Os clubes de investimento

28 de abril de 2010Sem comentários

Este é mais um artigo sobre tema sugerido pelos assíduos leitores do blog, que pediram que eu escrevesse sobre os clubes de investimento. Um clube de investimento é uma associação composta por pessoas físicas que tenham interesses em comum e compartilhem uma mesma filosofia de investimento. Essa modalidade de investimento é bastante recomendada para investidores que tenham vontade de aprender mais sobre o mercado acionário, uma vez que uma parte substantiva dos recursos deve ser aplicada necessariamente em ações e os associados decidem, em conjunto, quais ativos adquirir e as estratégias de investimento do clube.

Investir por meio dos clubes de investimento é uma ferramenta importante de educação financeira, pois, ao discutir com os demais associados a estratégia de investimento e os ativos a serem adquiridos, cada membro tem uma oportunidade única de aprender com os outros como analisar as empresas cujas ações o clube irá adquirir. É importante, portanto, que o clube seja composto por investidores razoavelmente experientes, que tenham conhecimento de como funciona o mercado financeiro, e que haja uma perspectiva de longo prazo, para que os associados mais inexperientes não se desanimem caso os resultados iniciais não sejam positivos. Os clubes de investimento são muito populares no exterior (principalmente nos EUA), mas ainda estão se popularizando por aqui.

A atual regulamentação dos clubes de investimento é dada pela Resolução nº 303/2005 do Bovespa, com as alterações dadas pela Resolução nº 320/2006.

Segundo o regulamento, um clube de investimento precisa ter no mínimo 3 e, no máximo, 150 associados. Em regra, cada membro não pode ter mais do que 40% das quotas.

Para criar um clube de investimentos, é necessário procurar uma das instituições autorizadas (Corretora de Valores, distribuidora de títulos ou banco com carteira de investimento) para atuar como administrador do clube. A instituição cuidará da maior parte da papelada exigida pelo Bovespa para a criação e manutenção do clube, além de manter o registro de todas as operações de compra e vendas de ativos e da tributação do clube.

A tributação, aliás, é variável: caso o clube tenha mais de 67% do capital investido em ações, o imposto de renda incidirá como o investimento em ações: 15% do lucro no momento do resgate (art. 7º da Instrução Normativa nº 487/04 – SRF). Caso o clube tenha menos de 67% do capital em ações, a tributação segue o regime regressivo da renda fixa: quanto maior o prazo de investimento, menor o imposto pago.

Acredito que os clubes de investimento agregam as principais vantagens de investir em fundos de ações, com menos desvantagens. Como os clubes de investimento têm maior volume de recursos do que um investidor individual poderia acumular num espaço curto de tempo, é possível diversificar entre mais investimentos do que seria possível para uma única pessoa. Mas a diversificação pode ser mais inteligente do que num fundo de investimentos, porque os associados podem decidir efetivamente onde investir, evitando que o fundo seja composto por ações de empresas deficitárias.

Mas também há desvantagens nos clubes de investimento. A principal delas é que, embora haja a recomendação de que os investidores se associem com pessoas que compartilhem interesses comuns, é bastante comum a briga entre pessoas próximas. Imagine que você, quatro amigos, dois tios e sua prima decidam formar um clube de investimento, mas cada um tem uma perspectiva bastante diferente sobre investimentos. Você acha que investir na Randon (RAPT4) é um excelente investimento, sua prima acha que é melhor investir na Natura (NATU3) e seus amigos apostam na temerosa Agrenco (AGEN11). Como adotam perspectivas diferentes de investimento (pelo menos com relação à AGEN11), a discussão pode levar a uma briga com seus amigos que poderia, dependendo da intensidade, levar ao término da amizade. Por isso, há quem não recomende formar clubes de investimento com pessoas muito próximas: é melhor perder a oportunidade de investir juntos do que a amizade. Mas, se você quiser formar o clube com pessoas próximas, é melhor todos deixarem muito clara a estratégia a ser utilizada de antemão, antes de constituir o clube: com a metodologia de investimento já determinada, as discussões serão muito menores do que se ela ficar em aberto.

No site do Bovespa, há mais informações sobre clubes de investimento. Se você estiver interessado, não custa dar uma passadinha lá!

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