A importância da diversificação através da Alocação de Ativos
Segue mais uma contribuição excelente de nossos leitores. Hoje, publico artigo espetacular de Henrique Carvalho, sócio da consultoria especializada Clube de Vienna, que também é um site parceiro de “O pequeno investidor”. Ele trabalha no site Fundo Imobiliário e é apaixonado pelo tema investimentos, sendo autor do blog HC Investimentos. Assine o feed/rss de seu blog e siga-o no twitter e facebook. O texto é excelente para aprender como diversificar seus investimentos – o autor, inclusive, é um grande especialista no tema “alocação de ativos”.
Eis o texto:
Gostaria de agradecer ao Fábio pela grande oportunidade de escrever este artigo para o inteligente e exigente leitor do O Pequeno Investidor.
Meu objetivo nesta matéria será abordar medidas simples como a diversificação e a alocação de ativos, mostrando o poder desta estratégia, auxiliando o pequeno investidor a conseguir maiores retornos e menores riscos.
Essa afirmativa pode parecer um paradoxo, já que no mercado financeiro não há almoço grátis e, para alcançarmos maior retorno, precisamos incorrer em maior risco. Entretanto, mostrarei como a “mágica” da alocação de ativos pode lhe ajudar a compor uma carteira mais eficiente no longo prazo.
Por que diversificar?
Vários são os motivos pelo qual todo investidor deveria diversificar sua carteira, mas, dentre os principais, destaco abster-se de adivinhar para que direção vai o mercado.
Investir 100% em ações é perigoso, já que não há nenhuma garantia de que esta classe irá apresentar o maior retorno nos próximos 10 anos, além do fato da grande maioria dos investidores não serem capazes de aguentar uma perda de -60% de sua carteira em um período de apenas 5 meses, como ocorreu na crise de 2008.
Até mesmo o mentor do megainvestidor Warren Buffet, Benjamin Graham recomenda a diversificação no livro O Investidor Inteligente, adotando o patamar de 75% como máximo e 25% como mínimo entre a alocação entre Renda Variável e Renda-Fixa.
Analisando o retorno de diversos ativos do período de janeiro de 2008 até setembro de 2010.
Embora o período seja de praticamente 3 anos, não sendo uma análise de longo prazo, utilizo este período devido ao fato dos fundos imobiliários só terem dados significativos após janeiro de 2008. Além disso, o fato de termos um ano de crise (2008) e um ano de forte crescimento (2009) minimiza o data mining nesta análise.
Com o intuito de mostrar o poder da alocação de ativos vamos primeiro observar qual foi o retorno anual e o risco anual (medido através da volatilidade) de um investimento no CDI e no Ibovespa neste período.
Através do gráfico acima, em que podemos observar a relação entre Retorno (Eixo Y) e Risco (Eixo X), vemos que no período de janeiro de 2008 até setembro de 2010, o CDI teve uma rentabilidade anual de 10,66% contra 2,37% do Ibovespa. Analisando o risco, o CDI teve uma volatilidade anual de 0,24% enquanto o Ibovespa de 29,33%.
Portanto, você já deve ter notado que, quanto mais acima (maior retorno) e mais à esquerda (menor risco) um investimento estiver no gráfico, melhor será a sua relação retorno x risco e mais eficiente ele será.
E como a diversificação apenas entre estes 2 ativos pode nos ajudar a construir uma carteira mais eficiente?
De acordo com os estudos de Harry Markowitz, pai da teoria moderna dos portfólios, o risco entre dois investimentos não será simplesmente a média entre eles, o mesmo sendo válido para o retorno composto da carteira.
No gráfico acima, destacamos um ponto (em azul escuro) na linha em cinza que mostra qual seria o retorno e risco teórico entre estes 2 ativos, calculados através de uma simples média. Ex. (Risco Ibov + Risco CDI) / 2.
A mágica da alocação de ativos. Entretanto, devido à uma correlação que não é perfeitamente positiva (< 1), ou seja, quando um ativo está subindo o outro não necessariamente estará subindo também, o retorno composto de um portfólio 50% CDI e 50% Ibovespa é maior do que o retorno médio entre os dois ativos. A mesma “mágica” também ocorre com o risco, sendo menor do que o risco médio.
Note que, ao invés da linha entre o Ibovespa e o CDI, temos agora uma curva entre os dois ativos, mostrando que existe um benefício da diversificação entre os dois ativos, já que qualquer ponto neste curva será mais eficiente do que qualquer ponto na linha, seja qual for a alocação escolhida entre o CDI e o IBOV.
Teoria demais…O assunto é técnico e demanda um bom estudo para compreendê-lo em sua complexidade. Porém, o que realmente importa é compreender que a diversificação entre dois ativos que não tenham uma alta correlação (não se movem necessariamente numa mesma direção) é benéfica e proporciona uma melhor relação entre retorno e risco de uma carteira, tornando-a mais eficiente.
Agora que já vimos o benefício da diversificação entre dois ativos, imagine as maravilhas que podemos fazer ao adicionar mais ativos com bom retorno e baixa correlação entre eles?
Deste modo, estaremos simulando uma carteira com os seguintes ativos e suas alocações:
Nota: Os valores escolhidos para cada ativo na tabela acima são apenas teóricos nesta simulação e não representam qualquer tipo de recomendação de investimentos.
Resultado da simulação:
O gráfico acima vale mais do que mil palavras…
A carteira simulada, embora esteja bem longe de ser a carteira ótima para o período, produziu retornos acima do Ibovespa e, inclusive, do CDI, com apenas metade do risco do investimento na Bolsa (13,94% da carteira contra 29,33% do Ibovespa).
O retorno anual da carteira sumulada foi de 11,23% contra os 7,64% da carteira com uma alocação de 50% CDI e 50% Ibovespa. Na comparação entre o risco, a carteira simulada teve um risco de 13,94% enquanto a alocação de 50% CDI e 50% Ibovespa teve um risco de 14,56%.
Além disso, não foi considerada nenhuma realocação da carteira, o que poderia reduzir o risco e até mesmo aumentar o retorno da carteira simulada, potencializando os benefícios da ampla alocação de ativos
Alocação de Ativos é ou não é a oitava maravilha do mundo? Que tal começar a praticá-la em sua carteira?
Arquivado em: Educação financeira
Sobre o autor (Perfil do autor)
Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.Comentários (18)
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Adorei o artigo!
Já deixo uma sugestão para o autor… Agora faça mais uns três ou quatro posts (ou mais) explicando como calcular o risco, retorno, correlação para aprendermos a chegar mais próximo da carteira ótima!
Cada assunto novo nessa área instiga-me a aprender mais!
Olá Pedro!
Agradeço seu comentário!
Quanto aos cálculos do Retorno, Risco e Correlação eu já escrevi sobre todos estes assuntos no HC Investimentos. Todos com planilhas gratuitas para download.
Veja os detalhes aqui:
http://hcinvestimentos.wordpress.com/downloads/
Abraços!
Excelente artigo, Henrique!
Por conta dos últimos livros lidos em inglês, em que havia vários gráficos mostrando a relação risco/retorno de ativos norte-americanos, é como um oásis no meio do deserto poder ver o mesmo tipo de gráfico para ativos *brasileiros*, e melhor ainda, dentro de um cenário real.
Os benefícios da diversificação ficam claros: cada ativo adicionado à carteira tende a reduzir a volatilidade geral do portfólio, ao mesmo tempo em que tende a melhorar a rentabilidade. É estranho falar isso, pois a maioria das pessoas logo pensa na Bolsa como benchmark, e imagina rapidamente como uma adição de renda fixa/FIIs, que são ativos que historicamente tendem a render menos, possa aumentar o retorno da carteira, se a Bolsa isoladadamente renderia mais.
O problema é que estamos lidando com o futuro, e o futuro produzirá, e isso é (quase) uma certeza, anos em que a Bolsa renderá menos que a renda fixa, tanto quanto anos em que a Bolsa renderá mais que a renda fixa. A questão, então, é saber ter uma carteira com crescimento orgânico, que produza retornos anuais compostos mais sustentáveis ao longo do tempo. E isso só se consegue (até onde eu sei), comprando na baixa e vendendo na baixa. O que, por sua vez, exige que se faça rebalanceamentos periódicos. Que se traduz, de seu turno, em ter uma carteira composta por múltiplas classes de ativos. Está aí a oitava maravilha do mundo, tão bem explicada, de forma extremamente didática, no artigo ora em comento.
Parabéns!
É isso aí!
Um grande abraço, e que Deus os abençoe!
Excelente comentário Guilherme!
Penso exatamente da mesma forma! Acho que é porque temos lido os mesmo livros sobre Asset Allocation não é mesmo?!
Eu acredito fielmente na diversificação de carteiras. Na minha opinião, todo investidor deveria procurar entender melhor sobre gestão da carteira, buscando melhorar sua relação retorno x risco.
Muitas pessoas olham somente para a parte do retorno. Mas é importantíssimo considerar o risco também. E diversificar é reduzir o risco sem necessariamente baixar o retorno.
Grande Abraço!
Retificando: comprando na baixa e vendendo na *ALTA*.
É isso aí!
Um grande abraço, e que Deus os abençoe!
Pedro, no blog do Henrique tem tudo isso (e muito mais!).
Link: http://hcinvestimentos.wordpress.com/
É isso aí!
Um grande abraço, e que Deus os abençoe!
Concordo também com o Guilherme que a alocação de ativos é a 8a maravilha do mundo.
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O gráfico ficou show de bola, como diria um professor que tive na faculdade: O gráfico deve ser auto-explicativo.
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Henrique segundo a alocação de ativos qual das alternativas abaixo você acha que daria maior retorno e menor risco na renda variável composta por BOVA11 e SMAL11?
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a) 25% BOVA11 – 75% SMAL11
b) 50% BOVA11 – 50% SMAL11
c) 75% BOVA11 – 25% SMAL11
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Seria possível fazer uma simulação com tal portfolio??
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Parabéns por mais um excelente post!
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Abcs
Olá Willy!
"O gráfico deve ser auto-explicativo."
Concordo totalmente! É por isso que estou sempre buscando aperfeiçoar meu conhecimento em Design com foco no Excel.
Sobre a simulação vou ver aqui na planilha…
Os resultados são:
a) 25% BOVA11 – 75% SMAL11
Retorno = 16,86% | Risco = 26,55%
b) 50% BOVA11 – 50% SMAL11
Retorno = 17,50% | Risco = 27,78%
c) 75% BOVA11 – 25% SMAL11
Retorno = 17,87% | Risco = 29,70%
Notas:
Usei o Ibovespa para simular o BOVA11 e o índice SMLL para simular o SMAL11
O período analisado foi entre jan/2006 até jul/2010.
A correlação entre estes dois ativos é muito alta (em torno de 0,90), o que não traz grandes beneficios de diversificação. Logo, maior retorno = maior risco.
Grande Abraço!
Willy,
Acabei trocando BOVA11 pelo SMAL11 na simulação.
Então, ao invés de:
A) 25% BOVA11 – 75% SMAL11
Temos:
A) 75% BOVA11 – 25% SMAL11
O SMAL11 tem maior retorno e maior risco.
Grande Abraço!
Valeu Henrique! Muito obrigado pela simulação.
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Acho que uma das vantagens de se ter o SMAL11 na parte de RV da carteira seria o fato de poder se investir em empresas diferentes do BOVA11, e não pela correlação entre os dois, uma vez que a mesma é alta como você mesmo falou.
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Abcs
Concordo, Henrique, a leitura dos mesmos livros reflete os mesmos pontos-de-vista!
E gostei muito das simulações da carteira com IBOV e Small Caps! Foi rápido na resposta, os comentários de todos estão muito bons, parabéns a todos!
É isso aí!
Um grande abraço, e que Deus os abençoe!
O seus vários títulos acadêmicos provavelmente falharam em alguma parte ao tentar lhe explicar como não devemos acreditar em teorias antigas que já foram provadas serem inválidas. A alocação de ativos e seu grande mentor Markowitz falharam em vários pontos ao explicar como reduzir o risco. Uma dica: Não trate o risco como se fosse algo simples, explicavel com uma simples correlação entre ativos. Não é tão facil assim. Sugiro que você se aprofunde um pouco mais no assunto, pois você induzir vários leitores ao fracasso.
Obrigado pelo comentário, Richard Hudson. Existem alguns outros artigos em que abordei a questão da diversificação. A propósito, como você parece conhecer bastante o assunto, deixo o convite para que você escreva um artigo sobre o tema! Que tal?
Corcordo em parte com o artigo. Acho que temos que atingir um equilíbrio entre diversificar e assumir algumas apostas, como ensina o Axiomas de Zurique. Se vc compra dólar, bolsa e ouro, um vai cair quando o outro subir e vc não ganha nada.
Acho que tem o lado do investidor estudar e usar sua intuição para encontrar boas oportunidades e acreditar nela.
Não concordo com uma carteira tão diversificada como a mostrada no gráfico.
E o período escolhido vai alterar muito o resultado, pois nesse caso a renda fixa teve maior retorno com menor risco do que a bolsa, mas tratou-se se um período curto e bem peculiar.