Probabilidade de bolha imobiliária em Brasília é alta
Pois é, leitores: não tem jeito – é difícil não estarmos vivendo uma bolha imobiliária no Distrito Federal. As estatísticas não mentem. Como tenho tentado alertar desde novembro de 2009, os preços praticados no mercado imobiliário do Distrito Federal são proibitivos, típicos de um mercado artificialmente inflado. Desde o início do ano, eu vinha tentando formular uma metodologia para acompanhar a evolução dos preços de imóveis em Brasília, bem como de sua relação com o valor pago de aluguel na capital. Publiquei meus estudos em fevereiro e em março – e muitos leitores, com razão, afirmaram que a metodologia utilizada era falha, principalmente por levar em consideração uma base de dados composta por muito poucos imóveis. Por esta razão, pensei em começar a divulgar as conclusões do índice divulgado pelo SECOVI-DF, e fiz isso ainda no mês de março.
Depois, mantive-me em silêncio. Por uma ótima razão: como anunciado ontem, tive a sorte de encontrar dois estatísticos com ideias excelentes e uma empresa com uma proposta fantástica – a Odds & Actions, baseada na premissa de que um trabalho estatístico sério não é baseado apenas na divulgação de dados, com um breve estudo, mas na análise efetiva dos dados coletados. E, a partir de agora, nossos leitores serão beneficiários diretos dessa proposta. Ontem, já divulguei o primeiro relatório produzido pela Odds & Actions sobre o mercado imobiliário local para “O Pequeno Investidor”, e hoje farei uma pequena análise de seu conteúdo. Quais as conclusões que podemos extrair?
Dados confirmam minha análise preliminar: uma bolha imobiliária está em formação
Se os leitores se lembram de minhas análises preliminares, eu parti da premissa de que uma bolha imobiliária está em formação quando a relação entre o aluguel e o preço dos imóveis é inferior a 6% ao ano. Ou seja, todos os valores pagos a título de aluguel ao longo de um ano são inferiores a 6% do valor do imóvel. Por que 6%? Porque este é o menor índice pago no mercado brasileiro para um investimento minimamente rentável, a poupança (que paga pouco mais de 6%, por causa da TR). Qualquer coisa que renda menos do que a poupança é ruim, concorda? Ainda mais que o proprietário que recebe aluguel ainda tem que pagar imposto de renda sobre o valor percebido, tem problemas com inquilinos que não pagam direito, às vezes tem que pagar reformas, e por aí vai. Pois bem. Se a relação entre o preço dos imóveis e o aluguel está muito abaixo de 6% ao ano, isso significa que os preços estão subindo muito acima do que seria sustentável, porque a renda da população não acompanha a valorização do ativo.
Outra maneira de apresentar essa relação é a partir do número 16,67. Se você dividir 100 por 6, o resultado é uma dízima periódica – 16,66666… Se você multiplicar o valor do aluguel por 16,67, o resultado da operação matemática é o preço do imóvel que seria considerado justo a partir do aluguel considerado. Se a relação entre o aluguel e o preço dos imóveis for superior a 16,67, isso significa que – desconsiderados outros fatores -, o preço do imóvel está mais valorizado do que deveria estar. Por outro lado, se a relação for muito inferior a 16,67, provavelmente o imóvel vale menos do que deveria valer. A propósito, esse índice – 16,67 – não é invenção minha, mas um indicador utilizado internacionalmente denominado Price-to-rent ratio, e que indica inclusive se é melhor alugar ou comprar um imóvel (abaixo de 16, é melhor comprar do que alugar).
Pois bem. Pelas minhas contas preliminares, em janeiro de 2011 a relação entre o aluguel e o preço médio de um imóvel em Brasília (as regiões analisadas foram Asa Norte, Asa Sul, Sudoeste, Águas Claras, Taguatinga e Guará) estava entre 27,05 e 42,42 . Em março, essa relação se estabeleceu entre 25,94 e 39,26. Uma pequena discrepância entre um resultado e outro – até esperada, dada a minha pequena base de dados, mas com uma conclusão inexorável: todos os preços médios de imóveis estavam acima de 16. Nem todos os imóveis da base apresentaram essa relação, contudo: os imóveis de 2 quartos no Sudoeste em Janeiro, por exemplo, apresentavam uma relação média de 17,95, bem próxima do ideal.
Mas o que dizem os dados de nossos novos parceiros, que compilaram uma base de dados composta por mais de 30.000 imóveis?

Essa tabela mostra bem o potencial de nossa nova parceria. Em uma única tabela, a Odds & Action estabeleceu a média mensal da relação entre o aluguel e o valor dos imóveis em Águas Claras e Brasília (dividida nas regiões Asa Norte, Asa Sul, Lago Norte e Sudoeste). E podemos verificar, desde logo, que a conclusão é parecida. Embora os dados recolhidos não mostrem situações exageradas como meus dados preliminares apontaram, com uma relação próxima a 40, é possível verificar que a relação está bem acima dos 16,67.
Para facilitar nosso trabalho, nossos parceiros criaram uma legenda cromática. Em verde, estão os imóveis que apresentam uma média mensal do indicador inferior a 20; em amarelo, aqueles com média entre 20 e 25; e em vermelho, os que apresentam média superior a 25. Como o leitor pode observar, o mapa está bem “quente”: dos 18 tipos de unidade por região avaliadas, apenas 5 (27,77%) estão abaixo de 20 – mas, mesmo assim, um pouco acima dos 16,67. Das restantes, 7 (38,88%) estão na zona amarela, que já indicam uma sobrevalorização perigosa, e 6 (33,33%) já ultrapassaram, na média, o limite do razoável. Um imóvel de 1 quarto na Asa Sul pode ser adquirido por 30,61 vezes o valor anual de seu aluguel – uma rentabilidade média de pífios 3,2%.
Bolha imobiliária em formação: é mais barato viver em Nova Iorque do que em certas regiões de Brasília
Um leitor mais esperto poderia dizer que a situação da capital é razoável. Afinal, Brasília tem poucas regiões disponíveis para a construção de imóveis (mentira deslavada que contam por aqui. Qualquer um que ande pelos arredores do Plano Piloto vê muita, muita terra disponível para ser construída), e além disso a população da cidade tem “cacife” para bancar os preços daqui.
Mas, sinceramente: você acredita realmente que é razoável que os preços de Brasília sejam maiores, na base comparativa, que os de Nova Iorque (média de 14,07 no fim do ano passado), próximos aos de Nova Jersey (23,11), e acima de Las Vegas (13,32), Miami (15,28), Phoenix (12,06) ou Los Angeles (15,96)? Realmente, a população de Brasília deve ser mais abastada que os cidadãos de algumas das cidades mais ricas do planeta…
Bolha imobiliária não está apenas em Brasília
Se você é de outra cidade na qual os preços estão extremamente elevados, também tem motivos para colocar suas barbas de molho. Ouça com atenção o excelente e responsável boletim de Mauro Halfeld a respeito da bolha imobiliária brasileira.
Arquivado em: Imóveis





eae, Fábio, blz?
olha, mesmo sem comentar, continuo espalhando teus artigos (posso, né? risos)
hoje peguei um jornalzinho chamado BIM (boletim imobiliário, recheado de ‘análises’ de corretores e diretores de imobiliárias e construtoras, ou seja, altamente “imparcial”… rs
acho q vale a pena vc pegar um pra ver q já estão se sentindo incomodados com as análises “dos blogs” q eles citam… é bem capaz de o seu estar nesse ‘rolo’… hehehe
não tem muito a ver, Fábio, mas, se puder e quiser, indico meu post para sua análise:
Guia Prático: como evitar a armadilha das dívidas
http://wallysou.com/2011/04/27/guia-pratico-como-evitar-a-armadilha-das-dividas/
abs,
Wallace.
Olá Fábio, obrigado pela utilidade pública de seus artigos.
Hoje mesmo, finalmente vi uma nóticia publicada pelo Correio Braziliense um pouco mais ‘pé-no-chão’ sobre o mercado imobiliário. Além de pagar (beeem) caro pelo imóvel, o brasiliense ainda corre um sério risco de adquirir coisa mal-feita e ter que ficar brigando com a construtora ou na justiça para ter de fato o que adquiriu no contrato, fora outras despesas:
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2011/05/03/internas_economia,250625/prazo-para-a-entrega-do-imovel-residencial-pode-levar-ate-quatro-anos.shtml
Abraços !
Insisto a tecla que Brasília tem poucas regiões.
Isso não é uma mentira deslavada. É só ver na tabela como as regiões do plano piloto ficaram muito mais vermelhas.
Mentira deslavada é dizer que tem muita terra disponível nos arredores.
Principalmente nos arredores do plano piloto, boa parte dos terrenos não é zoneada.
Se tivesse disponivel você acha que as construtoras iriam perder a oportunidade de construir nesses tais terrenos? Ou melhor, porque ninguem, já que a bolha é evidente, constroi por lá?
Isso é um fato, até que me provem o contrário, o Plano Piloto engessa a possibilidade de crescimento habitacional.
O segundo ponto é, comparar o Price-to-rent ratio com outros paises pura e simplesmente NÃO é razoável.
Nos EUA, uma rentabilidade liquida de 2%a.a é considerada alta.
Por fim, quero dizer que não estou criticando um artigo como um todo, senão vem uns xiitas me massacrarem.
Acredito sim em bolha, mas os porens tambem tem que se levar em conta.
Oi Evandro,
Apenas alguns comentários: sobre sua pergunta a respeito das construtoras…o que vc acha mais fácil??? As construtoras administrarem 3 a 4 empreendimentos superfaturados ou 9 a 12 para ganhar o mesmo valor??? É razoável que se pense que para as construtoras é muito conveniente criar essa bolha também…uma vez que a responsabilidade e o ‘trabalho’ diminuem…esforços menores se traçam, entende??? Somos geridos pelos próprios contrutores, eles são em grande parte nossos deputados, nossos senadores, para eles é conveniente não liberar as áreas para mais construções…mas essa é outra história.
O segundo ponto: A comparação do price-to-rent…é fácil resolver esse problema…vamos trazer para a realidade brasileira fazendo ajustes estatísticos…eu sou estatística e só de olhar para a discrepância, principalmente no plano piloto dá para perceber que continua sendo mais alto, mesmo se ajustarmos, entende??? fazendo uma conta grosseira(de padaria mesmo) vc percebe isso…e tem outros ‘n’ fatores…
Convenhamos que estamos falando aqui de preços exarcebados e totalmente fora da realidade dos brasileiros trabalhadores…daqui a pouco, o cara vai pagar mais de juros na prestação do apartamento do que ele pagaria de aluguel…não faz o menor sentido…
Pois é! Teve uma corretora que queria anunciar um apartamento de 1 quarto na 402N na planta, e disse que o m2 ia sair por 15mil R$. Aí, eu respondi que preferia comprar no Central Park e que, por esse preço, as vendas iam encalhar!
Aí ela já emendou dizendo que no Noroeste está com preços mais acessíveis (7,5mil o m²). Acho que as corretoras estão ficando desesperadas porque estão percebendo que o pessoal está caindo na real…
Para começar, NÃO PODEMOS CONSIDERAR, apenas o valor do aluguel que é menos que 6% ao ano, o preço do imóvel alugado também sobe e não sobe pouco!! AFIRMO COM CERTEZA ABSOLUTA NO MINÍMO 7% AO ANO e MAIS O QUE VOCÊ ARRECADOU COM O ALUGUEL!!
Quem disse que encontra-se terrenos no plano piloto???
São muito raros, caros e com muita procura! Sem contar a burocracia para desenrolar e aprovar a construção em um terreno desses, se encontrar né!
Agora os preços em Brasília dos Imóveis vão continuar subindo enquanto pois a população da cidade tem “cacife” para bancar os preços daqui. Certa hora o preço dos imóveis vai estabilizar!
E o aluguel vai continuar cada vez mais caindo!!
Se é uma bolha ou não é, eu não sei dizer. Só sei que esse crescimento no preço dos imóveis não vai se sustentar para sempre, como os corretores querem que a gente acredite. Perguntar a um corretor se agora é uma boa hora para se comprar um imóvel é o mesmo que perguntar para um barbeiro se a gente precisa de um corte de cabelo…
Toda bolha começa a estourar quando começa um movimento de manada querendo vender o ativo – seja ele tulipas, ações de tecnologia ou imóveis. Alguém aqui se arrisca a dizer o que desencadearia esse movimento de venda dos imóveis do DF?
Eu utilizo raciocínio similar (porem bem mais simples) desde que “aprendi a investir”: Aluguel tem que girar em torno de 1% do valor do imóvel. Sala comercial de R$ 60 mil?
Aluguel de R$ 600. Dois quartos de R$ 120 mil? Aluguel de R$ 1200. Naturalmente,
não é uma relação linear, mas temos acompanhado em brasília imóveis com valor de
compra de 1.5 milhão, cujo aluguel não alcança os 5000 (0,33%). Um retorno percen-
tual tão baixo não justifica compras para investimento. Imóveis simples de 2Q subiram
para 380-450 mil (quando a Caixa aumentou o limite de financiamento) e o aluguel
destes gira em torno de 0,25% do valor de compra. Muito pouco, grande indicativo de
que há um grande desequilibrio de preços na Capital.
Olhei os preços de algumas projeções no guará e noroeste, com a seguinte constatação:
Se dividirmos o valor de aquisição do terreno pelo numero total de apartamentos a serem entregues, percebemos que em alguns lugares, cada unidade na planta custa R$ 100 mil só de terreno. Entre lucros, comissões e corretagens, um apartamento 2Q de 59m2 sai por 350 mil, ali na BR040, perto do parkshopping. Está cada vez mais estreita aquela faixa de valor entre a compra na planta (compra para posse) e a compra para ocupação.
O dinheiro que o investidor ganhava, comprando na planta e vendendo na entrega das chaves, está cada vez menor. A cada dia que passa, os lucros estão se concentrando na origem (valor da terra nua, construtora, incorporadora, corretores
“tubaroes”). Para os corretores da ponta e compradores, tem ficado cada vez menor
a fatia. Hoje, dificilmente alguem vai conseguir comprar algo para lucrar com a venda
em dois anos. A probabilidade é que a prestação se torne insuportável antes que
um bom valor de ágio seja alcançado.
Portanto, não acredito em bolha, como aquela casquinha fina que explode e deixa
todo mundo no zero da noite para o dia; acredito sim em um BALÃO, que vai
desinflando aos poucos, e gradativamente vai assentando os preços. Todo imóvel
já nasce com dono, mas começam a faltar ocupantes.
Ta muito divertido passar pelo noroeste e ver as placas …… Noroeste a 6500,00 o m² !!! O que aconteceu??? Cade os 10 mil reais do m2 do primeiro bairro ecologico do Brasil. Um certo empreendimento centro clinico no setor hospitalar norte foi inicialmente ofertado por 13 mil o m² e agora esta por 9700,00. Kkkkk. A coisa vai piorar a elevação da selic valendo 12% ao ano e o aperto no credito como medida macroprudencial vai dificultar ainda mais essa farra de imóveis em Brasilia.
Caro Fabio, gosto muito do seu blog e tambem acredito em possiveis bolhas se iniciando. Contudo, merece correção ou esclarecimento seu comentário sobre price-rent-ratio, pois o cálculo e feito dividindo o aluguel ANUAL, pelo preço do imovel, quando se chega a indice (maior ou menor que 16,7) Isto nao esta claro no seu artigo.
abracos
Ufa! Pensei que não soubesse mais fazer contas :) Obrigado.
No sudoeste observo a mesma coisa. Nos finais de semana as rotatórias têm ficado cheias de anúncios de apartamentos à venda no bairro. Tem um no meu prédio (2 qtos) que está anunciado no Wimóveis desde o final do ano passado, pelo mesmo preço (R$ 8.500/m2).
Fábio, vi o comentário de Mauro Halfeld. E, seus comentários possuem um embasamento “técnico” visto que os especialistas são unânimes em proclamar essa mesma idéia (Universidade Católica de BSB) dentre outros, somente os especuladores e donos de imobiliárias não querem aceitar o que está muito claro. Concordo com seus estudos e parabéns pela matéria. Basta olharmos os anúncios de jornais aos domingos, como tem crescido a oferta de imóveis e os valores…. pra lá de absurdos, quem hoje tem 500 mil para comprar um apto? só os participantes do mensalão do DEM, afinal de contas nem todos foram contemplados com a falta de caráter e vergonha na cara, não é mesmo? trabalhador não tem tanto dinheiro sobrando assim. Continue com seus comentários, muitos não querem que vejamos a verdade, e se a pessoa é ignorante, continua errando, por isso precisamos de alguém para alertar a sociedade. Não se joga pedra e fruto podre, somente em frutos bons. Sei que seus artigos tem incomodado muita gente poderosa de Brasília, mas quem se importa não é mesmo?
Um abraço.
Fábio,
Parabéns por mais um excelente Post.
Contudo, você poderia esclarecer um ponto, pois fiquei em dúvida no seguinte trecho do seu texto:
“…Price-to-rent ratio, e que indica inclusive se é melhor alugar ou comprar um imóvel (abaixo de 16, é melhor alugar do que comprar).”
Não seria o contrário, ou seja, abaixo de 16, é melhor comprar do que alugar?
É verdade, Rodrigo!! Vou corrigir esse lapso!
Parabéns pelo artigo!
Cristina, Não existem apenas imóveis de 500mil em uma cidade. E se existem imóveis nesse preço é porque tem pessoas que pagam esse valor.
Eu dúvido que em Brasilia só tem imóvel nesse preço. vocês sempre estão olhando para os mesmos bairros e regiões.
No mais eu não acredito em bolha. Os preços subiram muito com os planos do governo mas agora estão se estabilizando e vão passar a se valorizar, mais ou menos, de acordo com a inflação.
Abaços
Luiz Eduardo
Você tem razão Luiz Eduardo, não existem apenas imóveis de 500 mil, especialmente na área central de Brasília.
Existem de 1 milhão (“apenas” 1 mi como dizia uma faixa no Sudoeste), alguns até 2… isso sem ver as coberturas…
E encontra fácil mais do que isso, é só andar pelo Plano. No Lago já é covardia.
prezado, por gentileza, pode esclarecer este ponto do seu artigo com um exemplo? “Outra maneira de apresentar essa relação é a partir do número 16,67. Se você dividir 100 por 6, o resultado é uma dízima periódica – 16,66666… Se você multiplicar o valor do aluguel por 16,67, o resultado da operação matemática é o preço do imóvel que seria considerado justo a partir do aluguel considerado.” aluguel de R$ 850 multiplicado por 16,67 = 14.169,50?, grato. Parabéns pelo artigo.
Antonio,
O fator 16,67 deve ser multiplicado pelo aluguel ANUAL, e não mensal. Desculpe se dei a entender o contrario.
oK, está claro lendo o parágrafo anterior, falha minha no momento da leitura, valeu, obrigado.
pra facilitar as contas, já q a conta é no aluguel ANUAL é mais fácil pensar no número 200.
16,67 * 12 = 200
Daí é só multiplicar o aluguel mensal por 200 e tem-se o valor esperado para o imóvel
ex: aluguel de 1500 mensais * INDICE = 1500 * 200 = 300.000,00
Fábiio,
Muito interessante seus cálculos em relação a bolha imobiliária de Brasília. Concordo que os imóveis estão bem acima do mercado de todo país, mas acredito que um dos maiores culpados é a TERRACAP porque desde o começo ela determina, por meio das licitações, quanto é o valor do lote e por consequência o imóvel após a construção. Além disso, são vários outros fatores que influenciam o preço do imóvel e o aluguel, que no caso de Brasília são bem atípicos. Os estudiosos como você defendem a existência de uma “bolha” e as construtoras e as corretoras que não existe e está longe para ocorrer. No meu ponto de vista, concordo com você, está bem próxima e pode estourar com a conclusão do Noroeste.
Prezado Professor Fabio,
Muito bom artigo.
Adriano
Outro excelente comentário do Mauro.
http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/mauro-halfeld/MAURO-HALFELD.htm
Pois é! Ouvi hoje cedo… pelo visto, o Halfeld também está aderindo ao grupo dos “bolhistas”!
Caro Portela,
acho muito válido o estudo do que ocorre com o mercado imobiliário brasileiro de modo geral, uma vez que a explosão dos preços de m2 não se restringe a Brasília.
Porém vejo uma falha na sua premissa de que o rendimento do imóvel se baseia somente no rendimento do aluguel. Seria o mesmo que comparar o investimento em ações pelo rendimento do dividendo e não da valorização (negativa/positiva) do papel.
Imóveis possuem dois resultados básicos, retornos de aluguel e valorização do imóvel, o que transforma o mesmo no melhor investimento dos ultimos 3 anos.
O que existiu até o momento na minha opinião foi uma forte tendência de alta, a partir de 2008 que atinge um patamar em 2011, mas que não pode ser classificado como bolha ainda… pois os fundamentos para esta valorização são sólidos ao que tudo indica.
abs
Os preços subiram pela facilidade de financiamento. Só que agora, subiram tanto, que mesmo o crédito fácil não alegra os compradores. Um apartamento de R$ 1.000.000 (3 quartos, 100m2, Noroeste), supondo que se dê de entrada R$ 500.000, terá de financiamento R$ 500.000. Parece fácil, mas 500.000 financiados a 0,83% a.m., por 30 anos, exige renda mensal de R$ 21.000 e módicas parcelas de R$ 6.000. Quem dá conta de financiar? Será que tem tanta gente assim? Será que a renda é tão elevada assim no DF? E será que todos que tem esta renda, estão a procura de apartamento de 100m2? Ou querem investir, para ter em contrapartida, aluguel de R$ 3.000, sem falar descontos de imposto de renda, taxas extras?
Prezado Fabio,
Concordo com o que você diz. Brasília, tem sim uma bolha imobiliária, por conta da forte especulação que envolve esse ativo financiero. A saturação desse mercado está começando a se fazer presente. Estou aguardando a situação de preços reais para, quem sabe, poder negociar a compra de um.
Passei num concurso publico e vim morar aqui em Brasilia. Os precos dos imoveis são de apavorar. Nunca vou adquirir um imovel aqui! Por outro lado, por quê vou querer comprar um se posso morar em excelente apto por um aluguel que custa menos de 0.3% do valor dele???
Quem viver verá… esperem por agosto de 2014…
FÁBIO, acabei de te mandar um mail a respeito desse assunto. Creio que posso te ajudar (e vc tb pode me ajudar).
Por favor leia e me responda o quanto mais rápido puder.
Grato.
Acho que dá para simplificar um pouco a análise.
Se nos últimos anos os imóveis subiram 300 % e os salários subiram no máximo 50 % quem é que vai comprar esses imóveis para morar?
Se você considerar que antes desta supervalorização já não era fácil comprar um imóvel, o que dizer de agora?
Se alugar os imóveis não vale a pena, uma hora vão ter que vender esses imóveis mais baratos.
Gostaria de manifestar meu repúdio com a constante tentativa do jornal Correio Braziliense de inflar o já caríssimo e surreal mercado imobiliário do DF.
É impossível deixar de pecerceber que um jornal sério como sempre pareceu ser o Correio Braziliense esteja falhando em cumprir seu papel jornalístico de informar seus leitores de forma imparcial, à medida em que a cada edição dá destaque à voz de entidades cuja sobrevivência depende do aumento indiscriminado e irreal dos preços dos imóveis na cidade, esquecendo de registrar a opinião de estudiosos e professores que, de forma imparcial poderiam dar uma outra visão a respeito do assunto e quando têm vez ganham apenas 20% do espaço destinado àquelas instituições.
O interesse do CB em publicar quase que diariamente a opinião dos presidentes e outros representantes de instituições como a Associação dos Corretores de Imóveis do DF, o Sindicato da Habitação no Distrito Federal (SECOVI/DF) e a Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (ADEMI/DF), cujos interesses são o de representar e atuar “fortemente” em prol de seus representados, quais sejam donos de imobiliárias e corretores de imóveis, deixa os leitores órfãos e mostra que talvez não valha a pena continuar utilizando o CB como fonte de informação.
É decepcionante perceber que o CB vem sendo utilizado como ferramenta de tais instituições que são as únicas a lucrar com a alta indiscriminada e surreal dos imóveis no DF.
Fábio
Sou uma cidadã que não conhece sobre taxas, índices, enfim, apenas acompanho os sites de venda de imóveis.
Não consigo entender a lógica do mercado imobiliário em Brasília, pois um imóvel a venda, a mais de um ano,tem seu preço aumentado por duas , três vezes,e continua a venda.Tem lógica,não vender e aumentar?
Parabéns pelo trabalho
Márcia Cristóvão
Márcia,
Também já me assustei com isso, mas essa é mais uma técnica de especulação. O valor é reajustado para cima, mesmo sem vender, justamente para nos fazer pensar: “Se não comprar agora, não compro nunca! O imóvel está subindo cada dia mais!” Aí a pessoa acaba comprando por *medo* de não conseguir comprar depois. Se ao invés de aumentar, o valor diminuísse, nossa reação seria contrária: “Opa! Está abaixando. Vou esperar mais um pouco, vai abaixar mais, posso continuar economizando”. E isso é justamente o que não querem que você pense!
Solução: Embora pareça difícil, temos que ignorar esse aumento e mostrar que o consumidor não é tão bobo quanto imagina. Ou se for, que pelo menos não seja você!
Uma coisa é certa: O que manda é o fator oferta/procura. Se ninguém pagar um imóvel assim, eles serão OBRIGADOS a baixar o valor. Vejo isso claramente no meu bairro, principalmente quando o vendedor é uma pessoa “comum” e não mais uma imobiliária especuladora.
Acho que podemos ajudar a derrubar esses preços: basta não comprarmos.
A sugestão é influenciar amigos, parentes, pessoas conhecidas. Orientá-los a não comprarem nada agora. É melhor juntar dinheiro.
Como bem falou a Márcia, a lógica de Brasilia é diferente da lógica mundial: o cara não está conseguindo vender, e mesmo assim, continua reajustando. Temos que ir contra essa lógica cruel, que priva as pessoas de realizarem seus sonhos.
Tenho um irmão que ganha R$ 1.000 por mês. Pergunto: qual o dia em que ele poderá ter um imóvel na terra onde nasceu???
Rapaz, acho que você está se esquecendo de uma diferença fundamental entre Brasília e Nova Iorque: Nova Iorque não é composta por 60% de funcionários públicos que tem alto poder de comprometimento de renda.
Nem Brasília é composta por 60% de funcionários públicos que ganham bem, Renato! Mesmo entre os funcionários públicos, a maioria não ganha bem. Vá lá na Praça dos 3 Poderes e você verá que a maioria dos Ministérios é composta por funcionários que ganham seus R$ 3.000, R$ 4.000. Eles não conseguiriam comprar nem quitinetes no Plano Piloto! E mesmo quem ganha bem, gasta muito – a maior parte não consegue poupar o suficiente para pensar em conseguir financiar um apartamento no Noroeste.
Fabio, já tem a tabela atualizada ? :D
Comprar imóvel em Brasília hoje é loucura, um apartamento de 30 metros em águas claras bairro que fica em torno de 25 a 30 km do centro de Brasília esta custando cerca de 200mil, eu desisti de comprar imóvel porque acredito e muito que daqui a alguns anos as coisas iram mudar. Prefiro pagar 1.000,00 de aluguel num AP de 1 quarto do que pagar 1.500,00 de prestação durante 30 anos fora o meu carro e outras coisas que vou ter que dar de entrada (cerca de 60 mil reais. ) Negocio ta feio aqui em BSB se continuar assim até a Dilma vai ter que morar de aluguel.
Tá tentando vender seu peixe?
Tenho uma pequena “dó-zinha” de quem crê fielmente nos dados do seu blog.
Engraçado que eu não tenho peixe pra vender…
Fausto.. creio que voce que esteja tentando vender algum peixe… peixe não, gato a preço de lebre.
parabéns pela análise, Fábio. É hora do consumidor de imóveis tentar ao máximo boicotar os preços absurdos.
que encalhem com esses preços abusivos. o consumidor tem poder, se agir em massa.
os preços dos imoveis em todo o df esta um absurdo de caro classe media nao esta dando conta mais de comprar apto, pois tem de ficar devendo durante 25 a 30 anos,ficando direto no sufoco. to fora..
Aproveitando o fato de que existem alguns corretores e especuladores lendo o presente blog, gostaria de questioná-los acerca do seguinte fato (concreto e simples constatação): Como os senhores estão explicando, aos compradores e potenciais compradores, que alguns clientes que adquiriram imóveis na planta (Noroeste) ao preço de 12,5 mil o metro quadrado, tiveram a espetacular “des”valorização de 40%? Pois pelo que ando observando os valores no Noroeste estão na faixa de 7,5 mil o metro quadrado…chegando a 6 mil se fizer uma oferta firme…afirmo isso porque ofertei a esse valor e não sei porque cargas dágua o corretor aceitou…enfim, também acreditei que seria um bom negócio, há 1,5 ano atrás. Hoje, tenho “certo” receio, com trocadilho mesmo. Abraço a todos e…olho aberto.
Fausto, quem quer vender peixe aqui é o dono da peixaria (corretores). Nós compradores estamos querendo comprar o peixe, só que o peixe subiu demais, em pouco tempo, sem justificativas plausíveis. Mesmo fazendo contas do custo do terreno, custo de construção, despesas com propagandas, inflação, a conta não fecha. A única certeza que temos é que as empresas estão em busca do lucro máximo no mínimo período.
Mas a casa está caindo, pois os preços subiram tanto, que agora falta o principal: COMPRADORES!
Fausto, acho que quem quer vender peixe é você? Se suas vendas estão boas, e acha que este blog não merece crédito, simplesmente ignore-o. E continue pedindo preços absurdos nos seus imóveis. Detalhe, você pode dar um tiro no pé. Pois ao mesmo tempo que você ganha porcentagem maior com preços maiores, deverá vender muito mais imóveis para comprar seu imóvel.
Dá até dó desses corretores querendo esconder o sol com a peneira.
Eu não vou comprar nunca, prefiro pagar aluguel.
Parabéns a todos pelos comentarios pertinentes, acompanho o mercado imobiliário de Brasilia há algum tempo e tenho alguns comentarios a fazer: o preço dos terrenos aumentou, a mão-de-obra de construção aumentou, a margem das incorporadoras aumentou, a oferta de crédito aumentou, a especulação aumentou, a demanda por imóvel aumentou, e com tudo isso o preço do imóvel aumentou. E nada justifica os preços praticados no mercado, acho que não teremos uma bolha e sim uma acomodação para um valor justo. A bolha seria causada pelo desemprego, suspensão de oferta de crédito por parte dos agentes financeiros, quebra do ciclo da ecônomia, desaceleração acentuada da economia, juros alto e etc. E o que vejo são empresas com os olhos arregalados para uma economia pujante com altas taxas de rentabilidade, haja visto os valores que pagamos em um carro popular, em um litro de gasolina e etc.
Esse “ajuste” para o preço justo é justamente o que se chama “estouro da bolha”. CQD.
mas o salário das pessoas não aumentou.
tanto é que basta andar por águas claras, pelo guará, e ver o tanto de ágio que tem para vender.
e mesmo nos bairros mais antigos, tem apartamentos que estão há 2 anos anunciados, e cadê comprador?
cadê?
comprar ágio de 20.000 e pagar parcelas de 500 a 1.500 é fácil, agora achar alguém que tenha 500.000 ou mais no bolso (ou consiga vender seu imóvel neste preço) para comprar imóvel maior, não está não.