Cuidados com o preço médio
Em outras oportunidades (aqui e aqui) discuti como a aquisição de ações a um preço médio baixo pode ser uma boa ferramenta
para o investidor de longo prazo. Mas para que essa estratégia funcione, é necessário que o investidor satisfaça algumas condições.
Imagine que alguém compre R$ 1.000,00 em ações de uma empresa (OPX3) aos seguintes preços, ao longo dos anos: R$ 8,00; R$ 11,00; R$ 15,00; R$ 16,00; R$ 17,00; R$ 18,00; R$ 19,00; R$ 20,00; R$ 21,00; R$ 20,00; R$ 21,00; R$ 22,00; R$ 26,00; R$ 29,00; R$ 35,00; R$ 30; R$ 25; R$ 23; R$ 21; R$ 19; R$ 17; R$ 14; R$ 13; R$ 11; e R$ 10. Nessas condições, o patrimônio acumulado seria de R$ 14.694,41 – mas o investimento seria de R$ 25.000,00. Ou seja, apesar de o investimento ter sido feito gradualmente, ao longo prazo (no caso, 25 anos), houve prejuízo. Por que isso aconteceu, se a formação de preço médio ao longo do tempo é uma ótima estratégia de investimento?
O gráfico do exemplo seria mais ou menos o seguinte:

Como o leitor pode observar, o padrão dos preços é o seguinte: há um prazo gradual de avanço das cotações (até R$ 35,00), quando então o preço das ações começa a declinar de maneira irreversível. No caso do exemplo da OPX3, o preço médio é de R$ 19,24, mas a cotação final no período é de R$ 10,00. Esse é um risco que se corre quando a estratégia de preço médio é adotado: a estratégia é excelente para preços crescentes ou para preços decrescentes no curto e médio prazo, mas que no longo prazo recuperam-se e tendem a crescer bastante.
Vamos ver um segundo exemplo, a UPX5: o investidor adquire as ações a um preço médio de R$ 47,08, mas com um padrão de crescimento diferente do observado no primeiro exemplo. Os preços de aquisição são os seguintes: R$ 29; R$ 17; R$ 12; R$ 11; R$ 15; R$ 32; R$ 35; R$ 33; R$ 34; R$ 38; R$ 40; R$ 47; R$ 45; R$ 44; R$ 29; R$ 50; R$ 51; R$ 55; R$ 68; R$ 66; R$ 72; R$ 76; R$ 78; R$ 90; R$ 110. O gráfico seria o seguinte:

Nessa situação, o investidor aplicou R$ 25.000,00 e obteve, ao final dos 25 anos, R$ 82.884,19. Isso aconteceu porque o preço final do período (R$ 110,00) é superior ao preço médio do investimento (R$ 47,08).
Essa é a única condição estritamente matemática para que a estratégia do preço médio médio funcione: o preço final do período do investimento deve ser superior ao preço médio de aquisição das ações.
“Tá bom, Fábio: mas não há como garantir que o preço médio das ações que eu adquiro hoje serão inferiores à cotação da ação daqui a 20, 30 anos, certo?”
Certo. Não há garantias. Mas também não há garantias de que você não vai ser atropelado quando sair de casa, ser abduzido por alienígenas ou perder seu emprego nos próximos dias. Não há garantias de que o governo vá sacar da cartola algum plano mirabolante para confiscar o dinheirinho da poupança ou da renda fixa, nem que o Brasil se tornará uma ditadura islâmica nos próximos 20 anos.
“Então, Fábio, eu não faço nada?”
A única coisa que você pode fazer é controlar os riscos de que o preço médio de seu investimento seja menor do que a cotação das ações no período final do investimento. Como é possível fazer isso?
Uma coisa a observar é o lucro por ação (LPA) da empresa. Uma empresa com lucro por ação crescente ao longo dos anos dificilmente verá sua cotação cair abruptamente (salvo uma eventual crise, quando todas as empresas têm suas cotações reduzidas). Vejamos o caso de algumas empresas brasileiras:
Vale (VALE5)
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Ambev (AMBV4)
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Como o leitor pode observar, o crescimento da cotação das ações (medida pela última cotação do ano) acompanhou, entre 2001 e 2008, o crescimento do lucro por ação das empresas citadas (Vale e Ambev).
Essa correlação também acontece com empresas que não apresentam crescimento em seus lucros: as cotações também não apresentam crescimento, ou quando apresentam, este é pífio.
Vejamos os seguintes casos:
Pão de Açúcar (PCAR4)
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Bombril (BOBR4)
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Assim, verificar o crescimento do LPA ao longo do tempo é importantíssimo para que o investidor possa acompanhar se o seu investimento tende a ter sua cotação aumentada ou não. Outros indicadores importantes a serem acompanhados são o ROE (que deve permanecer com média superior a 15%), o índice de endividamento e o crescimento das vendas da empresa.
Em outras palavras, acompanhe a sua empresa. Se as coisas começarem a andar de maneira diversa do esperado, é possível vender as ações antes de ter algum prejuízo com a eventual queda nas cotações. Note apenas que pode ocorrer de os preços da empresa retrocederem mesmo com o aumento no lucro por ação. Isso pode acontecer por diversos motivos, como uma crise generalizada. Se isso acontecer, não se preocupe: no longo prazo, a cotação tenderá a acompanhar o crescimento do LPA.
Tomados esses cuidados, dificilmente o investidor será surpreendido com uma “pirâmide invertida” que lhe dará prejuízo.
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Bastante interessante o ponto de vista. Fiquei curioso como ficariam as situações exemplificadas caso os dividendos estivessem sendo considerados.
Abraço!
Os gráficos não estão mais funcinando!
Quais são os problemas que os preços médios apresentam às organizações?
Não entendi sua pergunta!!!
Também não consigo visualizar os gráficos!
Olá Fábio! Também não consegui visualizar os gráficos. Será que poderias arrumá-los??
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Abcs
Fábio, gostaria que você abordasse a estratégia de aumentar o preço médio das suas ações a partir de vendas mensais inferiores a R$ 20.000,00 (não tributáveis) e recompras pouco tempo depois (não no mesmo dia), o que aumenta o preço médio dos papéis e diminui o imposto a pagar em eventual venda de grande quantidade de papéis.
Tenho feito isso sistematicamente com OGXP3 e espero, com isso minimizar o imposto a pagar quando for liquidar minha posição.
Fábio, considerei essa matéria muito boa e instrutiva a investidores e especuladores. Entretanto, no caso da BOMBRIL, é de se perguntar como essa empresa continua a ter seus papéis negociados em bolsa, considerando o fato de operar com passivo a descoberto (ainda continua?) E a governança corporativa? Era de se esperar, no caso em comento que o resultado fosse pífio.
Ola Fabio!
estava pensando bastante sobre isso nos ultimos tempos e voce me tirou uma duvida!
apesar do post estar aqui a muito tempo, é somente com o tempo que a gente vai conseguindo digerir tanta informação
ex:
os balanços dos fundamentus, nunca tive a moral de usar
era so um monte de numero
to conseguindo buscar boas informaçoes la, misturando greenblatt (roic>25%) com o LPA, nas açoes que ja tenho
para poder definir quando é vantajoso adquirir mais com elas acima do preço medio atual.
pelo que percebi, acredito que isso vai ajudar a evitar compras com preço medio, quando os mesmos nao sao atrativos realmente, no longo prazo
quanto as vendas, apesar de ja ter açoes com 1 ano de casa e greenblatt recomendar a venda apos esse periodo,
pelo desempenho delas so vou vender caso o roic caia abaixo de 25%
ou seja, a empresa perca seu desempenho
o que acha?
poderia me orientar caso o meu raciocionio nao esteja correto?
pois acredito que com a baixa do roic, isso poderia indicar uma perda do desempenho, tanto por uma cotaçao muito alta, quanto por perda de desempenho da empresa.
como ainda nao vendi nada, e so comprei, ainda tenho esa duvida
obrigado!