O mercado imobiliário não é uma máquina de lucros perpétuos

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Um dos grandes sonhos dos cientistas de todas as épocas foi criar uma máquina de movimento perpétuo, capaz de reutilizar indefinidamente sua energia. Uma máquina que produzisse tanta ou mais energia do que a que consome. É como se um carro fosse capaz de rodar por aí sem que o motorista jamais venha a encher o tanque. Fantástico, não é? Pois é, pena que não existe uma máquina como essa: pelo princípio físico da conservação de energia, para que um sistema produza energia, ele precisar dispor dela antes. Um carro se movimenta porque transforma energia térmica (produzida pela queima de combustível) em movimento.

Calma, leitor. Não quero te desesperar falando de física hoje. Sei que provavelmente você ainda sente arrepios do ensino médio quando lê uma fórmula matemática ou ouve falar de “energia potencial”. Comecei falando de física para poder falar de investimentos: o ponto que pretendo discutir hoje é que, assim como sistemas físicos não podem produzir mais energia do que consomem, o mercado imobiliário também não pode ser uma máquina de lucros perpétuos.

O post de hoje é a resposta que dou para uma “reles corretora de imóveis” (é como a leitora se identificou) que postou um longo comentário ao post “Imóveis continuam em alta em Brasília. Até quando?“, que publiquei no início de abril.
Prezados,
Muito interessantes todas as colocações.
Realmente o mercado imobiliário do DF é inusitado, porém, isso fica mais evidente se nos limitarmos a ele.
Como foi citado em um comentário anterior, isso não está acontecendo somente em Brasília, muito pelo contrário.
No Rio de Janeiro, por exemplo, não é raro ver o m² ser vendido a 16mil em lugares nobres como Leblon ou Ipanema.
Acredito que todos acompanham bastante o mercado imobiliário e já devem estar cientes que o Brasil, não Brasília, mas o País todo teve no último ano a terceira maior média de valorização em imóveis do mundo.
Ficando atrás apenas de Hong Kong e Singapura.
A média de valorização no País foi de 22% a.a.
Mas, mesmo assim o Brasil está longe de ter o m² comparado aos mais caros do mundo,ocupando a 64° posição.
Claro que Brasília se destaca no cenário brasileiro, e apresentou uma média de valorização de 30% em apenas 06 meses.
ISSO É MUITO PREOCUPANTE, PRINCIPALMENTE PARA QUEM NÃO INVESTE, AOS QUE DEIXAM SEU DINHEIRO DESVALORIZANDO EM ALGUMA POUPANÇA OU SIMPLESMENTE AOS QUE NÃO TÊM DINHEIRO ALGUM PARA INVESTIR!
Esses ficam FRUSTRADOS, pois a cada dia que passa, seu SONHO DE ADQUIRIR UM IMÓVEL fica cada vez mais distante, e assim, tentam justificar sua frustração provando aos outros que investir é muito arriscado, ou até mesmo uma “burrice”.
Já quem comprou um apartamento na planta 06 meses atrás, investiu uma média de 10% do valor total do imóvel, mas se vender corre um sério risco de faturar 3x o que investiu.
Não digo que seja fácil vender esse apartamento, mas por mais que demore o lucro sobre o investimento continua sendo alto.
Investir em imóveis na planta é o jeito que muitas pessoas com pouco capital, vendo seu sonho da casa própria cada vez mais distante encontraram para terem a oportunidade de se realizarem neste sentido.
As facilidades de pagamento e a constante valorização são um grande atrativo.
A correção até a entrega é relativamente baixa, já que é apenas sobre o INCC sem acréscimo de juros.
A captação também, se bem escolhido o plano de pagamento, não chega a 40% do valor total.
Pela alta nos preços dificilmente um trabalhador consegue comprar de cara o apartamento que deseja, ou simplesmente um que atenda suas necessidades.
Assim, ele opta por comprar um menor, mas com boas condições de pagamento e um preço compatível com suas condições financeiras.
Este trabalhador fica pagando prestações durante um tempo considerável como 02 anos, por exemplo, neste meio tempo as unidades diretas com a construtora são liquidadas, e o nosso amigo pagou mais ou menos o equivalente a 20 ou 30% do valor do imóvel, conseguiu economizar um dinheiro que de outra forma não conseguiria, e está na hora de vender o seu ágio para comprar um apartamento que atenda suas necessidades.
Se esse caso estivesse acontecendo de 2008 pra cá, este apartamento teria valorizado algo próximo a 100% sobre seu valor inicial. Assim, hoje aquele trabalhador que investiu 30 ganharia cerca de 80% para vender mais rápido.
Comprar o apartamento que precisa ficaria mais fácil, já que o valor que conseguiu juntar em dois anos diminuiria consideravelmente o valor das prestações que provavelmente precisará continuar pagando já que o imóvel maior também se valorizou.
Com dinheiro, este mesmo trabalhador pode optar inclusive por comprar um imóvel pronto, e sair do aluguel.
Isso retrata claramente a questão citada: “pessoas que estão comprando imóveis a um preço muito alto para daqui a algum tempo vendê-lo por um preço mais alto ainda e adquirir outro imóvel de preço ainda maior.”
Já pensaram quantas pessoas estão envolvidas neste ciclo, e é este o ciclo que alimenta a valorização no DF, assim como em todo o Brasil.
Nossa economia cresceu bastante nos últimos anos, a taxa de desemprego diminuiu consideravelmente, e a população também mudou, assim como seu perfil e potencial de consumo, hoje a idade média dos brasileiros é 30 anos, idade de começar a pensar no futuro, começar a construir patrimônio.
Se todos os brasileiros deixassem de comprar imóveis acreditando que o preço é injusto e que mais cedo ou mais tarde eles vão cair, isso provavelmente aconteceria mesmo.
Mas, como muitos já arriscaram e conseguiram alcançar seus objetivos, é improvável que isto aconteça.
Além do mais, os preços já foram baixos e nem por isso todos conseguiam comprar.
A valorização tem sido um grande facilitador, junto com os financiamentos e a grande demanda de imóveis.
É importante realmente que a população brasileira pense, e questione principalmente as construtoras que são quem realmente comandam esta valorização para que não fuja do controle e continue favorecendo a nós brasileiros.
E a vocês que tanto criticam, por que não, abaixar a guarda um pouquinho e fazer um teste?
Investir é arriscar!
Quanto maior o risco, maior o lucro!
Que tal deixar de trabalhar por dinheiro e fazer seu dinheiro trabalhar por você?
“O papel de um degrau na escada da vida, é dar suporte a um de seus pés enquanto você coloca o outro um pouco mais alto!”
Esta é a minha opinião sobre a bolha imobiliária, pode ser que aconteça, mas nos próximos 20 anos acho pouco provável, talvez a valorização não continue na mesma proporção que nos últimos dois anos, mas perder investindo em imóveis, acho que não!
Então, o meu conselho é, invista você também!
O máximo que pode acontecer é que em alguns anos você terá algo seu!
E isto, é realmente gratificante!
Abraços.

Em resumo: A leitora é grande entusiasta do mercado imobiliário no Brasil e, mais especificamente, de Brasília. Segundo ela, o mercado imobiliário já se valorizou muito (média de 22% no ano passado), mas mesmo assim haveria muito espaço para valorização, porque o país ainda está longe de ter o preço do metro quadrado alto, já que ocupa apenas a 64ª posição no mundo. Essa situação, segundo ela, é muito preocupante para quem não investe em imóveis, que tentariam justificar sua frustração por não ter obtido os lucros desse mercado dizendo aos outros que é estúpido investir em imóveis.

Segundo ela, os preços dos imóveis deverão continuar a subir porque as pessoas continuarão dispostas a comprar imóveis por preços mais caros para vendê-los por preços mais caros ainda. O raciocínio dela vai além: “Se todos os brasileiros deixassem de comprar imóveis acreditando que o preço é injusto e que mais cedo ou mais tarde eles vão cair, isso provavelmente aconteceria mesmo. Mas, como muitos já arriscaram e conseguiram alcançar seus objetivos, é improvável que isto aconteça.”

O arremate da leitora é um convite à irreflexão: vamos todos comprar imóveis e “deixar o dinheiro trabalhar”, lembrando que “quanto maior o risco, maior o lucro”: “E a vocês que tanto criticam, por que não, abaixar a guarda um pouquinho e fazer um teste? Investir é arriscar! Quanto maior o risco, maior o lucro! Que tal deixar de trabalhar por dinheiro e fazer seu dinheiro trabalhar por você?”

Se as dívidas dos devedores Ponzi se tornarem a norma do mercado, isso poderá levar ao colapso do sistema financeiro porque boa parte de quem pegou o dinheiro emprestado não vai ter como pagar nem os juros, nem o principal. A quantidade de dinheiro disponível para emprestar se reduz: os bancos não vão ser loucos de emprestar dinheiro se ninguém está pagando os empréstimos! Isso leva à desestabilização do preço dos ativos (no caso, imóveis) e a sua redução, porque a demanda começa a cair. Menos dinheiro, menos demanda. Quando o preço dos ativos começa a cair, o devedor especulador não consegue mais pegar dinheiro emprestado para financiar o pagamento do principal para realizar novos investimentos, mesmo que tenha dinheiro para continuar a pagar os juros.

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