Lucros retidos: uma máquina de produzir dinheiro
Albert Einstein considerava os juros compostos a força mais poderosa do universo. Com paciência e disciplina, é perfeitamente possível transformar relativamente pouco dinheiro em verdadeiras fortunas. É justamente por isso que o mercado de ações é tão lucrativo no longo prazo. Empresas que reinvestem seus lucros na aquisição de novas empresas ou de máquinas que aumentarão sua produção e, mais adiantes, os seus lucros, são verdadeiras máquinas de produzir juros compostos.
Quando uma empresa retém seus lucros, ela não precisa tomar dinheiro emprestado para adquirir novas empresas de seu ramo, comprar novas máquinas ou ampliar sua estrutura operacional. As novas aquisições elevam o lucro da empresa a um preço baixo, pois é como se a empresa tomasse um empréstimo dela própria, sem risco ou pagamento de juros. Isso faz com que os lucros de um determinado período sejam, ano a ano, acumulados e multiplicados.
Como saber se uma determinada empresa está retendo seus lucros? É fácil: basta diminuir do Lucro Líquido da companhia o quanto ela pagou de dividendos e juros sobre capital para seus acionistas. Vejamos um caso concreto, o da Drogasil:

Como o leitor pode ver, a empresa é uma verdadeira máquina de retenção de lucros. Em 2002, reteve quase R$ 5 milhões de seu lucro de R$ 8 milhões, tendo pago R$ 3 milhões de dividendos. À exceção de 2003, quando houve uma pequena diminuição de seu lucro líquido, todos os anos seguintes foram estupendos. Em 2009, o lucro líquido da empresa passou a R$ 74 milhões, e a empresa reteve mais da metade desse valor, R$ 39 milhões, que é quase dez vezes o quanto ela reteve de lucro em 2002, o primeiro ano da série. Imagine o quanto esses R$ 39 milhões poderão impulsionar o crescimento da empresa nos próximos anos!
Reter os lucros ao invés de repassá-los ao acionista na forma de dividendos e juros sobre capital é melhor, também, para o acionista. Quanto maior o lucro da empresa, mais ela repassará ao acionista na forma de dividendos e juros sobre o capital. Como o leitor pode observar, apesar da política agressiva de retenção de lucros, o valor pago em dividendos aumentou mais de dez vezes entre 2002 e 2009. Se a empresa pagasse todo o seu lucro na forma de dividendos, não poderia ter crescido tanto quanto cresceu.
Arquivado em: Ações
Sobre o autor (Perfil do autor)
Comentários (13)
Trackback URL | Feed RSS do comentário
Sites que remetem a esse artigo
- Por que ações são mais rentáveis do que imóveis? | Artigo | O pequeno investidor | 20 de julho de 2011





Fala Fábio
Estes dias li exatamente isto, no livro do Buffet. Ao contrário da legislação brasileira que exige que as empresas distribuam um dividendo minimo, nos EUA não é obrigatório. Buffet com suas empresas, não distribuíam dividendos, com a ideia de investir nela mesma. E deu certo. É a mesma ideia que você apresentou.
Abraço
Jefferson, eu também tirei isso daí de um dos livros sobre a estratégia dele, o "The new buffettology".
Muito bom, Fabio.
Empresa endividada e retenção de lucros, o que dizer? Oportunidade a longo prazo? Pela lógica os preços da ação estariam um pouco descontados pelo mau fundamento (dívida), mas 'embicado' para uma alta. O que dizer de um múltiplo do tipo Dívida / Retenção anual média de lucros. Daria uma perspectiva como o do P/L? O que tu acha da idéia? Pega leve pois sou bem cru em fundamentalismo de ações.. (-;
Peter, não acho que o perfil da Drogasil seja o de uma empresa muito endividada. Pelo que consultei, o endividamento dela está normal – inclusive, o índice de liquidez corrente dela é superior a 1 (o dela, é 2,14), que é o padrão exigido para saber se ela tem capacidade de pagar suas dívidas.
E no caso de uma empresa com perfil de dívida? Será que esse múltiplo que mencionei teria alguma validade para análise fundamental? Imagina uma empresa que esteja alavancada mas girando bem..
Nesse caso, as coisas ficam mais complicadas. Uma empresa assim poderia estar muito alavancada, pois teria que contar com um crescimento que poderia não ocorrer. Se em um ano as dívidas crescerem e os lucros não, ela pode ficar em apuros. O ideal é manter uma dívida saudável o suficiente para financiar o crescimento, mas não tão grande a ponto de asfixiar a companhia.
Parabeeens pelo artigo Fabio….
Como sempre seus artigos são curtos e objetivos, com uma linguagem simplificada na qual qualquer leigo pode entender, quem dera todos os economistas e analistas financeiros falassem nessa linguagem.
Obrigado, Thiago! São elogios como esses que me fazem seguir escrevendo. Espero sempre poder contribuir!
Sou uma curiosa em assuntos de investimentos e adoro sua maneira clara de expor sua opinião, alias, conhecimento.
Como eu disse outras vezes, eh muito boa sua exposicao. Agora, eu tenho uma duvida: como posso obter essas informacoes sobre os dividendos pagos por uma empresa nos ultimos 5 ou 10 anos?
Nos sites http://www.fundamentus.com.br e http://www.comdinheiro.com.br você encontra essas informações…
Muito bom Fábio!