As vantagens de comprar à vista

16 de maio de 201121 comentários

O crédito fácil que temos visto nos últimos anos, bem como a redução na taxa de juros, levaram os brasileiros a consumir cada vez mais, deixando de comprar à vista. Na maioria das vezes, esse consumo excedente tem sido feito com base em parcelamentos que, muitas vezes, comprometem a capacidade financeira no futuro, e muitos se esqueceram de uma possibilidade de pagamento que muitas vezes é repleta de vantagens: comprar à vista.

Comprar à vista depende do planejamento da aquisição

A primeira vantagem de comprar à vista diz respeito ao planejamento da compra. Se você sabe antecipadamente o valor do bem que deseja adquirir, é mais fácil buscar readequar o orçamento para que se economize o valor necessário para comprá-lo.

Mas é preciso disciplina: ao contrário da compra parcelada, a compra a vista depende, obviamente, de que se economize ao longo dos meses uma parte do valor do que se deseja adquirir. Se isso, por um lado, é uma desvantagem, já que o consumidor não pode ter o objeto de seu desejo imediatamente, por outro pode ajudá-lo a desenvolver certas virtudes necessárias para uma vida financeira estável.

Ao se planejar para comprar à vista, o consumidor necessita economizar, controlar suas emoções para evitar que os impulsos do consumo imediato não dominem suas ações e, além disso, adquire o hábito de adiar o consumo, o que, no longo prazo, é uma qualidade desejável para quem quer economizar para outras finalidades menos imediatas – como construir uma renda passiva para o futuro, por exemplo.

Comprar à vista aumenta o poder de barganha do consumidor

Mas a principal vantagem de comprar à vista é a de poder gastar menos com o bem consumido. Você pode diminuir o montante a ser economizado, já que o dinheiro economizado, mesmo que aplicado em um investimento de renda fixa com rentabilidade mediana, renderá juros que, no fim das contas, diminuirão o valor necessário para adquirir o bem. Veja o seguinte exemplo, de alguém que deseja adquirir um carro novo, que custa R$ 30.000,00, e economiza R$ 600,00 por mês para alcançar esse objetivo:

Mês Valor economizado Juros de 0,5% Juros de 0,8% Financiamento
1 R$600,00 R$603,00 R$607,82 R$1.897,19
2 R$1.200,00 R$1.209,02 R$1.217,49 R$1.897,19
3 R$1.800,00 R$1.818,06 R$1.832,03 R$1.897,19
4 R$2.400,00 R$2.430,15 R$2.451,48 R$1.897,19
5 R$3.000,00 R$3.045,30 R$3.075,89 R$1.897,19
6 R$3.600,00 R$3.663,53 R$3.705,30 R$1.897,19
7 R$4.200,00 R$4.284,85 R$4.339,74 R$1.897,19
8 R$4.800,00 R$4.909,27 R$4.979,26 R$1.897,19
9 R$5.400,00 R$5.536,82 R$5.623,90 R$1.897,19
10 R$6.000,00 R$6.167,50 R$6.273,69 R$1.897,19
11 R$6.600,00 R$6.801,34 R$6.928,68 R$1.897,19
12 R$7.200,00 R$7.438,34 R$7.588,91 R$1.897,19
13 R$7.800,00 R$8.078,54 R$8.254,42 R$1.897,19
14 R$8.400,00 R$8.721,93 R$8.925,25 R$1.897,19
15 R$9.000,00 R$9.368,54 R$9.601,45 R$1.897,19
16 R$9.600,00 R$10.018,38 R$10.283,07 R$1.897,19
17 R$10.200,00 R$10.671,47 R$10.970,13 R$1.897,19
18 R$10.800,00 R$11.327,83 R$11.662,69 R$1.897,19
19 R$11.400,00 R$11.987,47 R$12.360,79 R$1.897,19
20 R$12.000,00 R$12.650,41 R$13.064,48 R$1.897,19
21 R$12.600,00 R$13.316,66 R$13.773,80 R$1.897,19
22 R$13.200,00 R$13.986,24 R$14.488,79 R$1.897,19
23 R$13.800,00 R$14.659,17 R$15.209,50 R$1.897,19
24 R$14.400,00 R$15.335,47 R$15.935,97 R$1.897,19
25 R$15.000,00 R$16.015,15 R$16.668,26 R$1.897,19
26 R$15.600,00 R$16.698,22 R$17.406,41 R$1.897,19
27 R$16.200,00 R$17.384,71 R$18.150,46 R$1.897,19
28 R$16.800,00 R$18.074,64 R$18.900,46 R$1.897,19
29 R$17.400,00 R$18.768,01 R$19.656,46 R$1.897,19
30 R$18.000,00 R$19.464,85 R$20.418,52 R$1.897,19
31 R$18.600,00 R$20.165,17 R$21.186,66 R$1.897,19
32 R$19.200,00 R$20.869,00 R$21.960,96 R$1.897,19
33 R$19.800,00 R$21.576,35 R$22.741,45 R$1.897,19
34 R$20.400,00 R$22.287,23 R$23.528,18 R$1.897,19
35 R$21.000,00 R$23.001,66 R$24.321,20 R$1.897,19
36 R$21.600,00 R$23.719,67 R$25.120,57 R$1.897,19
37 R$22.200,00 R$24.441,27 R$25.926,34 R$68.298,84
38 R$22.800,00 R$25.166,48 R$26.738,55
39 R$23.400,00 R$25.895,31 R$27.557,26
40 R$24.000,00 R$26.627,78 R$28.382,51
41 R$24.600,00 R$27.363,92 R$29.214,37
42 R$25.200,00 R$28.103,74 R$30.052,89
43 R$25.800,00 R$28.847,26 R$30.898,11
44 R$26.400,00 R$29.594,50 R$31.750,10
45 R$27.000,00 R$30.345,47 R$32.608,90
46 R$27.600,00 R$31.100,20 R$33.474,57
47 R$28.200,00 R$31.858,70 R$34.347,17
48 R$28.800,00 R$32.620,99 R$35.226,74
49 R$29.400,00 R$33.387,10
50 R$30.000,00 R$34.157,03
51 R$30.600,00 R$34.930,82
52 R$31.200,00 R$35.708,47
53 R$31.800,00
54 R$32.400,00
55 R$33.000,00
56 R$33.600,00
57 R$34.200,00
58 R$34.800,00
59 R$35.400,00

Nessa hipótese, assumi as seguintes premissas: no primeiro quadro, à esquerda, estaria a situação de quem apenas economizasse o valor do carro para comprá-lo à vista, sem aplicá-lo em nenhum investimento. Na segunda coluna, está descrita a situação de quem investisse o dinheiro em um investimento de renda fixa que rendesse 0,5% ao mês, como a poupança. Na terceira coluna, por sua vez, está a situação de quem investissem em uma aplicação que rendesse líquidos 0,8% ao mês (como alguns títulos do tesouro direto). Por fim, na última coluna, está a situação de quem financiasse o veículo, ao invés de comprar à vista. Nessa hipótese, utilizei o simulador do Banco do Brasil, que permite o financiamento em 36 meses, a juros de 3,91% ao mês.

Quem se saiu melhor? Se o consumidor apenas tivesse economizado o valor necessário para adquirir o carro, ele o compraria em 59 meses (quase 5 anos). Se investisse na poupança, teria o dinheiro necessário para adquirir o carro em 52 meses (7 meses antes); e, caso investisse no tesouro direto, alcançaria o mesmo valor em 48 meses (quase 1 ano antes da primeira hipótese). Todavia, caso financiasse integralmente o veículo, o teria imediatamente, mas terminaria de pagar por ele em 36 meses, com prestação mensal 3 vezes maior ao valor economizado nas outras hipóteses: R$ 1.897,19. E, no fim do financiamento, teria pago R$ 68.298,84. Ou seja, sofreria um aperto financeiro excessivo, e ainda pagaria quase o dobro do valor do veículo. Pagaria por um Gol completinho o valor de um carro muito superior.

Comprar à vista também permite ganhar bons descontos!

Além disso, outra maneira de economizar pagando à vista diz respeito ao poder de barganha do consumidor. Eu mesmo passei, recentemente, por algumas experiências que me mostraram como o pagamento à vista permite a negociação de preços muito mais baixos. Na compra de materiais de construção para uma reforma de meu lar, por exemplo, consegui descontos de mais de 10% em algumas situações. E, como eu retirei o dinheiro de uma parcela de meus investimentos, o desconto real foi muito maior, já que efetuei as compras com dinheiro composto por minhas economias e por juros recebidos das minhas aplicações financeiras. Quando efetuei a compra de meu carro, nas mesmas condições, consegui um desconto similar, o que me permitiu adquirir um carro superior pelo preço de um carro bastante inferior.

E você, tem o costume de comprar à vista?

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Sobre o autor ()

Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.

Comentários (21)

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  1. André Savi disse:

    Olá Fábio, eu mesmo postei um artigo sobre a compra de veículos ontem, mas no meu caso comparei com o aluguel de longo-prazo, da uma olhada despois!

    Muito bem colocado a sua posição em relação ao pagamento a vista, sem considerar que quando planejamos, podemos analisar a real necessidade de aquisição deste bem, podendo as vezes, mudar os planos e adquirir outro bem que seja mais útil.

    Na sua simulação, podemos adicionar mais um item:

    - Se o consumir tem disponivel R$ 1.897,19/mês para financiar o carro (considerando apenas as parcelas do financiamento e não o IPVA, documentação, manutenção, etc.), esse mesmo carro poderia ser adquirido em 16 meses (aplicação com rendimento de 0,5%) ou em 15 meses (aplicação com rendimento de 0,8%).

    Considerando os depósitos, os valores seriam de:

    - Aplicação 0,5%: R$ 30.355,04 – neste caso o valor supera os R$ 30.000,00 sem considerar os juros, com os juros, o valor acumulado é de R$ 31.520,35, podendo utilizar a diferença com a documentação e impostos.

    - Aplicação 0,8%: R$ 28.457,85 – economia de R$ 1.542,15, o valor acumulado é de R$ 30.108,09.

    Como você chegou a conclusão no artigo, só existem vantagens em se planejar e pagar a vista.

    Parabéns pelo blog e pelo artigo, acesso o blog diariamente!

    Forte abraço e ótima semana.
    Fica com Deus.

  2. Andre Luiz disse:

    Mesmo antes de começar a entender o que era educação financeira, eu já tinha essa idéia de comprar a vista, caso me oferecessem um bom desconto.

    Hoje, vou ainda além: vejo quanto seria financiado, pago à vista com desconto e invisto mensalmente o valor das hipotéticas parcelas nas minhas aplicações. Ou seja, pago juros para mim mesmo e não para o lojista ou para a administradora do cartão de crédito.

    Excelente post.

  3. fabio disse:

    Só não consigo entender a lei que proíbe desconto nas compras à vista.

    • Fábio Portela disse:

      Pois é, Fábio! Talvez decorra do lobby de empresas de cartão de crédito, que querem amarrar as pessoas a qualquer custo.

      • Nélio disse:

        Não há lei que proíba descontos para compras à vista. O que existe é a proibição de diferenciação de preços conforme a forma de pagamento. Nada impede que um estabelecimento que não aceite cartões de crédito cobre um preço para quem comprar à vista e outro preço pra quem comprar a prazo.

  4. Samuel Souza disse:

    Outro bom artigo Fábio,

    Apenas para complementar, melhor falarmos também da depreciação. Um carro que hoje custe R$ 30.000,00 estará valendo cerca de 20 a 22 mil daqui a três anos. Ou seja, ao final do período, paga-se cerca de 68 mil para se ter um bem que não vale um terço do que foi pago no financiamento.

    Se considerar outros custos no período, como taxas e impostos, seguro, manutenção, combustível e estacionamento, o custo do veículo vai comer fácil fácil cerca de R$ 2.500,00 mensais do sujeito. Isso se ele não tiver os famosos imprevistos conhecidos como multas e acidentes.

    É uma conta que pouca gente leva em consideração quando financia um veículo, ainda mais se for o primeiro carro.

    Ao comprar à vista, também ocorre depreciação, mas ao final de três anos, a perda financeira vai ser de apenas 10 mil, ao invés de beirar os 50 mil que foram para o ralo no exemplo citado.

    Keep the good job !

    • André Savi disse:

      Olá Samuel, tudo bem?
      Você trabalha com qual taxa de depreciação?

      Em contabilidade eu vi que um veículo tem depreciação de 20% ao ano, porém no mercado, vejo muita gente considerando 10% no primeiro ano e 5% no segundo, no seu comentário, você considerou uma depreciação média de aproximadamente 14.5% ao ano, tem algum motivo ou apenas suposição?

      No artigo do meu blog eu considerei todos esses custos para comparar se vale mais a pena comprar ou alugar um carro, no caso, considerei a compra do veículo pagando à vista.

      Forte abraço.

      • Samuel Souza disse:

        Olá André,

        Não me lembro bem das fontes, mas já vi em matérias publicadas em revistas e outros blogs como este que um carro zero quilômetro desvaloriza cerca de 20% no primeiro ano (na média, uns mais, outros menos), outros 10% no segundo ano, mais uns 8% a 10% no terceiro ano, e por fim estabiliza em torno de 5% a 7% ao ano. Pelo menos é assim o comportamento médio do mercado nos últimos anos.

        O comentário apresentado no site não foi uma conta exata, mas uma conta de cabeça rápida apenas para ilustrar.

        De qualquer forma, carro já deixou de ser investimento há muito tempo. O ideal é ter apenas a quantidade de veículos necessária, um ou dois. E já vi publicações mostrando que se quiser ter um carrão para viagens, é melhor alugá-lo do que pagar a diferença de valor e os custos adicionais, a não ser que você viaje com frequência.

        Thanks !

        • Edd disse:

          A depreciação vai depender muito do tipo de carro. Carro popular você pode colocar 10% no primeiro ano e uns 4% a cada ano posterior.
          Carros mais “chiques” a depreciação é maior, porque o fator status conta muito mais.
          A melhor coisa é pegar o seu carro e verificar a desvalorização dele ano a ano através da tabela fipe:

          http://www.fipe.org.br/web/index.asp?aspx=/web/indices/veiculos/introducao.aspx

  5. Claudio Pereira disse:

    Isso mostra como a situação do mercado imobiliário atual é incomum.
    Eu moro Rio e nos últimos 3 anos, vários bairros da cidade sofreram valorização próxima a 100%.
    O que significa que se você tentou economizar um trocado para comprar seu apartamento nesse período, hoje você está mais distante de compra-lo.
    Da mesma forma, se você tivesse feito o financiamento há 3 anos atrás, não só você já estaria morando no apartamento, mas também teria um patrimônio total maior do que se tivesse economizado.
    Enfim… Vou passar no boteco ali da esquina pra ver se eu consigo almoçar de graça porque acho que é mais fácil do que prever o futuro desse mercado.

    ps: Não fiz as contas pra chegar aos valores exatos, portanto é bem possível que eu esteja falando um monte de besteira. Se for o caso, gostaria de saber onde minha lógica está errada, se for possível.

    Abraço!

    • Samuel Souza disse:

      Cláudio, o que você disse realmente é uma verdade que aconteceu no mercado imobiliário nos últimos 3 ~ 4 anos.

      No caso de veículos, que é um mercado mais estável, é mais fácil prever o comportamento e a avaliação do bem ao longo do tempo. No caso dos imóveis, muitas vezes é um exercício de futurologia. Por exemplo, volte para 2008 e tente se lembrar se alguém ao menos indicava que os imóveis iriam valorizar desse jeito. No meio da crise, a indicação era justamente a contrária. Aí ocorreram diversas mudanças, criou-se uma baita demanda e o preço explodiu como nunca, o que é motivo de várias discussões neste blog.

      Por outro lado, esse mercado pode ter o efeito contrário. Imagine que daqui a dois anos, aconteça uma quizumba e o pessoal que financiou fica sem dinheiro para pagar os imóveis. Os bancos retomam os imóveis não pagos e de repente acontece uma super-oferta e quase ninguém para comprar. Aí teremos o sujeito que está pagando um financiamento de 400 mil por um bem que não vale mais que 300 ou até mesmo 200 mil (qualquer semelhança com a crise americana de 2008, a crise asiática de 97 ou mesmo o Japão no início dos anos 90 é mera coincidência…). Vi isso acontecer com colegas que moravam no Canadá e não foi nada bom…

      Uma anomalia parecida aconteceu também com os carros, só que ao contrário. Quem comprou carro popular em 2000, muitas vezes conseguiu vendê-lo usado por preço maior do que pagou quando zero até mais ou menos 2005. Isso porque o preço dos carros zero ia subindo ano a ano e o dos usados acompanhou pois havia demanda. Hoje, o preço do zero está estabilizado ou mesmo caindo, a concorrência é maior, está mais fácil financiar o zero do que o usado e a demanda também estabilizou, muito similar ao que encontra-se em mercados maduros na Europa ou Eua. O resultado é que o mercado de usados ficou bastante previsível.

      • Claudio Pereira disse:

        Sim, é verdade. O problema todo é saber a hora de pular fora do bonde.
        O que me deixa preocupado é imaginar de onde vem o dinheiro que é usado para comprar esses imóveis, dado que eles não estão sendo comprados por pessoas que estão juntando dinheiro ou mesmo investindo, visto que são raras as opções de investimento que rendem algo remotamente próximo ao que estamos vendo no mercado imobiliário. A bolsa em 2009 teve um retorno próximo a isso, mas de lá pra cá ela vem andando de lado.
        Seria tudo isso alimentado pelo crédito fácil? Se for o caso, porque os bancos continuam nessa brincadeira? Me parece que eles, mais do que ninguém devem saber o que aconteceu la nos EUA em 2008…

        Abraço!

    • André Savi disse:

      Pode ser verdade, mas tudo depende!

      Você ter um imóvel que vale mais do que o valor pago é uma coisa, você lucrar com essa operação é outra!

      O primeiro ponto é que imóvel para morar não é investimento e o segundo ponto é que dependendo do financiamento e da taxa de juros, não adianta você ter comprado um apartamento no valor de R$ 100.000,00, hoje ele está valendo R$ 200.000,00 e por conta do financiamento você pagará R$ 250.000,00.

      Pensou nisso? Mesmo o apartamento valorizando, você teve um prejuízo de R$ 50.000,00 (não estou considerando custos com IPTU, reformas, armários, IRPF, etc.).

      O dinheiro investido te dá juros e você só paga IRPF, o apartamento tem vários custos embutidos (escritura por exemplo) e muita gente esquece de contabilizar isso!

      Sem contar também que esse apartamento depreciou, muita gente acha que não, mas imóveis também sofrem depreciação e esse custo precisa ser embutido.

      Cuidado com a falsa sensação de lucro certo o buraco é mais embaixo.

      Abraço.

  6. DRN disse:

    Fábio, parabenizo-o, mais uma vez, pela iniciativa de informar e criar um espaço para troca de informações sobre educação financeira. Se eu fosse um Deputado, ou tivesse capacidade de reunir a assinatura de 1 milhão de eleitores, proporia incluir na grade escolar a matéria educação financeira, desde pelo menos o 5º ano, quando as crianças já estão (ou deveriam estar) alfabetizadas em matemática. Seu exemplo me fez pensar em como gastamos dinheiro com carros. Os carros no Brasil são muito carros. Parte por conta dos tributos, parte por conta da gorda faixa de lucro que nós, consumidores brasileiros, permitimos seja praticada. Vivo em constante conflito. Tenho dois carros quitados, mas gostaria de vender ambos, comprar títulos do tesouro e andar de táxi, ônibus, metro e avião, conforme a necessidade. É o meu sonho. O problema é a esposa, não é. Quem é casado e consulta o blog deve saber que as esposas não abrem mão de certos luxos, por mais que expliquemos para elas as vantagens. Eu sugiro um post aqui para vc: o custo de oportunidade que um carro traz. Eu já fiz as contas e, no meu caso (eu vivo em São Paulo, capital), conseguiria viajar e ficar pelo menos 15 dias na Europa, todos os anos, em boas condições (hotel, transporte, alimentação etc.) se o dinheiro que está desvalorizando nos carros estivesse rendendo juros.

    Abraços.

    • DRN disse:

      Só para complementar. É claro que, além dos juros gerados pelo produto da venda dos automóveis, considerei o dinheiro economizado com IPVA, DPVAT, licenciamento, inspeção veicular, seguro, duas manutenções por ano em cada carro e lavagem mensal. Não computei multas e reparos de funilaria (porque podem ser evitados), nem combustível, porque, de todo modo, teria de pagar por algum meio de transporte.

  7. Fred Bsb disse:

    Bom Fábio concordo em partes com este post. Procuro sempre comprar as minhas coisas à vista. Por exemplo: Estou querendo muito trocar de carro, e no momento, devido a compra de um apartamento, estou sem condições no momento. Muitas das pessoas nesta situação, procuraria um financiamento, mas será que o carro atual está tão ruim assim??De um outro lado, muita gente assume um concurso público ou inicia um novo emprego. Em uma cidade como Brasília, que o transporte público é um lixo, acho vantajosa a compra de um carro zero financiado, desde que o prazo não ultrapasse uns 24 meses.

  8. EvertonRic disse:

    Bom, respondendo sua última pergunta do texto: Sim, estou acostumado a comprar á vista faz um bom tempo.
    Tenho este costume por puro prazer, para uma melhor negociação. O poder de negociação é muito MAIOR.
    A principio foi por falta de dinheiro e medo de ter dívidas (porque financiamento é dívida), quer queira quer não, qualquer financiamento é a dívida que temos que pagar. E depois fui me acostumento com o “esquema” e é só pagamento à vista.
    Que beleza todos estes comentários aqui, uma discussão produtiva!
    Abraços.

  9. Nélio disse:

    Eu só pago as coisas à vista (no cartão de crédito), com exceção daquelas compras onde o preço à vista é o mesmo do parcelado, e ainda assim parcelo em no máximo seis vezes. E não deixo ultrapassar parcelamentos de um semestre pro outro, ou seja, em novembro, p. ex., eu compro parcelado em no máximo duas vezes, em outubro em 3, e assim sucessivamente.

    Comprar carro à vista é especialmente interessante, muito embora hoje em dia os “consultores” prefiram vender financiado, pois eles ganham comissões nos financiamentos. Mas onde o “poder do dinheiro” fala mais alto é na compra de um imóvel à vista. Pena que não dá pra comprar nada enquanto a bolha não estourar… rs…

  10. Também sou adepto do pagamento a vista no inicio do ano cancelei meus cartões de crédito e até o momento só tenho o que comemorar pela decisão tomada.

    abços

    ITM

  11. Adriano Sodré disse:

    Bom artigo. é a primeira vez que posto, mas sempre acompanho. Acho incrível como tem gente que financia o carro em até 5 anos. Ou não tem a mínima disciplina para adiar seus desejos ou não sabe o mínimo de matemática financeira para ver que vai pagar mais de 2 carros heheh

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