Interessante esse indicador… texto devidamente salvo para eu incluir em minhas analises no futuro.
    Mas esse estudo em retrospecto foi meio furado por vários motivos:
    1) O autor fala usou para calcular o PEG o crescimento real entre 2003 e 2006. Essa é uma informação que só existe no retrospecto. Ou seja, em 2003 não dava para calcular esses PEG. Um estudo bem feito deveria ser feito com um critério de projeção claro e objetivo com dados de 2003.. ou melhor, deveriam ser calculados vários PEGs diferentes com critérios diferentes de dados de 2003 e comparar o resultado final.
    2) O estudo é meio simples… tem ponto de entrada (março de 2003) e de saída fixos (2006). O que aconteceu com o PEG das companhias ao longo do tempo? Eu ia querer vender alguma dessas ações por causa disso? O que aconteceria com o estudo se eu começasse o estudo em abril de 2003 em vez de março de 2003? Enfim… são N variáveis para analisar.

    Mas no geral gostei bastante do indicador.

  8. Vagner Gil Burger disse:

    Olá Fábio,

    Tenho a mesma dúvida do Thiago, onde posso pegar os dados de crescimento do LPA das empresas no passado?

    Muito obrigado,
    Vagner.

    • Fábio Portela disse:

      Vagner e Thiago,

      Eu calculo esse indicador a partir dos balanços, que pego em sites como o http://www.fundamentus.com.br e o http://www.comdinheiro.com.br. Para calcular o LPA, eu divido o Lucro Líquido em cada ano pelo número ATUAL de ações da empresa. Por que o número atual? Porque o que eu quero é a base de comparação com o ano atual. Se você pegar o LPA divulgado pela empresa em cada balanço, haverá distorções. Se uma empresa teve um Lucro Líquido (LL) de R$ 1.000.000 e tinha 1.000 ações, seu LPA é de R$ 10. Se no ano seguinte, ela tiver um LL de R$ 10.000.000 e 1.000.000 ações, seu LPA será de R$ 10 também. Mas, se pegarmos o número atual de ações e calcularmos o LPA a partir dele, no primeiro ano o LPA será de R$ 1,00 e, no segundo, de R$ 10,00 – ou seja, a empresa decuplicou seu LPA, mas no balanço sairia exatamente o mesmo valor.

      Um abraço,
      Fábio

      • Vagner Gil Burger disse:

        Muito obrigado Fábio.

      • Olha, mais uma que aprendi.
        Sempre me baseei no LPA divulgado em cada balanço.

        Abraços.

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