Como aproveitar o crescimento dos BRICs
Prosseguindo na política de “O pequeno investidor” de firmar novas parcerias interessantes para nossos leitores, que possam contribuir com sua educação financeira, agora temos um novo colunista: Rogério Neves. Nosso novo parceiro é um profissional especializado em Asset Protection (Proteção de Patrimônio), Blindagem Patrimonial, Weath Management (Gestão de Patrimônio) e Educação Financeira que atua independente de qualquer instituição. Ele atua junto ao serviço bancário private, corretoras, distribuidoras, assets, fazendo planejamento imobiliário, de recursos legais, fiscais, gestão de investimentos e estruturas de segurança familiar e empresarial.
Segundo o próprio Rogério: ”eu basicamente ajudo a pessoas que tem muito dinheiro a ganharem mais e a aqueles que não tem tanto a chegarem a seus objetivos financeiros. Auxilio as pessoas a construírem, manterem e protegerem seu patrimônio e a realização de seus sonhos, onde busco as melhores alternativas existentes no mercado, filtrando-as de acordo com a condição atual do cliente e as perspectivas financeiras adequando-as a cada momento da vida das pessoas”.
O primeiro texto é seu cartão de visitas. Tenho certeza de que Rogério contribuirá bastante, apresentando a visão de alguém com bastante experiência no mercado e que também compartilha nossa visão de longo prazo. Segue o texto:
Muitos economistas e analistas acreditam que o Brasil será o país que mais aproximará da China das últimas décadas, quando usamos o balizador a velocidade do crescimento. Embora também acredite e me sinta empolgado e patriota com a esperança de nosso rápido crescimento, sei que a alta concentração de notícias a nosso favor vem da máxima segundo a qual temos que falar bem de nossa nacionalidade, pois é bom politicamente e economicamente falando ouvir que somos os melhores e cresceremos mais.
Essa afirmação é baseada justamente aos grandes eventos que ocorrerão no país nos próximos anos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, que diretamente e indiretamente renderão dividendos para o crescimento do país, e da formação de uma classe média jovem e dinâmica, e também por possuir uma democracia mais avançada, além de bons indicadores macroeconômicos. No entanto, é importante salientar que enfrentamos muitos problemas, como a alta taxa de juros, alta carga tributária, educação empreendedora deficiente, falta de investimento no PIB e a corrupção, o que acaba por frear nossas possibilidades de crescimento.
Fora do foco dos economistas brasileiros está a Índia, que de acordo com o banco Morgan Stanley deve ter um PIB com expansão média de 9% entre 2010 e 2020. A favor da Índia está o aumento progressivo de pessoas em idade produtiva, ou seja, a Índia viverá um período de bonança devido à grande quantidade de mão de obra disponível, por se tratar de um país cada vez mais jovem, especializado e inovador, principalmente no que tange a novidades a baixo custo para alcançar o mercado varejo de classe baixa, como por exemplo, o carro Nano da Tata Iron. Somados a essa projeção, os dados de 2009 mostram que a parte desprivilegiada das castas socioeconômicas está consumindo em quantidade explosiva. Os pontos contra a Índia são a ausência de recursos naturais como Rússia e Brasil, o de não possuir uma base industrial como a China, um grande número de analfabetos até em relação ao Brasil (embora tenha muitos investimentos em curso superior), a infraestrutura precária e a elevada corrupção, que é considerada pior que a do Brasil (se a nossa já é grande, lá as “cuecas” devem ser ainda maiores!).
Embora a Rússia tenha uma alta instabilidade política, nos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) ela somente perdeu para China na última década, no quesito crescimento do PIB. É importante deixar claro que ela não é emergente, visto que ao invés de dinamismo e alargamento de suas ambições internacionais (o que caracteriza o emergente), o país apresentou notável declínio com o fim da URSS. Na verdade, o caráter emergente da Rússia deve-se a uma tentativa de preservação da herança da ex-URSS e de recuperação do protagonismo internacional do país depois de transitar de superpotência à “terceiro-mundização”. A Rússia tem previsão de crescimento mais lento, sobretudo, em razão dos problemas econômicos domésticos e da falta de complementaridade comercial, já que a pauta de exportação russa também se concentra em recursos naturais, essencialmente hidrocarbonetos (Euromonitor-2010). A Rússia pós-soviética tem atuado no sentido de limitar maiores perdas e de promover as condições de, no longo prazo, ressurgir como grande potência, visto que atualmente está limitada a uma diminuição progressiva da população economicamente ativa.
A China, que segundo o Goldman Sachs, ultrapassará o PIB dos Estados Unidos em 2027, com uma projeção de crescimento de 1300%, continua com um grande potencial de crescimento. Apesar de ela procurar crescer agora de forma mais sustentável, continuará com uma taxa elevada de crescimento, baseando-se numa mão de obra que podemos classificar como escrava, criando uma sólida vantagem contra sua concorrência para seus produtos exportados. Além disso, temos que considerar que a China tem um potencial consumidor no mercado interno que ainda não foi explorado.
O fato é que, quem continuar a explorar um risco maior, com investimentos no BRIC, terá um aumento mais veloz em seu patrimônio em longo prazo. Você deve estar se perguntando: porque estou lendo sobre China, Índia e Rússia se não tenho condições de investir nesses países?
Na verdade existe sim essa possibilidade e ela ficará cada vez mais simples, visto que é interesse do governo brasileiro aumentar a saída de capital para o exterior para não ocorrer a supervalorização de nossa moeda e prejudicar nossas exportações e, consequentemente, não gerar uma balança comercial negativa. Em breve, ouviremos falar com mais frequência dos fundos de investimentos nesses países e da compra de ações de outros países de forma direta, as chamadas BDRs (Brazilian Depository Receipts). Nos próximos artigos, abordarei mecanismos que facilitarão o entendimento de investimentos no exterior e como fazê-los.
Por essa razão, escolhi esse tema que, apesar de polêmico e desconhecido, é extremamente importante, para ser a minha porta de entrada em “O pequeno investidor”, visto que alargará as fronteiras de nossa visão investidora de longo prazo.
Arquivado em: Educação financeira
Sobre o autor (Perfil do autor)
Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.Comentários (3)
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Opa Rogério! Começo promissor aqui no blog, hein? Será que os BDRs darão oportunidades mais variadas pra gente investir fora? Por hora temos muito poucas empresas disponíveis, não é mesmo? Tenho bastante curiosidade sobre isto.
Há alguns meses atrás eu estava pensando que com a crise na Grécia deveria estar surgindo ótimas oportunidades por lá… Gráficamente muitas ações deles pareciam estar baratas. Era o caso de analisar os fundamentos das empresas, escolher cuidadosamente e pegarcarona em uma provável recuperação no médio/longo prazo.
Me esbarrei em muitas dificuldades e burocracias pra fazer este tipo de investimento acontecer, e claro, deixei pra lá. Será que os BDRs seriam solução para esta situação?
São poucas as BDRs disponíveis para todos os investidores, além de ficarem mal vistas depois do caso Agrenco. Infelizmente as BDRs de nível 1, que foram lançadas no dia 4/10/2010 (Apple, Avon, Bank of America, Exxon Mobil, Google, Pfizer, Wal Mart, Goldman Sachs e Arcelor Mittal), ficarão restritas a fundos de investimentos, instituições financeiras e administradores de carteira. Carlos acredito que as BDRs não serão a solução para aproveitarmos oportunidades como as da Grécia, visto que mesmo com a entrada de muitas BDRs patrocinadas não abrangerá muitos países assim; para isso existem outras soluções que são os fundos locais de investimentos que poderia, sem burocracia, ajudá-lo a aproveitar oportunidades como a da Grécia. Para as informações mais detalhada de como acessar fundos em escala mundial pode mandar um email para rogerio@mercattus.com que te passarei um material que possa orientá-lo nessa questão.