Banco imobiliário: lições do jogo para a vida

24 de junho de 20103 comentários

Banco Imobiliário é um clássico no mundo dos jogos de tabuleiros, com sucesso reconhecido por várias décadas em todo o planeta. É um jogo razoavelmente simples: depende um bocado da sorte, mas ter uma estratégia pode ajudar bastante o jogador a chegar à vitória. Como boa parte dos jogos que se prezam, é possível tirar do Banco Imobiliário boas lições para a vida – principalmente, para a vida financeira de alguém.

A primeira dessas lições diz respeito à dependência do salário. No início, o jogador começa com pouco dinheiro e somente pode ver seus rendimentos aumentarem com o salário, que é ganho após cada volta completa no tabuleiro. No início, você precisa jogar para ganhar dinheiro: cair numa casa errada pode ser um complicador enorme, porque pode implicar dívidas sérias que comprometem o futuro financeiro no jogo. Se o jogador cair em casas azaradas, em que ocorrem eventos de (pagar impostos ou contas absurdas e caras), pode perder boa parte de seu capital. Ou seja, ser ativo é arriscado, mas é necessário, porque senão o dinheiro não entra.

Com o passar do tempo, a coisa muda de figura: o investidor que tiver comprado bons ativos (terrenos e, mais tarde, casas e hotéis), pode se dar ao luxo de passar boas rodadas na prisão (na qual o jogador fica parado, inativo) e mesmo assim ganhar dinheiro com o aluguel que é pago pelos outros jogadores ao passarem por suas propriedades.

A lição do jogo é clara: depender do salário garante uma boa fonte de renda enquanto você está em atividade; se por uma razão ou por outra não puder trabalhar, você e sua podem ficar em apuros. Mas, se tiver investido seu dinheiro, pode sobreviver com rendimentos passivos, que garantem uma renda mesmo quando não há possibilidade de trabalhar.

Com o tempo, a lógica do jogo se inverte: se no início o ideal é rodar o máximo possível pelo tabuleiro, pra garantir um bom salário, com o tempo o ideal é rodar o menos possível. Com efeito, depois de algumas rodadas, praticamente todas as propriedades já têm um dono: rodar pelo tabuleiro significa pagar cada vez mais . Melhor ficar quieto (na cadeia, por várias rodadas, de preferência), porque se pagará menos imposto. Claro que, na vida real, nunca é bom ficar preso (mesmo ganhando rendimentos passivos!): mas é maravilhoso não ter que trabalhar para garantir renda suficiente para viver bem.

Outra lição importante do jogo diz respeito à diversificação. Comprar um lote caríssimo, que paga um aluguel excelente pode se revelar, no futuro, um péssimo negócio. O pagamento de aluguel, no jogo, depende de os outros jogadores terminarem a rodada naquele lote específico. Assim, ao invés de comprar um lote muito caro, seria melhor adquirir três ou quatro lotes mais baratos, porque aumentaria a chance de que alguém pagasse o aluguel. Do mesmo modo, é importante que o investidor diversifique um pouco seus investimentos, para garantir o fluxo de caixa mesmo que um dos investimentos não se saia tão bem.

Outro ponto relevante do jogo diz respeito ao cálculo da rentabilidade dos investimentos. Às vezes, é melhor ter lotes mais baratos, mas que dão um retorno melhor, do que ter lotes caríssimos, mas que dão um retorno maior nominalmente, mas menor relativamente. Por exemplo: há lotes que custam $ 700, e pagam $ 100 de aluguel (ou seja, o aluguel é 1/7 do valor do lote, ou uns 14%), e lotes que custam $ 200, mas pagam $ 70 de aluguel (7/20, ou quase 35%). Gastando os $ 200,00, sobrará dinheiro para outros lotes que custam aproximadamente o mesmo; mas, se o investidor gastar os $ 700,00, pode faltar dinheiro para novos investimentos.

O jogo também ensina a necessidade de o investidor ter reservas financeiras. O jogador que gasta todo o seu dinheiro comprando todas as propriedades que apareçam pode perder a oportunidade de fazer bons investimentos que surjam posteriormente (lotes melhores). Além disso, ficar sem dinheiro pode significar a necessidade de tomar empréstimo ou vender ativos quando a sorte acabar e despesas extras aparecerem, como o pagamento de impostos ou outras despesas da “carta da sorte”. Na vida real, despesas extras também aparecem: impostos, despesas com saúde, gastos com reforma, etc. Portanto, é bom ter reserva de caixa para aproveitar as oportunidades do mercado e pagar despesas não previstas.

O Banco Imobiliário é um jogo fantástico que ensina bastante sobre educação para investidores: disciplina, não depender do salário, a importância de diversificar o dinheiro, de gerar fluxo de caixa e renda passiva, entre outras coisas. É possível aprender bastante sobre a vida real a partir dele: e a melhor diferença dele para os dilemas da vida de um investidor é que, no mundo real, o objetivo não é ganhar dos demais levando-os à falência. A economia é um jogo em que todos podem ganhar – e o Banco Imobiliário ensina muito sobre como vencê-lo.

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Comentários (3)

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  1. Pequena obra-prima você tem aqui, hein? Gostei bastante. Apesar que minha estratégia de jogo foi sempre comprar TUDO O QUE PUDER e rápido…

  2. Fabio disse:

    No início, a estratégia é essa mesmo, nas primeiras rodadas. Mas depois, vc tem que ficar bem seletivo, ou então leva gato por lebre…

  3. Andre disse:

    Minha estratégia envolvia adquirir o maior numero de propriedades possivel mesmo que para isso eu tivesse que hipotecar outras propriedades

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