Buy and Hold e o exemplo japonês

24 de junho de 201110 comentários

Muitas pessoas alegam que a estratégia Buy and Hold não funciona em todos os países do mundo, mas apenas naqueles em que há um conjunto de circunstâncias favoráveis. E o exemplo mais citado para comprovar essa tese é o do caso japonês: para que o leitor tenha uma ideia, até hoje o índice Nikkei não recuperou o topo histórico atingido em 1989! Mas será que o exemplo japonês mostra mesmo que a estratégia Buy and Hold não funciona?

Para responder esta questão, o blog do Instituto Nacional de Investidores (INI) publicou um excelente artigo no qual se questiona a tese de que o exemplo japonês é um obstáculo ao Buy and Hold, que é bastante popular em alguns círculos. Segue o artigo!

Índice Nikkei 225, a bala de prata?

10 em cada 10 interessados em desestimular o uso do buy and hold na bolsa, em benefício de outras estratégias de curto prazo ou de maior risco, utilizam o histórico sofrível índice Nikkei como argumento.

E faz sentido, pois o índice japonês acumula perdas desde 1989, quando atingiu seu máximo próximo de 40.000 pontos.

Qualquer pessoa sem experiência em bolsa (e até experientes…) ficaria com receio de que algo semelhante pudesse acontecer no Brasil ou com outro índice importante.

Há alguns meses foi sugerido ao INI fazer um estudo sobre esse fenômeno, para gerar conteúdo que possa proteger os investidores de bolhas desse calibre.

Esse estudo está detalhado a seguir.

Justificativa racional 1: Índice não é sinônimo de qualidade

Antes de ir para os números e indicar a planilha com os resultados para download, vale lembrar dois pontos subjetivos, porém racionais, sobre o investimento em bolsa.

O primeiro ponto é que investir no índice não é sinônimo de investir em qualidade. Normalmente se está optando por comprar ações mais negociadas, deixando de lado ações iniciantes, pagadoras de dividendos ou small caps.

Houve um período em que o Ibovespa era dominado por empresas de telefonia, mas para quem investiu em bancos e commodities, ganhar do índice foi bem simples nessa época.

O Método INI – www.ini.org.br (ver outros posts no blog) é um método de seleção de ações de crescimento a múltiplos atraentes. É utilizado nos EUA e na Europa há 60 anos, com meta de 14,9% ao ano. Alta para países desenvolvidos.

Para quem quiser um exemplo do método INI (Stock Selection Guide) em comparação com o índice, veja no site do “INI” do Canadá: www.shareowner.com.

Não é impossível (mas também não é fácil) investir de forma ativa para bater o índice. Os principais professores, escritores e analistas no mundo inteiro não recomendam.

Em resumo: investir no índice pode até ser buy and hold, mas é investimento passivo.

Justificativa racional 2: Não se pode ignorar a história.

No livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios”, é discutido, do ponto de vista macroeconômico e comportamental, o fenômeno japonês.

A pessoa que busca alardear um eventual risco de o fenômeno Nikkei 225 se repetir no Brasil, por exemplo, não conhece as condições únicas que envolveram essa queda de 60% em mais de 20 anos.

Há uma conjunção de decisões macroeconômicas, muitas induzidas pelos EUA, que formaram aquela bolha impressionante. O P/L médio do bolsa japonesa bateu 70 no final da década de 1980.

Os japoneses sentiram durante alguns anos um enriquecimento sem precedentes, em termos internacionais. O valor das propriedades no Japão superava e muito o valor das propriedades em outras partes do mundo. Um quarto e sala em Tóquio daria para comprar Ipanema (é só brincadeira para descontrair…, mas ainda bem que não compraram!).

Não é necessário que nos estendamos sobre isso, mas vale ler sobre o assunto, pois ficará EVIDENTE que a China, ao evitar a desvalorização abrupta do Yuan, tenta evitar cair na mesma armadilha em que o Japão caiu.

E mais uma vez, sob pressão dos EUA.

O Estudo

Planilha Índice Nikkei 1950 – 2010

Os detalhes estão na planilha acima. São muitos números, traduzidos a seguir.

Antes de partir para os resultados, é importante lembrar que bolsa é um investimento alternativo a renda fixa e a outras modalidades.

Ao se deparar com um crescimento de 4% ao ano durante 20 anos, um brasileiro iria se sentir lesado, porém um japonês veria como uma benção, pois teria 8 vezes o que ganharia se estivesse em renda fixa.

Um outro ponto é que o índice nikkei está em ienes, se fosse em dólar haveria, de 1985 até hoje, uma valorização extra de quase 400% por conta do câmbio (sem descontar a inflação). Se fosse contabilizada a valorização da moeda japonesa desde 1950 (ano inicial do estudo), essa rentabilidade seria muito maior.

Ainda assim o resultado é ruim, apesar de não ser desastroso como muitos imaginam.

Foi simulado um investimento de 10.000 ienes ao final de cada ano, de 31/12/1950 até 31/12/2010. O ano de 1950 foi escolhido por ser o início mais “confiável” em termos de banco de dados.

Entre 1950 e1989

Para aqueles que começaram de 1950 em diante e mantiveram seus investimentos até o ano de 1989 (período máximo de 39 anos), as rentabilidades foram excelentes, para padrões de países desenvolvidos.

Foram, portanto, quase 40 anos de Bull Market. Isso, inclusive, entrou no caldeirão comportamental que gerou a bolha nos ativos japoneses.

Bull Market por 40 anos??? Em casos como esse ninguém se arrisca a dizer que haverá um Bear Market.

Isso aconteceu, em menor escala, no Brasil de 1967 a 1971 e também entre 2002 e 2008. Parecia jogo de ganho certo.

Até 1995… deu!

Mesmo para quem iniciou e terminou seus investimentos entre 1950 e 1995, a situação foi bem interessante, bem melhor do que a renda fixa japonesa.

De 1995 a 2010, lamentável

Por conta de um país estagnado, sem crescimento econômico relevante. Por conta de um iene supervalorizado, o que deixa o japonês RICO em termos relativos, mas desestimula as exportações e o investimento produtivo no Japão. Os últimos 15 anos do estudo foram sofríveis para a bolsa japonesa.

Para se ter uma idéia, só ganhou quem iniciou seus investimentos entre 1950 e 1973, daí por diante só perdas.

Mas no resumo geral, não foi tão ruim.

Tendo em vista que o Japão trabalha com taxas próximas a zero na renda fixa há muitos anos, não faz sentido esperar do Nikkei rentabilidades de países em crescimento.

O pior resultado foi para quem iniciou seus investimentos em 31/12/2006 e encerrou em 31/12/2008. Estaria amargando uma perda anual de 11,04%.

Todas as outras perdas superiores a 8% também se referiam a períodos MENORES que 5 anos, o que não caracteriza longo prazo.

De todos os 1.830 resultados possíveis, houve 1.477 resultados positivos (80,7%) contra 353 resultados negativos (19,3%).

De todos os 1.830 resultados possíveis, houve 756 resultados SUPERIORES a 5% ao ano em média (41,3%) contra apenas 30 resultados com perdas superiores a 5% ao ano (1,6%).

De todos os 1.830 resultados possíveis, houve 73 resultados SUPERIORES a 10% ao ano em média (3,98%) contra apenas 3 resultados com perdas superiores a 10% ao ano (0,16%).

Last, but not least…

No Japão, como não poderia deixar de ser num país de renda fixa ZERO, a indústria de fundos tem perto de 80% de seu patrimônio investido em renda variável. No Brasil essa percentual mal chega a 15% (ver ANBID).

A bolha deixou estragos bem grandes, mas o resultado “ponto a ponto” não foi de todo ruim. Em 60 anos a bolsa saiu de 100 pontos para chegar a 10.000 pontos. Uma média de 8% ao ano. Superior até à média do Dow Jones e do S&P 500.

Na realidade, o resultado da bolsa até que foi bom, o problema é que para chegar a 10.000 pontos em 2010, ela precisou passar por 40.000 em 1989. Fui uma curva e tanto. Foi do Rio à Fortaleza por Vancouver.

E isso sem considerar a valorização do iene, que deixou os japoneses quase 4 vezes mais ricos em dólar.

A principal lição que resta do caso japonês não é “abandonar” a formação de patrimônio de longo prazo e abraçar o trade, mas sim ter consciência de que a exuberância irracional é dolorosa e tem prazo para terminar.

Os japoneses apostaram num Bull Market Forever, e também achavam normal que o terreno do palácio imperial valesse mais do que todo o estado da Califórnia.

E essa é uma crença que agrada… mas machuca muito quando a realidade se impõe.

Que o digam os lançadores de termo no mercado brasileiro entre 2007 e 2008.

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Sobre o autor ()

Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.

Comentários (10)

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  1. dimarcinho disse:

    O artigo tá legal, só não gostei do anúncio que impede de ler quase metade do início de todo o artigo!

    []s!

  2. Álvaro Guilherme disse:

    Artigo interessante. Bolsa é estratégia e também reflexão.

    No caso brasileiro, consta que após o boom de 1971 a bolsa só chegou a valor semelhante 15 anos depois, em 1986 (euforia do Plano Cruzado).

    Quando se fica rico numa moeda de referência internacional (dólar), pode ser interessante investir em outros mercados, desde que isso seja simples e possível.

    Só não entendi a parte do governo Chinês evitar a desvalorização do Yuan: Não seria o contrário (valorização)?

  3. saimon disse:

    eai fabio, conforme tenho lido seu blog muito interessante as materias sobre buy and hold, eu aplico ela, meu objetivo eh aumentar patrimonio em 10 anos ja fazem 2 anos q estou na estrategia e nao me arrependo, vejo que nesa estrategia falta explicar o seguinte detalhe: OPORTUNIDADE. USIM5,CSNA3,GGBR4,POSI3,BBAS3… entre outras estao muito abaixo do seu valor real, se é pura especulacao de mercado ou dinheiro extrangeiro saindo delas nao sei, pq o mercado no curto prazo para minha estrategia é oportunidade em determinada posicao, tenho aumentado posicao todos meses nessas empresas, empresas de excelentes fundamentos sendo empurradas para baixo. D
    Diga pra mim ai qual suas posicoes compradas nesse momento de queda ou oportunidades que voce está vendo recentemente, pois vejo as pessoas saindo da bolsa ao inves de estarem entrando, abraço belo blog!

    • Fábio Portela disse:

      Na estratégia B&H, a oportunidade é essencial. Comprar ações de boas empresas a baixos preços é fundamental. Rapaz, eu não comento muito as oportunidades do momento para evitar ser acusado de dar recomendações (o que eu não poderia fazer, já que não tenho as certificações exigidas). Mas concordo contigo que há muitas boas oportunidades no momento. De minha parte, minhas últimas compras foram Cielo, Coelce, Banco do Brasil e Eletropaulo – o que não significa, evidentemente, que as estou recomendando. Cada um decide onde investir seu dinheiro.
      Abraços,
      Fábio

  4. O texto é bem interessante, porque traz uma nova visão sobre os investimentos na bolsa. Na hora de aplicar o dinheiro, é bom avaliar todas as possibilidades e não excluir nenhuma de cara sem refletir primeiro. Esse é o problema de mitos que não entendem exatamente de investimentos, mas aplicam na bolsa de valores.

  5. HEAVY METAL disse:

    Caro Fábio,
    Vc sabe que meu patrimônio em bolsa de valores e FII não é pequeno. Estou preocupado sim com esta boataria da Europa, por melhor que as coisas estejam no Brasil. Quando a pedra rola morro abaixo, ninguém fica na frente da mesma, por mais valente que seja. Acho que o momento é de se escolher muito bem onde investir e com renda fixa acima de 11% ao ano fica difícil indicar a bolsa neste momento. Também sabemos que é nas horas de desespero que se fazem as compras de ações com uma margem de segurança. Vejo nossas ações com um preço bom no momento, mas não com uma margem de segurança como tivemos em 2008. Quem sabe onde vamos? 50.000 pontos? 45.000? Como não tenho bola de cristal, só me resta manter minha estratégia (como vc) e torcer para estar no caminho certo. Nada cai ou sobe eternamente e torcer para nossas empresas continuarem lucrativas e pagando bons dividendos.

  6. Ricardo disse:

    Fabio,
    Gostaria de fazer algumas observações antes de iniciar meus argumentos. Primeiro, quando você cita que o texto é excelente e republica em seu site, induz automaticamente o leitor a acreditar que você concorda com todo ou boa parte do texto. Partindo deste princípio quero fazer algumas observações com relação à sequencia de textos sobre o buy n hold que você sempre cita no blog.

    Quando o texto cita “Índice não é sinônimo de qualidade” e depois “O primeiro ponto é que investir no índice não é sinônimo de investir em qualidade. Normalmente se está optando por comprar ações mais negociadas, deixando de lado ações iniciantes, pagadoras de dividendos ou small caps.”. É uma opinião e argumento bem coerente, fato.

    Porem, em um antigo texto seu de nome: Aprenda a Lucrar com a Extratégia Buy n Hold, você conclue no final do texto:

    “A estratégia Buy and Hold tem um passado magnífico. Segundo Jeremy Siegel, quem investiu em ações utilizando a estratégia de segurá-las por um longo período de tempo (mais de 20 anos) bateu todos os investimentos em renda fixa no mesmo período. Ou seja, comprar e manter ações de boas empresas em sua carteira de investimentos não é apenas mais rentável, como mais seguro ao longo do tempo.”

    Logo depois você complementa:
    “Se alguém souber de estratégia alternativa à Buy and Hold com quase 200 anos de sucesso documentado, por favor me avise!”

    Oras, sua opinião parece ser tão subjetiva quanto a teoria que você tenta explicar, Neste antigo texto você cita suas conclusoes baseadas nos estudos de Siegel ( que baseou seus estudos na tese de Goetmman, que por sinal conseguiu seus resultados analisando um INDICE!!!). Sim, analisar historicamente um indice não é sinonimo de qualidade, seu antigo texto perde toda a credibilidade. Isso sem entrar nos méritos (ou não) do estudo de Siegel.

    Da mesma forma que o texto do INI perde credibilidade ao criticar um indice e logo depois fazer um estudo baseado em valores dos principais indices. O que torna o estudo todo uma grande falacia. Quando ao final cita:

    “A principal lição que resta do caso japonês não é “abandonar” a formação de patrimônio de longo prazo e abraçar o trade, mas sim ter consciência de que a exuberância irracional é dolorosa e tem prazo para terminar.”

    Você está apenas me dizendo que um japones em 1950 hoje endia teria recupado e poderia até ter ganho dinheiro se tivesse investido nas empreesas certas, mas e ai? quem iria usar o dinheiro? seus netos? Quando seria a hora de sair? A sua resposta será tão subjetiva quanto sua teoria.

    Por fim, citar que algo tem prazo para terminar e dizer que você sabe o futuro estudando apenas 50 anos de dados, quem impede que outra crise pode acontecer? O buy n hold é pífio nos argumentos. Não irei me alongar muito, pois isso é papo para um texto bem maior.

    • Fábio Portela disse:

      Prezado Ricardo,

      1) “Primeiro, quando você cita que o texto é excelente e republica em seu site, induz automaticamente o leitor a acreditar que você concorda com todo ou boa parte do texto”. De fato, concordo com boa parte do texto. Não faria sentido republicar um texto com o qual eu não concordo, não é mesmo?

      2) “Quando o texto cita ‘Índice não é sinônimo de qualidade’ e depois ‘O primeiro ponto é que investir no índice não é sinônimo de investir em qualidade. Normalmente se está optando por comprar ações mais negociadas, deixando de lado ações iniciantes, pagadoras de dividendos ou small caps’. É uma opinião e argumento bem coerente, fato. Porem, em um antigo texto seu de nome: Aprenda a Lucrar com a Extratégia Buy n Hold, você conclue no final do texto: ‘A estratégia Buy and Hold tem um passado magnífico. Segundo Jeremy Siegel, quem investiu em ações utilizando a estratégia de segurá-las por um longo período de tempo (mais de 20 anos) bateu todos os investimentos em renda fixa no mesmo período. Ou seja, comprar e manter ações de boas empresas em sua carteira de investimentos não é apenas mais rentável, como mais seguro ao longo do tempo.’”

      Não há contradição entre uma assertiva e outra. O livro do Siegel mostra como a estratégia de comprar ações e segurá-la por períodos tão longos quanto 20 anos tem mostrado grande força na história. Mas isso não significa – como já mostrei em vários artigos – que comprar quotas de um fundo que replique um índice é uma excelente estratégia em qualquer momento. No caso japonês, não faria nenhum sentido do ponto de vista fundamentalista comprar ações quando o mercado como um todo apresentava um P/L de 70, 80. Isso seria uma receita para o desastre! A estratégia Buy and hold exige que o investidor compre boas ações (ou um índice), mas fique atento a seus investimentos. Comprar ações em um mercado supervalorizado é receita para desastre.

      3) “Logo depois você complementa: ‘Se alguém souber de estratégia alternativa à Buy and Hold com quase 200 anos de sucesso documentado, por favor me avise!’
      Oras, sua opinião parece ser tão subjetiva quanto a teoria que você tenta explicar, Neste antigo texto você cita suas conclusoes baseadas nos estudos de Siegel ( que baseou seus estudos na tese de Goetmman, que por sinal conseguiu seus resultados analisando um INDICE!!!). Sim, analisar historicamente um indice não é sinonimo de qualidade, seu antigo texto perde toda a credibilidade. Isso sem entrar nos méritos (ou não) do estudo de Siegel.”

      Isso não foi uma opinião, mas um convite a que algum dos meus leitores trouxesse uma estratégia comprovadamente superior à Buy and Hold nos últimos 200 anos. E você não apresentou nada.

      4) “Da mesma forma que o texto do INI perde credibilidade ao criticar um indice e logo depois fazer um estudo baseado em valores dos principais indices. O que torna o estudo todo uma grande falacia. Quando ao final cita:’A principal lição que resta do caso japonês não é “abandonar” a formação de patrimônio de longo prazo e abraçar o trade, mas sim ter consciência de que a exuberância irracional é dolorosa e tem prazo para terminar.’

      Você está apenas me dizendo que um japones em 1950 hoje endia teria recupado e poderia até ter ganho dinheiro se tivesse investido nas empreesas certas, mas e ai? quem iria usar o dinheiro? seus netos? Quando seria a hora de sair? A sua resposta será tão subjetiva quanto sua teoria.”

      A hora de sair? Talvez, nenhuma hora. Um japonês que tivesse comprado ações em 1950 e as continuasse comprando, provavelmente estaria recebendo tanto dinheiro na forma de dividendos que provavelmente não teria que ter vendido nenhuma ação ao longo do tempo. Minha ideia é justamente essa: continuar a comprar ações até que, em algum momento, os dividendos possam me sustentar sem que eu tenha que vendê-las. Vender, só se não fizer sentido mantê-la na carteira – como rege a boa e velha cartilha da estratégia Buy and Hold.

      “Por fim, citar que algo tem prazo para terminar e dizer que você sabe o futuro estudando apenas 50 anos de dados, quem impede que outra crise pode acontecer? O buy n hold é pífio nos argumentos. Não irei me alongar muito, pois isso é papo para um texto bem maior.”

      50 anos de dados? Saber o futuro? O estudo de Siegel vai até 200 anos atrás… o estudo do INI vai até 50 anos, pro caso japonês. E daí? Você tem algum estudo em análise técnica que vá até tão atrás? A maioria dos que vejo mal passa de 1 ano. Se o Buy and Hold é pífio nos argumentos, como você afirma, outras estratégias mal usam qualquer argumento em seu reforço. Aliás, até aqui você não trouxe qualquer argumento em favor de outra estratégia.

      Um abraço,
      Fábio

  7. Caro Fábio,

    Parabéns pelo artigo. O tema Buy and Hold sempre trará muita emoção para o debate. Os apaixonados pela estratégia defenderão ardorosamente, enquanto os descrentes irão atacá-la de todos os lados.

    Na minha humilde opinião, não existe a estratégia boa e a estratégia ruim. Existe a estratégia adequada para cada investidor.

    O Buy and Hold pode ser interessante para quem quer investir em renda variável, mas não tem tempo para acompanhar o sobe e desce das cotações, ou não tem conhecimento e informação para operações mais arriscadas de curto prazo.

    Quanto ao índice, permita-me discordar um pouco de você. O índices de bolsa nada mais são do que a coletânia de ativos. O Ibovespa, especificamente, das ações mais negociadas na bolsa brasileira. Sua composição muda a cada três meses para refletir a liquidez dos papéis.

    Ao comprar o índice, seja através de um fundo, seja através de um ETF, seja através de uma carteira de ações que replique os resultados do Ibovespa, você acaba adquirindo um rendimento e um risco médio do mercado. Estará “carregando” o risco sistemático. Nesse caso a diversificação trabalhará a favor, reduzindo o risco.

    Ao escolher um ativo específico, você estará carregando todo o risco de um único negócio (risco sismetático e risco não sistemático). Claro que a rentabilidade pode ser proporcional ao risco. Mas caberia a um investidor individual, não expert, correr tal risco?

    Lembro que empresas como Paranapanema, Telebrás, Sharp, Net, entre outras, já foram as queridinhas do Ibovespa. Buy and Hold com elas não deve ter sido nada agradável. Enquanto isso, o buy and hold com índice…

    Espero ter contribuido para o debate. Mais uma vez, parabéns pelo artigo.

    Se me permite, gostaria de citar dois artigos do Blog ABC do Dinheiro, correlacionados com o tema:

    Ações e o “longo prazo”. Ou: “Buy and Hold” ou “Buy and Hope”?
    http://www.abcdodinheiro.com.br/2011/01/acoes-e-o-longo-prazo.html

    Por que diversificar. Ou: devo colocar todos os ovos na mesma cesta?
    http://www.abcdodinheiro.com.br/2011/01/por-que-diversificar-ou-devo-colocar-os.html

    Abraços,

    Flávio Girão Guimarães
    ABC do Dinheiro

  8. Marcos Vinicius Goulart disse:

    No Brasil quem está usando o Buy and Hold está ganhando dinheiro.

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