Notícias preocupantes do mercado imobiliário brasileiro
A primeira semana do ano foi repleta de notícias interessantes sobre como anda o mercado imobiliário brasileiro. A meu ver, as notícias novamente reforçam a tese que tenho desenvolvido desde o fim de 2009 de que estamos vivendo a formação de uma bolha imobiliária, cujos efeitos podem ser bastante perversos para nossa economia e para quem está especulando com o preço dos imóveis sem ter condição de cumprir sua obrigação satisfatoriamente.[tweetbutton] Muitas das notícias, aliás, chegaram a mim em comentários de nossos leitores, aos quais agradeço pela importante contribuição.
1. Estabilização do mercado imobiliário?
A primeira notícia foi publicada na Revista Exame no dia 03/01/2011, e aponta uma estabilização no preço dos imóveis, depois do forte crescimento visto nos últimos anos. A revista menciona ainda pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), segundo a qual houve queda de 3,53% no preço dos imóveis usados, além de uma queda expressiva de 25,6% no número de imóveis usados comercializados.
2. Governo quer aumentar crédito para o mercado imobiliário?
Outra matéria interessante foi publicada pelo Correio Braziliense dia 05/01/2011. A reportagem noticia que os bancos brasileiros estão sendo apoiados pelo Banco Central para aumentar a concessão de crédito imobiliário. Segundo a matéria, os financiamentos receberão mais de R$ 100 bilhões ao longo do ano, cerca de 50% a mais do que o volume total de 2010. Além disso, a Caixa Econômica Federal estaria buscando no exterior mais recursos para injetar no setor.
A meu ver, as duas notícias são relacionadas. Com a diminuição do ritmo do crescimento dos preços dos imóveis, o setor já está dando sinais de que a demanda por novas unidades imobiliárias já não é tão forte quanto há dois ou três anos. Um dos motivos para a diminuição da demanda é justamente a falta de recursos para que as pessoas possam comprar a sonhada “casa própria”. A aquisição de um imóvel próprio é o sonho de praticamente todos os brasileiros, sendo muitas vezes o único investimento que muitas pessoas fazem ao longo de toda a sua vida. Assim, se o ritmo de crescimento dos preços está se estabilizando ou até diminuindo em alguns casos, é preciso desconfiar da falta de dinheiro na mão das pessoas para adquirir sua casa à vista ou, ao menos, pagar a entrada e financiar o restante.
Acredito que o governo pretende justamente evitar que o mercado imobiliário se desaqueça, injetando ainda mais dinheiro para a concessão de novos financiamentos. Com isso, é até possível que o ritmo de valorização dos imóveis possa subir novamente. O lado negativo desse movimento é que, provavelmente, os novos financiamentos serão muito mais arriscados para as instituições financeiras, já que boa parte deles se destinará a beneficiar quem não tinha dinheiro para adquirir suas casas anteriormente.
3. Por que aumentar o crédito do setor imobiliário?
Por que o governo faz isso? Porque, como na Espanha, interessa aos nossos governantes que a situação permaneça assim. Com o mercado imobiliário aquecido, o setor de construção civil emprega mais pessoas (não é a toa que estamos com os níveis de desemprego mais baixos de nossa história recente), paga mais impostos, possibilitando que o governo aumente ainda mais seus gastos, e ainda eleva a popularidade dos governantes. As pessoas ficam felizes por estarem empregadas e por “poderem” comprar a casa própria.
Tudo fica bem enquanto as pessoas estiverem pagando seus financiamentos. Mas o que acontece quando a demanda por novos imóveis diminuir ao ponto de a concessão de mais crédito não levar ao aumento do poder de compra? Afinal, com a elevação dos preços, eleva-se também o custo do financiamento para o comprador. É cada vez mais necessário financiar uma quantidade maior de recursos para poder comprar o mesmo imóvel. No limite, os preços estarão tão altos que ninguém poderá financiar os valores.
Duvida? Então leia o depoimento de um leitor do site, corretor aqui em Brasília:
“Caro Fábio, sou corretor em Brasília, prefiro não me identificar para não ser execrado pelos colegas. Veja um exemplo de uma venda realizada por mim de um ap 2 qtos no setor noroeste em maio de 2010:
Valor do imóvel: R$ 760.000,00
Entrada: R$ 60.000,00
24 mensais de R$ 2.000,00
4 semestrais de R$ 14.000,00
Chaves de R$ 60.000,00
Saldo a financiar na entrega: R$ 536.000,00
- O comprador tem renda bruta de R$ 16.000,00, líquido em torno de R$ 12.000,00.
- não tem outro imóvel nem FGTS
- paga aluguel de R$ 2.500,00
- padrão de vida confortável, paga prestação de R$ 1.500,00 carro de luxo.
enfim, creio que ele não conseguirá honrar o financiamento, visto que no simulador da CEF consta a seguinte condição:
Valor da Entrada
R$ 377.753,72
Valor da Entrada
R$ 377.753,72
Prazo desejável
360 meses
1ª Prestação
R$ 4.795,20
Considerando que ele terá pago R$ 224.000,00 até a entrega do imóvel, de onde ele vai tirar a diferença de quase R$ 153.000,0?? Isso tudo sem considerar as correções no período!!
Este é apenas um exemplo, poderia citar outros..
Vendi até agora 6 unidades no Noroeste, 5 delas com perfis bem semelhantes a este. Só em uma das vendas o cliente vai amortizar as chaves com outro imóvel.
o pior é que esse perfil é a grande maioria dos compradores do Setor Noroeste, tenho pesquisado com colegas.
E aí Fábio o que você acha disso?“
Respondendo à pergunta do colega corretor: eu acredito que estamos construindo uma bomba relógio. No caso dele, ele está falando do Setor Noroeste, um bairro de luxo em Brasília – um lugar em que alguém que ganhe R$ 16.000,00 não consegue comprar um apartamento de dois quartos. Mas a situação é parecida em outros bairros: as pessoas estão comprando apartamentos e casas sem ter condição de honrar seus compromissos. E todo o sistema depende dos compradores quitarem seus financiamentos. Se sua capacidade financeira for exaurida e muitos deixarem de honrar seus compromissos, não é difícil ver no horizonte instituições financeiras e construtoras falindo e, com elas, milhares de pessoas que dependem do setor de construção civil perdendo seus empregos.
Não duvido que o governo mantenha ainda por algum tempo a política de conceder mais e mais crédito para o setor, ou mesmo que comece a flexibilizar as regras para os financiamentos imobiliários. Aos poucos, estamos seguindo, passo a passo, o que aconteceu nos Estados Unidos, na Espanha e na Irlanda. Pelo visto, não aprendemos nada com a segunda maior crise financeira da história. A única coisa que ainda não fizemos foi inventar derivativos lastreados no crédito imobiliário, mas todo o resto estamos fazendo — aumentar o crédito imobiliário a tal ponto que os preços dos imóveis estão chegando a patamares irreais.
Duvida do meu ensaio apocalíptico? Tudo bem, eu não quero que você confie na análise econômica de um bacharel em Direito metido a filósofo. Mas leia o que um economista tem a dizer sobre a questão. Do texto de Luciano D’Agostini, discordo apenas da conclusão de que uma bolha no setor imobiliário brasileiro não teria efeitos sistêmicos graves em nossa economia. Mas leia e tire sua própria conclusão.
Categoria: Imóveis







Pois é Fábio
A cada dia vai ficando mais evidente na midia que a situação é preocupante.
Tem saido muita coisa diariamente sobre o assunto, e realmente, é irreal estes preços de Brasilia…
Abraço
Oi Fábio,
Conheci seu site a pouco tempo mas estou adorando, já ta no feed reader. Essa notícia não me causa surpresa, mas causa tristeza.
Em Julho 2010 comprei um apartamento na planta de 62m em Fortaleza pensando em investir, mas vendo que os preços estavam irreais, escolhi um no qual eu moraria, afinal, se não der certo como investimento eu vou ter que ficar com ele. O preço foi R$ 207 mil, 30% até as chaves em 2013 o restante (corrigido pelo INCC) com financiamento pelo BB de 8,4% a.a.
A minha pergunta é: Você acha que daqui pra 2013, com a estabilização e/ou queda dos preços, a inadimplência, e outros fatores afetando a economia os bancos estarão mais dispostos a fazer acordos? Taxas menores ou valores corrigidos por outro índice (a partir da entrega entra o IGP-M)??
Gabriela, prever o futuro é algo difícil. Acho complicado saber o que os bancos farão em uma situação de crise sistêmica, e não sei se a situação vai se complicar até 2013. É difícil demais prever essas coisas! Há quem diga que antes de 2016, nada estoura, por causa das Olimpíadas, mas, como tudo nesta seara, é um palpite.
Fábio,
bom dia. Ótimo post, como sempre.
“A única coisa que ainda não fizemos foi inventar derivativos lastreados no crédito imobiliário”. Aqui no Brasil temos derivativos lastreados em crédito imobiliário sim. Dá uma olhada: http://www.ourinvest.com.br/m3.asp?cod_pagina=1209
Eu, como você, estou fora disso!
Abs!
hehehe… é verdade, Deuteron! Eu havia me esquecido dos CRI! De qualquer modo, eles ainda não estão tão difundidos quanto os títulos estavam nos EUA! Mas não duvido nada de começarem a fazer isso…
3,53% no preço dos imóveis usados não caracteriza que a “bolha” esteja estourando, isso é normal, se fosse uma queda de 20%, ae sim, por enquanto, está tudo dentro dos conformes.
Eu não digo que a bolha está estourando por isso. Mas já há sinais claros de estabilização – que pode ser, inclusive, o maior resultado da bolha. Os preços podem ficar estabilizados por vários e vários anos a fio, como já aconteceu no passado recente. Mas, a cada ano, o preço cai um pouco, por causa das perdas inflacionárias.
Fábio, se for isso, não acho que caracteriza um estouro de bolha, se o preço dos imóveis estabilizar e perder só para a inflação por alguns anos, é até normal, pelo tanto que subiu nos últimos 10 anos, bolha pra mim, é o que ocorreu e ocorre nos EUA, com o preço dos imóveis valendo 50% ou até menos do que valia a uns 2 anos atrás.
Adalto, e o que acontece se o imóvel passar 10 anos com o mesmo preço? Com uma inflação de 5% ao ano, significa uma queda de quase 50% em seu valor! A diferença é unicamente o tempo de normalização das coisas.
Abraços,
Fábio
Fábio, mas vc realmente acredita que ficaremos 10 anos estagnados nos preços dos imóveis? Que em 10 anos, com a inflação em 50%, os imóveis ficaram no mesmo preço de hoje? Olha, até gostaria disso, mas realmente é difícil acreditar.
Só para constar, o aluguel é reajustado pelo IGPM (se não estou enganado) e só nesse ano, foi acima de 10% de reajuste, vamos supor que nos próximos 10 anos, a correção do aluguel seja o mesmo da inflação, ou seja, 50%, não faria sentido, o aluguel ficaria extremamente caro e os imóveis mais barato, a conta não fecha.
Não sei o que pode acontecer, Adalto… pode acontecer estagnação, pode acontecer uma queda acentuada, pode não acontecer nada! O futuro é absolutamente incerto, o máximo que podemos fazer é analisá-lo à luz das premissas que estão a nossa disposição.
Você acha absurdo o que pode acontecer se os aluguéis se reajustarem e o preço dos imóveis ficar estagnado? Pois aqui em Brasília, se os aluguéis dobrarem, ainda assim a relação histórica entre o aluguel e o preço do imóvel não se ajustaria, de tão altos que estão os preços hoje!!
Hehehehe….mais um excelente artigo, Fábio!
É por essas e outras que estou fora do mercado de imóveis “de tijolo” (embora invista uma pequena parcela de meus investimentos em ativos lastreados no setor imobiliários, como FIIs).
O investidor médio tem a péssima mania de acreditar que, só porque um ativo está subindo de preço, isso seria garantia de retorno futuro. Ele se esquece completamente de que, quanto mais alto o preço desse mesmo ativo, *MENOR* tende a ser sua taxa de retorno futuro.
Lucra mais quem consegue comprar a preço mais baixo. Simples assim. E, no mercado de imóveis, com os preços saturados lá em cima, os lucros futuros tendem a ser, obviamente, menores.
É isso aí!
Um grande abraço, e que Deus os abençoe!
Que venha a bolha para irmos às compras!
Quero parabenizar pelo site e pelo alerta a nós, Fábio.
E uma simples pergunta de amador,
Caso ocorra um crash nos mercados imobiliarios, e eles desvalorizarem, é preju para os que financiaram ? E quem tem dinheiro a pronto emprego, sem divida ou financiamento, terá lucro comprando dos “falidos”?
Leonardo,
(1) Depende do que você considera como “preju”. Em termos de financiamento, eles não serão prejudicados: se continuarem a pagar o financiamento, terão a propriedade do imóvel. O problema é… quem gostaria de pagar o financiamento de um apartamento que custou R$ 400.000 e agora vale R$ 200.000?
(2) Quem tiver dinheiro em um momento de desvalorização do mercado, poderá comprar imóveis melhores a preços mais baixos. A questão é a incerteza sobre o quão sistêmica seria esta crise e quando ela poderia ocorrer.
Fábio, quem já possui imóvel pode financiar outro pela CEF?
Pode, embora as condições sejam bem menos amigáveis.
Alugar está ficando mais caro do que comprar imóvel:
http://www.bmfbovespa.com.br/mulheres/noticias/OP110110NotA.asp
Fábio, TALVEZ isso esteja certo pra população de menor renda, em que os aluguéis são mais caros proporcionalmente ao valor do imóvel. Mas, para quem é de classe média/alta, é preciso tomar cuidado! Para que eu financie um apartamento como o que eu moro (aluguel), por exemplo, eu teria que dar de entrada pelo menos uns R$ 400.000,00, e continuaria pagando ainda uns R$ 4.000,00 de financiamento de uns R$ 200.000. Mas meu aluguel é menor que a metade do valor de cada prestação. Não faria o menor sentido comprar o imóvel, do ponto de vista financeiro!
Vc mora num apto de 600 mil então? NEsse caso, por que vc teria que dar 400.000 de entrada? E financiar 200.000 pela caixa não dá pretação de 4.000 não. Dá menos de 1.800 reais. E outra, se vc paga menos de 2000 de aluguel num apartamento de 600.000, vc realmente está pagando muiiito barato. Se isso é o preço do mercado inflacionado de Brasília, então Belo Horizonte tá pior do que os EUA em 2008! Esses seus valores não batem não viu…
Sim, moro num apartamento que custa R$ 600.000 e pago R$ 1.800 de aluguel. Acabei de calcular no simulador da CEF que, se eu desse uma entrada de R$ 300.000 para comprar um apartamento de R$ 500.000 em 30 anos (financiamento de R$ 200.000), pagaria prestações de R$ 2.100,00 (sem contar a TR) – ou seja, perderia a rentabilidade dos R$ 300.000 e ainda continuaria a pagar uma prestação que, hoje, é superior à do meu aluguel. Se eu quisesse um apê igual ao que eu moro (R$ 600.000), teria que dar uma entrada de R$ 400.000 e pagaria uma prestação maior, de R$ 2.500, porque perderia algumas vantagens que financiamento de apartamentos de valor até R$ 500.000 têm. Ou seja, o prejuízo seria maior ainda.
Muito bom, mais uma vez!
Só uma pergunta, pra descontrair.
Fábio, já estais recebendo ameaças!? kkk
Até pelo seguinte.
Não sei como é em outro países. Mas, aqui no Brasil o investimento em imóvel é uma espécie de instituição; “coisa de gente rica”. Criticar isto em alguns lugares é quase como colocar em dúvida a religião da pessoa.
Continue assim e muito sucesso em 2011.
Vanderlei,
Recebi umas duas ameaças até hoje, por e-mail, e o site já foi atacado umas duas ou três vezes. Mas nada aconteceu… AINDA! rs
Mais um ótimo artigo. Parabéns!
Sugiro um artigo sofre o funcionamento de um financiamento com a tabela SAC, com exemplos. Como a inflação influencia o saldo devedor etc.
Confesso que não entendo muito bem isso.
Ótima sugestão, Leandro! PEsquisarei sobre o assunto.
Grande, Portela! Concordo em gênero, número e grau contigo. Por isso, apesar de ainda pagar aluguel, não estou com a mínima pressa de comprar nada. Vou juntando dinheir devagarinho até que o mercado se ajuste, porque esta escalada nos preços, especialmente com as restrições nos financiamentos que se anunciam, não poderá se sustentar por muito tempo.
Abraço!
Amigo,
O caso do setor noroesto é algo ímpar em nosso mercado. Devido aos preços muito altos em Brasília, esse setor foi criado pelas construtoras de modo que fosse considerada uma “jóia” impossível de se achar, ainda mais sendo no coração do DF, próximo aos locais onde a maioria da população trabalha.
Os preços estão irreais (apartamentos de 50m² por R$300.000), mas não acredito em bolha no momento. Os imóveis eram até baratos e com a concessão de crédito e dinheiro no mercado, os vendedores puderam colocar os preços altos, ainda mais pela carência e oportunidades (poucos imóveis) e somente depois as construtoras começaram a construir na planta.
Por um bom período o que se vinha, ao menos no DF, era a dificuldade em se conseguir comprar imóveis prontos, mas havia vários em construção e quem não pesquisava sempre acreditava na história de poucos imóveis no DF, aceitando os altos preços cobrados pelos que ainda estavam por vir.
Isso era tão bizarro que as construtoras vendiam todos os imóveis antes mesmo dele ser lançado na base. Só tinha papel, mas já estava vendido.
Tenho mesmo ponto de vista que o seu. Ano passado mesmo já alertava que o mercado chegou no limite da especulação.
Agora temos que acompanhar a reação da economia com o possível aperto monetário no início deste ano.
Abcs,
Gostaria de contribuir informando que aqui em São Luís-MA a bolha tá igual ou maior que em Brasília e no resto do país.
Acompanho sempre esse movimento na economia local também e o que vejo é uma corrida desenfreada das pessoas para investir em imóveis imaginando que acharam o “el dourado”.Vários profissionais liberais – conheço professores, psicologos, etc. – estão deixando suas profissões para atuarem como corretores, tem sempre uma história estimulante de alguém que, num dia, ganhou R$ 20.000 vendendo um apartamento. Parece coisa de loteria, ás vezes comparo a situação aqui com a corrida do ouro nos anos 80 – todo mundo naquela época queria ganhar dinheiro com garimpo de ouro, é muito parecido o que vejo.
A maioria dos imóveis por aqui dobram de preço de um ano para outro, sem nenhuma justificativa plausível. Os corretores usam de tudo para justificar isso: seja uma suposta refinaria – ninguém sabe quando realemente ela será instalada e trará benefícios às pessoas – seja um novo shopping construído, condomínio de luxo e por aí vai. Tudo isso causa uma ansiedade enorme e uma corrida aos estandes de vendas.
Sempre tive minhas ressalvas, nunca acreditei em mágicas, uma economia sólida só se faz com uma sociedade sóbria que sabe o que quer, onde quer chegar profissionalmente e com salários dignos. Imagino os professores – classe na qual me incluo e que representam grande número de trabalhadores – como poderão comprar um imóvel nesse ritmo de aumento?
Em 2000 o salário de um professor do Estado era R$ 1000,00, hoje está R$ 1.500,00; a mesma casa, que em 2000 custava R$ 40.000,00, hoje está em torno de R$ 250.000,00, não é difícil perceber a disparidade.
Lembro muito bem que até o ano 2000 era comum se trocar um automóvel novo por uma casa, hoje a mesma casa compra 4 automóveis.
Somos um estado pobre, com muitas dificuldades de toda ordem o que contribui muito para essa falta de visão e reação das pessoas frente ás manobras do capitalista.
Só para encerrar, com um exemplo: semana passada encontrei um amigo, professor há dez anos, que me disse todo empolgado “agora sou corretor, qualquer coisa me ligue, tenho vários lançamentos pra te ofereçer”. Me assustei por que isso está ficando comum por aqui. Quando essa “onda” passar como será que toda essa gente se recolocará no mercado de trabalho?
Além do mais isso é um sinal claro de que as pessoas não buscam uma profissão pela satisfação laboral, mas sim pela “auri sacra fames” entoada pelo dito sonho americano.
Concordo com o Joacy. Também moro em São Luís e observo a mesma situação absurda no mercado de imóveis na cidade. Entretanto em comparação com a situação de Brasília, aqui é muito pior. Apesar dos preços serem menores do que os praticados em Brasília, São Luís é a capital do estado mais pobre do país e acho completamente previsível que os gastos da população com compra e financiamento de imóveis não se sustente por muito tempo. Segundo dados do ultimo senso do IBGE (http://www.ibge.gov.br/estadosat/temas.php?sigla=ma&tema=pofdespesasrendimentos) a renda FAMILIAR média do Maranhense é de apenas 1496 reais! Apesar de termos na capital uma população de maior rendimento, trata-se predominantemente de profissionais liberais, funcionários públicos e pequenos empresários. Nesse panorama, a compra de imóveis como forma de investimento e moradia própria tornou-se uma febre, e encontramos apartamentos em áreas sem a mínima infra-estrutura, com cerca de 100m², vendidos na planta por até 500 mil!
Há 1 ano o classificado de imóveis do jornal de domingo trazia 8 páginas de anúncios. Hoje li os classificados com mais de 50 páginas. E todos os dias me pergunto onde esse povo todo tira dinheiro pra pagar prestações de 5 mil por anos a fio. E creio que a unica fonte dessa renda é o próprio banco. Aqui a bolha deve estourar bem mais cedo.
No exemplo do corretor dado no artigo, tem um ponto interessante:
“Valor do imóvel: R$ 760.000,00
Entrada: R$ 60.000,00
24 mensais de R$ 2.000,00
4 semestrais de R$ 14.000,00
Chaves de R$ 60.000,00
Saldo a financiar na entrega: R$ 536.000,00″
Curioso que essa conta não considera qualquer correção. Lembrando que durante a obra, o saldo restante é corrigido pelo ICC, que gira em torno de 5%a.a. (ou 0,4% a.m, aproximadamente). Sendo assim:
Saldo a financiar: 700.000 (700 – 60 de entrada)
Juros mensais: 700.000 * 0,4% = 2.800,00
As parcelas mensais (R$ 2.000)sequer pagam os juros do montante financiado !!! Faltarão 800,00 somente para juros, sem amortizar nada do principal.
Esse pobre coitado (se é que podemos chamar assim alguém que ganha 16.000 mensais, melhor chamar de, no mínimo, desinformado ou desavisado) vai ficar QUATRO ANOS pagando mensais e intermediárias, somente para manter a dívida do jeito que está !!! Ao pagar os 60.000 de chaves, ele ainda terá de financiar cerca de R$ 620.000,00, quase 100 mil a mais do que as contas do corretor que não consideraram a correção pelo ICC.
Estou curioso para saber de onde ele vai conseguir os 250 mil excedentes…. Para depois então ficar mais TRINTA ANOS pagando esse imóvel, ou seja, vai ficar a vida inteira se matando de trabalhar para (sobre)viver num apê de dois quartos de 70 metros ?!?!?!
Pelo que percebi, esse comprador (e outros quatro compradores do exemplo citado) estão somente especulando. Devem estar acreditando que o mercado irá valorizar mais ainda e talvez vendam o ágio do imóvel em coisa de um, dois anos quando a obra estiver mais adiantada. Talvez o único que comprou pensando em morar seja o comprador que dará outro imóvel como parte do pagamento. De qualquer forma, essa indústria toda só funciona se os financiados conseguirem manter seus pagamentos em dia. Se eles não tiverem como refinanciar ou arranjar outros compradores a coisa não vai acabar bem…
Well, só o tempo dirá .
Sou uma pessoa leiga neste assunto, apesar de cursar econômia, mas vejo com meus próprios olhos um dos piores casos desta bolha: o Rio de Janeiro.
Sai do interior de sp, onde com 100 mil é possivel comprar um apartamento de 70 mts/² em area nobre, perto do centro.
Me deparo, e não só eu com a realidade de estudante universitaria a pagar 700 reais de aluguel em UM CONJUGADO, próximo a favela, a 1:30 da minha faculdade e do centro.
Em copacabana este mesmo conjugado com alguns anos a mais de decadencia custaria 1200, já no leblon prefiro nem saber!
Hoje, a area de expansão do Rio se encontra no Recreio dos Bandeirantes, onde moro, que fica a pelo menos uma hora de tudo, e o metro² chega a custar 4 mil reais, Ipanema esta batendo os 14 mil.
Só me pergunto, que cidade é essa que só mora pessoas com tanto poder aquisitivo, porque em breve estarei nos morros, como a maioria dos cariocas assalariados.
Colegas,
Mesmo após a nova lei do inquilinato, o estoque de imóveis para locação no DF subiu de 50 mil para 60 mil em um ano. O presidente do sindicato dos corretores acha isso ‘normal’. Segundo ele, o proprietário prefere não se aborrecer pois os imóveis no DF valorizam na média 20% ao ano, alugados ou não.
Link:
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2011/01/25/interna_cidadesdf,234053/estoque-de-imoveis-para-locacao-no-df-passou-de-50-mil-para-60-mil.shtml
Pois é, e nesse meio-tempo o proprietário fica pagando IPTU, condomínio e outras taxas, aguardando uma valorização fictícia para sabe-se lá quando… No DF já se percebe uma acomodação dos preços dos imóveis, vamos ver o que vai dar no futuro…
Senhores(as),
Invisto na bolsa há 1 década. Já vivi algumas crises desde então. Queria adicionar mais duas análises minhas sobre o mercado imobiliário.
Vou dar um exemplo da Brascan, BISA3, poderia ser qualquer outra Cyrela, Gafisa, MRV, PDG Realty etc…
Ao final da amarga crise de 2008 o setor imobiliário afundou na bolsa, o fim dos tempos foi anunciado nos EUA. Todos acharam que a contaminação afetaria tudo e todos os setores brasileiros. As empresas do setor imobiliário chegaram a valer 5% do valor patrimonial delas. Isso não foi em um dia, foram uns 4 meses nesse patamar e ninguém queria investir nelas e nem me escutavam, pois era arriscado. Afinal o palhaço aqui já tinha afundado na crise e quem iria querer me escutar que isso poderia ser uma boa oportunidade
Baseando no pensamento do maior investidor de todos os tempos, Warren Buffet, ele teria dito: “Essas empresas são pitocos de cigarro” ou seja, eram excelentes oportunidades. Não deu outra, logo após o anúncio do programa minha casa minha vida o mercado voltou ao patamar anterior à crise em pouco tempo. Ninguém tinha dinheiro sobrando para comprar quando estavam baratas e muito menos acreditavam que empresas do setor imobiliário poderiam ser rentáveis… Todo mundo afundou com a crise (a maioria), onde estava o dinheiro…
No ano de 2009 em que essas ações valorizaram na média de 400%, os imóveis logo em seguida (com um certo atraso) valorizaram seus famosos 100%.
Onde eu quero chegar com isso? O mercado de ações precifica a expectativa futura do setor. Quem viu as ações do setor imobiliário subindo 100, 200, 300…500% correu para comprar seu imóvel nos meses seguintes.
O que está acontecendo nos últimos 6 meses com o setor imobiliário na bolsa? As ações estão andando de lado, parou a valorização, em palavras de trader, os touros perderam a força, quando isso acontece os ursos dão uma pancada na cabeça dos touros e derrubam os preços… Depois da euforia vem o quê? Quantas vezes já ouvimos essa história e não quisemos acreditar…
Era essa a análise que queria complementar, a espectativa futura dos investidores do setor imobiliário na Bovespa não é otimista. Nada sustenta essas altas no mercado.
Entre outras análises já comentadas temos uma contradição entre preços de imóveis e aluguéis. Se os valores de imóveis dobrarem de novo e uma kit de 200mil passar a valer 400mil e o aluguel dobrar de preço tb, acho que me mudo de Brasília senão vou trabalhar somente para pagar aluguel…
Parabéns pelo espaço, espero que tenha ajudado…
Att,
Ajudou sim! A análise foi muito boa!!! Parabéns e obrigado!
Algumas Pessoas não Conseguem Avaliar a Capacidade de Crescimento do Brasil ! Quem Não Conseguir Pagar as Parcelas do Imovel, Pode Revender ! Revenda Nas Chaves ! Não Morra Por Isso !
Consultor Imobiliário !
Marcos,
E se o comprador não conseguir quem compre o imóvel por um preço acima do que pagou? Fica chupando o dedo com o prejuízo?
Marcos e Fábio,
Sim, quem não se planejou ou teve contratempos sempre tem a alternativa de se livrar das parcelas do imóvel. Mas dependendo do local, não é tão simples assim.
Tenho uma colega no trabalho que está passando pela situação que descrevi alguns posts acima: ela adquiriu um imóvel com entrada super-facilitada e prestações baixas durante a obra. Entretanto as parcelas sequer estão cobrindo os juros da correção pelo ICC – o índice corrige a parcela e o saldo devedor, que só está crescendo devido a alta do ICC.
Ela já está com dificuldades de pagar as parcelas e não terá como pagar as chaves, previstas para daqui a um ano. Ela não comprou para morar e já está tentando repassar o imóvel, visando obter algum lucro em cima do que já pagou (ágio). Tem gente que até pergunta, mas aparecer proposta, até agora nenhuma em três meses. Ela vai ter que abaixar bastante o que está pedindo de ágio, isso se não tiver que apenas cobrir o que pagou sem lucro algum. Abaixo alguns fatores para tal:
- o imóvel está em construção em Águas Claras, região no DF que tem muita oferta de imóveis, tanto prontos, quanto em obras ou lançamentos;
- Existem lançamentos em todo o DF cujo pagamento da entrada é baixo e facilitado em condições mais atraentes do que as que ela está vendendo;
Estou relatando uma situação real para esclarecer que repassar o financiamento pode não ser tão simples nem tão rápido e, no caso acima, ela pode vir a ter algum prejuízo – talvez não no valor bruto, mas se pensarmos como custo de oportunidade durante todo o período, em termos financeiros a probabilidade de ter feito um mal investimento é muito grande.
Em suma, com o mercado aquecido do jeito que está e com muitos lançamentos, tentar vender o ágio pode não ser um bom investimento. O ágio fazia mais sentido em um mercado como o de alguns anos atrás, onde não havia tanta oferta de imóveis nem tantas facilidades para adquiri-los. Talvez uma alternativa para ela seria tentar segurar até a conclusão da obra quando então um futuro interessado tiver a possibilidade de utilizar o FGTS.
Abraços,
Samuel.
Prezado Fábio,
O comentário do amigo Samuel Souza reflete a situação de muita gente. Infelizmente hoje no DF são dezenas, centenas ou talvez milhares de pessoas que adquiriram imóvel na planta, pura e simplesmente para especular. Sou corretor de imóveis, vendi lançamentos por muito tempo e percebo que as pessoas buscam o fácil e lucrativo, algumas chegam a acreditar na conversa de corretores inescrupulosos que dizem que imóvel na planta já pode ser repassado após 2 ou 3 meses do lançamento com ágio! Alguns anos atrás, ganhei boas comissões com essa prática, você vendia no lançamento e as vezes em menos de 1 mês já tinha interessado em comprar o ágio, pois não tinha mais unidades a venda na construtora. Já presenciei investidor comprando 30 unidades! E todas foram revendidas antes da entrega com boa lucratividade. A mesma coisa já aconteceu no passado com os carros zero KM: As fábricas não davam conta de atender a demanda e muita gente comprava por 10 e vendia por 15 na porta da loja. Mas da mesma forma que no ramo automotivo, esses tempos passaram, pois chega uma hora que o mercado se acomoda. Hoje afirmo com certeza, e não aconselho ninguém a comprar imóvel na planta com a intenção especulativa. Acredito que imóvel é um excelente investimento, para quem não gosta de outras modalidades e prefere o conservardorismo, desde que a intenção do investidor seja bem definida, como por exemplo construir um patrimônio, fazer uma reserva para os filhos, aposentadoria com a renda dos aluguéis, etc.. Mas para especulação pura e simples creio que não há mais espaço, quem não concordar comigo tudo bem, mas essa é minha opinião.
Forte abraço!
Valeu, Flavio! É de corretores conscientes como você que o Brasil precisa!
Olá pessoal falo aqui de Salvador e trabalho no setor imobiliário bolha creio que não mas com essa especulação que esta o mercado aqui em Salvador o m² subiu muito devido as construtoras de São Paulo e Rio e estragueiras fazer leilão nós terrenos de Salvador o que faz que diretamente o valor dos imóveis na planta tenha um grande aumento.
Mas leva a entender que se o povo alimenta essa especulação, é claro que as pessoas tem a necessidade de ter seu lar e não pagar aluguel, o exemplo aqui é um apartamento de 56mm² ter o m²= R$ 3.580,00 em bairro popular sendo que a renda da grande maioria de Salvador não passa de R$ 2.500,00. Fora que a infraestrutura da cidade não cresce conforme o crescimento da construção civil, transformando a cidade num furacão urbano de São Paulo.
O crescimento econômico que politicos, bancos e construras querem não se preocupa com o futuro e sim o grande lucro do agora, o amanhã quando chega eles iram fazer algum imposto para o povo pagar.
Como dizem na nossa Bandeira: Ordem e Progresso
Fábio,
O que vc sugere neste momento de “incerteza imobiliária” a quem vai fazer um financiamento para aquisição de imóvel, juros pré fixados ou pós fixados? Ou seria o momento de não financiar?
Sempre prefiro juros pré-fixados. Mesmo que juros pós-fixados possam cair, o melhor é contar com juros predeterminados que você sabe que poderá pagar. Os juros podem cair, mas também podem subir. Melhor não fazer apostas com seu futuro financeiro.
Quanto ao momento, isso depende de várias coisas – região, valor que você tem à sua disposição para adquirir o imóvel, a finalidade da aquisição (comprar pra morar ou pra especular), e eu não poderia responder a essa pergunta sem saber esses fatores.
Abraços,
Fábio
Não entendo o porque de tanto pessimismo, não é o mercado que está se estagnando ou se tornando uma “bolha” é você que está ganhando pouco, pesquise e perceba a parcela do nosso PiB que esta agregada em imóveis e faça um comparativo ao que está atrelado a outros países aqui citados.
Trabalho com vários perfis aqui em São Paulo, a única coisa que esqueceram de falar é que não temos mais terrenos para se construir e isso interfere claramente no valor do metro.
Respeito suas opiniões entretanto algumas das suas citações não estão de acordo com o momento que o mercado passando!
Abraços.
Parabens, Fabio, pleo blog. Muito informativo, linguagem clara e sem pedantismos. Exatamente o que eu precisava. Gostaria que vc me recomendasse alguns livros para aplicacao em acoes. Eu simpatizo muito com a escola fundamentalista, mas ainda nao me sinto seguro pra fazer minha primeira compra. Os livros que vc recomendar podem ser em ingles ou portugues. Obrigado !!!
Na minha opiniao os preços dos imoveis nao vao parar de subir,apenas vao subir um pouco mais lentamente.O lhe ao seu redor como tem gente nascendo e velhos vivendo cada vez mais,todo ano uma nova geraçao esta casando ,tendo filhos e envelhecendo e todos precisam de um teto para morar e pelo fato de cada do aumento populacional e os espaços diminuirem eu acho que os imoveis continuaram a subir nas grandes capitais onde se concentra a maior parte da populaçao e onde tambem os terrenos se tornam raros para construir.
Este país é uma vergonha, expeculação e só sobrevive de financiamentos com altos juros pagos por trabalhadores com rendas que não ultrapassam 2.000 R$.
O povo brasileiro que tem que acordar e parar de viver na empolgação e agir com a razão! quem dita o mercado é os consumidores e ainda somos emergentes e estamos vivendo uma situação irreal de preços nao compativeis com a nossa realidade.
OI FABIO.
GOSTARIA QUE VC ME DESSE UM CONSELHO,TEM UM APT. QUE ESTÁ AVALIADO EM R$220.000,00,POREM DEPOIS DE PAGAR A ULTIMA PRESTAÇÃO, A CEF ESTÁ ME COBRANDO UM RESIDUO, ENTREI COM ELA NA JUSTIÇÃ JÁ FAZ 2
ANOS,MAS COMO VC SABE QUE NO BRASIL OS PROCESSOS SÃO LENTOS NÃO TENHO PREVISÃO PARA
QUANTO TEMPO VAI DEMORAR.
BOM O IRMÃO DO MEU VIZINHO ME FEZ UMA PROPOSTA DE COMPRAR O APT. ME OFERECEU 10% DE
SINAL(22.000,00)E 198.000,00 REAJUSTADO MENSAL
PELO IGPM ATÉ SAIR O LIBERAR O PROCESSO DA CEF.
SE FOR ALUGAR O IMOVEL ESTÁ AVALIADO R$1.000,00
VC ACHA QUE SE EU VENDER ESTOU FAZENDO BOM NEGOCIO, AGUARDO A SUA RESPOSTA OK. ABRAÇOS
Parabéns pelo artigo.
Aqui no PR, no interior, o preço dos terrenos está fora do bom senso. Existem terrenos localizados, literalmente na periferia da cidade com preços absurdos. Não consigo entender tanta valorização. E para os construtores que adquirem terrenos para construir imóveis com o objetivo de vender para interessados através do Minha Casa Minha Vida, o lucro está ficando menor. Será que está ocorrendo um equilíbrio??
Olá Fabio e leitores!
Bom, eu venho acompanhando o Blog há algum tempo e gostaria de solicitar uma nova análise de previsão do mercado imobiliário, tendo em base o cenário de Janeiro, que motivou o post e as opiniões, e o atual.
E perguntas:
1 – Com base no retrospecto, aliado a fatores como análise cambial (bolsa de valores) e nível de especulação, pode-se prever (digo, SE é possível) o que ocorrerá com o mercado durante os próximos 2 anos, com relação a medidas políticas e impacto econômico no setor?
2 – Será que é imaginável um movimento de “sem-teto” ganhando força?
Minha opinião: Valorização logarítmica seguido de caos por inadimplência. Percebam que o programa “Minha Casa, Minha Vida” abrange hoje uma fatia muito singela do mercado, diferente do que era há 2 anos e isso é um indicador negativo, pois sinaliza monopólio ou surgimento de um grupo retentor de recursos. Para mim, indica que se a coisa seguir no rumo atual, sem qualquer intervenção política, viveremos uma reprise dos anos 80 em breve, onde aquisição de imóvel era apenas “sonho” para a população e um mercado para conservadores, destinado a pessoas com renda de 100 ou 200 vezes maior do que a renda per-capta da região.
Por favor, digam se perdí o senso ou chance disso ocorrer é mais real do que imagino.
Fabio,
Sou um estudioso de investimentos certificado pela ANBID CPA20 e tenho observado todas as modalidades de investimentos há muitos anos. Cheguei a uma conclusão e gostaria da sua opinião.
Há muitos anos atrás compensava mais investir no Overnight do que no setor produtivo. No governo FHC houve um “Boom da Renda Fixa e investimentos em taxas de juros estratosféricas do governo”. No governo Lula, passada a turbulência inicial boa parte do capital migrou para o mercado acionário gerando um “Boom das ações de empresas” de 2002 a 2007. Agora grande parte do capital dos investidores migrou para os imóveis gerando este “Boom Imobiliário”.
Minha tese a partir do parágrafo anterior é de que estes “Booms”, não passam de modismos financeiros que tem início, meio e fim. Acredito no seu texto sobre a bolha imobiliária e na migração dos recursos bilionários hoje investidos em imóveis para um próximo investimento mais atraente.
Atenciosamente,
Jorge Assumpção
MEU ESPOSO É CORRETOR DE IMÓVEIS. FAZ 4 MESES QUE A IMOBILIÁRIA NÃO VENDE 1 CASA SEQUER, ACREDITO QUE ESTAMOS ENTRANDO EM UMA CRISE DE VENDAS, MAS NÃO DE PAGAMENTO, AINDA!!!
Sou Oficial de Justiça e odeio ficar realizando Despejos e Reintegrações de imóveis para bancos, construtoras e imobiliárias, se algumas deles falissem ninguém daria pela falta.
Se bem que com o $$$$ que ganharam nessa especulação dos últimos anos, os únicos que vão sair perdendo são seus funcionários, acostumados a uma vida boa por conta de comissões e coisas do tipo.
Moro na Zona Leste em São Paulo. Nesta região o M2 saltou de 1.900 M2 (2008) para incriveis 6.000 (2011). Quem tem imovel está tão sem noção de preço, que no condominio onde moro tem aptos de 220 mil (a venda, mas não vende), e
morador achando que o seu imovel comprado por 70 mil a 15 anos atras, vale 370 mil hoje (apto de 68 m2). Sou do segmento da construção Civil e digo, que as construtoras estão com uma gordura colossal. Se venderem um imovel com 30% de desconto, ainda garantem uma excelente margem. Fico pesaroso pelas familias brasieliras, que perderão a paz e qualidade de vida nos proximos anos ( endividados ), somente para saciar o apetite de um pequeno grupo que aprendeu a tirar proveito do seu humilde sonho da Casa propria.No mercado financeiro tem sempre alguem ganhando e alguem perdendo, porem quando a especulação passa para para setores de necessidade primaria (moradia, alimentação, educaçao, transporte e saúde), no fim todo mundo perde. Para mim um indicador que tem algo errado, é o Crescimento do numero de lojistas do segmento de Material para Construção com restrição no Serasa, coisa que não se observava no inicio do ano (São Paulo e Grande São Paulo). Como dependo do setor de construçao, espero que o ritimo continue e que o publico alvo das construtoras mude dos especuladores, para familias que sonham com sua moradia.
Considero que estes comentários são no mínimo de uma visão “terrorista”, extremamente limitada a um universo muito pobre de informações.
Visão unilateral, que é bem peculiar aos advogados.
Mais estupido ainda é o relato do corretor de Brasilia….acho que ele deve procurar uma outra profissão pois é responsabilidade do bom corretor, orientar e informar o comprador e ele com esta analise tão “criteriosa” nunca deveria vender este produto.
Caros
O que vai haver é uma estabilização nos preços, e não uma bolha imobiliária, busquem informações de pessoas competentes e conhecedoras no negócio, e não um aprendiz que não acredita no próprio país, por isso que se intiltula de O Pequeno Investidor, vai morrer assim ……
Obrigado, Grande Investidor.
Júnior, ao invés de vai haver uma estabilização nos preços, não seria melhor dizer pode haver…no mercado, nunca afirma nada…em relação a este Site o Pequeno Investidor, seu comentário não foi feliz.
Acho interessante a sobriedade do debate….
Quanto a bolha aposto que ela vem no máximo ate 2016 com a chegada das olimpíadas, não ha como fugir disto!O consumidor brasileiro perdeu a noção da realidade e acha fácil ir ate a caixa federal e assumir uma divida de30 anos mas a realidade bateras a tua porta.
No Brasil não sera diferente da crise das tulipas,tulipomania ou crise dos ventos…
Comentarios como os da Heloisa Maria(grande investidora) enobrece minha inteligencia.Hoje voce vende seu imovel apenas para quem quer financiar ou que seje construtor e quando der sorte vende para um investidor que quer comprar barato para revender para os ditos acima….esse cliente e finito.
Bom, capitalismo é assim mesmo alguns sempre ganham( classe dominante) e outros perdem(os trabalhadores). Leiam Marx e nao precisa ser comunista para ler a verdade. Nesse sistema nunca tem equilibrio(veja crise europa), o que aconteçe no Brasil e no mundo é o animal espirit dos empresarios (ler Keines) ou seja o liberalismo e suas consequencias.
Li todos os comentários e concordo com alguns, principalmente pelos valores do M² estarem altos demais em algumas regiões, sei que as construtoras estão se aproveitando do momento colocando os valores acima do que realmente poderiam cobrar tendo lucros exorbitantes, mas falar em bolha, acho isto um pouco demais, para se criar uma bolha e preciso de varios fatores que levem a este cenário, o que não ocorre no Brasil, sim os valores de imóveis estão em profunda valorização, mas a demanda por novos imóveis e grande e a renda do Brasileiro tem crescido nos ultimos anos, falo isto porque sou corretor e ao atender meus clientes, tenho visto jovens de 20,21,22,23 e 24 anos que hoje ganham em media R$ 8.000,00 em inicio de carreira, e que se preocuparem em ter seu primeiro imóvel, e a lei da oferta e da procura, o mercado tem muito a crescer ainda, logico com os preços subindo mais devagar agora, concordo com o colega acima que diz que quem quer comprar para revender para obter lucro, esta não e uma boa hora, mas para quem procura o seu primeiro imóvel para morar, que e o caso da maioria dos brasileiros ainda esta em tempo de tentar a compra, mas sempre com segurança e tentando se abastecer de todas as informações possiveis para uma compra segura e tranquila,quanto ao financiamento imobiliário que tanto se falou aqui, o banco so aprova a liberação do credito se o comprador provar que tem capacidade de pagamento que não pode ultrapassar os 30% de sua renda, por tanto só compra o desejavel imóvel quem tem renda para provar que pode honrar seus compromissos,e o cliente ja sabe o quanto vai pagar desde a primeira parcela ate a ultima, isto e a tabela SAC, então não venham dizer que o cliente não era sabido, deixar de pagar as prestações, acredito só se for em caso de perder o emprego, mas estamos em um momento de crescimento de nosso país com boas perspectivas em varias areas, portanto vamos torcer para que o país continue crescendo e seus filhos prodigos continuem a realizar seus sonhos, coisa que a anos atrás era impossivel de se realizar.
O expressivo aumento observado, sobretudo nos dois últimos anos, nos preços dos bens imóveis, independentemente da tipologia (residencial, comercial, industrial ou rural), bem superior à variação dos preços de quase todos os demais ativos disponíveis em nossa economia, tem levado alguns articulistas a discutir se estaria ou não sendo formada uma bolha imobiliária.
Essa bolha seria similar à verificada em diversos países desenvolvidos e que, ao estourar em 2008, produziu uma gama variada de problemas (queda do PIB, desaparecimento de empresas, aumento do desemprego, tensão social, entre outros) até então não totalmente equacionados.
Para responder à questão, acho útil relacionar os principais fatores macro e microeconômicos que estimularam a demanda por ativos imobiliários em nosso país, a saber:
… a) a estabilidade econômica alcançada
b) o crescimento da renda de parcelas consideráveis de nossa população
c) o aumento do prazo para pagamento dos financiamentos imobiliários, com consequente queda do valor da prestação
d) a criação de isenções tributárias para o investidor pessoa física aplicar em títulos com lastro imobiliário (LCI, LH, CRI e quotas de fundos de investimento imobiliário)
e) a entrada no mercado de grandes “players” (empresas, fundos de investimento, fundos de pensão) que viram no segmento imobiliário boa oportunidade de investir em ativos não correlacionados aos de suas carteiras
f) o aumento do preço das commodities agrícolas elevando o preço das terras agricultáveis
g) a possibilidade de auferir boa remuneração (renda de aluguel e ganho de capital na venda do bem)
h) a proteção implícita oferecida por esta classe de ativos contra aumento da inflação.
Com tantos indutores e estímulos à demanda, por que então não tivemos um aumento mais substancial na oferta de bens imóveis no país?
Entre as causas principais podemos citar: a baixa oferta de terrenos nos grandes centros urbanos; a falta de investimento público em infraestrutura que ampliasse as áreas de expansão urbana; a falta de mão de obra (especializada ou não); a escassez de máquinas e equipamentos; maiores exigências ambientais; e o longo ciclo da produção imobiliária.
Vale ressaltar que esse ciclo (estudo de um terreno, sua aquisição, desenvolvimento e aprovação do projeto, construção/venda, e, por fim, entrega dos imóveis aos adquirentes), para ser concluído, exige, pelo menos, quatro anos.
Dessa maneira, não é possível ampliar de forma significativa e imediata a oferta imobiliária de modo a atender plenamente a demanda hoje existente. A consequência natural desta dinâmica é o contínuo aumento dos preços.
Adicionalmente, destacamos os seguintes pontos estruturais que blindam o nosso mercado e inibem a formação de bolha:
1) a taxa real de juros que ainda é muito elevada
2) o baixo nível de volume de crédito imobiliário em relação ao PIB (em torno de 5%)
3) a adoção de critérios mais técnicos para concessão de crédito imobiliário (por exemplo a prestação não supera o patamar de 30% da renda familiar do financiado)
4) o fato de o comprador de bem imóvel não conseguir financiar 100% do preço do bem. Como apenas parte do preço é financiada, se houver queda do valor de mercado do bem, dificilmente o saldo devedor ficará superior ao valor da garantia que é o próprio bem imóvel. Tal fato, além de reduzir a inadimplência, facilita a recuperação do valor financiado
5) a impossibilidade jurídica de um tomador de crédito imobiliário (diferentemente do que ocorreu em alguns mercados mais maduros) refinanciar diversas vezes o imóvel adquirido, pois, por aqui, com a utilização do instituto da “alienação fiduciária em garantia”, o credor fica como titular do imóvel até que o financiamento seja integralmente quitado, não sendo, portanto, possível ao devedor, enquanto não ocorrer o pagamento total da dívida, fazer operações que impliquem novos registros na matrícula do imóvel no competente Cartório de Registro Imobiliário.
Em suma, os fatores antes destacados, indutores da demanda e limitadores da oferta, além dos aludidos pontos estruturais, continuam, com maior ou menor intensidade, presentes no mercado imobiliário brasileiro. Assim sendo, entendemos que não há bolha imobiliária no nosso país.”
Entenderam!!!!
E essa situação tem previsão de se estabelecer ou será uma bolha de sabão memso? Dá até medo de fazer qualquer tipo de investimento no ramos imobiliário.
Meu caro, pode fazer investimento em imóvel tranquilamente, pois nosso país ainda tem uma imensa carencia por imóveis, e com empresas vindo se instalar aqui esta carencia tende aumentar,sei que algumas pessoas tem tido receio quanto a esta bolha que tanto se fala, pois bem eu estou esperando esta bolha estourar a uns 4 anos e ate agora nada, gostaria que as pessoas que tanto falam nesta tal bolha, que viessem aqui agora e falasse por que ela ainda não estourou, creio que algumas pessoas estão querendo desestabilizar o crescimento do setor imobiliário que por anos ficou estagnado, dei alguns exemplos acima do porque de não termos medo da tal bolha.
Prezado,
Comprei ano passado no Rio de Janeiro um apartamento perto da área onde algumas etapas das Olimpíadas ocorreram. Perto do Autódromo. Agora gostaria de comprar outro de frente para a praia do Pontal no Recreio dos Bandeirantes. O que você acha. Estou indo no caminho certo?.
Att,
Caro Marcelo, você esta certo em querer melhorar seu padrão de vida e de tentar um imóvel mais bem localizado, garanto que você não se decepcionou com a compra de seu apartamento na região do Autódromo, aposto que você ganhou dinheiro, imóvel e um bem solido portanto dificil de se ter perdas, sempre vai ter gente querendo alugar ou comprar um imóvel, lhe dou o maior apoio na sua nova aquisição, eu sou consultor imobiliário e nestes meus 22 anos de profissão todo dinheiro que consegui ganhar investi em imóvel e hoje posso dizer que tenho uma renda extra com os alugueis destes meus imóveis, por isso digo que imóvel e a melhor forma de se proteger de qualquer plano econômico ou crise.
Boa sorte!
Realmente …… absurdo…… estão achando que o brasileiro ganha rios de dinheiro …. e que somos idiotas ….como no caso acima um apartamento..gente um apartamento …como custar 760.000 …..Desse jeito compensa esperar …. logo logo uma baita crise neste setor vai acontecer !!! aí os imóveis voltarão ao preço normal. Por enquanto, o que vemos é pede-se um preço infinitamente maior (quem ganha ? banco e corretor), porém, o tempo de venda está no minimo de 2 ou 3 anos !!! Prefere-se deixar o imóvel fechado por 3 anos do que vender pelo real valor !!! Isso aí ..desse jeito o tombo vai ser grande.
Querida Jaqueline,um apartamento custar 760.000,00 não tem problema algum dependendo da tipologia e do local a ser escolhido, hoje temos imóveis de varios valores, de variás tipologias e localidades,e só se enquadrar na sua renda e possibilidade, não me venha uma pessoa que tem uma renda de 5.000,00 querer morar na Delfim Moreira, como você não verá uma pessoa que tem uma renda superios a 30.000,00 ou mais morar na Pavuna, como dizem por ai cada um no seu quadrado, quanto a dizer que os corretores estão ganhando rios de dinheiro, convido você a entrar para a profissão e ver de perto nosso trabalho que por muitas vezes não e respeitado e as vezes ficamos meses sem concretizar um negocio e temos uma responsabilidade enorme na condução da venda de um imóvel, por tanto lhe dou um conselho, se você vai esperar ter uma crise imobiliária, aconselho esperar sentada para não cansar, poi escuto que esta crise esta para vir a 4 anos e ate hoje nada, como disse acima as condições de financiamento e as regras são totalmente diferentes das praticadas por outros países.
Boa sorte!