Abrir um negócio ou investir em ações?

5 de setembro de 201018 comentários

Muitas pessoas pensam que abrir um negócio é a melhor maneira de enriquecer. Investem as economias de anos e anos de trabalho árduo como empregado no seu empreendimento, com a expectativa de, depois de algum tempo, conseguirem a tão sonhada independência financeira. Muitas dessas mesmas pessoas dizem que o mercado de ações é muito perigoso. Será mesmo? [tweetbutton]


Segundo estatísticas do Sebrae, 27% das pequenas empresas abertas no Estado de São Paulo fecham suas portas em menos de um ano de atividade. Em dois anos, mais 10% das empresas fecham suas portas (37% do total); e em três anos, quase metade delas (46%) já fecharam suas portas. Ao final de cinco anos, apenas 42% das empresas permanecem em atividade.

Por que isso acontece? A grande razão para esse grande índice de insucesso das pequenas empresas é a falta de conhecimentos em gestão empresarial. A maioria dos pequenos empresários não tem preparo o suficiente para administrar uma empresa. Não são poucas as exigências: para abrir uma empresa, é necessário preencher uma papelada enorme, registrar a sociedade na junta comercial, junto à Fazenda municipal, estadual e federal, arrumar dezenas de certidões negativas, contratar contador e advogado. É importante aprender um pouco sobre direitos trabalhistas antes de contratar os empregados, para evitar fazer besteira e pagar caro depois. Pagar impostos também dá uma trabalheira danada, porque a legislação tributária é complicada pra caramba. E você ainda corre o risco de contratar um contador incompetente, que só vai te trazer mais problemas depois.

E eu nem falei dos problemas que surgirão depois que a empresa começar a funcionar. Tudo isso a que me referi deve ser enfrentado antes de abrir as portas. Depois, o pequeno empresário tem que controlar estoques, negociar com os fornecedores, administrar a eficiência de seus empregados (não pode xingar os empregados ineficientes nem expô-los ao ridículo, tá? Isso dá indenização por danos morais!). Tem também que controlar seus custos, ter uma publicidade eficiente para conseguir clientes, pensar em soluções que diferenciem sua empresa das demais.

Vou parar por aqui. Já deu pra perceber que dá muito trabalho colocar uma empresa em funcionamento e ter lucro com elas? A maioria dos pequenos empresários não tem a menor ideia de 50% dos requisitos que eu mencionei nos parágrafos acima. E por isso mesmo metade de suas empresas quebra antes de completar cinco anos de funcionamento. É possível ficar rico com uma empresa? É claro! É perfeitamente possível! Mas as probabilidades estão contra você.

Agora, imagine uma segunda situação. Ao invés de abrir você mesmo sua empresa, decide se associar a várias companhias, que já tiveram comprovado sucesso em produzir bons resultados ano a ano. Você não tem mais que se preocupar com legislação tributária ou trabalhista, porque as empresas contratam os melhores advogados e contadores que o dinheiro pode pagar. Não se preocupa com gestão de estoques, propaganda, controle da eficiência dos empregados. Sua única preocupação é estudar a cada trimestre (ou, se você não tiver tempo mesmo, uma vez por ano) os balanços das empresas para verificar se elas estão sendo bem administradas como você supôs inicialmente. Isso é o mercado de ações. Cada ação é um pedacinho de uma empresa. E você pode investir o quanto considerar plausível, comprando uma fração maior ou menor da companhia.

Quando você abre uma empresa, precisa alocar 100% de seu capital no empreendimento. Todas as suas economias são alocadas para um único investimento. E, se você é como a maioria dos pequenos empreendedores, não tem o menor conhecimento de gestão empresarial. Ou seja, você pega todo o seu dinheiro e entrega na mão de uma pessoa não tem a menor idéia do que fazer com ele (err… você mesmo). Você percebe o risco?

Ao investir em ações, você não precisa pegar 100% do seu dinheiro e investir em um único empreendimento. Na verdade, não é necessário nem que você invista 100% de suas economias em ações. Você investe o quanto quiser, o quanto puder, e quando desejar. Se quiser investir 10% de suas economias e colocar o restante em títulos do tesouro ou em outro investimento de renda fixa, você pode. Se você quiser investir em uma única empresa ou em várias companhias, também pode. Ou seja, quem decide o risco que você quer correr é você mesmo. Além disso, ao investir em ações, é perfeitamente possível alocar suas aplicações em empresas de diversos setores diferentes da economia. Quando você abre uma empresa, o único setor em que você investe é aquele em que sua empresa está localizada. Ou seja, se aquele setor tiver problemas, as chances de o negócio dar errado se tornam maiores ainda.

E, ao investir em ações, você nem precisa abandonar o emprego em que está. Ao abrir uma empresa, é preciso estar 100% concentrado em tudo o que acontece nela. E a única fonte de renda de 90% dos empresários do setor é a produzida pela empresa. Ou seja, se você é como a maioria das pessoas e tem que comer, se vestir e sustentar uma família, você precisa tirar dinheiro da empresa praticamente desde sua fundação. Ao investir em ações, contudo, nada impede que você continue com o seu emprego, dependendo do seu patrão (ou do governo, se você é servidor público): ou seja, você tem uma renda praticamente garantida enquanto, aos poucos, vai construindo seu patrimônio, que paulatinamente assegura um fluxo de renda que, no futuro, pode ser suficiente para garantir seu padrão de vida.

E você, o que acha? É mais seguro investir em ações ou abrir um negócio?

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Comentários (18)

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  1. J'onn J'on disse:

    Resumiu e fundamentou bem minha a opnião sobre o assunto. Concordo plenamente.
    Converso com meus amigos, todos recém formados e maioria não pensa assim. Querem abrir seu próprio negócio.

    Nos últimos anos estudei para conseguir um bom emprego e ter uma renda descente. Recentemente consegui isso e agora estou estou estudando para poder escolher as melhores empresas para comprar (um pedacinho delas) pagando um preço um justo.

    Empreender pode ser muito bom, mas é um caminho muito mais díficil (arriscado e trabalhoso) do que ser empregado e virar sócio de grandes empresas.

  2. Pedro Nora disse:

    Para empreender não basta conhecimento. Empreender é uma vocação. Vive-se para o negócio.

    Se a escolha para empreender é apenas por questão financeira, corre-se um grande risco de rasgar dinheiro!

  3. fabio disse:

    Fábio, grande coincidência, pois eu estou pensando justamente em começar um empreendimento! Concordo com o que você diz, realmente dá muito trabalho ter seu próprio negócio, mas a satisfação e as possibilidades de crescimento nem se comparam a ser um empregado a vida toda.

  4. Adriano disse:

    Fabio

    Boa noite

    Realmente a vida de empresario é massante, mas é compensatoria. Não concordo no seu comentario, quando fala sobre investir 100% do capital na abertura da empresa, pois depende de um projeto elaborado minuciosamente, não podemos esquecer tb do risco de investir o dinheiro em ações, uma das grande diferença entre ser empresario e investidor´, é a dedicação de quem escolhe os rumos .Infelizmente esses dados do SEBRAE são verdadeiros, mas acredito que isso acontece, porque v ivemos em um pais que não apoia e não ensina a ser empreendedor, ´não é interessante para o nosso governo os pequenos crescer, sempre bombardeando com a tributação.
    Estou começando a investir em ações, mas só porque a empresa que tenho esta dando frutos.Acredito que para cada 100 reais que se ganhe em ações pode-se ganhar 1000 vezes mais em um empreendimento! o site tem nome de pequeno investidor, mas a idéia acima desanima qualquer um na area de ser um empreendedor.

    Adriano

    • Fabio Portela disse:

      Caro Adriano,

      Não considero o empreendedorismo ruim. Pelo contrário, é bom que o país tenha cada vez mais pessoas empreendedoras. Não sou contra as pessoas abrirem empresas – o objetivo do artigo era apenas mostrar que isso é muito mais difícil e mais arriscado, na média, do que investir em ações de boas empresas. É claro que, se você for um bom administrador e souber fazer as coisas direito, abrir um negócio é uma alternativa muito interessante. Mas não é o caso da maioria das pessoas que abre um negócio.

      A propósito, sucesso em seu empreendimento!

  5. Gui disse:

    Fábio, na maior parte do tempo eu penso como você, tanto que, diferentemente do meu pai empreendedor, desde cedo comecei a investir em ações, acontece que volta e meia me pego refletindo de novo sobre o assunto e fico balançado… Tem um aspecto que sempre me chamou a atenção:

    Se uma pequena empresa tem uma margem de lucro de 5% na venda de um produto (depois de considerados os impostos, a matéria-prima, o maquinário, o aluguel, a mão-de-obra, enfim, os custos), esse retorno aparentemente modesto pode não ser ao ano, mas num intervalo de tempo, dependendo do produto, consideravelmente menor. Assim, se os 5% forem a.m., isso dá 71% a.a., uma taxa de retorno que, a meu juízo, compensa um risco bastante alto (não que seja referência, mas conheço quem arrisque muito mais por muito menos pondo o dinheiro na mão de "amigos"…).

    Você tem opinião sobre isso? Esse fator já estava nos seus cálculos? Eu perdi alguma coisa? Olha, não sei se falei asneira, mas se você puder tirar mais essa pulga de trás da minha orelha eu fico imensamente agradecido.

    Grande abraço!

    Sucesso!

    • Fabio Portela disse:

      Gui,

      O difícil é conseguir esse retorno depois de descontadas todas as despesas. Muita gente faz essas contas colocando no cálculo apenas o preço original dos produtos, e não inclui as outras contas (impostos, água, energia, funcionários, maquinário, etc.). Não sei se é o caso a que você se refere – mas, se você conseguir uma margem líquida de 5% ao mês, descontado tudo, abra o negócio! :-)

  6. daniel guerra disse:

    fabio, 5% am sem contar que o empreendedor teria que, teoricamente, reinvestir todo o bruto de um mes no seguinte sem retiradas sazonais e por todo o periodo estipulado, aí teriamos uma progessao geometrica. mas pra isso ser possivel, o empreendedor teria q ter um outra fonte de renda para pagar suas contas enquanto a empresa progride sem parar

  7. Realmente Fabio. Eu só começaria um negócio próprio se fosse por prazer. Depois de ter alcançado a IF. Eu não saíria do meu emprego para arriscar todo meu patrimonio em um negócio que talvez não traga retorno…

    Acho complicado para quem não tem experiência…

  8. Olá Fábio,

    Realmente empreender é muito mais trabalhoso e arriscado do que comprar ações de empresas já funcionantes. Obviamente devido ao risco bem maior o retorno de um negócio próprio pode ser infinitamente maior que o retorno das ações.

    Outra desvantagem das ações é que voce tem muitas vezes que alocar um capital bem maior para ter um retorno X. Por exemplo se vc quer viver da bolsa com uma renda de R$ 5000,00 voce precisa muitas vezes de um patrimonio de R$ 1 MM; Já em um negócio próprio voce pode conseguir uma renda semelhante com um capital bem menor.

  9. Costa disse:

    Concordo plenamento com o artigo. Nos últimos meses tive que abrir uma empresa para sair da informalidade e emitir nota para alguns clientes que atendo fora do meu expediente oficial. A burocracia é absurda, e olha que sou optante pelo simples… Fora pagar contador, pago R$200,00 por mês. De qualquer forma continuo empregado, faço esse bico, invisto em ações sempre olhando os fundamentos da empresa e os gráficos para achar pontos de entrada. Pratico o famoso buy and hold lançando algumas opções para remunerar a carteira. Parabéns pelo artigo, é excelente!

  10. Thiago disse:

    Fabio, concordo em partes com vc, eu invisto em açoes e ja tive um negocio próprio.A principal vantagem do mercado de açoes é o pequeno risco, porem o retorno desse investimento pode demorar anos.A principal vantagem do negocio proprio é o retorno no curto prazo, algumas empresas conseguem pagar o investimento inicial em 1 ou 2 anos, porem o risco é alto (como foi citado no seu artigo) e a dor-de-cabeça é imeeensa.Acredito que em algumas situações o mercado de açoes é mais vantajoso e em outras o negocio proprio é melhor.Vou dar dois exemplos para fundamentar meu argumento.

    Ex1(meu caso): Estou desempregado, ainda recebo ajuda financeira dos meus pais, e busco minha independencia financeira.Se eu for investir no mercado de ações, meu retorno sobre o capital(nao estou contando com a cotação, somente com os dividendos) será no minimo daqui a 5anos, eu sei que esses dividendos aumentam no decorrer do tempo(li no seu blog), mas eu duvido que em um prazo de 2anos esses dividendos me darão um rendimento mensal de 10% ao mes como em alguns pequenos negocios proprios.

    Ex2: A pessoa que esta em um emprego estavel e recebe um bom salario.Para esse tipo de pessoa é mais vantajoso o mercado de ações,já que ele nao tem a necessidade de se arriscar para conseguir a independencia financeira e ter dor-de-cabeça no futuro.

    Eu espero conseguir um emprego estavel e nao precisar seguir o exemplo1.

  11. Davi Lamas disse:

    Espetacular matéria!!

    • Fabio Portela disse:

      Obrigado, Davi!

  12. acsar disse:

    Parabens pelo post.

    Concordo em género número e grau, pois há 15 anos abri uma empresa que só me deu trabalho… Há três anos vivo de especular na bolsa e me arrependo de não ter iniciado mais cedo.

  13. Sandra disse:

    Olá Fábio!
    É uma verdade sobre as empresas, mas o que falou aqui é só um pouco da realidade, existe muito mais burocracia e aborrecimentos ao ter uma empresa, sei porque meu pai sempre teve, e vendo todo o sufoco que ele já passou, tomei a decisão de que empresa não quero não!
    Mas, como filha de empresário, também não me apetece trabalhar de empregada fazendo patrão enriquecer. Trabalho por conta, sem empresa, sem patrão.
    Logo quero começar a investir sim, estou estudando primeiro, para não fazer besteira também, afinal, se fazemos muitas quando abrimos uma empresa, imagine o que não podemos fazer ao investir na bolsa!!!
    Parabéns pelo post.
    Um abraço

  14. Francisco Brito disse:

    Olá Fábio, permita-me só fazer uma colocação: assim como em qualquer tipo de investimento, abrir uma empresa não necessariamente se faz necessário alocar 100% do seu patrimônio, como deu a entender no seu post. Por ex: se o meu patrimônio é de 200 mil, posso abrir uma franquia c/ 100 mil de capital e os outros 100 mil continuar investindo em ações ou em renda fixa, minimizando assim o risco de perder o patrimônio caso a empresa não dê certo.

  15. saulo disse:

    parabens pelo post. nunca tinha conseguido visualizar isso por mim mesmo.

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