Quanto você gasta com seu carro?

15 de dezembro de 201019 comentários
    Esse tópico foi inspirado em um e-mail enviado pelo leitor Gilberto Stefaneli Júnior, que me pediu para escrever sobre os custos de ter um carro próprio. [tweetbutton] Mesmo que você já tenha quitado o veículo, ou que não o tenha financiado, os custos relativos a seguro, manutenção e combustível podem comprometer bastante seu orçamento.

    1. Os custos de ter um carro

    Nosso leitor enviou o exemplo de alguém que tivesse comprado um carro popular no valor de R$ 25.000,00. Essas, as contas do leitor:

    IPVA – R$ 1.000,00 (4% do valor do veículo)
    Seguro – R$ 2.000,00 (8%)
    Depreciação – R$ 1.500,00 (6% – o valor que o carro perderia ao longo do ano, pela desvalorização)
    Manutenção – R$ 1.000 (4% – considerou-se o valor de um carro com mais de 3 anos)
    Custo de oportunidade – R$ 3.750,00 (rentabilidade de 15% ao ano, que seria obtida pelo investidor aplicando-se o dinheiro em renda fixa e variável)
    Combustível – R$ 2.700,00 (por ano – uma média de R$ 225,00 por mês)

    Teríamos um total de R$ 11.950,00. Por ano. Por mês, quase R$ 1.000,00. Sem contar o custo de compra do carro. Muito, não é?

    Vamos pensar um pouco mais sobre a questão. Vamos supor que você comprou o mesmo carro, mas que os gastos são um pouco mais modestos. O IPVA é igual (4%), seguro custa apenas 5% do valor do carro, a taxa de depreciação é a mesma (6%), o custo de manutenção aumenta anualmente (custo zero no primeiro ano, e de R$ 1.000,00 nos anos seguintes). Além disso, o custo de oportunidade é mais baixo, na casa dos 12% (uma rentabilidade bastante razoável para quem investir de maneira diversificada entre a renda fixa e a variável). Os gastos com o combustível são mantidos. Se você ficar com o carrinho por 3 anos, teríamos a seguinte continha, informativa dos custos de ter um carro:

    wpid-ishot-12-2010-12-15-08-00.jpg

    Em 3 anos, seu carro, que custou R$ 25.000,00, passou a custar R$ 22.090,00 e tirou de seu orçamento R$ 29.159,30. Assustador, não é? É por isso que a decisão de ter um carro precisa ser muito bem pensada. É preciso verificar se essas despesas todas cabem no seu orçamento sem retirar de você a capacidade de economizar ainda mais. Não estou dizendo que você não deve ter um carro, mas que ele não pode retirar de você a possibilidade de economizar e de ter um futuro economicamente viável!

    2. Trocar de automóvel com frequência aumenta bastante os custos de ter um carro

    Mas quem gosta de trocar de carro todo ano enfrentaria despesas ainda maiores. Como normalmente quem faz esse tipo de despesa gosta de carros mais caros, vamos refazer as contas com valores mais elevados. O carro, agora, custa R$ 60.000,00 e as demais despesas são mantidas em termos proporcionais aos anteriores. Todavia, como o carro é vendido a cada ano, o valor de aquisição do novo carro a partir do segundo ano será descontado do valor de venda do carro do ano anterior com a depreciação. Além disso, o valor da depreciação será de 10%, já que no primeiro ano o carro se desvaloriza mais. As contas seriam as seguintes:

    wpid-ishot-14-2010-12-15-08-00.jpg

    R$ 75.000,00 foi quanto o consumidor compulsório de veículos gastou ao longo de 3 anos para trocar de carro todo ano (e nem contei, nos dois casos, os custos de compra do primeiro veículo). Embora os custos de manutenção sejam nulos, a depreciação do carro, que é mais forte justamente no primeiro ano após a aquisição, o que gera gastos bastante relevantes. Se o carro não fosse trocado a cada ano, os custos com IPVA, seguro e depreciação seriam menores ano a ano, e o valor excedente poderia ser utilizado para investir. Por isso, o ideal — para quem realmente precisa de um carro — é comprar um bom veículo e ficar alguns anos com ele. E, para ter menos prejuízo com a depreciação, não deixe de considerar a possibilidade de comprar um carro usado com dois ou três anos de uso! Afinal, os custos de ter um carro nessas condições são bastante atenuados!

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Sobre o autor ()

Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.

Comentários (19)

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  1. Blogs da ADVFN Brasil » A diferença entre preço e valor | 27 de dezembro de 2010
  1. Infelizmente, o automóvel é um mau necessário.

    Eu sei o quanto eu poderia guardar se não tivesse um carro, mas vejo que é um investimento pessoal. Como gosto muito de viajar, sair por aí, é daí que vem o meu bem estar. Custa caro, mas compensa…uma bela viagem permite mais animo para voltar ao trabalho…hehe.
    Mas mesmo com o automóvel, acredito que consigo guardar uma boa parcela de tudo o que ganho, então não chega a ser tão catastrófico…

    Abraço

  2. ?? disse:

    fábio, vc pode dizer se vc tem um carro? qual é?

    • Fábio Portela disse:

      Tenho um Vectra ano 2007, comprado este ano. Comprei usado, na Localiza – estava com quilometragem baixa (18.000 km), a loja da Localiza é de confiança e comprei o carro por uns R$ 20.000 abaixo do preço de um carro idêntico, do mesmo modelo, novo. Não é um investimento, obviamente, mas pelo menos atenuei o efeito da depreciação. O objetivo do texto não foi o de desestimular as pessoas a comprarem um carro, mas de mostrar que ele tem custos que também precisam ser levados em consideração.

  3. Ed Araujo disse:

    Existem pessoas que ainda chamam carro de investimento…no passado chegou a ser, hoje é de doer no bolso os custos de possuir um, talvez o taxi seja melhor para quem só o usa na cidade. Ou o carro compartilhado que está começando por aqui.

  4. MTrindade disse:

    Eu gostava muito de um Fusca 86, branco, que eu tinha… Furtaram o carro.
    Aquele sim, era um carro muito bom! Barato, ninguém pedia pra vigiar ou lavar, quando dava pau, com um palito de picolé, um arame e um chiclete mascado você resolvia 80% dos problemas. Serio: uma vez o cabo do acelerador quebrou e eu andei uns bons kms com uma tampa de Bic acelerando o carro. O único defeito do Fusca era não ter ar condicionado. O resto era dispensável.
    Agora pergunto aos amigos: vocês já viram os preços dos Fuscas hoje em dia? Acho que tem bolha até nesse mercado…

  5. Francisco Brito disse:

    Carro anda longe de ser um investimento financeiro, mas acho que garante uma qualidade de vida melhor, pelo ao menos no meu caso, pois significa autonomia para passear nos fins de semana, poder ir mais vezes na casa de familiares, resolver coisas rápidas, ir mais fácil a hospital e supermercado, sair do trabalho direto pro doutorado c/ um ganho de tempo enorme, etc. Claro que muitas destas coisas poderiam ser feitas de taxi para minimizar este custo, mas a autonomia não é a mesma. E infelizmente, no comparativo com imóveis, alugar carros é muito caro, comprar é a melhor opção.

    Mas sem dúvidas, é sempre bom lembrar as pessoas que custa caro manter um carro, pois muitas só colocam no papel antes de comprar e esquecem de pôr estes custos no orçamento, comprometendo-o. E concordo, é necessário verificar se estes custos não estão impactando de forma danosa no orçamento, ou seja, comprometendo a capacidade de poupar.

  6. Investidor Independente disse:

    Carro é um dos passivos mais pesados no nosso orçamento, mas pelo menos pra quem gosta é um dos prazeres dessa vida. Nada mais gratificante do que você entrar num carro que você comprou com seu suor.
    Claro, que com nenhuma loucura.
    Feliz Natal a todos

    http://www.investidorindependente.blogspot.com

    abraços

  7. Achei os cálculos meio puxados, como por exemplo o custo de oportunidade em uma aplicação de 15% a.a.? Se conhece algum investimento em renda fixa que dê 15% a.a. por favor me diga qual é!
    Acho que o custo de oportunidade viável para o cálculo seria de 5% a.a. que seria um rendimento líquido de renda fixa já tirando inflação e I.R. (sem considerar a taxa de administração).

    Acho que os cálculos deveriam ser comparados com o que a pessoa gastaria com transporte público e táxi durante o ano. Afinal quando você tem um carro você deixa de gastar com passagem de ônibus, metrô, táxi, etc… Mesmo assim o carro irá sair mais caro com certeza mas o custo x benefício não.

    Abcs,

    • Fábio Portela disse:

      Como não consideramos a inflação no cálculo dos valores relativos ao automóvel, considero adequada a rentabilidade de 15% como custo de oportunidade, se considerarmos alguém que diversifique seus investimentos entre ações e renda fixa, por exemplo.

  8. Gabriel Mota disse:

    Me mudei pro Rio em 2008 e ainda não vi necessidade de ter um carro (estou protelando ao máximo a aquisição de um, que será usado obviamente). Principalmente por que moro a 5 minutos do metrô, a 15 minutos do trabalho (andando) e táxi no Rio é muito barato (tem mais táxi do que gente na cidade). Com isso, estou maximizando minha capacidade de juntar dinheiro e investir. Mas cada caso é um caso, concordo com Brito no post acima sobre a questão da mobilidade. Tenho uma filha recém nascida e inevitavelmente vou ter que desinvestir num carro em um futuro não muito remoto. Bom post.

  9. Juninho disse:

    Por isso não tenho carro, rs.

  10. Matheus disse:

    ainda tem o custo de tempo ,que vc leva para ir escolher o carro!!

  11. Jailson disse:

    No livro “O milionário mora ao lado” há um capítulo inteiro sobre como os americanos que enriqueceram por si mesmo, os self-made man, tratam de carros – as conclusões são surpreendentes!
    Vou casar em 2011. Eu tenho um Palio e minha noiva um Clio. Estou tentanto convencê-la a vendermos um dos carros para aumentar nossa capacidade de investimentos. Será importante no nosso orçamento doméstico.
    Abraços a todos.

  12. Ismael disse:

    Comprei um Gol em 2008 em 72 x sem entrada,até ai tudo bem,tudo cabe no meu orçamento,mas comecei a fazer contas com algumas planilhas e logo apareceu “o rombo” no orçamento.
    Com prestaçoes,ipva,manutençao,estacionamento,lavagem,seguro e etc..no fim de tres anos ja gastei uns 75.000 somando tudo,se ficasse mais uns tres até quitar já viu né!?Hoje que comecei a me interessar pelo mundo dos investimentos e pela “educação financeira” vou passar a minha dívida,comprar um carro mais barato à vista e começar a investir a diferença.Estou começando a fazer meus projetos à longo prazo porque voçe pisca e os anos passam rapidamente o fim de ano ja está ai feliz natal à todos e “prósperos” anos pela frente à todos.Ah!Ia esquecendo meu próximo carro vai ser um fusca.
    Parabéns pelo site Fábio

  13. Excelente artigo, demonstra bem o gasto necessario com esse investimento “em conforto”. So nao concordo com o custo de oportunidade, esse numero esta muito elevado. E, caso a justificativa seja a inflacao, o valor do automovel tambem deveria ser inflacionado, reduzindo assim a sua depreciacao.
    De qualquer forma todos nos devemos ter conhecimento dos custos anuais de ter um veiculo caro.

  14. Alberto Lopes disse:

    O carro é como a casa própria. Por trás da satisfação pessoal estão os custos. Moral de aluguel e andar de táxi/ônibus/metrô é muito mais barato! ! !

  15. Rodrigo Barbosa disse:

    Há de se considerar o valor do tempo econômizado com um carro.
    Para quem mora em grandes cidades um carro muitas vezes chega a economizar até 3 horas por dia de viagem (o meu caso).
    Quem ganha R$70,00 por hora de trabalho (e consequentemente “paga” R$70,00 ao deixar de ganhar em cada hora não trabalhada) teria um prejuízo pessoal 900 horas de trânsito por ano, equivalentes a um prejuízo anual de R$63.000,00.
    Se a metade destas três horas ganhas diariamente com o carro forem dedicadas ao trabalho a renda extra anual gerada de R$31.500,00 paga com tranquilidade o custo operacional da maioria dos veículos médios.
    Rendas maiores ou tempos de viagem maiores justificam carros mais progressivamente mais caros.
    Quem possui saldo positivo nesta relação tem no carro um ativo, quem possui saldo negativo tem no carro um passivo.

    • Pedro Henrique disse:

      Concordo plenamente, Rodrigo.

      Cada caso é um caso. Cito o meu exemplo: sou médico. Sem um carro ficaria muitas vezes inviável me deslocar de um local de trabalho para o outro.

      Tudo depende do estilo de vida e das obrigações de cada um de nós.

      Forte abraço,

      Pedro.

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