As vantagens e os perigos do cartão de crédito

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Semana passada, alguns dados preocupantes sobre endividamento do consumidor foram divulgados pela Serasa. As dívidas relacionadas à emissão de cheques sem fundo cresceram 39,2% com relação ao ano passado, mas, com relação a junho, o maior responsável pelo aumento do endividamento foi o cartão de crédito (crescimento de 4,4% com relação ao mês anterior). Isso é preocupante, pois os juros associados às dívidas parceladas do cartão são muito altos, entre 9% e 20% ao mês (ou 240% ao ano). Isso não significa, contudo, que o uso do cartão de crédito seja necessariamente algo ruim e perigoso para as finanças pessoais. O bom uso do cartão é um instrumento poderoso de antecipação do consumo que, se utilizado racionalmente, pode até facilitar o controle de gastos.[tweetbutton]


O parcelamento do cartão de crédito pode transformar as dívidas em uma verdadeira bola de neve. Por isso, é importantíssimo evitar pagar apenas o valor mínimo exigido. Os juros são tão altos que em pouco tempo você terá que pagar muito mais do que a dívida original.

Imagine a situação de alguém que assume uma dívida de R$ 500,00 no cartão de crédito e resolve pagar o mínimo exigido, 10% do valor devido (R$ 50,00), com juros do cartão de crédito de 15% ao mês. Nessa situação, no mês seguinte sobrariam R$ 450,00 a ser pagos – mas sobre esse valor incide os juros da operadora do cartão: então seriam R$ 450,00 + R$ 67,50 de juros. Ou seja, o devedor pagou R$ 50,00, mas agora deve R$ 17,50 além dos R$ 500,00 originais. Se ele continuasse a pagar apenas o mínimo exigido do parcelamento, sua dívida progrediria da seguinte maneira:

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Em dois anos, a dívida dobrou! No total, pagando o “valor mínimo” para o parcelamento, ele já teria pago R$ 1.833,33 (mais de 3 vezes e meia a dívida original). E a dívida era razoavelmente baixa. Se a dívida fosse maior, em pouco tempo a sua capacidade de pagamento estaria comprometida. Se a dívida no cartão fosse de R$ 10.000,00, por exemplo, em apenas 48 meses (4 anos), teria se elevado para R$ 50.000,00 (cinco vezes a dívida original) e o pagamento mínimo seria de pouco mais de R$ 5.000,00 mensais. Em 7 anos, seria praticamente impagável: R$ 115.017,74 de dívidas com pagamento mínimo de R$ 11.501,77. Se ele tivesse feito os pagamentos mínimos exigidos, teria pago no total R$ 311.552,00 ao longo dos 7 anos(mais de 30 vezes a dívida original!) – e ainda deveria mais de R$ 100.000,00. Ter os juros correndo contra você é uma tarefa árdua…

Mas o cartão de crédito também pode ser utilizado a seu favor. Se você puder pagar o valor total da dívida, é possível parcelar o pagamento de bens cujo pagamento de uma só vez seria muito oneroso. Por exemplo, pagar R$ 2.000,00 por uma geladeira de uma vez só pode ser difícil demais, mas pagar uma prestação sem juros de R$ 200,00 pode ser bastante razoável. A não ser que você consiga um bom desconto pelo pagamento à vista, parcelar no cartão sem juros pode ser uma alternativa interessante – desde que você se comprometa a pagar o valor total do cartão. NÃO parcele o pagamento do cartão jamais!

Outra vantagem interessante diz respeito aos pontos de fidelidade do cartão. Dê vantagem aos cartões que têm convênios com planos de fidelidade: a cada compra no cartão, você ganha pontos que podem ser convertidos em determinados produtos. Os planos mais conhecidos são os relacionados a empresas aéreas, mas também existem outros, como o do Compra Fácil, a partir dos quais é possível comprar câmeras digitais, notebooks, eletrodomésticos e outros produtos.

Também há quem goste do cartão de crédito porque na fatura ficam registrados todos os gastos do mês – o que facilitaria o controle financeiro. Eu, particularmente, não gosto dessa alternativa porque a fatura só chega ao final do mês (e nem sempre é atualizada pelos sistemas online que informam os gastos registrados na fatura), o que facilita o descontrole. Mas, se o usuário tiver disciplina e registrar todos os gastos no cartão, pode ter todos os benefícios dessa maneira interessante de obter crédito sem ter dor de cabeça. Lembre-se de que todo cuidado é pouco para não entrar nas estatísticas do Serasa!

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  1. [...] que até bem pouco tempo não tinham acesso a esse instrumento. Apesar dos riscos, se bem utilizado, o cartão de crédito pode ser um importante instrumento de educação financeira.  Se mal utilizado, pode vir a se tornar um grande problema – não apenas para o portador, [...]

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