A saída de Agnelli da Vale e o capitalismo à brasileira

6 de abril de 201158 comentários

O que você acha de alguém que, em apenas dez anos, elevou o lucro líquido da Vale em mais de 1.200%, aumentou o valor de mercado da companhia em 590%, e ampliou sua atuação de apenas 10 países para 38 nações? Tenho certeza de que você consideraria o sujeito indispensável, concorda? Pois é: mas o governo brasileiro, depois de muita insistência, conseguiu tirar o sujeito que conseguiu esses resultados espetaculares da presidência da Vale.

1. A Vale e a crise de 2008

Há pelo menos três anos, o governo brasileiro e a Vale têm se desentendido por várias questões. A primeira delas ocorreu no meio da crise financeira internacional, em 2008. A Vale, agindo rapidamente para diminuir os custos operacionais e sobreviver robustamente à crise, anunciou a demissão de 1.900 funcionários. O presidente Lula ficou irritado com a postura da companhia, que anunciou a demissáo dos funcionários sem que informasse o Planalto da decisão.

Só esse aspecto já seria de ser estranhado. Afinal, no sistema capitalista adotado no Brasil por imposição constitucional, nenhuma empresa precisa anunciar aos quatro ventos que está se reestruturando e que, para não passar por maus lençóis, precisará demitir funcionários. Mais grave ainda é a presunção de que a empresa precisaria avisar ao governo que iria demitir funcionários. A Vale, como qualquer outra empresa privada brasileira, não tem que prestar esse tipo de conta.

2. A Vale cumpre a função social de uma empresa: lucrar, dentro da lei

Muitas pessoas – inclusive alguns juristas que eu conheço – diriam que essa postura é equivocada, uma vez que uma empresa precisa cumprir sua função social. Por função social, esses críticos entendem que a empresa deve compartilhar seus lucros com a sociedade, diminuindo as desigualdades e distribuindo renda. Isso, contudo, não é possível e nem desejável em um sistema capitalista, no qual uma empresa cumpre sua função social de uma única forma: aumentando seus lucros e respeitando a legislação em todos os níveis. Ao aumentar seus lucros, a empresa automaticamente passa a pagar mais impostos e, provavelmente, para continuar sua expansão, continuará a contratar mais e mais empregados ao longo do tempo. É assim que a sociedade ganha, com todo mundo exercendo a sua função – e a da empresa é lucrar.

À primeira vista, a decisão de demitir funcionários no meio da maior crise em pelo menos 30 anos parece desumana, coisa de gente que não tem coração. Mas não é: por conta da rapidez com que as decisões foram tomadas no meio do furacão, a Vale conseguiu sair da crise ainda maior do que entrou. Agnelli foi elogiadíssimo pela maneira com que conseguiu contornar a crise, gerindo a empresa – a segunda maior do mundo – com eficiência e leveza que se espera.

Se demitir 1.900 funcionários parece um absurdo, então Agnelli deveria ser um santo – apesar desse episódio, nos 10 anos em que esteve à frente da Vale, o empresário aumentou muito o número de empregados da companhia. No fim do ano 2000, a empresa contava com 11.442 empregados em seu quadro. Ao final de 2010, a empresa contava com mais de 119.000 empregados. Lula não tem do que reclamar de Agnelli, não é mesmo? A mesma gestão que criou tantos empregos foi a responsável pela capacidade ímpar de crescimento dos lucros e de geração de valor ao acionista.

No ano passado, novo embate. Lula criticou a postura da companhia de investir apenas na produção de minério, ao invés de fabricar produtos de maior valor agregado, como aço e outros derivados. Agora, o governo Dilma – em nítida resposta à Vale – pretende sobretaxar a venda do minério de ferro. O problema todo é que a vantagem competitiva que a Vale tem é justamente no setor de mineração; ela é grande (a segunda maior do mundo) porque se especializou bem nessa atividade. E é por isso que ela deveria continuar fazendo o que faz de melhor – é assim que, no longo prazo, a empresa poderá gerar cada vez mais valor para seus acionistas e para o país.

3. O que esperar da Vale sem Agnelli?

Já confirmada a saída de Roger Agnelli da Vale, o lamentável episódio nos leva a refletir sobre o status do capitalismo em nosso país. Depois de derrubar a confiabilidade da Petrobras por conta do projeto megalomaníaco de capitalização da empresa para explorar o pré-sal, em episódio que surrupiou, de uma tacada só, 30% do patrimônio de seus acionistas, o governo agora mostra mais uma vez as suas garras ao interferir na gestão de uma empresa privada. O episódio é pior justamente por causa disso: a Petrobras, pelo menos, é uma empresa estatal. A Vale, embora tenho o BNDES como um de seus maiores acionistas, é uma empresa privada.

//  

É lastimável a interferência do governo no episódio. Num Estado Democrático de Direito, em uma economia capitalista, o governo não pode definir a política de investimentos ou a política de gestão de recursos humanos de uma empresa. Infelizmente, ainda falta muito para nos afirmarmos como uma democracia plena, ou um capitalismo efetivo.

Bye, bye, Agnelli! Espero apenas que o novo gestor da empresa, Murilo Ferreira – que já foi diretor executivo da empresa – tenha tanto sucesso quanto você! Esperemos que ele mantenha independência quanto aos interesses do Planalto, embora eu não tenha tanta esperança assim – afinal, o governo, por meio do BNDES e dos fundos de pensão (Previ, Petros, Funcef e Funcesp), já detém mais de 60% do capital votante da empresa. A Vale, agora, está sob um cerco que, se não for desatado, afetará os milhares de acionistas que investiram na empresa – inclusive aqueles que aplicaram seu FGTS na companhia – e que podem ter que se preparar para tempos mais turbulentos em sua carteira de investimento.

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Sobre o autor ()

Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.

Comentários (58)

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  1. Nélio disse:

    Fábio, de onde você tirou que a Vale é uma “empresa privada”? O Governo não tem participação acionária nela? Essa participação não é relevante? O Governo não fez valer sua vontade como qualquer controlador de qualquer empresa faz? O que tem de “atentado ao capitalismo” aí? Estranho seria se o controlador não quisesse IMPOR o nome de sua preferência, isso sim…

    E quanto aos resultados do Agnelli, bem… E DAÍ? Você acha MESMO que ele é insubstituível e que ninguém é tão competente quanto ele? Faça-me o favor…

    Reproduzir o discurso da mídia tucana de maneira acrítica e açodada só vai empobrecer seu blog, tão bem conceituado…

    • Fábio Portela disse:

      E não é uma empresa privada? O governo só participa da Vale na condição de acionista privado. Além disso, a parte do “governo” que é composta por fundos de pensão não é do governo, mas dos aposentados, pensionistas e de quem contribui para os fundos.

      • Nélio disse:

        EXATO! A parte do “governo” que é composta por fundos de pensão é dos aposentados, pensionistas e de quem contribui para os fundos, sendo que o governo contribui para os fundos, no mínimo paritariamente, tendo, assim, legitimidade na ingerência da aplicação dos recurso. Ademais, a adesão aos fundos é VOLUNTÁRIA, e não COMPULSÓRIA. Só adere quem concorda com as regras. Pacta sunt servanda. E o resto é mimimi.

        • Fábio Portela disse:

          Nélio, a questão é que o governo pode decidir onde aplicar os recursos DO FUNDO, e não interferir na gestão das empresas em que o fundo investe! Não é mimimi: é o sistema capitalista.

          • Nélio disse:

            Fábio, desculpe-me por dizer o óbvio: interferir na gestão das empresas nas quais se investe é um DIREITO do investidor, seja ele público, seja ele privado. E quanto maior o investidor, maior é o direito. É assim que Warren Buffet opera: comprando participações que lhe assegurem o direito de impor o SEU jeito de tocar o negócio.

            Ainda não estou entendendo essa celeuma em torno de uma decisão estratégica, tomada por um investidor (no caso o governo) no estrito uso das suas prerrogativas… Pode-se discordar, mas daí a vaticinar qualquer cenário vai uma distância só possível de ser medida em anos-luz.

            Tudo isso nada mais é do que a já conhecida intriga da oposição.

          • AlanPatrik disse:

            “Os fundos de pensão – Previ (BB), Petros (PetroBras), FunCEF (CEF) e FunCESP (CESP) – reunidos na holding Litel, e a União, via BNDESpar, atingiram 60,5% do capital votante e 67,5% do capital total da VALEpar, que é a entidade controladora da VALE.”

            Além de desconsiderarem a participação indireta da União via fundos de pensão, vocês ainda estão esquecendo da participação direta desta no capital social da Cia., que acontece via BNDESpar.

            Não se pode desprezar o que o Nélio levantou: que as contribuições são paritárias entre participantes / beneficiários e patrocinadores nos fundos de pensão integrantes da Litel (até onde entendo, os 3 players são donos dos fundos de pensão e não apenas os 2 primeiros, como muitos levantam aqui). E vejam quem são os patrocinadores:

            - BB (Cia. estatal federal de capital aberto e de economia mista controlada pela União);

            - PetroBras (Cia. estatal federal de capital aberto e de economia mista controlada pela União);

            - CEF (Empresa pública federal de capital fechado controlada pela União); &

            - CESP (Cia. estatal estadual de capital aberto e de economia mista controlada pelo Estado de SP).

            Obs.: Há rumores de que o Estado de SP pretende fazer com a CESP o mesmo que fez com o Banco Nossa Caixa, ou seja, aliená-la em favor de uma Cia. Estatal Federal, no caso a EletroBras (a IF foi negociada com o BB).

            Como acionista da VALE, aprovar eu também não aprovei, mas os fatos estão aí e não podemos ignorá-los. Ou seja, gostemos ou não, o controle de fato – direta e/ou indiretamentede – é hoje exercido pela União e ponto final.

    • Fábio Portela disse:

      Não se trata de “mídia tucana”, mas da opinião independente de quem não gostou nem um pouco da maneira como as negociações foram feitas.

      • Pedro Nora disse:

        Nélio,

        Ocorre que o governo não é controlador da VALE! Não possui mais de 50% do capital votante. O que o governo fez foi valer-se de seu poder de Estado para interferir nos rumos de uma empresa privada.

        Grande participação em uma empresa nem sempre dá direito ao controle. Sequer pode o Ministro da Fazenda ir até o presidente do Bradesco para pressioná-lo a aceitar a troca de gestão da Vale! Não se utilizou de seu poder de controlador para isso, porém do poder público, que os tem em nome do povo.

        Quando a Constituição coloca que a intervenção no poder econômico somente ocorrerá em momentos excepcionais (art. 170 e seguintes), está aí limitada a atuação dos representantes do povo para atuar nessa seara. Limitação, esta, imposta pelo povo por meio da Carta Política de 1.988. O respeito à Constituição é o mínimo que se espera em um País.

        Mas tem chefes do executivos que dizem em alto e bom som: “Fod*-se a Constituição”! Basta procurar no Google!

        • Pedro Nora disse:

          Apenas para completar. Caso tivesse o controle da Vale, esta seria uma Empresa de Economia Mista, o que não o é. É uma empresa privada e deve ser respeitada como tal.

      • Fábio, o ferro que a Vale usa é meu, é brasileiro.
        E mais, tenho uma golden share e 12% da Vale!
        Minha mãe é PREVI I, é sócia da PREVI e concorda…. comigo!
        A Vale serve ao Brasil, em 1º lugar!
        Agnelli serve ao Bradesco, apenas.

        • Fábio Portela disse:

          Prezado João Pimentel,

          1) O fato de o ferro que a Vale usar ser “do Brasil” não diz nada: a Vale é uma empresa privada que tem a devida concessão para explorá-lo, e paga tudo o que é devido por isso. Não é pelo fato de explorar um minério “do Brasil” que ela é obrigada a fazer tudo o que o governo deseja. A Vale deve servir aos interesses de seus acionistas em primeiro lugar. Se o governo quiser que uma empresa faça a sua vontade, que constitua uma empresa pública para essa finalidade.

          2) O fato de sua mãe concordar com você não diz nada. Ela representa a vontade de TODOS os associados da Previ, por um acaso? Eu poderia vir com o argumento contrário, já que minha mãe também é associada da Previ e não concorda contigo.

          • Jamais… você é advogado, seja justo.

            O governo pode e deve nortear o interesse do povo, não do Bradesco!

            Teu argumento peca, Petrobrás deixou milhares de brasileiros felizes e é uma estatal que paga seus impostos… coisa que a Vale faz, na Justiça.

            A Previ.. concorda com a minha mãe.

          • E Agnelli foi um péssimo administrador. leia meu post de 2008.

            Problemas e problemas, no mundo.

            O preço do ferro subiu, nada mais.

            BHP, australiana, é vigiada com lupa pelo governo australiano.

            A mesma coisa nos EUA…. o mundo não é da minoria.

            OU…. advogado… não deveria ser!

          • Felipe Wittich disse:

            Não invisto na Vale, mas é interessante que em outro post o sr. credita o “bom” governo de Lula à alta das matérias primas, mas a boa gestão do ex-presidente da Vale é puro mérito e competência.

            O Governo como acionista da Vale tem direito de deliberar sobre o comando da empresa. Conceito básico de direito societário. Não é necessário que detenha 51% da empresa para influir, basta que realize um acordo de acionistas, tudo conforme a Lei das S/A.

            Ps: Gosto muito dos seus textos, independente de concordar ou não com eles. Tenho uma pasta com os artigos que considero mais relevantes, estou sempre lendo e revendo, buscando aumentar minha inteligência financeira.

  2. Fábio

    Acredito que o presidente seja responsável apenas pela gestão. Todo o resto cabe a uma equipe competente, que ainda se mantem na empresa. Isto na minha opinião…

  3. fabio disse:

    Os fundos de pensão não são do governo, mas dos pensionistas. O governo também pensa que pode mandar nos fundos.

    • Sérgio disse:

      Os fundos de pensão são dos funcionários, mas que indica a maioria dos seus diretores é o governo.

  4. Cristiano disse:

    Concordo com você, é lamentável a interferência do governo federal em uma empresa privada como a Vale, com um desempenho brilhante nos últimos anos. Já não basta a ingerência nas empresas de capital misto com a Petrobras.

  5. Andre Luiz disse:

    Concordo com a parte de sobretaxar minério a fim de prejudicar a vale. O Governo não deveria interferir na política tributária para atacar uma empresa específica. Isso remete aos tempos da ditadura…

    Quanto a troca da presidência da empresa, a questão é bem simples. Os controladores da Vale possuem autonomia para gerir a empresa. O mercado não controla a vale, por mais que goste do Agnelli. Se é bom ou não, os majoritários estão fazendo o papel deles.

    Aos minoritários resta aceitar ou mudar de papel. Além, é claro, de ler mais “O Pequeno Investidor” (não cobro nada pela propaganda. rs…) e outros blogs do gênero para aprender a investir em ações, conhecendo as empresas, seus principais acionistas, administradores e como conduzem à Companhia.

    Dizem que o Agnelli era muito bom, mas os controladores da empresa, sejam eles públicos ou privados, têm o direito de tirá-lo.

    Um abraço.

  6. Mauro E. disse:

    O Mercado não é bobo, aonde tem ingerência estatal, o lucro (pelo menos dos minoritários) deixa de ser prioridade, não é por nada que a Petrobras caiu um monte depois dessa palhaçada da capitalização, mesmo com a vantagem deste modelo de exploração do petróleo que passa todo por ela. Estão querendo transformar a Vale em mais um cabide de emprego, em que politicagem, é muito mais importante que meritocracia e competência. Sinceramete o governo não consegue oferecer nem o mínimo de serviços básicos a população, mesmo tendo umas das maiores cargas tributárias do mundo. E ainda fica querendo se meter de tudo que é jeito na iniciativa privada, que é quem realmente cria prosperidade em qualquer páis. Basta verificar o que era a Vale antes da privatização e depois dela. Desde quando o Lula é referência em administrar negócios ? Ficar dando pitaco na administração de empresa dos outros. Não conseguiu administrar nem o mensalão … E tem quem ainda defenda …

  7. leo disse:

    Fábio, nao adianta discutir: petista é uma raça sem cura.

    podes apontar pra uma folha preta que ele dirá que ela é vermelha, ou amarela, a depender se isso atendera ou nao aos seus interesses. a realidade e as verdades universais pouco importam. é o típico pensamento materialista-histórico de todos os comunistas.

    é triste saber que tem gente que ainda nao se curou desse mal

    • Nélio disse:

      E como tem gente que não se curou desse mal, hein? 55 milhões de eleitores, pra ser mais exato. Você, pelo visto, está dentro dos 4% (QUATRO ENORMES POR CENTO) de cidadãos que desaprovaram os Governos Lula. Quem nega uma “verdade universal” mesmo?

      • leo disse:

        eu nao disse?

      • leo disse:

        agora aprovar ou nao um governo, ou votar em um candidato, torna todas essas pessoas petistas? eles quase nao conseguem manipular a cabeça da massa ignorante. quase nada, imagina, que ideia essa minha. Antes que diga que eu sou PSDB: é um outro partidozinho socialista, da mesma laia… a diferença é que nao simpatiza abertamente com regimes comunistas e suas praticas governamentais.. lula e o PT, por outro lado, sao aberta e amplamente favoraveis à intervençao governamental em tudo e todos… pra que o Estado se submeter às leis? que ideia mais burguesa essa.. para o PT (e para todo esquerdista) o Estado está acima das leis, acima do bem e do mal. Pior: o PT, como todo comunista, adora confundir “estar” no poder com “ser” o poder. tenho serias duvidas se um dia largarao o cargo se perderem a eleiçao. enfim, o episodio da vale esta ai pra qualquer um ver.. nao é questao de opiniao, e sim de fatos

  8. Rafael disse:

    Infelizmente estas atitudes do governo já estão repercutindo nos mercado externos, a exemplo das publicações de grandes jornais estrangeiros, o que só ajuda na saida do investidor de fora, que queiram ou não ajuda muito a manter nossa Bolsa.

    Um abraço! http://www.ricoporacaso.com

  9. Alberto Lopes disse:

    Não adianta discutir com Petistas! Eles leem o site Conversa Afiada e pensam que sabem de tudo… Ainda bem que já vendi as minhas ações da Vale e da Petrobras há um bom tempo….

    • Hagai disse:

      O ítem 3 do texto é típico de quem se sente viúva de alguém.
      Desculpe mas é o que me parece.
      Sucesso,

  10. Paulo disse:

    Comunistas não sobrevivem ao longo prazo.

  11. Rodrigo disse:

    Na realidade, o governo pressionou o Bradesco, já que não podia, sozinho, influenciar na decisão. Hitler ficaria orgulhoso do nosso governo, seguindo a cartilha dele direitinho.
    Aliás, o governo entende de siderúrgica? Entende de lucro? Já dá para ver a “M” que vai ser…

  12. Olá Fábio,

    Você tem razão nos comentários e no artigo postado. O governo quer manipular a Vale sim. Não se trata de uma mera intervenção para modificar administração da empresa. O que ficou bem claro foi a forma que o governo conduziu as negociações impondo e não dialogando.

    Para os brasileiros desavisados isto soou muito mal para os investidores internacionais.

    Outra coisita, um pouco fora da discussão em si, mas que a atinge indiretamente. Existem pessoas não aceitam críticas, principalmente os simpatizantes do governo atual. Sempre é assim, quando críticas são feitas elas jogam sujo e mencionam que é culpa de alguém. Que isso sirva de lição e aprendam com a evolução da humanidade: RESPEITAR AS OPINIÕES DOS OUTROS E SABER DIALOGAR DE MANEIRA CIVILIZADA SOBRE OS FATOS.

    Observação: não sou a favor de nenhuma bandeira política no país.

    Abraços,

    Investiment and Trade

    • leo disse:

      comunista liga pra fatos? vê que tem gente que até hoje defende o regime cubano e fidel castro. e o pior: eles acreditam piamente que têm argumentos suficientes para tanto. como pode isso? Lula e o PT até hoje mantêm contato com essas ditaduras sanguinarias da america latina (Chavez e FARC’s inclusos)

      repetindo: esquerdistas e comunistas em geral nao ligam pra fatos. a ideologia é superior a isso. 1984, Big Brother, Orwell total

  13. Francisco disse:

    Fábio, achei interessante o tema e, haja visto que acompanho a Vale ha mais de 30 anos, por ser Engenheiro de Minas, decidí dedicar um tempo para ler. Parei na frase que diz “sistema capitalista adotado por imposição constitucional”…. talvez vc teria pensado em escrever “sistema democratico adotado por imposição constitucional”.
    De qualquer forma, pressão sempre existe, até la em casa que vem de cima, de baixo e de todos os lados. Aproveitando, pressinar para mudar o presidente não é nada comparado com vender (privatizar)a Vale por 3,5$B., o lucro que ela fez em um trimestre.

    • Fábio Portela disse:

      Reitero: “sistema capitalista adotado por imposição constitucional”. Art. 1o, inciso IV, da Constituição, quando reconhece a livre iniciativa como fundamento da República Federativa do Brasil.

      Além disso, o lucro da Vale em um trimestre é o valor que foi pago por ela em 1997 justamente porque ela foi privatizada. Em 97, ninguém imaginava que treze anos depois ela lucraria isso em apenas um trimestre. Ela paga muito mais em imposto do que pagaria caso permanecesse uma empresa estatal.

      • Francisco disse:

        Livre iniciativa e Republica Federativa estão longe de significar capitalismo.
        No segundo paragrafo, vc coloca uma tese que eventualmente poderia ser verdade, como argumento de fatos.

        • Fábio Portela disse:

          Livre iniciativa é um princípio de qual outro sistema econômico?

  14. Samuel Souza disse:

    Fábio e colegas, alguns comentários:
    Primeiro ponto: a Vale não é mais uma empresa estatal ou de economia mista. Seu controlador, a ValePar, é formada por Fundos de Pensão de estatais. Detalhe: os Fundos de Pensão NÃO pertencem às estatais, eles são entidades autônomas objetivando melhores benefícios aos seus associados, e em sua maioria, sua gestão é compartilhada entre representantes indicados pelos funcionários das estatais e por representantes indicados pelas estatais patrocinadoras. Ou seja, diretamente o governo federal NÃO atua nesses fundos.
    Claro que existe influência, só que ela se dá de maneira muito mais indireta do que a influência que o governo tem sobre o BNDS, por exemplo. Claro que no fim da linha, o governo tem seu poder de influência sobre a Vale, e tem sim uma boa parcela sobre a gestão e os rumos da empresa.
    Agora, o que está se questionando é a FORMA como essa influência e gestão do governo federal foram executadas. Em qualquer outra grande corporação (muitas vezes, as quais os próprios Fundos também são acionistas), a troca do alto comando é um processo exaustivamente discutido, debatido e repensado antes do presidente da corporação passar o bastão adiante (ainda mais em uma situação de brilhante sucesso como foi o caso do Agneli). Alguns exemplos: a GE ficou anos até encontrar alguém à altura de Jack Welch. A Apple está passando uns apertos devido aos problemas de saúde de Steve Jobs e já está sondando sucessores. Em empresas brasileiras, a Gerdau e a Votorantim levaram anos para elaborar processos e governança corporativa de modo que as sucessões ocorram sem traumas.
    Tudo bem que desde 2008 o ex-presidente Nunca Dantes na História estava meio de nariz torcido para o Agneli. Ao invés de ter feito a troca de forma um tanto truculenta, o governo (via seus representantes dos fundos) deveria ter debatido no conselho de administração da Vale a SUCESSÃO (esse termo é melhor visto no mercado) do que a simples substituição de Agneli.
    De qualquer forma vamos ver o que vai acontecer. Oxalá espero que a Vale continue a ser uma empresa competitiva e lucrativa, e que não haja ingerências políticas como no seu tempo de estatal.
    Abraços,
    Samuel.

  15. Fabio disse:

    Por essas e outras que não tenho em minha carteira Petrobrás e Vale

  16. rjcinvest disse:

    Simplesmente, um absurdo…. politicalha, querem se meter numa empresa muito boa ainda , para talvez “voltar” à aqueles velhos tempos de ingerência política e cabides (ótimos) de empregos.Isso prova mais uma vez, que governos sejam eles de qual for a ideologia tem mais é que SÓ cuidar de seu povo dando educação e saúde, e nunca querendo se meter a ser empresário…
    abraços,

  17. Enteu disse:

    Prefiro não acreditar em mídia tucana… mas é compreensível o choro desses jornalistas que estão apenas refletindo o choro do dono da mídia.
    Veja que a Vale gasta cerca de R$ 100 milhões por ano em propaganda (CEM MILHÕES), mais que as Casas Bahia e a Coca-Cola.
    Para que tanto dinheiro, afinal a vale vende minério, ou seria apenas para ter a opinião favorável do dono do jornal?
    Quando a troca, não vejo nada de errado, haja vista que o novo presidente é tão competente e experiente quando ao Roger Agneli.
    O Roger Agneli se queimou com o governo quando resolveu comprar navios fabricados na China e desdenhou dos fabricados no Brasil. Acho que isso basta.

    • Fábio Portela disse:

      E uma empresa não pode decidir de onde vai comprar navios, a partir de sua política interna? Tem que ser subserviente ao governo?

      • Enteu disse:

        O Governo deve pensar o Brasil como um todo, se comprar navios aqui iria desenvolver a indústria naval, gerar milhares de empregos, fazer surgir milhares de empresas fornecedoras, gerando outros milhares de empregos indiretos, melhorar a balança comercial do país… acho que tudo isso é válido.
        O problema é que a Vale é uma empresa de um produto só, o minério de ferro, e de um cliente só, a China. Penso que já passou da hora de a vale também investir em siderurgia e produtos derivados desse minério com maior valor agregado.
        Quanto ao valor da vale, ela apenas acompanhou a valorização do minério.
        Hoje não tenho ações da vale, já pensou se a China decidir não comprar mais da Vele…

        • Fábio Portela disse:

          Enteu,

          Concordo que governo deva pensar o Brasil como um todo. Mas ele não pode querer influenciar a decisão de uma empresa, criando factóides políticos: se ele quer que a siderurgia nacional produza navios mais baratos, que reduza os impostos e estimule a inovação tecnológica no setor! Tenho certeza que a Vale compraria navios brasileiros se eles fossem mais baratos e melhores que os navios chineses.

          Além disso, a Vale deve se especializar naquilo que faz de melhor. Já temos outras siderúrgicas, como Usiminas e CSN, por exemplo: por que o governo não estimula as atividades delas, ao invés de querer direcionar a atividade de uma mineradora? Se mudar de foco, a Vale pode acabar diversificando equivocadamente suas atividades, deixando de fazer aquilo que tem vantagem competitiva.

          • Enteu disse:

            Porque ele, o governo, é o maior acionista majoritário da Vale.

  18. Nélio disse:

    Fábio, assim fica fácil… você só comenta a parte que lhe convém. O post do Enteu (e outros antes dele) DEMOLIRAM essa argumentação rasa e estúpida de que a troca do presidente da Vale foi ruim a priori, mas você nem por isso se dignou a comentá-los.

    Reduzir a discussão só a trechos pinçados é fácil. Assim se consegue até construir uma imagem boa de Hitler, como a Folha de São Paulo fez naquela fantástica propaganda de alguns anos atrás (pra quem se interessar: http://www.youtube.com/watch?v=6t0SK9qPK8M).

    • Fábio Portela disse:

      Prezado Nélio,

      Eu já apresentei minha opinião ao longo dos comentários! Discordo de sua posição, mas asseguro o direito de manifestá-la no blog. Poderia muito bem travar seus comentários, como já vi muitos blogueiros fazendo. Já apresentei minhas posições, e comentarei quando julgar conveniente. Sou parcial, assim como espero parcialidade de todos os meus leitores.

      Um abraço,
      Fábio

  19. Mauro E. disse:

    A argumentação do Fábio esta perfeita, independentemente se a troca de presidente for positiva ou não para os acionistas, a questão é o motivo e a forma como ela ocorreu … Ninguem duvida que o próximo presidente seja tão competente quanto o Agnelli. E por favor esse papo de mídia tucana, quanto atraso … sobra sempre para a imprensa.

  20. Luiz disse:

    Pelo jeito o Estado só é bom quando interferi para salvar banqueiros quebrados! Qualquer outra interferência não é boa.
    Se os fundos de pensões e o governo detêm a maioria do capital votante por que o Bradesco é quem escolhe o presidente? Eu acho que estava ocorrendo uma grande interferencia do Bradesco!
    O ferro representa 94% da receita da vale.
    O preço do ferro passou de US$15,00 a tonelada para US$82,00 a tonelada de 2002 a 2010.Se o lucro não acompanhasse…. Até eu que sou bobo.
    O imposto no canada é de 48% , nos EUA é de 45% . No Brasil é de 35%.Agora explica por que gastar tanto em publicidade?Por que será que a imprensa gosta tanto dele assim?Será que existe relação entre as duas coisas?
    Se vc só lê Veja , Folha de São Paulo , Estado de São Paulo e o Globo vc não vai dscubrir.

    • Fábio Portela disse:

      Luiz,

      Eu nem acho que o Estado deveria intervir para salvar banqueiros quebrados. De minha parte, bancos quebrados deveriam continuar quebrados. No máximo, governo deveria intervir para salvar parte do patrimônio de correntistas que confiaram em um banco que quebrou, apesar de fiscalizado por órgãos públicos. E só.

      O Bradesco escolheu o presidente para contar com a boa vontade do governo federal. No fundo, foi apenas um intermediário da situação: Agnelli não teria saído se seguisse a cartilha do governo. Não estou chateado, também, com a saída do Agnelli, mas com a maneira pela qual o governo interveio na situação.

      Quanto ao crescimento do lucro da Vale, ele não se explica apenas pela elevação do preço do ferro. O ferro aumentou 446%, ao passo que o lucro líquido da empresa aumentou 3 vezes mais (1200%). Ganhos trazidos pela administração da empresa, orientada por Agnelli. É só fazer as contas!

      Quanto à publicidade, concordo que deveria ser menor. Mas também entendo a visão da empresa: é preciso fazer contrapropaganda à propaganda que o governo tem feito contra o fato de a empresa ser privada. Pra brigar contra propaganda, só com gastos em publicidade. É apenas mais um aspecto do custo político que o governo tem trazido à Vale.

  21. Luiz disse:

    Bom , em qualquer empresa quem tem a maioria das ações votantes decide que vai ser o presidente . No caso da Vale é diferente?De que forma o governo deveria ter agido?

    Me mostra uma propaganda feita pelo governo dizendo que a Vale não é privada?
    A propaganda é unica e exclusivamente para comprar apoio da mídia!
    Na verdade eu tinha me enganado sobre o preço do ferro, olha esse gráfico (http://www.indexmundi.com/commodities/?commodity=iron-ore&months=120).

    e refaz as contas

    • Fábio Portela disse:

      Engraçado que a empresa saiu do oitavo lugar no mundo, em 2001, para o segundo lugar em tempos recentes. O ferro, pelo visto, só subiu de preço para a Vale…

    • Fábio Portela disse:

      Além disso, o governo não decidiu a saída do Agnelli no voto, mas na base da pressão política. O Bradesco só fez o jogo do governo. Isso, a meu ver, foi o pior de tudo.

  22. Nélio disse:

    Pensando bem, tá certíssimo o Fábio. Como diz um amigo meu baiano, opinião é que nem braço: tem gente que nem tem!

    Mas na MINHA opinião, o blog perdeu em credibilidade ao reproduzir acriticamente o discurso tucano e DEMo. Vou passar a ler o blog do mesmo jeito que eu leio a Veja, mas não vou deixar de acompanhá-lo, porque mesmo com esse (e outros, que não cabe citar aqui) deslizes, ainda é um blog MUITO BOM em conteúdo.

    Nem por isso vou deixar de permanecer esperando (sentado) a FALÊNCIA da Vale depois desse ABSURDO que foi perpetrado contra ela. Do mesmo jeito que estou esperando até hoje a queda generalizada dos preços em 0,38% depois do fim da CPMF…

    • Fábio Portela disse:

      Nélio,

      Quero que meus leitores tenham senso crítico. Não concordo com muito do que a Veja fala, e não absorvo acriticamente o que leio. Se minha opinião é a mesma do discurso tucano ou do Democratas, é por conclusão minha – e não por ser a opinião dos tucanos ou dos democratas. Fico triste por você achar que apenas estou reproduzindo acriticamente opinião alheia. Se minha opinião é a mesma deles, é por coincidência.

      Deslizes, eu não tenho a menor dúvida que vou cometer. E não tenho a menor vontade de ser unanimidade entre meus leitores também, porque aí eu serei macaco de auditório. Escrevo o que penso, e não o que meus leitores gostariam que eu pensasse. Se eles continuam a ler meu blog, é por conta e risco deles! ;-)

      Nélio, peço a você apenas uma coisa: continue por aqui, criticando meus artigos! Tenho certeza de que os demais leitores aprenderão muito mais com esse debate (mesmo que eu seja parcial, como admito que eu sou – e desconfio de quem diz que não é) do que se apenas quem concordasse comigo comentasse. Como dizia o filósofo John Stuart Mill, é mais fácil chegar à verdade pelo debate de ideias do que pela afirmação monotônica de apenas um lado da controvérsia.

      Um abraço,
      Fábio

  23. Evandro disse:

    Fábio, parabéns pelo post. Concordo com vc. A Vale é uma empresa privada e ponto final. Não tem que haver ingerência do governo. Coitado dos participantes da Previ e cogêneres… Se o governo resolver usâ-las para outros interesses, coitado dos aposentados e pensionistas…

    Abraços!!!

  24. Renato Silva disse:

    Porreta, ae galera, vamo vender ferro e importa aço!! Eita povo inteligente! Parece que voltei no tempo, vendendo açucar e outros refinando, temos sangue portugues mesmo, eita burrice!

    • Fábio Portela disse:

      Renato,

      A questão não é tão simples. A Vale tem vantagem competitiva na exploração de minério, não na produção de aço. O Brasil tem siderúrgicas que poderiam ter incentivos para produzir mais aço. O que não pode é o governo querer que uma empresa se desvie de sua principal atividade para outra, na qual começaria num patamar inferior a outras.

  25. Glauber disse:

    Eu, como nao-acionista, e ainda que o fosse, concordo plenamente com a posicao do governo, que defendeu na verdade os interesses do pais. A Vale e o Sr. Agnelli, como todos sabem, estavam comprando navios na China e um aviao na Bombardier. Otimo pros trabalhadores chineses e canadenses, nao acham? Como cidadao, eu apoio totalmente as atidudes do governo nesta questao, mesmo pq nao houve ilegalidade alguma. Os interesses do pais em primeiro lugar. De resto, essa ideia de nao intervencao na economia faz parte do modelo neoliberal, que faliu onde quer que ele tenha sido implementado. Alan Greenspan que o diga.

  26. Arthur disse:

    Glauber e se você fosse fazendeiro, produtor de trigo, e muito bom no que faz diga-se de passagem. E ai chegasse o prefeito da sua cidade e te obrigasse a abrir uma padaria, sendo que você não tem know-how nenhum no negócio. Ou que você comprasse os seus tratores na Bahia porque são bons e baratos e o mesmo prefeito te obrigasse a passar a comprar os tratores na sua cidade local, com preços mais elevados. Você acharia justo?

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