É possível ficar milionário investindo R$ 100,00 por mês?

| 11 de abril de 2011 | 19 Comentários

Os livros de finanças pessoais – e os blogueiros também! – costumam falar da importância de economizar cada centavo. Trata-se de um conselho útil, já que muitas pessoas deixam de economizar quantias que, ao longo do tempo, pode fazer uma falta danada. Quantas pessoas, no final de um mês, não dão aquela olhadinha na conta corrente e percebem que sobrou uns R$ 100, mas consideram que aquele valor é baixo demais para fazer alguma diferença em suas economias? E então, ao invés de economizar a quantia, resolvem deixar pro orçamento do mês seguinte, e o valor acaba sendo absorvido nas demais contas do mês? Por outro lado, algumas pessoas fazem a conta contrária e acreditam que irão ficar milionários investindo apenas os R$ 100 que sobram no fim do mês. Acreditam que, ao longo do tempo, os juros compostos incidindo sobre uma economia mensal relativamente insignificativa mais do que compensarão as economias mais substanciais que elas deixaram de fazer ao longo dos anos. Quem está certo? Quem economiza os R$ 100, ou quem deixa de economizar a quantia?

A minha resposta a essa pergunta é: nenhum dos dois está certo.

Economizar pouco é insuficiente para garantir sua aposentadoria!

Economizar R$ 100,00 por mês não vai deixar ninguém milionário, a não ser que o investidor consiga rentabilidades fantásticas por longos períodos de tempo. Se você conseguir uma rentabilidade mediana de 1% ao mês, mesmo que alta para os padrões atuais, dificilmente conseguirá alcançar seu primeiro milhão.

Isso ocorre porque, ao longo dos meses, o dinheiro perde seu valor. A inflação, lentamente, corrói o valor do seu dinheiro. Quanto menos você poupa, menores as chances de que a rentabilidade obtida com o investimento de seu dinheiro faça alguma diferença no seu futuro. Mesmo que você consiga alcançar valores nominais bastante significativos, provavelmente aquela quantia terá perdido um valor tão elevado que não poderá comprar tudo aquilo que você pensava que conseguiria.

Vejamos o seguinte exemplo, de um sujeito que economizava apenas os R$ 100,00 por mês, e alcançou com seus investimentos uma rentabilidade média de 1% ao mês – uma rentabilidade difícil de ser alcançada com consistência, atualmente, em investimentos mais conservadores. A inflação considerada é de 6% ao ano. Quanto ele conseguiria acumular em 30 anos?

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Como você pode observar, ele teria acumulado uma rentabilidade nominal de R$ 349.496,41. Nada mal, não é mesmo? Dá pra comprar um bom apartamento em algumas cidades brasileiras, ou garantir uma renda para a aposentadoria. Mas dê uma olhada na segunda coluna: os R$ 350.000 têm um poder de compra muito abaixo do valor nominal. Menos da metade, pra falar a verdade. Ao longo dos 30 anos, a inflação levou embora mais de R$ 225.000 do investidor.

Por outro lado, quem deixou de economizar os R$ 100,00, tem R$ 123.234,10 a menos em seu patrimônio. Não deixa de ser um valor bastante elevado pra quem economizou apenas R$ 100 por mês, embora insuficiente para melhorar significativamente a renda mensal da maioria das pessoas de classe média.

Para conseguir acumular um patrimônio maior, o investidor precisaria economizar mais ou obter uma rentabilidade maior. Com uma rentabilidade de 2% ao mês, por exemplo, ele poderia acumular quase R$ 2.000.000,00 em termos reais (descontada a inflação). O problema é que obter tal rentabilidade em longos períodos de tempo é dificílimo. Isso equivale a 27% ao ano, uma rentabilidade superior à obtida, por exemplo, por Warren Buffett em sua carreira. Peter Lynch conseguiu uma rentabilidade de 27% ao ano por um período curtíssimo. Portanto, a não ser que você seja um gênio financeiro, será dificílimo confiar em uma rentabilidade alta demais para construir seu patrimônio.

A boa notícia é que você não precisa economizar grandes fortunas também para conseguir acumular um patrimônio razoável. Investindo R$ 1.000 por mês, com uma rentabilidade média de 1% ao mês (13% ao ano), algo possível com investimentos um pouco mais voláteis (como ações), é perfeitamente possível alcançar o primeiro milhão, como mostra a seguinte simulação:

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No exemplo, o patrimônio acumulado em 30 anos é de aproximadamente R$ 3.500.000, com o valor real de R$ 1.232.341,00. Mais sacrifício, mas a recompensa é muito melhor!

Portanto, embora a diligência na hora de poupar as sobras salariais do fim de mês seja relevante, ela não garante por si só a acumulação de um patrimônio excepcional. É preciso se planejar para economizar mais e investir melhor. Se você não sabe como fazer isso, mãos à obra – Estude bastante, dê uma olhada nos artigos mais antigos do site, leia bons livros, economize e invista!

Para baixar a planilha, clique aqui.

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Categoria: Educação financeira

Sobre o Autor ()

Fábio Portela é investidor desde 2006 e disponibiliza neste site seus conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, seja com sua experiência, seja por meio das leituras que fez ao longo dos anos. O autor é mestre em Direito Constitucional e em Filosofia pela UnB, e atualmente cursa doutorado em Direito Constitucional na mesma instituição.

Comentários (19)

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  1. Esta conta é muito interessante. Vejamos que os primeiros 10 anos são árduos, mas depois disto, fica muito melhor.

    • Fábio Portela disse:

      Com certeza, Jeferson! O mais difícil nos investimentos é passar dos primeiros dez anos. Depois, a bola de neve começa a crescer cada vez mais rápido!

  2. EvertonRic disse:

    É isso ai Fabio!!
    Ontem mesmo estava falando sobre isso com uns amigos, porém nem todos me entendem.
    Eu, em minha planilha e em meu blog, procuro fazer um planejamento de dois anos futuros, porem com ajustes mensais, o plano é que daqui à 10 anos seja mais milionário..he he he..
    Vamos ver se consigo.
    O post esta ótimo, muito diaatico e informativo, incluso as pequenas planilhas, de fácil visualização.
    Abraços.

  3. Carlos Ranna disse:

    Certíssimo. Adorei esta planilha. Apanho pra caramba do Excel… Vc tem uma cópia dela pra disponibilizar pra gente? Ia poupar um trabalhão. Valeu!

  4. cristina disse:

    Vocês acham que entre altos e baixos, no longo prazo e reinvestindo os dividendos não é razoável uma rentabilidade de 30% ao ano?

    • Fábio Portela disse:

      Não acho razoável, Cristina. Não com as atuais taxas de juros. A não ser investindo exclusivamente em small caps e acompanhando muito de perto as empresas… e provavelmente vendendo as ações após alguns poucos anos, e trocando de investimento. Mas isso seria pura “bola de cristal”, e teria que contar com muita sorte.

  5. cristina disse:

    Fabio, meu pai conseguiu essa rentabilidade investindo na bolsa através de uma administradora de valores que reinveste todos os dividendos na carteira. Ele fez um investimento único em 2000 e de lá pra cá não depositou mais nada.Fico esperando essa mesma rentabilidade pra minha carteira no longo prazo.

    • Fábio Portela disse:

      Cristina,

      Como eu disse, é possível. Mas não provável. Seu pai investiu em um momento no qual as taxas de juros eram elevadíssimas e caíram bastante (algo que normalmente dá bastante fôlego para as ações), e no início de uma década fantástica para as ações. Você pode repetir essa performance? Claro! Mas não é possível projetá-la como uma certeza. Invista aos poucos, em boas empresas, mas sem grandes expectativas, e tenho certeza de que você será bem recompensada. Boa sorte!

  6. Rizio Andrade disse:

    Muito bom post. Na verdade, muitas vezes fazemos as contas, mas nos esquecemos de descontar a inflação. Ainda temos que pensar no imposto de renda nessa tabela… Mesmo assim, o esforço compensa.

    Abraço e parabéns pelo blog.

  7. Realmente a inflação é o grande vilão de qualquer investidor mas nós temos uma das maiores taxas de juro real do mundo o que favorece o bom momento para aplicações em títulos do tesouro, CDBs, etc.

    Abcs,

  8. Rony Melo disse:

    Acho que uma pessoa que consegue poupar mil, consegue facilmente corrigir o valor a ser poupado com algo próximo a inflação. Dai chegaria bem mais próximo do valor nominal da tabela .Eu tento fazer isso, mas pretendo partir para um projeto maior e mais ambicioso: empurrar de “guela a baixo” essa idéia na minha noiva…

  9. Adilson disse:

    Olá Fábio!

    Já lí vários artigos no teu blog e estás de parabéns!

    Ví que vc considerou na fórmula que o valor aportado continuava o mesmo, mas com um aumento o suficiente para acompanhar a inflação o problema estaria resolvido.

    Fiz as contas: ficaria 100 no primeiro ano, no 10º já estaria em 160 e no final, 434.

    Vc poderia ajeitar o artigo considerando isto, pois para aqueles q não podem economizar muito gerou uma certa decepção em economizar.

    gd abraço e sucesso!

  10. Guimarães disse:

    Ótimo post Fábio, acho FUNDAMENTAL a análise descontada da inflação para a questão dos juros compostos.

    De toda sorte, quero lembrar que períodos de inflação estáveis é um desejo nosso, podendo ou não acontecer no futuro desenhado de 30 anos.

    Infelizmente num cenário de hiperinflação (como foi o Brasil do passado)e como pode vir a se tornar os EUA do futuro, a coisa muda de figura. Lembro aqui que o poder de compra nessas circunstâncias é altamente desfigurado pela inflação. Metais preciosos e outros tipos de hard assets podem (e devem) ser aumentados proporcionalmente nos portfólios. Venho estudando o tema a algum tempo e recomendo a leitura do meu blog para maiores informações.
    []s

    http://crisedodolar.blogspot.com/

  11. Claudia disse:

    Fábio, bom dia !

    Parabéns por mais um post; como sempre claro e muito educativo.
    Abraço.
    Claudia.

  12. Bom dia Fabio,

    Como disse o Adilson acima,o valor poupado precisa ser corrigido ao longo do tempo, pois também existem os reajustes salariais para compensar a inflação. Acho que não se deve desconsiderar poupança de 100 reias, pois hoje a pessoa pode ter um emprego pior e já começar de 100 em 100 reais, mas daqui a ‘n’ anos a pessoa pode conseguir um novo emprego e poupar muito mais, e então não começará a poupar do 0.

    Claro que temos sempre que projetar o pior cenário, entretanto o Brasil tem melhorado muito sua renda e a perspectiva é que os salários (e também a poupança) comecem a aumentar no futuro. Assim começar agora com qualquer valor que seja não deveria ser desconsiderado. Posso também estar sendo otimista, mas fora esse período em que o governo abusou dos gastos e estamos sofrendo com inflação mais alta, a meta do BC é 4,5% ao ano, e acho que seria muito pessimista projetar uma média anual de 6% a.a..

    Fora isso o post é ótimo pois é muito importante verificar a força dos juros compostos a nosso favor em contramão a força da inflação que corrói nossos investimentos!

    Grande abraço!!

    • Fábio Portela disse:

      Caro Felipe,

      Quem já lê o site há mais tempo sabe que não desprezo o valor da economia de valores pequenos. Até escrevi um artigo, mencionado no post, onde calculo o rendimento fantástico de alguém que economizasse apenas R$ 100,00 por mês. O objetivo do presente post é outro: é mostrar que, mesmo com rendimentos ótimos, alguém que invista apenas R 100 por mês dificilmente se tornaria um milionário e poderia viver de renda. É preciso economizar mais, tentar se programar para acumular cada vez mais para alcançar esse objetivo.

      Quanto à inflação, tenho minhas dúvidas. Mesmo em períodos de inflação “ótima”, não conseguimos diminuir da casa dos 4,5% em muitas oportunidades (apenas em 2006, 2007 e 2009). Assim, preferi jogar a inflação pra cima – antes pecar pelo excesso, do que sofrer as consequências. Mas, é óbvio que podemos fazer simulações com base em muitas premissas diferentes.

  13. mara disse:

    Fabio, gostaria que me mandasse uma copia dessa planilha, eh possivel, tenho estudado bastante mas uma certa dificuldade em planejar os meus rendimentos, tenho um montante ja aplicado e gostaria de fazer um simulado para ver se se chego ao primeiro milhao em 5 anos.
    Fico no aguardo

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