Controle emocional: um fator essencial para o investidor

25 de maio de 20114 comentários

O controle emocional é uma das principais habilidades que um investidor precisa desenvolver para obter sucesso. É difícil ver seu patrimônio cair bastante, em momentos de crise, e permanecer inerte. Logo surge um incômodo e, com ele, a vontade de evitar mais prejuízos vendendo o ativo. Por outro lado, também é difícil ter uma ação, ou um apartamento, se valorizando ao longo do tempo, mais do que seria justificado esperar, e não vendê-lo em razão da aparente tranquilidade do crescimento dos preços. Por não saber controlar as emoções, as pessoas vendem ativos excelentes por preços ruins e compram (ou mantém) ativos péssimos ou sobrevalorizados com a esperança de que a valorização continue eternamente. Essa é, talvez, uma das principais razões pelas quais as pessoas levam prejuízo em boa parte de seus investimentos. Mas como controlar melhor suas emoções?

Defina um plano de investimento… e siga-o à risca!

Boa parte das pessoas comete erros emocionais porque não tem um plano de investimento. Antes de investir, é preciso definir uma série de coisas:

a) Por que você está investindo?

Antes de mais nada, defina o motivo pelo qual você pretende investir. Sem isso, você não poderá definir quase nada em seu planejamento: tipo de investimento, prazos, quantidade a ser poupada por mês – tudo depende de saber, antes, a razão pela qual você planeja investir. Defina e escreva em um lugar importante sua resposta, para que você possa sempre relê-la e lembrar a razão pela qual você investe.

b) Desenvolva um sistema de gestão de risco

Muitas pessoas respondem emocionalmente aos eventos do mercado porque não têm um sistema de gestão de risco. Como não desenvolveram um sistema racional de resposta às diversas circunstâncias, respondem de acordo com suas emoções de momento. Se as ações despencarem 15%, elas simplesmente se desfazem do ativo. E depois se consideram azaradas quando vêem o mercado se recuperando. O resultado obtido não tem nada a ver com sorte, mas com falta de planejamento e de gestão de risco.

Existem várias maneiras de gerir risco, adequadas às mais diversas categoriais de investidores. Há quem goste de fazer preço médio baixo, comprando mais ativos quando eles estão mais baratos. Há também quem utilize o sistema de alocação de ativos, distribuindo seu patrimônio em categorias complementares, e distribuindo o valor alocado em cada categoria na medida em que outras categorias se valorizem ou desevalorizem.

Um exemplo simples é a distribuição do patrimônio à razão de 75% em renda fixa e 25% em ações: quando as ações se valorizam e ultrapassam, digamos, 30%, o investidor poderia vender a diferença positiva entre o percentual obtido (30%) e a alocação inicialmente projetada (25%) e aplicá-la na renda fixa. Por outro lado, se as ações caírem e diminuírem sua participação no portifólio de 25% para 20%, o investidor resgataria parte de seus investimentos em renda fixa para compensar as perdas no mercado de ações. Com isso, garantiria sempre que está comprando ações na baixa e as vendendo na alta, com um sistema praticamente automático.

Obviamente, não estou recomendando esse sistema de alocação de recursos em particular. Para algumas pessoas, o ideal é um sistema como esse, mas outras, com perfil mais agressivo, poderiam preferir uma alocação com percentual maior de investimento em ações. Outras prefeririam incluir imóveis no portifólio. As possibilidades são muitas, e não há um sistema ideal a priori. O que é importante é que você tenha um sistema que te ajude a comprar mais ativos quando eles estão em baixa, e vendê-los em período de alta.

c) Antes de comprar ou vender um novo ativo, ANALISE!

Evite tomar decisões apressadas. Não compre um novo apartamento porque o vizinho comprou e diz estar tendo uma valorização absurda. As pessoas tendem a valorizar demais o seu lado e a desprezar o que é dos outros. Também não confie nas dicas de amigos ou parentes no mercado de ações. Conheço gente que vivia dizendo que estava fazendo grandes negócios no mercado e que, na verdade, só estava “tirando onda”, nem tinha dinheiro investido em ações.

Não é por menos a seguinte frase de Warren Buffett, uma das minhas citações favoritas:

“Você não está certo ou errado porque outras pessoas concordam com você. Você está certo porque seus fatos estão certos e seu raciocínio está correto – e isso é a única coisa que faz com que você esteja certo. E se seus fatos e seu raciocínio estão certos, você não precisa se preocupar com mais ninguém”.

O único conselheiro que você deve seguir é a sua consciência. Mas ela precisa estar treinada para analisar corretamente a situação. De nada adianta você estar plenamente convencido da razoabilidade de um investimento, se estiver errado. E a única maneira de estar certo é estudando, lendo relatórios, avaliando se aquela é realmente uma boa oportunidade.

Você gostou do post? Então ajude o blog a crescer divulgando-o! Basta clicar em um dos botões abaixo:
Tags: , , , , , , , ,

Arquivado em: Educação financeira
Tags:

Sobre o autor ()

Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.

Comentários (4)

Trackback URL | Feed RSS do comentário

  1. dimarcinho disse:

    Fábio, discordo da sua estratégia de alocação, pelo menos do jeito que você está colocando! Num artigo antigo, eu comentei que havia feito simulações e vi que era falho. Fiz novamente e até postei no blog que estou começando. Depois dê uma olhada! []s

    • Fábio Portela disse:

      Isso depende de muitas variáveis, até porque é interessante contar também com os rendimentos dos dividendos nessa hipótese. Se você puder incluir nas contas os dividendos, talvez seja interessante compartilhar conosco seus resultados.

      Abraços,
      Fábio

      • dimarcinho disse:

        Essa mesma estratégia que você está sugerindo (pelo menos na parte de vender ações), você diz que é um dos impecílios de um fundo atingir altas rentabilidades naquele outro artigo de “Porque você pode bater a rentabilidade dos fundos de investimento”.
        Sobre os dividendos, vou tentar fazer uma análise, mas acho mais complicado, pois visto que estamos vendendo/comprando as ações, isso influencia na quantidade de dividendos que seriam recebidos. Além disso, os dividendos deveriam ser utilizados para comprar mais ações ou renda fixa? Há que avaliar tb.
        Abraços,
        Márcio

  2. Fernando disse:

    Olá amigo… qual corretora você me recomenda? estou iniciando agora. Obrigado

Comente

 Assine nossa newsletter 

Back to Top

SEO Powered By SEOPressor