O desafio da previdência

12 de janeiro de 20115 comentários

Amigo leitor,

Como você sabe, de vez em quando publico contribuições de outros leitores do blog. Hoje, publico um excelente artigo de Henrique Arake, que tem um blog interessantíssimo. O tema abordado é de interesse de todos nós, investidores ou não. Afinal, se pretendemos envelhecer, sabemos que haverá um tempo em que não poderemos mais trabalhar para obter o sustento. [tweetbutton] E, então, restam poucas opções: uma delas é contar com a previdência social. Mas esta é uma alternativa viável? Decida você mesmo após ler o artigo!

Prezados leitores,

Não, não me esqueci do foco deste blog para 2011. Mas existem 3 classes de pessoas que não posso ignorar:

1. Minha família;

2. Meus clientes;

3. Pessoas que ajudaram na minha formação pessoal/profissional (esses grupos se intereseccionam).

E quando vem uma sugestão de post do @stephenkanitz não é algo que se ignore:

“Alias você quer ajudar o Brasil. Escreva sobre o rombo da previdência que é nosso prob. Numero 1. Causa da falta de infra”

Minha resposta: “That shall be done!”

A propósito, vocês sabem qual é o verdadeiro problema da Previdência Pública do Brasil? a) Desvios de dinheiro para outras finalidades? b) “Mão grande” mesmo, neguinho “metendo a mão” no dinheiro e levando dentro da cueca?

Acreditem vocês, ainda que ambas as hipóteses sejam realidade, elas não são significativas para o verdadeiro problema.

Qual é? A FORMA jurídica do nosso sistema previdenciário.

Antes de continuarmos, vocês sabem o que é o chamado “cálculo autuarial” realizado pelas empresas de seguro (e, também, pela Previdência Social)?

Vou trazer para o exemplo do seguro de carro pra facilitar, ok?

Eu tenho (hipoteticamente, claro) uma seguradora de carros. Meu problema matemático (bem simplificado, ok?) é chegar num preço que cobrarei de meus clientes (chamado de prêmio) que seja suficiente para pagar 100% do valor do carro segurado, caso ocorra algum sinistro, e ter lucro com isso.

Pra simplificar mais ainda, vamos supor que eu só tenho UM perfil de clientes (mesma idade, padrão de vida, etc.) que possuem veículos do mesmo valor (R$ 30.000,00).

Bom, para esses clientes, descubro que a probabilidade de que eles tenham um sinistro que dê perda total no carro, no ano, é de 25%. A esperança matemática me diz, portanto, para eu esperar uma perda anual de R$ 7.500,00 por cliente, devo, portanto, cobrar ACIMA desse valor, por ano, para que eu possa ter algum retorno financeiro.

Trazendo essa conta para a previdência social, DEVERIA SER mais ou menos assim… a expectativa de vida do brasileiro é de, digamos, 70 anos. Digamos que a maioria deles se aposente aos 60 anos de idade, o quantum recolhido teria que ser suficiente para, no mínimo, sustentá-lo por mais 10 anos, ok? Se o contribuinte morrer antes, o valor que ele recolheu será utilizado para cobrir aquele que viver além dos 10 anos.

Deveria ser assim, mas não é. Aqui, quem paga a conta somos eu e você. Aqui, quem está na ativa (trabalhando, produzindo e, portanto, contribuindo) sustenta os aposentados pelo RGPS (por idade, por invalidez, etc.).

E por que isso acontece? Porque, para além de a cultura de poupar jamais ter sido disseminada no Brasil, o dinheiro da contribuição previdenciária, miséria das misérias, simplesmente desapareceu ao longo dos anos. O dinheiro que seus pais, se contribuintes do RGPS, recolheram, não está mais lá. Aquele dinheiro que está lá agora é TODO meu e seu. Mas, será utilizado pelos que agora estão se aposentando.

Compreendem agora onde está o rombo da previdência?

Digamos que eu não tivesse de contribuir para a Previdência, mas recolhesse os 22% de meus rendimentos numa caderneta de poupança (investimento cujo único mérito é ENSINAR a poupar, já que o rendimento anual é pífio). Esse dinheiro não só estaria me esperando quando chegasse a hora de colocar o chapéu de pescador, mas teria sido utilizado, durante décadas, para investimentos em produção (ou você acha que esse dinheiro fica paradinho no banco? Tsc…tsc…)!

É um jogo de ganha-ganha! Ganho eu que terei uma renda para me aposentar com tranquilidade e ganha a sociedade, que pôde desfrutar de meu dinheiro para produzir, gerar empregos e crescer!

No sistema atual é mais ou menos assim… meu pai (hipotético, pois, graças a Deus, meu pai é um exemplo de precaução e sucesso profissional) não juntou um centavo pra se sustentar na aposentadoria, seja por ter sido um perdulário, seja por, simplesmente, ninguém tê-lo avisado que, bem… aos 70 anos, ninguém consegue ficar empregado mais.

Daí, eu, que não tenho condições de juntar uma poupança E sustentar meu pai, abro mão de fazer uma poupança para mantê-lo vivo. Adivinha o que vai acontecer quando EU estiver com 70 anos (ainda mais com o aumento da expectativa de vida)?

Compreendem porque esse problema não é do Governo? É meu e seu também?

Portanto, não se deixem enganar por matérias jornalísticas que anunciem “arrecadações recordes” na Previdência Social, ou em superávit financeiro e outras baboseiras por aí. O rombo é grande, tão grande quanto 2 gerações de brasileiros que envelhecem, deixam (meritoriamente) seus postos de trabalho e não têm qualquer garantia financeira.

Você gostou do post? Então ajude o blog a crescer divulgando-o! Basta clicar em um dos botões abaixo:
Tags: , , , ,

Arquivado em: Educação financeira
Tags:

Sobre o autor ()

Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.

Comentários (5)

Trackback URL | Feed RSS do comentário

  1. André Savi disse:

    O velho e conhecido esquema de pirâmide!

  2. fabio disse:

    Muito bom o texto!
    Existe algum país que não seja assim?

    • Adonay disse:

      Existe sim, é na china. Lá eles não previdência.

  3. Yassu disse:

    Parabéns pelo artigo Fábio! Preocupo-me muito com a situação… quando a conta chegar, vai ser um desastre de massas…

    Que seu blog ajude as pessoas acordarem dessa “matrix”

  4. rjcinvest disse:

    Ok correto, mas também há o problema da demografia, ou seja, há 40 anos atrás as famílias tinham em média 4 filhos e os “velhos” morriam mais cedo, hoje é o contrário, muito menos filhos e taxa de mortalidade mais longa…. além é claro, do mau gerenciamento dos recursos que sobram.

    abraços

Comente

 Assine nossa newsletter 

Back to Top

SEO Powered By SEOPressor