Planejamento da empresa chamada "VOCÊ"

11 de novembro de 20108 comentários

Existem algumas estratégias que colocadas como premissas básicas no planejamento de uma empresa, aumentam a chance do sucesso das metas futuras e de um crescimento consistente.

Durante os últimos anos, como Financial Advisor (Conselheiro Financeiro) adequei alguns preceitos usados no plano de negócios de uma empresa para o planejamento financeiro de clientes. Essa experiência foi muito positiva, principalmente quando os clientes estabeleceram em seus planejamentos de curto, médio e longo prazo, a política de metas.

O primeiro passo em uma administração financeira racional é selecionar os objetivos de curto, médio e longo prazo, e depois definir o tempo para realizar cada objetivo e o valor/custo deles.

De posse dos valores dos objetivos e dos prazos para alcançá-los, é fundamental distribuí-los em uma escala de importância (hierarquia). Desta forma, depois de selecionar o objetivo principal, estabeleça quais riscos está disposto a correr e faça uma avaliação de seu balanço patrimonial, ou seja, quais ativos mais líquidos ou não estão disponíveis para o investimento em seu mais relevante alvo, assim terá diante de teus olhos o caminho que estava percorrendo antes de começar o planejamento dos alvos da “VOCÊ LTDA.”

Com o visual holístico de seus ativos, você conseguirá definir as estratégias de poupança e investimento, se terá capacidade de investir mensalmente, se fará um aporte único, ou se juntará as duas estratégias, mensal e aporte único.

A partir deste ponto, terá elementos suficientes para fazer um bom planejamento da “VOCÊ LTDA”. No entanto, antes de definir valores e capacidade máxima de investimento é importante definir seu “travesseiro financeiro”, ou seja, sua reserva para situações inesperadas, que pode variar de 6 a 24 meses de suas despesas gerais mensais (quantas vezes as despesas gerais devem ficar de reserva dependem da estabilidade do emprego, da volatilidade do salário, da idade, do tamanho da família, do balanço patrimonial e do risco dos investimentos x patrimônio).

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Para ilustrar, escolhi trabalhar com um case, onde chamaremos de case 1, que se refere a um cliente que possui R$ 10.000,00 de despesas, salário de R$ 14.000,00, R$ 20.000,00 em CDB, R$ 20.000,00 em poupança e investimento de R$ 800,00 por mês em um PGBL desde janeiro de 2004, onde totaliza um valor líquido resgatável na data de hoje de R$ 50.400,00; o principal objetivo deste case 1 é comprar um imóvel à vista em 8 anos no valor de R$ 500.000,00.

Ao considerar que este case 1 é um funcionário público, com uma idade de 35 anos, o ideal seria a formação de um “travesseiro financeiro” de no mínimo seis vezes a média das despesas gerais mensais do último ano, ou seja, uma reserva de R$ 60.000,00. Ao resgatar os R$ 50.400,00 do PGBL, destinaria R$ 20.000,00, que somados aos R$ 20.000,00 que estavam no CDB, para uma renda fixa que não fosse à poupança, mas com um bom nível de liquidez disponível a partir do terceiro mês (a depender de uma análise criteriosa de rentabilidade/risco/liquidez, mas poderia ser um CDB, uma LCI, uma debênture mais líquida ou um título do tesouro). Para a reserva de curtíssimo prazo (2 meses), conservaria os R$ 20.000,00 em poupança.

Depois da montagem do “travesseiro financeiro”, restaram ainda R$ 30.400,00 provindos do PGBL, que poderiam ser destinados ao objetivo principal, que é a compra da casa. Após uma avaliação da tolerância ao risco definir os objetivos de ganhos anuais (6% para conservador, 9% para moderado e 12% para arrojado).

Como o cliente do case 1 é moderado definimos no processo de gestão patrimonial o retorno de 9%. Com isso, este cliente teria uma surpresa:  precisaria poupar cerca de R$ 3.190,82 por mês que, somados as R$ 30.400,00 iniciais, juntamente com a maravilha dos juros compostos, chegaria aos R$ 500.000,00 para a aquisição de sua casa no final do oitavo ano, além de sobrar R$ 809,18 mensais, para outro objetivo. Agora se ele poupasse o total de sua sobra para a aquisição da casa, R$ 4.000,00, ele chegaria a seu objetivo em 6 anos e 11 meses.

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A disciplina da poupança, o planejamento das metas, o foco nas metas farão de seu dinheiro um funcionário exemplar, trabalhando no constante crescimento da empresa chamada “VOCÊ”. Invista em “VOCÊ”, faça cursos, gaste um tempo com o planejamento de suas finanças, esse sim é o seu maior negócio, a garantia de uma boa qualidade de vida no futuro.

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Sobre o autor ()

Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.

Comentários (8)

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  1. bventura disse:

    Bastante claro o seu “case 1″. Agora é só contar com um cenário econômico benigno pelo prazo de seis anos, oito anos e o objetivo financeiro certamente será alcançado.Resta então torcer para que a bolha imobiliária atual já tenha sido estourada bem antes e que o montante conseguido possa ser usado na compra de um belo imóvel. Leio sempre o seu trabalho. Parabéns pela capacidade de escrever com tanta simplicidade, qualidade e clareza. Abraços.

    • Fábio Portela disse:

      bventura,

      O texto é de nosso colaborador, Rogério Neves. Créditos para ele! :-)

    • Rogério Neves disse:

      bventura,
      Muito obrigado pelos elogios, mas obviamente devo grande parte ao Fábio Portela que levaria grande parte desse mérito pelos inúmeros textos de qualidade que você leu dele. Sobre seu comentário não seria necessário um ambiente benigno visto que estamos falando de um planejamento financeiro e em crise ou sem crise ele vai acontecer (até mesmo porque numa crise o dinheiro não some, ele será direcionado para outros investimentos, desse modo, cabe o planejador financeiro encontrá-los de acordo com a estratégia do cliente). Agora embora não podemos contar uma crise imobiliária num planejamento, a sua idéia de comprar quando os imóveis tiverem em baixa coaduna com as melhores estratégias de investidores e mesmo não planejando tal crise, seria muito bom ela acontecer antes do objetivo do cliente.

  2. Pedro disse:

    Olá,

    Primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelo excelente blog, o qual acompanho diariamente.

    Depois do acontecido com o Panamericano, gostaria de saber sua opinião sobre o ocorrido, e principalmente se havia alguma forma de pequenos investidores terem percebido algo de estranho atráves dos balanços ou informações divulgados pelos bancos. Acho que seria interessante tentar descobrir alguma coisa que tenha passado despercebido e que talves tivesse sido um sinal de alerta, para que possamos aprender e evitar perdas no futuro.

    Abraços.

    • Fábio Portela disse:

      Pedro,

      Infelizmente, investidores estão sujeitos a fraudes em balanços. O lado oposto da moeda é que dificilmente uma empresa consegue passar muito tempo sem ser descoberta: uma hora a casa cai. Para mim, um dos principais motivos para diversificar o portifólio de ações é justamente esse: não dá pra prever que empresa pode estar fraudando os números que considero nos meus cálculos (embora bancos estejam bastante mais sujeitos a isso). Para descobrir, antes, a fraude, é necessário conhecer bem o balanço da companhia e seu histórico de operações e de lucratividade: o problema é que as fraudes causam tanto prejuízo justamente porque os contadores sabem camuflar bem os problemas, de uma maneira que dificilmente outras pessoas saberiam identificar.

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