Relação entre renda per capita e preço dos imóveis também indica bolha…
Comovido pela crítica do mercado imobiliário de Brasília aos artigos publicados nos mais diversos blogs da cidade, que têm adotado uma postura cética quanto à manutenção do crescimento dos preços dos imóveis da cidade, resolvi fazer mais um pequeno estudo sobre a situação. Parti de um pressuposto óbvio: os preços do mercado imobiliário devem ser compatíveis com a renda média da população.
Se os preços estiverem muito acima do que seria razoável esperar, quando comparado com a renda da população, as pessoas não teriam dinheiro para adquirir o imóvel. Portanto, nessa situação, a demanda seria muito inferior à oferta, o que levaria a uma queda nos preços para reequilibrar a situação.
Pois bem: partindo dessa premissa – que me parece razoável, e é bem simples -, fiz um estudo comparativo da situação da capital brasileira com relação a imóveis similares em algumas cidades norteamericanas. Para fixar um parâmetro, busquei o preço médio de um apartamento de 3 quartos localizado no Plano Piloto em Brasília, a partir do preço médio de unidades com estas características nas Asas Sul e Norte, no excelente site Quanto Vale meu apê?, organizado e mantido pelos nossos parceiros da Odds & Actions. O valor indicado é o de R$ 655.357,00 (a média na Asa Sul é de R$ 674.958,00 e, na Asa Norte, R$ 635.756,00).
Tendo esse valor em mãos, pesquisei a renda per capita do Plano Piloto (na falta de dados mais confiáveis, utilizei a média de 6,8 salários mínimos por mês, indicada nessa reportagem). 6,8 salários mínimos equivalem a R$ 3.706,00, que seria, portanto, a renda per capita mensal desta região de Brasília. Anualmente, essa renda per capita seria de R$ 44.472,00. A partir daí, fiz uma continha simples: dividi o valor do imóvel (R$ 655.357,09) pela renda per capita anual (R$ 44.472,00), com o objetivo de verificar quantas vezes, na média, um imóvel de 3 quartos é superior à renda média da população. Fazendo as continhas, cheguei ao valor de 14,74.
Como esse valor, por si só, não diz nada, é importante estabelecer um parâmetro de comparação. Com esses dados em mãos, busquei, no site Trulia, que reúne estatísticas valiosas sobre os imóveis norteamericanos, o quanto custaria um apartamento similar em algumas cidades nos Estados Unidos. Escolhi as cidades de Washington, Orlando, Miami, Seattle e Las Vegas. Originalmente, eu havia escolhido também Nova Iorque, mas não havia dados sobre a cidade no site em questão. E, para estabelecer um parâmetro de comparação, escolhi os valores dos anos de 2006 e de 2011. Por que 2006? Por ser um ano em que o mercado norteamericano estava extremamente valorizado, antes da crise eclodir. Além disso, colhi dados sobre a renda per capita em cada uma destas cidades no site Bureau of Economic Analysis, que reúne dados governamentais sobre a economia do país.
Segue o banco de dados relativos a 2011:

Como você pode observar, o índice de Brasília é muito, muito superior aos índices observados nas cidades norteamericanas. Um imóvel de 3 quartos custa, na capital da República, quase 15 vezes mais que a renda per capita anual da população do Plano Piloto (veja bem: eu usei a renda per capita do Plano Piloto, não a do Distrito Federal como um todo). Em Orlando, essa relação é de apenas 2,66, e em Seattle, a mais “cara” das cidades pesquisadas, o índice está abaixo da metade da relação de Brasília. Em Washington, cidade que, por girar em torno do centro administrativo do país, tem características mais próximas a Brasília, o índice gira em torno de 6,14.
Essa é a situação de hoje, depois da crise que devastou a economia do país. E em 2006, como eram as coisas?

Como o leitor pode ver, nem em 2006 a relação entre o preço médio de uma unidade de 3 quartos e a renda per capita anual da população das cidades pesquisadas era sequer próxima da vista em Brasília. Na cidade em que o índice era o mais elevado – Seattle -, o índice beirava 9. Em Brasília, ele está bem próximo de 15, 67% superior!
E, veja bem: estamos comparando um país com taxa de juros altas e regras relativamente rígidas para obter financiamento imobiliário (o Brasil) com um país que concedia crédito imobiliário para pessoas que nem precisavam comprovar renda, e que tinham a sua disposição linhas de crédito com juros absurdamente baixos! Ou seja, se ambos os países estivessem em condições iguais de juros e de facilidade de financiamento, provavelmente os preços de Brasília estariam ainda mais estratosféricos!
O que concluir disso tudo? De minha parte, não vejo como não concluir que o atual patamar dos preços está excessivamente alto. Muitos crêem que a situação do Brasil (e de Brasília) é peculiar, e que não acontecerá nada perto do que aconteceu nos Estados Unidos (ou está acontecendo na Irlanda e na Espanha).
De minha parte, ponho as barbas de molho. Afinal, como dizia o grande investidor John Templeton, as quatro palavras mais perigosas no mundo dos investimentos são: desta vez é diferente!

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Sobre o autor (Perfil do autor)
Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.Comentários (52)
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Sites que remetem a esse artigo
- O pequeno investidor » Economista Ricardo Amorim não acredita em bolha imobiliária no Brasil | 6 de fevereiro de 2012





Gostou da citação do Templeton, né? Mais um ótimo artigo. Comparações com outras cidades/países são ótimas para ajudar na análise do nosso mercado.
Flavio, gosto da citação do Templeton, que eu já conhecia, mas vc me lembrou. Valeu!!
PARABÉNS . ÓTIMO ARTIGO.
ANÁLISE CORRETA E DE FÁCIL ENTENDIMENTO.
Interessante a argumentação, visto que podemos observar a presença e ou crescimento da bolha com várias comparações. Acredito muito na existência da Bolha, por origem especulativas. Mas para o Brasil não acredito no estouro e sim no “furinho” seguido de várias formas de remediar. O que ocorreu nos EUA, foi devido a concessão de créditos sem lastro, sem garantias reais. No Brasil, para todo consumidor, independente da classe e renda, é oferecido um pacote adequado com garantias reais e adequadas. Mas é real o crescimento dos imóveis comparados a outros indicadores, isto é sem dúvidas.
Fábio
Acho que as cidades abordadas no seu estudo deveriam ser: Rio de Janeiro, Nova York, Madri, Paris, Tokio, Shangai.Por que não? Talvez acessar os dados seja mais difícel, mas são cidades com mercado mais efervescentes e portanto mais significativos.
Porque eu quis fazer um efeito comparativo entre o antes e o depois de um país que passou por uma bolha.
fabio,
não poderia estender esse estudo para todo o país?
Poxa, pegue os dados de renda percapita e dos preços médios dos imóveis e calcule, ainda assim acredito que no Brasil estará em um nível mais alto. Quando a comparar com a Europa eu não acho correto, nosso mercado é mais parecido com o norte americano.
Muito bacana o estudo. Quando eu tiver tempo, vou pesquisar estes dados em Londres e San Francisco, duas das cidades ditas mais caras do mundo. E também Buenos Aires, somente a título de curiosidade.
Eu achei muito baixo este valor que você considerou como renda per capita para o plano piloto. O correto não seria colocar a renda da família? Além disso, R$ 3.700 mensal é muito pouco para o plano piloto. Quem trabalha no executivo, em início de carreira, com nível superior, já ganha mais do que os R$ 3.700,00, ou seja, a carreira de nível superior que tem o salário mais baixo da esplanada ganha mais do que você mencionou. A maioria das pessoas que conheço no plano tem uma renda familiar de R$ 15.000,00, alguns poucos tem renda de $ 20.000,00 e alguns gatos pingados tem renda de R$ 30.000,00 ou superior.
Só para conhecimento: analista do ciclo de gestão (CGU, Tesouro Nacional, Banco Central, Gestores e Diplomatas) ganham R$ 13.000,00 de inicial; um auditor da receita ou do TCU ganha um inicial de R$ 14.000,00; um advogado da união, defensor público, delegado ou promotor ganha inicial de 15.000,00; analista do Senado/Camara ganha inicial de R$ 18.000,00 e consultor inicial de R$ 22.000,00; analista de tribunal ganha R$ 7.500 inicial (isso porque estão sem aumento faz muito tempo); magistratura ganha mais de R$ 22.000,00 inicial; nível superior de agência reguladora inicial de R$ 10.500,00.
Também achei baixo o valor do imóvel que você considerou, pois um apartamento de 100 metros quadrados no plano está num valor de aproximadamente R$ 750.000,00.
Eu utilizei a renda per capita tanto pra Brasilia quanto pros EUA, ou seja, o critério de comparação é o mesmo!
De onde você tirou 6,8 salários mínimos para o plano piloto? Nos EUA vc também comparou com uma renda per capita de 6,8 salários mínimos?
Sinceramente, vc acha que alguém com renda bruta de 3.700 mora no plano? Só se for em apartamento de um quarto, solteiro e não paga aluguel.
Observador,
1) Como informado no texto, tirei a renda per capita do Plano Piloto de uma matéria jornalística (link: http://congressoemfoco.uol.com.br/noticia.asp?cod_canal=1&cod_publicacao=36660). Reconheço que não é a melhor fonte, mas não encontrei em outro lugar dados específicos sobre a renda per capita do Plano Piloto. Veja bem, não é culpa minha que nossos órgãos governamentais não informem isso com maior publicidade. Se você tiver dados específicos, por favor, me informe, e eu terei a maior boa vontade para recalcular tudo. Nos EUA, eu não poderia comparar com a renda per capita de 6,8 salários mínimos, mas com a renda per capita informada pelo próprio governo! Afinal, 6.8 salários mínimos é a realidade de Brasília (segundo o dado coletado), e não a das cidades americanas.
2) A renda per capita é a divisão da renda total pelo número de habitantes, o que inclui muita gente que não trabalha. Se um juiz que ganhe R$ 20.000 por mês viver com uma esposa que não trabalhe e tiver um filho com 18 anos de idade que também não trabalhe, a renda média anual da família será de R$ 80.000,00. Por outro lado, se o marido ganhar R$ 10.000,00, a esposa R$ 10.000,00 e tiverem dois filhos que não trabalhem, a renda média anual per capita será de R$ 60.000,00. E existem muitas pessoas que vivem no Plano, em regiões com renda menor (as 400 das asa sul e norte, por exemplo), o que também diminui a renda média mensal da população. No fim das contas, acaba levando pros R$ 45.000, que é uma renda média bastante elevada. Mas não se preocupe: esse efeito também afeta os EUA, portanto não afeta o cálculo estatisticamente.
A propósito, quanto ao valor médio de um apto de 3 quartos, eu tirei a média de um site (indicado no texto) que extrai os dados a partir de TODOS os apartamentos com aquelas características no Plano Piloto e que estão anunciados no site WImóveis. Ou seja, a base estatística é relevante.
Fábio, já viu Inside Job?
http://www.outraspalavras.net/2011/03/16/inside-job-e-as-entranhas-do-capitalismo/
Será que a culpa é da desregulação?
Opa, Fabio! AInda não o vi, mas já havia ouvido falar. Vou assistir!!
Fábio, depois de tê-lo obrigado a ler alguns textos meus enquanto eu era aluno de História do Direito e você meu monitor, resolvi, há alguns meses, incluir o seu blog na minha lista de favoritos e sempre que posso dou uma lida nos posts, sobretudo aqueles relacionados ao preços dos imóveis na ilha da fantasia brasiliense.
Desta vez, no entanto, algumas coisas não ficaram muito claras pra mim no que concerne aos dados estatísticos. Numa busca simples no google verifiquei que cerca de 44 mil reais é a renda per capita de Brasília. Considerando isso, creio que seja necessário utilizar na aferição da média dos preços dos apartamentos do DF não apenas do plano piloto (região mais nobre), mas também das cidades satélites, inequivocamente incluídas no cálculo da renda per capita.
Faço essa observação crendo que a conclusão baseada na eventual retificação do cálculo não será muito diferente, mas imagino que o resultado da divisáo do valor do ap pela renda per capita seria bem inferior ao informado no artigo tal como escrito até o momento.
Concluo salientando que as premissas do cálculo são ótimas e já solicito, na qualidade de leitor assíduo do blog, uma abordagem sobre como o aumento da inflação – já percebido – pode fazer com que a bolha esvazie aos poucos e não estoure de vez.
Em outras palavras,aposto, infelizmente, que o valor nominal dos imóveis tende a ficar estagnado, enquanto a inflação geral crescerá junto com os preços dos aluguéis aumentam (igpm de 11%! em 2010) e a relação entre o valor do bem e o respecitvo aluguel fica “melhorzinha”.
Manoel,
Que bom ter um ex-colega de faculdade como assíduo leitor do meu blog! Espero que eu não esteja falando muita bobagem por aqui. :-)
Pois é: como eu disse no comentário anterior ao Observador, há poucos dados (bem ao contrário dos EUA, onde há MUITOS dados confiáveis). Mas, se pegarmos uma renda per capita média 50% superior, de R$ 65.000,00 por ano, teríamos ainda assim um índice próximo a 10, o que ainda é mais alto do que em todas as cidades americanas ANTES da crise de 2008. Acho que, por aí, já se vê que os preços estão altos mesmo considerando uma renda média superior.
Quanto à inflação, concordo contigo. Pode acontecer de os preços se estagnarem e a inflação os ajustar para levar aos patamares “ideais”. Isso aconteceu ao longo, por exemplo, da década de 1990. Lembro bem que meu pai comprou uma casa por US$ 100.000,00 (em dólares mesmo, já que ninguém sabia avaliar nada em cruzeiro real) em 1992 que, em 2000, estava valendo aproximadamente o mesmo. Em reais, a casa até havia se “valorizado” em termos nominais, mas, na prática, a inflação corroeu o valor dela. Disso ninguém lembra, não é mesmo? Mas, no fundo, foi um exemplo do que você afirmou. Só que, mesmo que isso aconteça, terá havido uma bolha (estourada pela inflação, não por um crash). Uma bolha não é definida pela forma como estoura, mas pelo fato de os preços de um ativo se elevarem além do justificado pelos fundamentos. Às vezes elas estouram com um crash, às vezes os preços se ajustam pela inflação, ou às vezes as taxas de rentabilidade diminuem agudamente ao longo dos anos, sem que os preços caiam: mas, em qualquer das hipóteses, quem investiu no momento errado terá prejuízo, considerando-se investimentos alternativos. O problema é que, na hipótese da inflação corroer o valor do imóvel, ou de a rentabilidade dos mesmos caírem bastante, a maioria das pessoas achará que ainda está ganhando dinheiro – e dirão que minha análise é equivocada. Mas vamos em frente, que só a história poderá dizer quem tem razão.
O Manoel tem razão Fábio, vc considerou a renda per capita de Brasília, ou seja, juntou os que ganham muito com os que não ganham nada e no final obteve a renda média per capita. Mas na hora de comparar com o valor do imóvel, vc pegou apenas a região mais nobre da cidade, ou seja, o preço médio do setor mais caro de Brasília. Sendo que em outras regiões de Brasília o imóvel do mesmo tamanho pode custar até uns R$ 200 mil, numa cidade satélite, por exemplo.
Já os dados dos EUA, vc deve ter pego a média do valor do imóvel de cada cidade e não o bairro mais nobre como Brasília. Duvido que as moradias de um bairro nobre em Orlando, Miami e Las Vegas tenham o valor médio próximo de US$ 100 mil. Este valor deve ser a média da cidade.
Dessa forma, a média de Brasília cairia fácil para uns R$ 300 mil, já que vc apenas tirou o preço médio do setor mais nobre da cidade.
Como eu disse, Observador, mesmo que eu utilizasse uma média salarial 50% superior à que eu usei, o índice ainda estaria na casa dos 10, bem acima daquelas cidades. Além disso, eu comparei, naquelas cidades, o valor médio dos imóveis em toda a região metropolitana, e o valor médio da renda per capita de toda a população, o que permite um olhar estatístico adequado.
Ele não entendeu que uma estatística comparativa em todos os aspectos.
Pra bom entendedor, meio palavra bas.
Concordo com sua opinião, mas creio que os preços devem se ajustar e tenderem a ficar estáticos. A questão é o preço dos imóveis cresce com a renda da população (um dos fatores). Agora, para sustentar esses preços, a renda deveria crescer no mesmo ritmo, o que é beeeeeeeem difícil, num país no Brasil onde não nem energia elétrica suficiente pra crescer 8%a.a….
[]s!
Concordo com Observador. Os numeros de renda para o plano piloto sao bem maiores que os mencionados no artigo.
Uma melhor compracao tambem seria com a India e nao com os EUA. No EUA existem varias opcoes de moradia razoavel. Ja na India como no Brasil sao poucos os lugares, a nivel de bairro, realmente boms para se morrar. Na India esses lugares sao bem mais caros que lugares semelhantes nos EUA.
Além disso, entendo que o patamar de R$ 60.000 estaria adequado ainda que se comparasse com Washington, que tem uma renda média de US$ 56.000 (ou uns R$ 89.000). A não ser que você ache que o Plano Piloto tem uma renda per capita superior à capital americana…
Fábio vc esta certo !!! Mesmo que utilizemos a renda percapta de washington ainda teremos uma relação um pouco maior que 7. Mas se tem gente que acha que a renda percapta do plano piloto DF eh maior que a do DC……. Me fala, pois vou aumentar o valor que cobro pelo meu suado trabalho.
Fábio, uma sugestão:
Eu também já cansei de tentar obter dados estatísticos confiáveis sobre Brasília ou Distrito Federal. Percebo que, quando pretendem divulgar qualquer informação “do bem” (quase sempre com cunho político), a amostra da pesquisa restringe-se ao Plano Piloto, quando muito contendo os Lagos Sul e Norte, e divulga-se aos sete ventos que a “educação do DF é a melhor do país” e outros absurdos, deturpando a relação do universo e amostra da pesquisa com o que é divulgado.
Por outro lado, quando querem publicar qualquer coisa “do mal” (também quase sempre com cunho político), a amostra da pesquisa engloba o DF, de preferência as satélites mais miseráveis, e aí o resultado vai do céu ao inferno em questão de segundos. É muito difícil obter uma foto concisa, quer seja somente do Plano Piloto ou do DF inteiro.
Até o próprio IBGE tem dificuldades em delimitar as fronteiras dos universos de amostras do DF. No último censo, de 2010, o IBGE utiliza-se de poligonais diferentes das regiões administrativas, muitas vezes juntando umas com as outras. Quando eu achar o link da notícia te passo.
Achei muito legal esta nova abordagem, é é interessantíssima ser extendida para outras capitais, principalmente para São Paulo e Rio. Entretanto, aconselho ter todo o cuidado quando for obter informações sobre o DF, quer seja da renda ou do valor dos imóveis, para que tenhamos o mesmo denominador comum e um resultado mais real.
Para os desavisados: acho bastante plausível a renda do DF ser em torno de R$ 3.700,00 ao mês. Uma família de 4 pessoas com renda de 15 mil ao mês (digamos, um belo salário) vai ter renda per capita de 3,75 mil. Isso é numérico, é matemático, independente de termos pouquíssimos que ganham super$$alários. E, sim, tem gente que mora no Plano que ganha muito menos do que isso e ainda mantém família. Onde ? Nas kits dos blocos comerciais, nas kits das quadras 700, apês das 400 e até mesmo nas quadras 100, 300 e 200 – não quer dizer que por morar num apê de quase um milhão que o sujeito ou a família vai ser ricaço, pelo contrário, a única coisa que subiu de preço foi o apê onde moram, os demais ganhos e estilo de vida continuam o mesmo. Não adianta muita coisa ter um bem desse valor e sair se gabando se ele não te traz muito usufruto.
Abraços.
O que acontece no Brasil é o que aconteceu na Espanha. E agora estamos muito mal
Faça a mesma coisa com preços de carros. E verá o quão superfucial foi essa analise.
Bolha?? Que bolha???
Vcs nunca ouviram: “…Brasília sempre foi assim…” ou ainda “…investindo em imóveis vc NUNCA perde…”?
Saiu recentemente um estudo que confirma: em São Paulo Capital, que concentra 49% das pessoas ricas do Brasil, o bairro com m2 mais caro é o Jardins, com média de R$ 8.500,00 o m2. Pois bem, no portal Exame foi feita uma reportagem com a corretora “Imóveis A”, especializada em alto padrão. A reportagem fez referência às pessoas que estão dispostas a pagar de R$ 2mi a R$ 4Mi por um imóvel. Surpresa: executivos, pessoas ligadas a bancos de investimentos e advogados de sucesso. Servidor Público??? Nada. Pois bem, aqui em Brasília, cujo índice de ricos é baixíssimo (a região centro oeste concentra apenas 1,8% dos ricos do Brasil) os imóveis no plano, de 4 quartos, são negociados em valores de R$ 1,5milhões a R$ 2 milhões, na média, com o m2 no preço daquele praticado nos Jardins! Me desculpem, mas alguma coisa está errada!! Esses dias me ofereceram um AP de 200m2, por R$ 2,8mi, localizado no Sudoeste. A minha pergunta ao corretor: quem está comprando esse imóvel?? A resposta: servidores públicos! Me desculpem, mas eu não acredito!!
concordo com você. Servidor público por mais bem que ganhe não tem como pagar 3 milhões por um imóvel. Esse preço é pra quem é empresário, etc…
Fábio, parabéns pela ideia. Sou servidora do executivo GDF e não conheço muitos que ganham assim tanto como dizem. Acredito que vivam mesmo de aparência e devendo muito. A maioria que mora no Plano Piloto, como disse uma amiga minha (mora na 107 Sul), come ovo e troca de carro todo ano para manter as aparências, porém o nome está sujo na praça e deve ao mundo, o salário já está todo comprometido, mas jamais perder a “pose” de bem sucedida. Além do que, antes (…1900 e antigamente) os aptos foram financiados a servidores com juros baixíssimos. Agora, pago pra ver quem consegue comprar um nesse preço absurdo que está, mesmo sendo servidor público. Só os políticos com os seus déc. terc., déc. quarto, déc. quinto e os por fora, claro!
Seu salario e o dobro da media nacional R 2 6 mil segundo dados do IBGE referentes a 2007.O Produto Interno Bruto per capita da regiao numero proximo ao conceito de renda tambem e o maior do pais em 2007 esse valor era de R 40 mil o triplo do restante do Brasil e quase o dobro do registrado no Estado de Sao Paulo.Essa renda porem e extremamente mal distribuida. Populacao 2 455 milhoes de habitantesPIB R 99 9 bilhoes 2007 PIB per capita R 40 6 mil 2007 Renda media mensal R 2 6 mil 2007 Analfabetismo 4 2009 Indice de GINI desigualdade 0 618Pobreza 37 7 2003 Taxa de uso do telefone celular 75 6 das pessoas 2008 Criancas fora da creche ou escola 21 97 2006 …..Postado por.Jose Carlos Batista…as.
Fábio,
No site da CODEPLAN (http://www.codeplan.df.gov.br) é possível validar suas informações a respeito da renda per capita de Brasília.
As informações de renda de Águas Claras estão bem detalhadas (http://www.codeplan.df.gov.br/sites/200/216/00000450.pdf). De acordo com essa pesquisa, a Renda Per Capita Mensal é de R$ 3.352,00 (Águas Claras Vertical) que equivale a uma renda brutal anual de R$ 40.224. O preço médio de um apartamento de 3 quartos em Águas Claras é R$400.000 (WIMOVEIS). Logo, de acordo com a sua metodologia de cálculo, tem-se um valor de 9,95 para o número de vezes, na média, que um imóvel de 3 quartos é superior a renda média da população. O valor encontrado (9,95) é inferior ao valor encontrado para Brasília, mas e superior ao valor encontrado nos Estados Unidos.
Fabio , parabéns pelo artigo muito didático.
Fico feliz por estarmos caminhando para uma democracia e neste espaço podemos discutir e debater varios pontos de vista.
No meu ponto de vista é fundamental para o sucesso do plano real o equilibio dos preços dos imóveis caso contrario teremos a já sentida inflação em grande escalada no bienio 2011/2012
Um médico , Advogado, Contador , Engenheiro, Arquitetos e outros serviços de cunho pessoais não deixarão de comprar um ou mais imóveis tampouco adiarão a compra , todavia aumentam o preço dos serviços até atingir o equilibrio do seu orçamento.
Sei que estou chovendo no molhado, mais a teoria economia no capitalismo são assim.
A solução não é facil , mais cada um nós temos que por questão de bom senso no ato da compra de qualquer tipo de bem ou produto pesquisar , buscar o melhor produto pelo menor preço.
Parabéns pelo excelente artigo.
Informativo, coerente, bem escrito. Mas sobretudo assustador.
Em Washington não há mais áreas de construção, a renda é maior que a daqui, e os preços são menores do que os da métrica adotada.
Brasília é inexplicável. Há apartamentos sendo vendidos por 2, 3 e 4 milhões PARA SERVIDORES PÚBLICOS. Apartamentos pequenos, ruins, sem nada demais. A especulação imobiliária nessa cidade está desenfreada, mas ninguém toma providência alguma. Aliás, o Paulo Octávio, Gontijo onde estão? Ninguém fala mais nada. RESUMIDAMENTE, EM BRASÍLIA NÃO HÁ RICOS COMO EM SÃO PAULO, E MESMO ASSIM OS PREÇOS SÃO MAIORES DO QUE SÃO PAULO. COMO EXPLICAR?
Quando se quer provar algo a todo custo engole-se o bom senso e coloca o desejo acima da informação.
Comparar os preços dos imóveis em brasília com qualquer lugar nos Estados Unidos é no mínimo cómico sabendo que pela recente crise econômica os mesmo sofreram uma grande correção, não significando que no patamar atual os mesmos se encontram em um “preço justo”.
Quem gere preço dos produto seja ele qual for é o mercado.
Em brasília a cada ano chegam 65 mil novos moradores o que ainda prove a demanda necessária.
E colocar a renda média no Plano piloto em 6,8 salários míninos faça-me o favor
A questão, Jean, é que eu comparei justamente os preços de Brasília com os preços americanos pouco ANTES da crise. E os preços daqui estão MUITO maiores do que os preços das cidades americanas naquela época.
E já fiz os cálculos com uma renda igual à de Washington, basta procurar nos comentários. E a conclusão é a mesma.
Fábio, desculpe-me, mas você é muito polido e educado. Dá-se ao trabalho de fazer um estudo, comparar, pesquisar, escrever, publicar, etc…..e aí vem pessoas como esse tal de Jean te responder dessa forma, sem se dá ao menos o trabalho de ter lido os post e suas respostas anteriores………..Ora se o cara acha que não tem bolha, tudo bem, agora se ele consegue explicar como pessoas com renda mensal de 10, 15 ou 20 mil não conseguem comprar um bom imóvel em Brasília, que explique então. Se eu fosse você seria mais ácido, mas claro sem perder a sua educação lordiana que já deu para perceber – não dá ficar tomando pancada desse pessoal sem argumentos e sem educação!
Kal,
Confesso que às vezes tenho vontade de responder mais acidamente a algumas intervenções. Mas não acho certo: como blogueiro, dou minha cara a tapa, dou minha opinião e não espero dos meus leitores menos do que um senso crítico com relação a meus textos. Mesmo que eu seja destratado, não me importo: não é a falta de educação dos outros que irá me fazer ser deselegante. Trato todos os meus leitores com respeito, e gostaria de ter o mesmo tratamento – mas, se não consigo, não tem problema: só posso cuidar da minha educação e da dos filhos que ainda não tenho, não da dos outros.
A compra de imóveis parece aquela estória da piscina: quem já está dentro fica sempre chamando os outros “vem que está quentinha”!
Interessante que a maioria que defendem a compra dos imóveis ou é corretor ou compra imóvel para sua própria moradia. Gostaria de saber quantos investidores ficam comprando e vendendo imóveis com o objetivo de auferir lucro. Esses, de fato, não querem concorrência no mercado deles, não é?
Fábio, não quero chover no molhado então vou apenas te parabenizar pelo artigo e pela democracia do blog. Abraços.
Obrigado, Denis!
Gostei do trabalho Fábio,
Como sugestão acredito que seria interessante você fazer uma comparação com outras cidades do Brasil, como SP e Rio.
Boa noite Fábio
O que você me diz disso, esse apartamento: http://www.wimoveis.com.br/imovel/venda-apartamento-brasilia-df-2-quartos-qrsw-08-bloco-a07-377923 na semana passada estava 450 mil, agora somente uma semana após baixou para 440 mil. Será somente o preço inflacionado que o proprietário colocou no primeiro anúncio e como tem pressa em vender tirou alguma coisa? Mas já é um indício, o que acha?
Já está R$ 425 mil !!
E agora, 420.
Muito bem Fabio. Um ano depois,finalmente voce usou meu critério de referenciar o per capita de Brasil e USA para avaliar e comparar o valor dos imoveis. O Brasil está numa brutal bolha imobiliária, com juros estratosféricos. Uma coisa que você esqueceu de citar: Nos States as residencias são metricamente infinitamente maiores e em geral são equipadas de ar condicionado central, aquecimento central, fogão, geladeira, dish washer, lavadora e secadora . Um abraço!
Desculpe a crítica, mas renda PER CAPTA de 3700 mensal no plano piloto de Brasília é Piada!!!