Deu a louca nos imóveis
Que o preço dos imóveis disparou na última década não é novidade. Mas pelo menos uma parte da imprensa está começando a enxergar a artificialidade da situação. Já mencionei uma reportagem da revista Época sobre os problemas do programa “Minha casa, minha vida” e agora é a IstoÉ Dinheiro quem aponta problemas na venda de imóveis para as classes média alta e alta de São Paulo. Com os altos preços de hoje, já começa a ficar difícil vender imóveis: tão difícil que algumas construtoras estão oferecendo Mercedes de brindes para clientes que comprarem unidades encalhadas desde 2006. Vale a pena ler! [tweetbutton]
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Autores: Érica Polo e Rosenildo Gomes Ferreira
Fonte: IstoÉ Dinheiro
url: http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/36134_DEU%20A%20LOUCA%20NOS%20IMOVEIS
Compre um apartamento e ganhe uma Mercedes C 180 ou uma BMW 320, cada uma avaliada em R$ 100 mil. Adquira um imóvel e receba um milhão de milhas aéreas, o suficiente para ir e voltar dez vezes aos Estados Unidos. E se você não entender a minha língua, eu tenho corretores que falam até mandarim.
Nada disso é ficção. São fatos concretos que estão ocorrendo no mercado imobiliário brasileiro. No caso da Mercedes, trata-se de um imóvel vendido na zona leste de São Paulo, no bairro do Tatuapé, por R$ 5,1 mil o metro quadrado, em média, e preços superiores a R$ 1 milhão.
“É uma estratégia para desovar as 26 unidades que restaram em três empreendimentos lançados em 2006”, explica Emílio Fugazza, diretor da construtora Eztec, responsável pelo empreendimento. “Como o mercado está aquecido, preferimos abrir mão de parte do valor para ganhar liquidez e aplicar os recursos em outros projetos.
Promoções, evidentemente, fazem parte do capitalismo. Mas, em geral, ocorrem quando o mercado está em baixa – e não extremamente aquecido, como dizem de forma uníssona construtores, corretores e agentes financeiros que lidam com o setor imobiliário.
DINHEIRO visitou estandes de venda de diversos empreendimentos. Em todos eles, o discurso dos corretores foi o mesmo: “Compre agora, antes que o preço aumente.” O comprador é abordado como alguém que se vê diante de uma oportunidade rara – a chamada última Coca-Cola do deserto – e que pode ser perdida a qualquer instante.
O que se diz, em todos esses estandes, é que 80% ou mais das unidades foram vendidas ainda no lançamento. Houve casos até em que o corretor declarou existir uma única unidade à disposição. Durante os dias que se seguiram à visita, DINHEIRO foi procurada diversas vezes pelos mesmos corretores, informando sobre desistências e novas oportunidades de compra.
Há, portanto, uma distância abissal entre o que se diz e o que se percebe no mercado imobiliário. O grupo Agre, que controla algumas das maiores construtoras do País, tem oferecido descontos entre 5% e 10% no valor dos imóveis, que variam entre R$ 135 mil e R$ 3,5 milhões.
Em muitos casos, os descontos são concedidos na forma de promoções, como as milhas aéreas. “Cerca de 60% dos nossos clientes escolhem o objeto da promoção, em vez do desconto”, destaca João Nery, vice-presidente de operações da Agre. Ainda assim, para o comprador, não faz tanto sentido econômico aderir às promoções.
Afinal, o que é melhor: levar 10% de desconto à vista ou ganhar milhas cujo uso, muitas vezes, depende da boa vontade das companhias aéreas? E se as empresas concedem descontos para os novos compradores, também podem ser instadas a fazer o mesmo para aqueles que adquiriram antes os mesmos imóveis.
Tudo isso talvez sinalize que o mercado brasileiro possa estar entrando num território perigoso. Embora a estabilidade econômica, o crédito e programas como o Minha Casa Minha Vida tenham feito o setor atingir recordes de venda – os financiamentos imobiliários neste ano devem somar R$ 86 bilhões –, os preços subiram excessivamente.
Em bairros cobiçados de São Paulo, como Jardins e Vila Olímpia, do Rio de Janeiro, como o Leblon, e até nas cercanias de Brasília (DF), fala-se em um metro quadrado com preço superior a R$ 15 mil. Em São Paulo, o valor médio dos lançamentos subiu 127,3% em dez anos. O resultado inevitável dessa disparada nos valores pode ser a redução na velocidade de vendas – daí a necessidade de tantas promoções.
Apesar dos sinais de que algo vai mal no mercado, os agentes do setor evitam falar em bolha. Uma palavra proibida no segmento. “O aumento da renda média e o crescimento da economia fizeram com que brasileiros de todas as classes sociais se animassem a investir em bens de maior valor”, diz João Crestano, presidente do Secovi, a entidade que representa as imobiliárias de São Paulo.
“Não acredito em bolha porque os lançamentos mal atendem à demanda”, destaca Rogério Santos, diretor de marketing da Tecnisa. A companhia diz que sua meta é fechar o ano com um Valor Geral de Vendas de R$ 2 bilhões – esse indicador, o VGV, aponta o potencial de negócios, e não as operações efetivamente realizadas. Em 2009, foram R$ 352,2 milhões.
De todo modo, convém ter cautela. Luiz Paulo Pompéia, presidente da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), no entanto, prega atenção maior na hora da compra. “Os valores estão chegando ao topo e muita gente que está enxergando o setor como uma opção de investimento pode ter problema de liquidez mais à frente”, pondera ele.
Lições do passado recente indicam, de fato, que em ambientes de euforia é necessário tomar muitos cuidados. E isso vale tanto para quem compra quanto para quem vende. Em 2008, a poderosa Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI) cancelou um empreendimento no Brooklin, bairro da zona sul de São Paulo, porque faltou comprador.
Amargou prejuízo de R$ 1 milhão. “Demoramos para conseguir aprovar o projeto na prefeitura e, nesse período, os concorrentes lançaram produtos similares na região”, justifica Maurício Barbosa, diretor da construtora.
Aprendeu a lição e, agora, saiu na frente ao apostar em um marketing inusitado. De olho na colônia chinesa de São Paulo, ela pediu que sua parceira, a Fernandez Mera, contratasse corretores fluentes em mandarim. Em menos de 15 dias diz ter vendido 75% das 246 unidades.
“Quem deseja morar em bairros sofisticados, onde os terrenos são escassos e caros aceita pagar mais caro”, destaca Alexandre Frankel, dono da construtora Vitacon. É o que os corretores chamam de efeito Manhattan, bairro de Nova York, onde nas últimas duas décadas os preços explodiram.
“O custo de vida no Brasil é parecido com o de Londres e Tóquio. Por isso, é de se esperar que o valor dos imóveis se aproxime do cobrado no Exterior”, diz Celso Pinto, diretor da subsidiária da Sotherby’s Realty.
Esse fenômeno se repete tambén fora dos grandes centros. Santos, no litoral de São Paulo, está vivendo um processo de forte especulação imobiliária – antecipando a expansão da economia por conta da exploração de petróleo na chamada camada do pré-sal.
Leopoldo Alves Arias, diretor do Grupo Mendes, conta que negociou, por R$ 14 milhões, a cobertura do edifício Prime Plaza. Ele aposta que isso é só o começo “A perspectiva é de que o mercado se mantenha aquecido por muito tempo. Afinal, ainda nem começou a entrar o dinheiro do pré-sal”, diz..
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Fabio
No mesmo momento que abria este post, um colega de trabalho falava de outra reportagem sobre o efeito "bolha".
http://g1.globo.com/economia-e-negocios/noticia/2…
Pois é, Jeferson… sinal de que a mídia está começando a ver o problema. E, pra mim, é sinal de que as coisas podem estar até piores do que parecem. Não sei se você percebeu, mas em todas as reportagens (na que eu publiquei e na que você me mandou) há um cuidado imenso para dizer que não estamos vivendo em uma bolha como a americana e que não há risco de queda no valor do mercado, mas apenas de uma diminuição do ritmo de crescimento. Pode ser que estejam certos, mas ninguém nem aventa a possibilidade de que possa haver uma queda brusca nos preços. Melhor por as barbas de molho…
Pois é
Justamente agora que eu iria comprar meu humilde apartamento…
Como não sou casado ainda, eu iria tentar fazer uma "gambiarra", usando o nome da minha namorada para entrar no programa do governo, pois a renda dela permite o subsidio do governo. Estávamos de olho em apartamentos da MRV, coisa entre 90 a 110 mil, com aprox. 50 mts quadrados. Realizando inumeras simulações, cheguei a conclusao do seguinte:
Usando o subsidio do governo, pagarei no final de 25 anos, apenas 16% do valor total do apartamento, em juros. Dá menos do que um consorcio.
Usando o meu nome para financiar, o que ultrapassa a faixa do plano, um financiamento sobe para um valor de 52% acima do valor inicial.
O que voce me recomenda fazer ?…Esperar ou entrar no plano do governo ?
Abraço
Jeferson, se as condições estão boas assim, o melhor é aproveitar e comprar! Dificilmente, bolha estourando ou não, você encontrará um negócio tão bom. Mas cuidado com o imóvel: já tive notícias de que muitos dos imóveis do programa do governo têm problemas. Examine com cuidado e boa sorte no seu investimento!
A meu ver a reportagem misturou tudo o que viu sobre construção civil!
A construção civil, como qualquer outro setor da economia é dividida em segmentos.
Os imóveis de luxo, acima de R$ 400.000,00 estão sofrendo grande desvalorização, pois a demanda tem diminuído.
Já imóveis de baixo a médio padrão (esses sim são vendidos dentro do PMCMV) estão com forte valorização, pois a demanda é muito alta.
Não vejo essa valorização de imóveis como uma bolha, pois a demanda é real, ou seja, muita gente está comprando para morar e não para investir.
Pois é Fabio
Este é o medo, dos problemas com os apartamentos
Se voce dar uma visualizada no site reclameaqui.com.br dá para ver que tem muita reclamação contra a MRV. Como eles estão fazendo muitos predios, dá para se duvidar da qualidade do produto…
Abraço
Não acredito nisso não. O fato é que as grandes do setor foram para a Bolsa de Valores e precisam "entregar" resultado a cada 3 meses. Isso não é fácil num setor tão cíclico, dependente de aprovações nas três esferas do executivo (federal, estadual e municipal), cronograma de empreiteiras (terceiros), empréstimo de ferramentas, etc. Logo, em determinados momentos, uma ou outra faz qualquer negócio para performar. Note que as promoções na maioria das vezes acontece no final do terceiro mês do trimestre (março, junho, setembro e dezembro).
Luiz Eduardo, segue um link interessante que corrobora seu comentário…
http://portalexame.abril.com.br/economia/brasil/n…
A bolha imobiliária está inflando cada vez mais. Só não vê quem não quer.
“O custo de vida no Brasil é parecido com o de Londres e Tóquio. Por isso, é de se esperar que o valor dos imóveis se aproxime do cobrado no Exterior”.
Esse cara deve estar de sacanagem. Será que ele conhece a diferença de renda per capta entre brasil e japáo?? E sobre a taxa de juros?? Volume poupança???….affff
O custo de vida do Brasil é igualzinho Londres e Tokyo, só que ao contrário.
Muita cocaína no sistema…
Jeferson,
é fria comprar o apto. em nome de sua namorada. Sei que deve estar apaixonado, com planos de casar, etc, mas se lembre da possibilidade de separação, antes mesmo do casamento. Neste caso, você ficaria sem o imóvel.
"Não vejo essa valorização de imóveis como uma bolha, pois a demanda é real, ou seja, muita gente está comprando para morar e não para investir."
Luiz Eduardo, vc tá de brincadeira né ? Ou então deve ser lá pras Bandas de SP e Rio eu acho, pois aqui em Brasilia, só compra pra investir e NÃO pra morar e por isso eu corroboro com a idéia de uma BIG BOLHA que está só inchando.
Esse demanda toda é de gente que compra prédio na planta para vender ágio. Só que os preços estão tão elevados que os apartamentos não estão sendo vendidos. Uma olhada rápida no site wImoveis mostra isso. A Quantidade de apartamentos pra vender e que estão lá a seculos.
Eu tou torcendo pra que exploda tudo e o efeito cascata venha como uma avalanche, assim, pessoas como eu , que tem um salário razoável, vai poder comprar sua casa sem ter que ficar dando dinheiro para alimentar expeculação.
Fábio
Tenho visto que cada dia é mais comum ver construtoras dando algum tipo de brinde para quem fechar negócio. Hoje no site da RPC apareceu um banner de um empreendimento que se não me engano já está a um ano a venda, e que oferece um playstation 3. Já a MRV tá dando um bônus de 5 mil para quem fizer pré-reserva, antes era 2 mil.
Acho que algo está cheirando mau.
Abraço