Ações em baixa… o que fazer?

20 de junho de 201113 comentários

As ações estão em baixa. Desde o início do ano, o Ibovespa caiu 12,72% até o fechamento da sessão do dia 14/06. Mas o que o investidor de longo prazo deve fazer? Abandonar o barco e partir para portos mais seguros nos próximos meses? Aproveitar que a Selic está aumentando e investir em fundos de renda fixa ou em títulos do Tesouro Direto? Ou continuar a apostar nas ações, na expectativa de que elas se recuperem?

Por que as ações estão caindo?

Benjamin Graham dizia que, “no curto prazo, os mercados funcionam com uma máquina de contagem de votos, mas no longo prazo os mercados comportam-se como uma balança”. Ou seja, o comportamento do mercado de ações, no curto prazo, é extremamente imprevisível, pois depende das impressões dos formadores de opinião dos mercados. Se eles acham que o mundo vai acabar amanhã, os mercados despencam; se acreditam que o céu é o limite para os preços das ações, os preços sobem sem qualquer lastro na realidade.

Apesar disso, os mercados estão bastante preocupados, e com relativa razão. Aparentemente, as previsões de Nouriel Roubini estão se confirmando: no fim do ano passado, quando a economia americana parecia estar começando a se recuperar da crise, ele já alertava que, provavelmente, a recuperação econômica ocorreria em “W”. Ou seja, haveria uma pequena recuperação, acompanhada de novo declínio econômico. É o que parece estar acontecendo: a atividade econômica americana está em queda, e sem sinais aparentes de que as coisas se recuperarão no curto prazo.

Além disso, os mercados ainda estão preocupados com o déficit público em vários países, como os próprios Estados Unidos (que superaram o teto de seu endividamento nos últimos dias), Espanha, Portugal, Irlanda e Grécia. A falta de controle nas contas públicas aumenta as chances de que esses países simplesmente deixem de pagar suas dívidas. Por enquanto, a pior situação é a da Grécia, que tem recorrido a empréstimos internacionais para honrar suas dívidas – ou seja, pagando-as com mais dívida. São necessárias reformas econômicas importantes, mas até agora pouco foi feito, e o mesmo ocorre nos demais países.

Além disso, no tocante ao Brasil, muitos consideram que estamos vivendo uma bolha de crédito, causada pela redução na taxa de juros (em movimento que está se invertendo nesse ano) e pela facilitação do acesso ao crédito por boa parte da população. Outros apontam também que estamos vivendo uma bolha cambial, causada pela valorização excessiva do real em relação a outras moedas do mundo, em decorrência do acúmulo expressivo de reservas internacionais. Nossas reservas estão aumentando porque estrangeiros estão investindo no país, e não por conta do superávit nas transações de bens e serviços para o exterior. Isso não seria um problema se esse investimento fosse de longo prazo, mas a maioria do capital que está ingressando é de curto prazo (compra de ações e títulos de renda fixa, por exemplo). Se esse capital decidir que há oportunidades melhores em outros lugares, pode bater em retirada do país, levando ao colapso.

Todos esses fatores, em maior ou menor grau, estão levando à desconfiança com relação a nosso mercado de ações, que tem despencado apesar de as empresas estarem apresentando bons resultados operacionais esse ano. Veja a evolução do Ibovespa em 2010:

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O que o investidor em ações deve fazer?

Se ele investe pensando no longo prazo, deve continuar a seguir sua estratégia – especialmente, se ela envolve algum mecanismo de asset allocation. Ou seja, se você diversifica seus investimentos em várias classes de ativos (renda fixa, ações, imóveis, etc.), dificilmente terá com o que se preocupar. A diversificação serve justamente para possibilitar que você possa comprar mais baratos os ativos que mais se depreciarem em algum período. Se as ações caírem ainda mais – e existe essa possibilidade -, é bem provável que você poderá adquiri-las a preços bem razoáveis para o longo prazo.

Os setores que têm sido mais afetados são os de commodities metálicas. A cotação das ações da Gerdau, por exemplo (GGBR4), caíram mais de 30% em 2011, seguidas por Usiminas (USIM5), com queda de 30,46% e CSN (CSNA3), que caíram 24,65%.

Mas, se você acredita na recuperação da economia mundial no longo prazo, pode ser que essas quedas representem uma oportunidade de investimento nessas empresas. Comprar aos poucos e de maneira diversificada leva à redução no preço médio, significando lucro maior no futuro. Mas, para isso, é preciso ter uma visão de longo prazo e estudar muito as empresas em que se investe. O pior também pode acontecer com empresas de um setor cíclico como é o da siderurgia, e é importante estar preparado para isso.

Outra estratégia que pode ser adotada caso você esteja extremamente preocupado com a situação atual é a redução gradual de sua posição em ações. Venda aos poucos para evitar perder dinheiro caso haja uma recuperação temporária, e não deixe de ter uma porção de seu capital em ações. Ninguém sabe quando a recuperação poderá vir (daqui a 1 mês? 6 meses? 1 ano? 5 anos?), mas estou certo de que ela virá em algum momento, e quem estiver fora do mercado terá perdido uma oportunidade de estar investido em ações.

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Você deve estar achando que estou fugindo da resposta à pergunta. Não estou: apenas tracei respostas diferentes para perfis diferentes de investidor. De minha parte, o que estou fazendo é seguir meu primeiro conselho. Compro um pouco de ações a cada mês, e também tenho uma parte de minhas economias em renda fixa, preparada para comprar mais ações caso novas baixas expressivas aconteçam.

Confesso que uma pontinha de mim está torcendo para que os preços voltem aos níveis de novembro de 2008, quando Ibovespa estava na casa dos 30.000 pontos. Seria uma excelente oportunidade de comprar novas ações a bons preços…

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Sobre o autor ()

Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.

Comentários (13)

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  1. Ações em baixa… o que fazer? : Link Mundial | 24 de junho de 2011
  2. A carteira de investimentos em setembro de 2011 | 3 de outubro de 2011
  1. pedro juan disse:

    Mais um post primoroso,Fábio. AS crises econômicas são parte do capitalismo, sempre ocorrerão, e já vem acontecendo há mais de 800 anos …..

    PAra o pequeno investidor é preciso conhecimento e estratégia para investir durante as crises. Ao estar preparado é possível fazer preço médio e ainda lucrar com ativos subvalorizados, p/vp baixo. Nesse caso uma estratégia de alocação é de suma importância.

    Não se trata de ter medo das bolhas e crises e sim estar com dinheiro na renda fixa como se fosse munição a ser usada na hora da caça.

  2. shannon disse:

    “Pontinha torcendo”? Eu ficaria eufórico se o Ibov chegasse a 30 mil pontos de novo! Se continuar caindo assim está ótimo, continuo comprando periodicamente.

  3. Olá Fábio,

    Nos ultimos tempos vc vem sempre sugerindo o investimento em ações e falando que estamos em uma bolha imobiliária e que os imóveis iriam cair. No último ano porem ganhei 30% com imóveis e as ações só caem…

    Até concordo que os imóveis estão caros, mas não chamaria de bolha e nem acho que vai haver uma grande queda; contudo se houver, vai arrastar todo o mercado de ações junto.

    Isto não é uma crítica; apenas para mostrar como é dificil prever cenários futuros.

    Abs

    • Fábio Portela disse:

      Prezado Investimentos e Finanças,

      Eu não trabalho com previsões. Não tenho a menor pretensão de adivinhar o que irá acontecer nos próximos 12 meses ou no ano que vem. Pode ser que os imóveis tenham seu valor aumentado em 50% e que as ações caiam 70%, ou pode ser que o contrário ocorra. O que eu analiso são as circunstâncias e os indicadores atuais, que, conforme as premissas que adotei, indicam que as ações estão baratas (o índice P/L está na faixa dos 9, o que é bastante razoável), e que os imóveis estão caríssimos (com um yield próximo a 3% em várias cidades brasileiras, quando o normal anda na casa dos 6%). E isso é apenas um indicador. Como já indiquei em outros lugares, já há várias pessoas importantes apostando na hipótese de bolha no mercado imobiliário no Brasil, como o próprio Robert Schiller, que em 2003 foi um dos primeiros a falar em bolha no mercado imobiliário americano. Semana passada também saiu uma matéria no Financial Times sobre o assunto.

      Quando falo em investimento em ações, falo, desde o meu primeiro post, em investir para o longo prazo – daqui a 20 ou 30 anos, e reinvestir dividendos. Portanto, não me importo com o desempenho do mercado no curtíssimo prazo.

      Um abraço,
      Fábio

  4. Gustavo disse:

    Para mim a crise de 2008 foi muito didática. Eu errei e vendi grande parte da minha carteira, ao invés de comprar mais.

    Se vier nova crise, já aprendi a lição. Vou comprar mais, mas claro que aos poucos e diversificando.

  5. pedrojuan.rj disse:

    A grande maioria dos investidores pensa somente no curtíssimo prazo, eles não se imaginam com as mesmas ações por 3 , 4 , 5 anos. E infelizmente , isso é um erro, pois como a bolsa é volátil aqueles que não tem estratégia de longo prazo sofrem mais ….

    Os grandes ganhadores da bolsa souberam comprar bastante nos tempos de baixa.Como um agricultor que planta e espera 4 anos para a primeira colheita…

  6. dimarcinho disse:

    Na verdade, eu queria que o poço viesse só quando meu capital estiver maior… caindo agora, eu iria só ver mais uma oportunidade passar sem poder fazer muita coisa!

    Quando se trata de dinheiro, as pessoas costumam ser pessimistas, a não ser que estejam cegas pela ganância.

    Creio que o momento é muito bom, empresas com vários planos de expansão e lucros só crescendo…

    O mercado é ineficiente.

  7. pedrojuan disse:

    As crises sempre vão aparecer por isso ter 30% do capital em renda fixa, como faz Buffet, é algo imprescindível. Esse dinheiro rápido serve para ser usado nas pechinchas.

    Quando boa parte do mercado estiver com p/vp bem baixo o investidor de longo prazo vai ter muitos problemas para escolher tantas coisas boas e baratas…

  8. James Nascimento disse:

    O mercado realmente não é eficaz, o desempenho das empresas continua bom e os preços das ações caem…talvez com o próximo balanço trimestral a coisa mude um pouco.

  9. Muito bom o artigo , ou melhor os artigos sobre investir a longo prazo e alocação de ativos, que estão mudando a minha forma de investir . A partir do mês que vem entro definitivamente na alocação de ativos para o longo prazo e já estou selecionando as minhas ações de forma a aproveitar algumas da carteira.

    Parabéns pelos posts e sucesso.
    Faz um ano que invisto e vc me aconselhou no início a parar com a compra e venda no curto prazo e só agora percebi a importância da alocação de ativos.
    abços

    ITM

  10. Marcos Vinicius Goulart disse:

    Tomará que vá logo para 29.000 pontos.
    :D

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