Conversas com corretores de imóveis
Esses dias andei visitando alguns empreendimentos imobiliários em Brasília. Gosto de fazer isso, para acompanhar as movimentações do setor e para ver como andam se comportando as pessoas que trabalham no meio. Além disso, minha esposa adora visitar as unidades decoradas e ver os trabalhos dos arquitetos e decoradores, já que ela é designer de interiores e gosta de estar por dentro das novidades. Então, acaba sendo um programa útil para nós dois. Pois bem: semana passada visitei algumas unidades decoradas e conversei com alguns corretores, a fim de verificar os preços praticados no mercado de lançamentos imobiliários.
Fiquei particularmente impressionado com um empreendimento, localizado no Setor Noroeste de Brasília, a menina dos olhos do mercado imobiliário local. Gostei bastante da apresentação do setor, que tem um projeto de urbanização bem interessante – com ciclovias por todos os lados, gás canalizado em lugares estratégicos, sistema de drenagem que encaminha a água armazenada para os lagos que farão parte de um enorme parque, bem como um sistema de comércio local planejado e que, aparentemente, não terá problemas de estacionamento. Os prédios em si não eram grande coisa – bonitos e tal, com algumas facilidades, como piscina e academia na cobertura (piscina mediana, academia simples demais), salão de festas, mas nada demais. Mas o que me assustou mesmo foi o preço cobrado, bem como as condições de pagamento.
Vejamos minhas conclusões.
A unidade negociada tinha o seguinte perfil:
Apartamento de dois quartos, com duas vagas na garagem – 78 metros quadrados de área privativa
Preço: R$ 858.226,04
Condições sugeridas de pagamento:
- Sinal: R$ 68.658,08
- Anuais: 10 x R$ 33.470,82
- Mensais: 120 x R$ 3.790,50
- Entrega: Outubro de 2012
Achou caro? Então saiba que, na verdade, a conta é um pouco pior. Se você prestou atenção nas condições, deve ter percebido que, na entrega do apartamento, uma grande parte do financiamento ainda estará por ser paga. E aí — algo que o corretor só soltou depois de muita insistência, dizendo que eu não deveria me preocupar com isso — começariam a incidir juros no financiamento. Claro, isso seria esperado – afinal, ninguém acredita que a construtora é boazinha e iria financiar sem cobrar juros.
Mas os juros cobrados a partir da entrega do apartamento são extorsivos: 1% + IGP-M ao mês. Isso significa que, em um ano como 2010, o valor da dívida aumentaria mais de 20% (o IGP-M de 2010 foi de 11,32%).
No apartamento de 2 quartos, por exemplo, ocorreria a seguinte situação. Até a entrega das chaves, o comprador teria pago R$ 218.989,08, e sobrariam R$ 639.236,96 para financiar. Para pagar no prazo, com essas condições, o comprador teria que aumentar o valor das prestações mensais e anuais à taxa de 2% ao mês – contando com uma inflação medida pelo IGP-M de aproximadamente 0,5% ao mês. Caso o IGP-M disparasse (como no ano passado), o valor das prestações mensais e anuais teria que aumentar muito mais para fazer frente ao aumento da dívida.
Caso os juros cobrados aumentassem à taxa de 1,5% ao mês (1% + IGP-M, aproximadamente), e o investidor aumentasse o valor das prestações mensais e anual 2% ao mês (a anual aumentaria à taxa de 27% ao ano, nessa proporção), pagaria toda a dívida.
A questão é: ao final de 1 ano, a prestação de R$ 3.847,36 aumentaria para R$ 4.783,71; em 2 anos, para R$ 6.066,90; em 5 anos, para R$ 12.375,78. E as anuais, em cinco anos, já estariam na casa dos R$ 88.000,00 – tudo isso para poder pagar o financiamento. Pagando menos do que isso, o comprador correria o risco de ter uma dívida impagável, porque os juros são tão altos que, em pouco tempo, mesmo após ter pago muito dinheiro, a dívida seria muito maior do que todo o valor pago até então.
As últimas prestações pagas seriam de R$ 19.905,67 (mensal) e R$ 123.501,77 (anual). No total, pelo apartamento de 2 quartos, teriam sido pagos R$ 1.596.666,26. Vale a pena? Ou melhor: você conhece alguém que tem condição de pagar uma prestação de R$ 20.000,00? Ou mesmo de R$ 6.000, para trabalharmos com um horizonte mais próximo do presente – que seria o valor da prestação em apenas 2 anos? Decerto, esse financiamento está muito acima do padrão de nós, mortais. Se você acredita que sua renda vai aumentar nesse ritmo, vai com fé, mas eu não confiaria nisso. A minha, pelo menos, tenho certeza absoluta que não vai seguir.
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Quando questionei isso ao corretor, ele disse que eu poderia financiar o apartamento pela Caixa Econômica Federal, assim que o imóvel fosse entregue. Resolvi verificar no simulador da CEF o quanto pagaria de prestação. Pela Caixa, simulei uma renda bruta alta, na casa dos R$ 15.000,00 — e, nessas condições, o comprador teria que dar uma entrada de R$ 321.000,00, já que a sua renda não comportaria um financiamento maior. Veja bem, estou falando de um salário MUITO bom!! E teria que pagar a módica prestação de R$ 3.750,00 por 35 anos (tabela SAC, regressiva – embora haja um reajuste nas parcelas, também). Ou seja, mesmo pela Caixa, o comprador teria que pagar à vista quase metade do valor do imóvel (depois de ter pago o sinal) e pagaria muito mais do que é possível pagar, hoje, de aluguel, em um apartamento muito maior!
Confrontado com esses argumentos, o corretor rebateu que o financiamento seria um excelente negócio, porque o apartamento se valorizaria à taxa de 20% ao ano. Se isso acontecesse, em 9 anos, quando eu terminaria de pagar o financiamento, o imóvel de DOIS quartos valeria R$ 4.500.000,00. Decerto, se isso realmente ocorresse, valeria muito a pena pagar R$ 1.500.000 para ter R$ 4.500.000,00, concorda? Mas é racional esperar que, em 2020, um apartamento de 2 quartos seja negociado por quase cinco milhões de reais??
Se você acha que é um bom negócio, mande um e-mail pra mim e eu encaminharei o telefone do corretor. De minha parte, sigo com as barbas de molho.
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Grande Fábio ! Pelo jeito passaste cêra nos ouvidos para não cair no canto das sereias, como diz na lenda (rs)!
Realmente é uma coisa para lá de irracional tanto o preço quanto o financiamento. E ainda acho que mesmo que você tivesse o $$ para pagar à vista o corretor irá fazer de tudo para que você assuma o financiamento…
Acho muito esquisito o fato do Noroeste ser projetado para ser ecológico (vamos ver se de fato o será) e o fato das plantas dos apartamentos não terem nada de ecológicas – não aproveitam a luz natural, não empregam materiais ou outros conceitos sustentáveis, etc. Enfim, o apartamento em si não tem nada de diferente do que se vê em outras regiões, inclusive com os mesmos problemas (cozinhas-corredor, varandas minúsculas, nenhuma variedade de plantas, etc).
Uma pergunta: acho que um fato que alimenta a irracionalidade do mercado do DF foram os aumentos gerenosos a funcionários públicos concedidos durante o governo Lula. Lembro que um analista do BC em 2001 ganhava cerca de 3.000 mensais e hoje o salário de ingresso está em 13.000 reais. O mesmo ocorreu com outros inúmeros órgãos, além de trocarem milhares de terceirizados por servidores concursados. Mas nada indica que no governo da Dilma os aumentos vão continuar nesse ritmo nem que a máquina vai continuar crescendo. Qual o seu ponto de vista sobre o fato, Fábio ?
Obrigado e abraços,
Samuel.
Não acho que os aumentos que vimos tenham relação necessariamente com o aumento dos salários de novos servidores. Há 4 anos ocupo um cargo pelo qual recebo relativamente bem e nesse período nunca tive condição de comprar um apartamento no plano piloto, sendo que sou uma pessoa bem comedida em meus gastos e economizo bastante. Acho que os aumentos afetaram a situação de quem já era servidor há um bom tempo e, por conta de certos “direitos adquiridos”, os aumentos acabaram impactando estupidamente em seus salários, gerando dinheiro excedente para que elas pudessem pagar as prestações. É a situação de quem já tinha incorporado vários “penduricalhos” em sua remuneração, que hoje não são pagos aos novos servidores. De qualquer modo, acho que, pelo menos nesse ano, o governo Dilma vai frear os aumentos sim. Mas vai ter que voltar a partir do ano que vem a abrir o cofre: no caso do Judiciário, onde trabalho, os salários estão bem menores do que os de carreiras análogas nos outros poderes e, em algum momento, a distorção será corrigida, porque os tribunais já estão perdendo funcionários para outras carreiras e há movimentos de greve iminentes. O que deve cair, acredito, é o número de concursos: dificilmente veremos um cenário de contratações como vimos no início do governo Lula. Outro fator que impacta o valor dos imóveis é a corrupção, fator que é dificílimo de estimar. Mas vamos em frente…
Sobre o noroeste é uma opção, compra quem quer…
o que regula os preços são basicamente oferta e demanda, Brasília ainda tem um déficit habitacional gigantesco o que somado a pouca oferta de terrenos a necessidade óbvia de moradia e o desejo eminente do conforto de morar próximo ao trabalho e o aumento da renda do Brasileiro nos últimos anos explicam o aumento dos preços e o valor do Noroeste por exemplo o 3º m² mais caro do Brasil. http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI206636-15259,00-O+GUIA+ESSENCIAL+DOS+IMOVEIS+TRECHO.html
Em brasília pagamos caro por que queremos morar perto do trabalho e nossa cidade vive simplesmente em função do trabalho.
Ridículo isto
Maquinário de lucros perpétuos…
Me lembro de ter visto em um site, a seguinte sátira:
“Pedro Bial pergunta ao ganhador do BBB:
- O que voce fará com 1 milhão de reais ?
- Irei comprar um apartamento !!!
- E com o resto, o que você vai fazer ?
- Ah, irei financiar pela caixa !!!”
Viva a bolha !!!
Hahaha, boa! Triste, mas engraçado.
Pessoal também concordo que o preço é absurdo mas o que a maioria sempre, sempre esquece de levar em consideração é que em muitos que irão realmente morar no noroeste, não começam do zero e sim vão vender um apto que já tem ou seja.. esse financiamento dele é bem menor do que o que o Fábio calculou. O cara já tem um apto que muitas vezes está com valor absurdamente caro.. vai pra um outro melhor. Aos que estão entrado para especular, é fria total..
Respondendo a última pergunta… Só se a inflação disparar. O que não é impossível.
Aliás, dizem os economistas que uma solução para alto endividamento de um país é a desvalorização da moeda.
Você acha, Fábio, que mais a frente o governo aumentaria a inflação, a fim de que essas dívidas que a população tem feito no mercado imobiliário se tornem pagáveis? Falo isso levando em consideração a hipótese de que os valores nominais dos imóveis seriam mantidos e os salários aumentariam para compensar a desvalorização da moeda.
Abs.
ridículo isso, Fábio…
só quem não tem o mínimo de bom senso cai numa dessas!
e olhe que vc acha apto em Ág Claras, com 110m² por 390k, e eu acho caro…
dps, qdo essa bolha estourar, como vai ser? os empresários, q já faturaram os tubos, vão passar a xícara [ou seria o penico] no governo?
essa cobiça q cega, aqui em Brasília, é mais forte do q em outros lugares, ao que parece…
abs, e parabéns por ser, ainda que por eqto, a “voz que clama no deserto” [ou planalto central... risos]
abs,
wally
blog Desfiando Limites
Hahaah…
Outro excelente artigo. Fabio a cada dia se superando.
Estou investindo os meus recursos para poder em alguns dias comprar uma boa oportunidade a vista. Concordo que ver o mercado inflacionar 50% no ano passado em SP nao foi facil, mas continuo convicto que atualmente o meu aluguel sera a melhor estrategia.
O Alexandre tem razão.
Os amigos que conheço que estão comprando no Noroeste, todos tem um imóvel quitado e vão vende-los para ajudar a pagar o do Noroeste.
Mesmo assim, vão ter que financiar muito. Algo em torno de 300.000.
No meu caso, se eu fosse comprar um de um milhão, teria que financiar quase 500.000. Prefiro ficar no meu apto atual (novo) e aplicar o dinheiro em algo melhor.
Conheço alguns que estão com a corda no pescoço, justamente financiando sem ter qualquer outro imóvel antes… obviamente, há gente comprando com todos os perfis aventados. O difícil é saber a proporção de cada tipo de comprador!
Fábio, minha esposa também é designer de interiores (inclusive foi dela o melhor ambiente na mostra Morar Mais de 2009), e também temos como passatempo eventual visitar imóveis, não só na planta mas também qualquer um que esteja à venda e que nos atraia por alguma razão. Neste Sábado mesmo visitamos um em Águas Claras.
Sobre o Noroeste, você sabe e eu sei que a conta simplesmente não fecha. A variável que distorce a análise é o quanto de lavagem de dinheiro existe na especulação imobiliária. Um dia esse dinheiro terá que ser “esquentado” e nesse dia a bolha vai estourar…
Olá Fabio.
Gostei muito do post e tenho lido muitas coisas interessantes no seu site. Como muitas outras pessoas estou interessado em comprar um imóvel e feito muita força nesse momento em que o lado emocional não pode prevalecer sober o racional.Gostaria muito de ler algo sobre como investir e poupar dinheiro do salário com vistas a no futuro comprar esse imóvel que hoje é proibitivo.
Ao mesmo tempo em que os juros são ridiculamente altos para comprar o imóvel, sinto que botar todo o dinheiro na poupança para obter rendimentos pífios e perder muito com inflação também me afastam cada vez mais dessa compra. Aonde você neste momento depositaria o dinheiro de quem tem o valor da entrada do imóvel?
Tomando por exemplo esse post. Se uma pessoa que ganhar 15.000,00 poupasse pelo menos R$5.0000,00 por mês. O que ela deve fazer? aguardar a bolha estourar? Como salvar o dinheiro da perda inflacionária?
Fábio,
Excelente artigo. Mais uma vez comprovando a exuberância irracional que reina no mercado imobiliário local e nacional. O excesso de crédito imobiliário e para o consumo em geral, aliado a subsídios governamentais para aquisição de imóveis no minha casa minha dívida está construindo a maior bolha de nossa história.
Fábio,
Excelente artigo! O assalariado que compra um apartamento de R$1 milhão usa, para dar entrada, um outro que é vendido por R$800 mil. Talvez não valham 60% disso, diga-se de passagem… Pergunta retórica: haverá dinheiro alimentando a base da pirâmide quando os compradores do Noroeste forem pagar as parcelas de chaves?
Nesse ponto, e só nesse ponto, surge uma pequena ressalva a uma conclusão que você tirou em resposta a um comentário de outro leitor. O inchaço nos salários do servidor público, a que tudo indica, foi, sim, o responsável pela bolha.
Em primeiro lugar, os aumentos foram generalizados. O Executivo ganha menos que o Judiciário, que ganha menos que o Legislativo, mas todos tiveram aumentos bem maiores que a inflação. Tomando por exemplo as carreiras de Analista Judiciário e de Analista do TCU, ambas tiveram o salário quintuplicado nos últimos dez anos. De R$1.200 para R$6.000 e de R$3.000 para R$15.000, respectivamente. Ambas, conforme a Constituição, deveriam ser inferiores aos equivalentes do Executivo (assunto fora do escopo da atual discussão, naturalmente)
Esse aumento nos salários (ou correção, para quem preferir chamar assim) foi muito acima da inflação, e adicionado às contratações, indubitavelmente, injetou um volume considerável de dinheiro na economia do DF. Se os servidores em início de carreira, como nós, não puderam comprar um apartamento no Plano, provavelmente colocaram dinheiro no mercado, alimentando “upgrades” sucessivos (A compro o ágio do apartamento de B no Guará, que por sua vez usa o dinheiro pra financiar outro no Plano, por exemplo).
Fora esse pequeno ponto de divergência, agradeço, e muito, pela análise bastante informativa.
Schumpeter, permita-me discordar da sua opinião.
Os percentuais de aumentos nos preços dos imóveis nos últimos anos são praticamente os mesmos no país inteiro, não é exclusivo de Brasília (é só fazer uma pesquisa na internet).
Em Brasília, principalmente por conta dos servidores públicos, os preços dos imóveis sempre foram mais caros que no restante do país. E agora eles continuam mais caros, como já eram antes da “bolha”. Mas os percentuais de aumentos foram semelhantes.
Então os aumentos dados pelo Governo creio que não afetaram em praticamente nada o preço dos imóveis em Brasília.
Creio que a explicação está mais na diminuição dos juros, facilidades de financiamento etc, como demonstram vários artigos aqui no site e na internet.
Abraço.
Esse corretor tomou cachaça? rsrs…
Aqui na minha cidade em alguns bairros já deu pra perceber que o preço parou de subir e em alguns casos os preços estão começando a cair. E isso porque não surtiu ainda os efeitos do aumento no compulsório e da taxa selic na economia. Deixa estar, daqui a 6 meses volte nesse mesmo corretor e vamos ver o que acontece…
Abcs,
Parabéns pelo artigo. Meu comentário é sobre esses dois trechos: “No total, pelo apartamento de 2 quartos, teriam sido pagos R$ 1.596.666,26″ e “valeria muito a pena pagar R$ 1.500.000 para ter R$ 4.500.000,00, concorda?”
Os cerca de R$ 1,5 milhão seriam o valor total pago sem correção, certo? Se for, então deveríamos comparar o “prometido” preço de venda após 9 anos (R$ 4,5 milhões), na verdade, com o valor pago ao longo desse tempo todo devidamente atualizado (valor presente em 2020), que seria bem superior a R$ 1,5 milhão.
Embora R$ 4,5 milhões daqui a 9 anos seja um palpite absurdo e irracional (pois chega uma hora que não tem mesmo quem possa pagar e o preço se equilibra), não é tão difícil crer que esse apartamento estará custando uns R$ 2 milhões. Se o leitor compara R$ 2 milhões de venda com R$ 1,5 milhão de compra, ele achará que vale a pena, e na verdade terá prejuízo.
Bom, se tiver muita inflação, é claro que o preço pode chegar aos vários milhões com facilidade. O preço acompanha a inflação e, naturalmente, quanto maior a inflação, maior será o valor de venda. Mas também maior terá sido o valor pago atualizado.
A bolha está muito próxima de estourar! Acredito que nos próximos anos isso vai acontecer, principalmente quando os apartamentos do noroeste começarem a ficar pronto, vamos ter muitas novidades.
Um abraço
Pois para mim eh exatamente isso que ocorrerá.
Assim que os aptos do noroeste começarem a ser entregues os preços cairão, visto que haverá muita oferta no mercado. Não só os do noroeste sendo entregues como os das asas, sudoeste etc sendo vendidos para quitarem os do noroeste.
Muitos não conseguirão vender pelo preço que estavam planejando, principalmente os donos de velharias (prédios da época da inauguração de brasília).
E quando será que os apartamentos no Noroeste ficarão prontos? Passo por lá e não vejo nada. Vi apenas um prédio subindo e estava ainda no 2º ou 3º pavimento. Está muito lento. Engraçado é que os vendedores dizem que está tudo vendido. Se está tudo vendido mesmo, as construtoras estão com dinheiro em caixa e esses prédios deveriam subir rapidinho. Meu palpite: não foram todos vendidos e o noroeste não foi esse sucesso todo que eles querem nos fazer acreditar.
Concordo que há muitas distorções no mercado imobiliário… Acho que já não é mais momento de comprar qualquer coisa e conseguir uma boa rentabilidade. No entanto, acredito que, assim como no mercado de ações, há sempre boas oportunidades. Eu também moro em Brasília e, atualmente, estou construindo uma casa. O terreno no condomínio já valorizou mais de 80% em menos de 1 ano e meio. Além da valorização do terreno, conto com a valorização a ser obtida após o término da obra. Nesse mesmo período, você mostrou, em mais um de seus excelentes artigos, que os valores de imóveis no Plano Piloto tiveram variação muito pequena e até negativa. Hoje, estou canalisando meus recursos nesse investimento, mas, se tivesse mais dinheiro disponível, investiria em mais uma ou duas iniciativas, já identificadas, com altíssimo potencial de retorno. Acho que, assim como no mercado de ações, é preciso estudar e desenvolver estratégias para investir em imóveis. Assim, é possível empreender no mercado imobiliário e não apenas “comprar e vender”. Essa é minha opinião… O que você acha, Fábio? Parabéns pelo novo artigo!
Fábio,
O mercado de imóveis – como qualquer outro mercado – tem suas oportunidades em qualquer momento. É possível ainda obter bons lucros em nichos específicos. Mas, no geral, creio que as coisas estão bem sobrevalorizadas mesmo.
Abraços,
Fábio
O crescimento da renda no Brasil tem ficado muito abaixo do preço dos imóveis. Isso não é sustentável em médio prazo. Concordo que há formação de bolha no mercado imobiliário brasileiro.
Olá Fábio,
Sou corretor e já postei em outros tópicos, e concordo com você. Os preços estão proibitivos sim, mas como foi dito em outros comentários, para quem não tem lastro na entrega das chaves. Creio que os preços do setor noroeste não estão fora da realidade do mercado, pois o bairro será entregue com infra-estrutura, tem boa localização afinal é plano piloto, tem um novo conceito de entrequadras comerciais, a questão ecológica pode não ser tudo o que dizem mas existem muitas coisas novas que devem ser consideradas como o recolhimento de lixo com sistema a vácuo e outras. Vejo o imóvel na planta como um produto igual a qualquer outro, existem diferenças de preço e para fugir dos preços altos é necessário pesquisar e também barganhar, coisa que o brasiliense perdeu o costume de fazer no ramo imobiliário ou nunca teve esse costume. Sei de negociações que o cliente comprou no Noroeste com condições muito boas e o m² saindo a menos de 8 mil reais. Isso porque negociou bastante e usou e abusou da concorrência entre as construtoras. Tenho certeza que o Setor noroeste será um bairro muito bonito e agradável quando os residenciais começarem a ser entregues, creio que vai ocorrer uma valorização a partir daí pois o perfil dos prédios só pode ser comparado hoje ao padrão da Quadra 300 do Sudoeste na minha opinião. Quem não gostaria de morar na 300 do SW.. O que pode acontecer talvez é uma pequena queda nos imóveis das asas sul e norte, pois pode ocorrer uma grande oferta por parte daquelas pessoas que compraram o noroeste na planta e precisam pagar as chaves e também daquelas que ficarão impressionadas com o novo bairro e desejarão mudar. Enfim tudo são suposições mas uma coisa é certa: não há mais espaço para especulação, quem compra para revenda de ágio está correndo grande risco e prejudicando o mercado com o inchaço dos preços, pois quem quer comprar para morar acaba pagando caro.
Forte abraço e sucesso no seu blog!
Excelente artigo.
Isso é uma bomba relógio, uma hora explode!
Como diz o Alexander Elder, “a esperança jorra de uma fonte eterna”! Todo mundo achando que vai continuar subindo 20% o resto da vida.
Eu tb estou só de fora assistindo.
Acredito que dois fatores sao decisivos para identificar a bolha e acredito que nao vai demorar a estourar:
1. O aluguel já nao é mais sustentável
2. Vc encontra apartamentos prontos pelo preco daqueles que serao entregues daqui há dois anos e meio.
Admiro muita coisa que o presidente Nunca Dantes fez, mas o excesso de liquidez coloca em risco toda a política economica do país. Se nao frear a liquidez já sabemos o fim da história – inflacao. Dilma ainda tem chances de corrigir essa enorme distorçao de liquidez, mas me parece que o populismo com o credito facil vai continuar. A bomba vai estourar para a Viúva como sempre.
A melhor definição de especulação imobiliária foi quando, em 2009, o Correio Braziliense trouxe uma manchete que mostrava uma sala comercial no Noroeste vendida por R$ 500.000,00.
Em resumo: uma kitinete, num prédio que não foi construído, num bairro que ainda nem sequer existe, foi vendida por meio milhão de reais.
É difícil até de explicar para alguém de fora de Brasília que isso realmente aconteceu…
Nas duas últimas semanas tenho visto uma proliferação daquelas faixas de pano que o pessoal coloca nas rotatórias anunciando venda de apartamento. Será o mercado se desaquecendo?
Pois é, tenho visto isso também. É até engraçado, pois há alguns anos o movimento era o contrário: havia muitas faixas anunciando o desejo de comprar apartamentos/casas. Pode ser sinal de que o pessoal está querendo realizar os lucros…
Deixa de ser pão duro e compra logo esse apartamento cara.
Fábio, comprei há aproximadamente um ano uma sala comercial e um flat. Ambos se valorizaram mais de 50%,sendo que venho recebendo reiterados telefonemas de corretores indagando se há interesse na venda. Só por desencargo, vou perguntar, já imaginando que o amigo não poderá ser preciso. Porém, la vai: o que você tem visto e lido por aí? é momento, de fato, de realizar o lucro? os empreendimentos ficam prontos em dois meses, penso em esperar pois há tendência de vender melhor quando forem entregues, todavia, sempre vem o receio de daqui pra lá vir uma bomba!!
um abraço.
Jorge,
Se o flat está tão perto assim de ser concluído e se, após sua conclusão for permitido o uso de FGTS, acho que seria melhor aguardar pois você conseguiria vender a um preço melhor sem tanta demora – no DF existe mercado de gente interessada em utilizar o Fgts, principalmente nas empresas públicas – BB, Caixa, Furnas, Petrobras etc… Os servidores públicos via de regra não dispõem de Fgts ou é muito pouco.
Quanto a sala comercial, e se o flat não permitir o uso do fundo, aí caberia você analisar se o lucro que você conseguiria realizar agora é o suficiente, ou se conseguiria lucrar mais no futuro. Talvez as coisas não mudem muito em coisa de dois meses. Claro, tudo depende de uma série de fatores – localização do imóvel, qualidade do empreendimento, etc…
Espero ter ajudado, abraços,
Samuel.
Jorge,
Acredito que, em dois meses, o mercado não deverá ter tanta oscilação assim. Claro que pode acontecer (o futuro é incerto!), mas provavelmente os corretores querem comprar seu imóvel agora para ganhar justamente na diferença entre o valor de hoje e o valor da unidade após a construção. Você pode perder dinheiro esperando? Talvez… mas acho improvável, no atual cenário. Mas, se o preço atual, para você, já estiver dentro das expectativas, talvez seja o caso de vender. Eu não venderia, faltando tão pouco para terminar a construção!
Desculpe ser um pouco impreciso, como você previu, mas realmente é difícil dar conselhos concretos, já que cada pessoa tem diferentes valores e perspectivas.
Fábio,
E ainda tem a notícia de paralisação dos concursos e nomeações federais, resultado menos gente morando em Brasília (e pressionando os preços dos aluguéis)!
Abraços,
Antonio Alves
Menos gente morando eu não digo, mas já dá uma estabilidade no crescimento…
Fábio
É a primeira vez que posto no seu site, já leio há algum tempo e tenho aprendido muito, tb mim interesso pela tema da bolha imobiliária, desde a crise americana e o aumento dos preços na minha cidade Fortaleza.
Quero compartilhar isso que encontrei hoje sobre o tema
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/874041-governo-quer-criar-indice-de-preco-para-imoveis.shtml
Boa sorte, e continue com o bom trabalho.
Cara, to começando a me inteirar sobre esse assunto. Li todos os comentários. Sabe, tenho 31 anos, e tenho uma renda variável de 3000 reais. Não sou funcionário público nem nada, e de boa, não vejo perspectiva em comprar imóvel nenhum no DF, pelo menos não agora (2011). Águas Claras, que era a garota dos olhos do pessoal da minha geração, que tá começando a vida, já está bizarro de caro, com preços quase se equiparando aos imóveis do Plano. Non sense. Prefiro esperar e ver se os preços caem e ficam mais perto da realidade (e de preferência, no Plano). Ahn, e esse lance do Noroeste ser bom, ecológico e tudo o mais, como muita coisa aqui em Brasília, isso é fachada. Serão imóveis super faturados, feitos com dinheiro lavado (público), por empreiteras nada ecológicas, e com fins menos ecológicos ainda.
Caro Fabio Portela, primeiramente quero parabenizar sua iniciativa gratuita de grande importância. Eu mesmo iniciei um movimento parecido com o seu, mas em escala bem menor. Estou aproveitando que mudei recentemente para São José do Rio Preto-SP, e passeando nos finais de semana. Inevitável deparar com um lançamento imobiliário. E eis que hoje, aconteceu comigo justamente o que vc narra aqui. Um imóvel de 180 mil à vista iria para 570 mil… nas mesmas ” situações “: corretor dizendo que valoriza, etc etc, não comentou sobre juros nem nada, etc etc. IDÊNTICO !!
Vamos indo, vendo até onde isso vai dar… rs
Olha, eu sinceramente acho que um corretor que omite um “pequeno” detalhe desse deveria ser preso. E se fosse uma pessoa desinformada que estivesse realmente querendo comprar o imóvel? Iria ser pego de surpresa com a “pequena” e “irrelevante” taxa mensal de juros.
Fabio, tenho a seguinte dúvida. Já li vários posts aki sobre a questão dos imóveis. Existe realmente a questão da bolha imobiliária e os problemas recorrentes dessa bolha estourar. Em relação a valorização dos imóveis há um fator muito importante a ser destacado: o espaço para a construção. A construção de imóveis está bem acelerada e os espaços físicos, terrenos e tal estão sendo preenchidos. Acredito que quando não houver mais espaço nas regiãos de boa procura, o valor do imóvel tende a subir exatamente por causa dessa procura q ainda será continua. Talvez haverá empreendimentos disponíveis em locais com pouca aceitação, dae lei da oferta e demanda trabalhando nas duas regiões. Concluindo, ainda vale muito a pena avaliar um imóvel hoje para compra em boas regiões por que estas provavelmente terão uma valorização constante. Gostaria da sua opnião a respeito disso.
Para mim é claro que quando o Banco Central altera a Selic ele está na verdade alterando o preço de TODOS os ativos.
Há quem diga que ainda em 2011 a Selic chegue em 13,50%… nesse cenário PRÓXIMO o preço dos imóveis devem cair (é melhor para o investidor vender o seu ap. que rentabiliza 4% ao ano de aluguel e migrar para títulos públicos que pagam 13% ao ano com menos risco) concordam?
Acredito que o mercado de imóveis vais sofrer uma correção em breve.
Alguém comenta “a relação aumento da Selic versus bolha imobiliária” (me parece que foi justamente em 2007/2008 quando o Fed elevou a taxa de juros e 1,00% para 4,5% ao ano é que estou a crise dos subprime).
Abraços.
Jailson,
Já falei um pouco sobre o assunto nesse texto: Por que o aumento de crédito encarece o preço das coisas?