Você recebeu um dinheiro inesperado… o que fazer?

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Às vezes a sorte sorri para o pequeno investidor e um dinheiro extra entra na conta. Você recebeu uma proposta excelente por um terreno que não esperava vender (ou, de repente, vendeu aquele apartamento de R$ 1 milhão e meio depois de ver o problemão que tinha nas mãos), ganhou um dinheiro apostando que a França ia ser eliminada na Copa do Mundo, ganhou no bingo, fez uns trabalhos extras e recebeu um bom pagamento, enfim… recebeu um dinheiro com o qual não contava. E agora tem que decidir: o que vou fazer com ele??

Obviamente, estou contando com a relevância do valor recebido inesperadamente. Se você encontrou R$ 10,00 na rua, não acredito que esse post irá te ajudar a resolver seu dilema sobre o uso da quantia. Mas acho que o artigo pode ser útil para quantias superiores a R$ 200,00 mensais.

Bom, a primeira coisa a se considerar é a origem do dinheiro. Se você recebeu a quantia pela venda de um patrimônio – como um lote ou um apartamento -, decerto pensará em agir de maneira diferente do que quem recebeu uma bolada em uma loteria. Provavelmente, você pensaria em investir o dinheiro, e não em gastá-lo. Além disso, provavelmente preferiria aplicar o dinheiro em um investimento menos volátil.

Claro, isso também depende do seu perfil de investidor. Se você tem a possibilidade financeira de ser um investidor mais ousado, pode investir o dinheiro obtido em ações (se o preço delas estiver razoável, claro); mas, se você não tem reservas financeiras, é melhor investi-lo em um investimento menos volátil, como fundos de renda fixa ou, preferencialmente, títulos do tesouro direto.

Outro fator a ser levado em consideração é o tempo que o investidor terá antes de precisar resgatar o investimento. Como se trata de um dinheiro inesperado, a situação ideal é a de que o valor jamais seja necessário. Afinal, ninguém pode depender de um dinheiro que recebeu por sorte… concorda? É importante pensar que aquele dinheiro nem estaria à disposição em condições normais. Pensando assim, provavelmente você terá um futuro financeiro mais compensador.

Dependendo do montante recebido, e levando em consideração os fatores acima descritos, eu faria a seguinte alocação:

1) Se o investidor já tem um bom colchão financeiro em títulos de renda fixa (como o tesouro direto): investiria o dinheiro extra em ações;

2) Se o investidor não tem qualquer reserva financeira e o dinheiro recebido é bastante significativo (digamos, superior a 12 salários): eu aplicaria 75% em renda fixa (preferencialmente, títulos do tesouro direto) e 25% em ações.

3) Se o investidor não tem reserva financeira e o valor extra é mediano: aplicaria tudo em renda fixa.

Mas em que títulos de renda fixa o investidor deveria aplicar? Para responder a essa pergunta, é importante considerar o prazo que o investidor pretende resgatar o valor e comprar títulos do tesouro direto com vencimento em data próxima a aquela. Por exemplo: se se pretende comprar um carro em 2015, seria importante procurar um título com vencimento naquele ano. Se, por outro lado, o investidor pretende guardar o dinheiro para aproveitar na velhice, deve escolher títulos com vencimentos próximos ao de sua aposentadoria (e há títulos com vencimento em 2024, 2035 e 2045!).

Claro, se o valor for muito significativo, nada impede que o investidor retire um pouco para aproveitar a vida. O importante é não deixar que o dinheiro recebido “por sorte” faça parte integral de sua vida. Se isso acontecer, você terá dado o primeiro passo rumo ao desastre financeiro – não é a toa que muitos dos que recebem prêmios gigantescos da Mega Sena terminam endividados!

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