Perguntas do leitor # 2

12 de julho de 20107 comentários

Hoje, respondo a perguntas que um leitor formulou, relativamente à segurança de sua corretora e aos títulos do tesouro direto. Não autorizei o comentário do leitor para não expor sua identidade, já que algumas das perguntas se referem a valores, e preferi responder como um post porque as perguntas podem ser relevantes para outros leitores.

As perguntas do leitor são as seguintes:
Olá, parabéns pelo Site.

Estou interesseado em entrar neste Mercado de Títulos Públicos ().

1) Verifiquei que a BaniFinvest nada cobra em investimento de Títulos Públicos (Tesouro Direto), mas se a BanifInvest quebrar, levo algum prejuízo na operação???
2)tenho R$ 500.000,00 para investir (meio milhão) e não preciso do dinheiro pelo prazo de 3 anos. Por favor, o que recomenda em termos de títulos públicos????
3) Para quem não precisa do capital por 3 anos, e considerando-se o valor acima (R$ 500.000,00), o Tesouro Direto, atualmente, apresenta a melhor rentabilidade dentre os investimentos em RENDA FIXA no Brasil???
4) Investindo em títulos públicos prefixado, pelo prazo de acima de 2 e até 3 anos (sem mexer no investimento), e considerando o capital mencionado (meio milhão), qual o máximo de rentabilidade que eu consigo (Descontando-se imposto de renda e taxas cobradas), aplicando-se através da Banifinvest ou de outra que tenha taxa zero ?
5) Considerando-se que a Banifinvest e outras que têm taxa zero nessa operação (Tesouro Direto), então, com que elas lucram ou ganham ???
6) O Ideal seria aplicar 50% do capital acima sugerido (R$ 250.000,00) em títulos prefixados e outra metade (R$ 250.000) em títulos pósfixados. 6.2) O que sugere? (OBS.: Esse capital é reservado apenas para Renda Fixa)
7) Considerando que fosse vc que tivesse disponível o capital acima mencionado (meio milhão), e que não precisasse dele pelo prazo de até 3 anos, em que títulos públicos aplicaria? (OBS.: Esse capital é reservado exclusivamente para Renda Fixa)
MUITO OBRIGADO SE PUDER RESPONDER CLARAMENTE TODAS ESSAS PERGUNTAS

A primeira pergunta se refere à segurança do investimento em uma corretora. O leitor pergunta o que acontece se a BanifInvest quebras: ele levaria algum prejuízo?

O de uma corretora quebrar existe, mas é pequeno: afinal, ao contrário de um banco, que empresta dinheiro, a corretora é apenas uma intermediária na negociação. A partir do momento que você comprar as ações ou os títulos do governo em que pretende investir, o dinheiro não permanece mais na corretora, mas na CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia), que é outra empresa. Assim, se a corretora quebrar, você não perderá nada: deverá apenas abrir uma nova conta em outra corretora. O único dinheiro que você poderá perder é o que deixar na conta da própria corretora – e, nesse caso, deverá se habilitar no processo de falência dela, o que pode ser uma verdadeira dor de cabeça judicial. Mas, repito, os riscos disso acontecer são baixos: a hipótese mais plausível que percebo é a de a corretora operar muito alavancada nos dela, e vir a necessitar de recursos de que não dispõe.

A segunda pergunta é a seguinte: “tenho R$ 500.000,00 para investir (meio milhão) e não preciso do dinheiro pelo prazo de 3 anos. Por favor, o que recomenda em termos de títulos públicos????”

O ideal, nesse caso, é investir em títulos com vencimento próximo ao da data em que se precisará do dinheiro: em 2013. Consultando o site do tesouro direto, vejo que há o título NTN-B com vencimento em agosto de 2012, pagando 6,63% + IPCA – isso daria uma rentabilidade aproximada de 11 a 12% ao ano, e a LTN com vencimento em janeiro de 2013, pagando 12,20% ao ano. São rentabilidades muito boas: dariam algo em torno de 9,5% a 10% líquidos ao ano para o investidor.

A terceira pergunta está relacionada a essa: “Para quem não precisa do capital por 3 anos, e considerando-se o valor acima (R$ 500.000,00), o Tesouro Direto, atualmente, apresenta a melhor rentabilidade dentre os investimentos em no Brasil???”

Acredito que, entre os investimentos de renda fixa, a maior rentabilidade, entre os investimentos à disposição do investidor médio, é o Tesouro Direto. É possível encontrar rentabilidade maior em debêntures emitidas pelas empresas, mas é um pouco mais arriscado também.

A resposta à quarta pergunta é de difícil resposta. A pergunta é a seguinte: “Investindo em títulos públicos prefixado, pelo prazo de acima de 2 e até 3 anos (sem mexer no investimento), e considerando o capital mencionado (meio milhão), qual o máximo de rentabilidade que eu consigo (Descontando-se imposto de renda e taxas cobradas), aplicando-se através da Banifinvest ou de outra que tenha taxa zero ?”

Os títulos públicos prefixados são as LTNs e NTN-F, sendo que apenas as LTNs têm vencimento no prazo de 2 a 3 anos, com rentabilidade de 11,95% e 12,20%, respectivamente. Com essas taxas, a rentabilidade média líquida (nominal) de quem investisse nesses  fundos seria de aproximadamente de 9,5% a 10%.

A quinta pergunta é a seguinte: “Considerando-se que a Banifinvest e outras que têm taxa zero nessa operação (Tesouro Direto), então, com que elas lucram ou ganham ???”

Essas corretoras ganham a sua simpatia e a custódia paga. Verifique se a sua corretora não cobra a custódia de ou uma taxa de administração pela abertura de sua conta corrente. Algumas corretoras cobram custódia mensal mesmo se não houver títulos investidos.

Não posso responder à sexta pergunta, que é a seguinte: “O Ideal seria aplicar 50% do capital acima sugerido (R$ 250.000,00) em títulos prefixados e outra metade (R$ 250.000) em títulos pósfixados.  O que sugere? (OBS.: Esse capital é reservado apenas para Renda Fixa)”. Não sou habilitado pela CVM para indicar investimentos. Assim que eu me habilitar, responderei a esse tipo de pergunta!

A sétima pergunta é a seguinte: “Considerando que fosse vc que tivesse disponível o capital acima mencionado (meio milhão), e que não precisasse dele pelo prazo de até 3 anos, em que títulos públicos aplicaria? (OBS.: Esse capital é reservado exclusivamente para Renda Fixa)”

A resposta a essa questão não deve ser entendida como conselho, mas nos termos em que foi proposta: vou dizer o que EU faria, não um conselho. No meu caso, tendo em vista o prazo curto indicado, eu dividiria o dinheiro em 2 partes: 30% seria investido em  LFTs (títulos cuja rentabilidade acompanha a SELIC) e 70% em LTN com vencimento em janeiro de 2013 (rentabilidade prefixada de 12,2% ao ano).

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Comentários (7)

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  1. J'onn J'on disse:

    Fábio,

    Me desculpe a ignorância… mas não entedi nada desse trecho:

    " pagando 6,63% + IPCA – isso daria uma rentabilidade aproximada de 11 a 12% ao ano, e a LTN com vencimento em janeiro de 2013, pagando 12,20% ao ano. São rentabilidades muito boas: dariam algo em torno de 9,5% a 10% líquidos ao ano para o investidor."

    Como algo que é 6,63% + IPCA pode atingir uma rentabilidade líquida maior que o 6,63%?

  2. J'onn J'on disse:

    Esquece minha pergunta, tinha confundido rentabilidade real com rentabilidade liquída.

  3. Fabio disse:

    Ótima exposição. Você acha que a SELIC passa o valor (6,6% + IPCA) nesse período? E para algo mais longo prazo, digamos 20 anos?

    • Fabio disse:

      Não tenho a menor ideia sobre os movimentos da SELIC, embora ache que, no longo prazo, a tendência é ela diminuir, se tudo o mais na economia mundial e brasileira for se desenvolvendo como agora… mas é puro achismo!

  4. Alan disse:

    Sei que este é um blog sério, mas somente o polvo para prever o futuro:

    SELIC ou 6,6% + IPCA? O polvo disse SELIC. #pergunteaopolvo http://migre.me/WoW1

    SELIC no longo prazo ou 6,6% + IPCA no longo prazo? O polvo disse 6,6% + IPCA no longo prazo. #pergunteaopolvo http://migre.me/WoW1

    :-)

    • Fabio disse:

      Não tenho a menor ideia do que vai acontecer com a SELIC. Se tudo permanecer como está na economia brasileira e mundial, acho que a tendência, por aqui, é de uma queda da Selic no LONGO PRAZO. Mas é só um chute mesmo: saber se é melhor investir na SELIC ou 6,6% + IPCA é impossível. Por que não colocar um pouco em cada um dos investimentos e garantir uma rentabilidade intermediária?

  5. Fabio disse:

    Acho que o mais interessante é investir da mesma forma que com ações: diversificação e custo médio ao longo do tempo.

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