Comprando um carro novo – parte II

31 de março de 2010Sem comentários

photo credit: Rennett Stowe
wpid-4428940069_f80fed24e4_m-2010-03-31-07-30.jpgBacana: você já verificou qual o modelo de carro de seguro que mais se ajusta a seu bolso e perfil. O seguro é razoavelmente barato, o carrowpid-bbli-2010-03-31-07-30.png consome pouco combustível (ao contrário do veículo ao lado!), o design te agrada, tem um porta-malas enorme e um bom motor. Como bom leitor do blog, já vinha economizando um dinheirinho todo mês, tanto para o futuro, quanto para comprar determinados bens de consumo. Mas ainda tem algumas dúvidas antes de fechar o negócio: o melhor é comprar um carro novo ou um usado? Melhor comprar à vista ou financiar o veículo?

A resposta da primeira pergunta é bastante complexa, pois a aquisição de um carro novo ou de um usado tem vantagens e desvantagens. Carros novos normalmente têm menos despesas de manutenção, não tiveram nenhum desgaste com utilização, mas são bem mais caros e sofrem desvalorização mais rapidamente  do que carros com 2 ou 3 anos. Nos dois primeiros anos, um veículo perde muito de seu valor de mercado – em alguns casos, há desvalorização entre 20 e 40% do preço de compra. Pense: se você comprar um carro por R$ 40.000,00, ele valeria cerca de R$ 32.000,00 dois anos depois, com desvalorização de 20%! Se for um automóvel mais caro, que custe R$ 60.000,00, ele passaria a custar aproximadamente R$ 42.000,00.

Carros usados, por sua vez, não têm desvalorização tão aguda após os dois primeiros anos. Isso significa que seu adquirente teria, em tese, menos prejuízo com a depreciação do veículo do que quem o adquiriu zero quilômetro. Por outro lado, carros usados – em especial, carros com muito mais do que cinco anos -, tendem a apresentar maiores despesas com manutenção e a ser menos econômicos. Sai mais barato comprar, mas pode ser mais caro mantê-lo. Além disso, a compra de um carro usado traz outros riscos que não podem ser desconsiderados: como não se sabe a procedência do veículo, é importante verificar se a documentação está em dia, e se não há impostos e multas a pagar, porque elas acompanham o veículo. Ou seja, o comprador leva não apenas o carro pra casa, mas também as pendências com impostos e multas. Portanto, muito cuidado com isso!

Verifique também a confiabilidade da loja em que você adquiriu o carro: dê preferência a concessionárias e a lojas maiores, porque elas normalmente adotam procedimentos que lojas menores não utilizam. Muito cuidado com a quilometragem que o hodômetro do veículo usado, por exemplo: há muitos picaretas que adulteram o hodômetro para que mostre um veículo muito menos rodado do que ele já é. Se você tem um parente (meu caso!! Obrigado, tio Luiz!) ou um amigo que entende muito de automóveis, não hesite em chamá-lo para averiguar as condições do veículo. Há pessoas que sabem certos macetes para saber se o carro já sofreu acidente grave, se o veículo é mais rodado do que aparente, e se a pintura é original, entre outras coisas.

Uma saída intermediária entre a compra de um carro novo ou a de um carro usado é a aquisição dos chamados seminovos. Normalmente as lojas chamam seus carros usados de seminovos para chamar novos clientes. Afinal, carro “usado” dá impressão de carro velho; seminovo, impressão de um carro que quase não foi utilizado. Muito cuidado com isso! Mas o mercado de seminovos realmente existe: há pessoas que compram um carro a cada um ou dois anos e o revendem com quilometragem baixíssima, para adquirir mais um carro zero quilômetro. O ponto importante a notar é que um carro com um a três anos de uso pode ter rodado muito pouco e, como ainda tem poucos anos de uso, deve ter uma manutenção quase tão barata quanto um carro zero quilômetro. Além disso, há uma outra vantagem: como o veículo já tem alguns anos, já passou o período mais agudo de desvalorização.

Para evitar os perigos de comprar um seminovo em qualquer lugar, acredito que um bom ponto de partida são as locadoras de veículos. Por conta da legislação, essas empresas adquirem carros a um valor muito abaixo do preço de mercado e são obrigadas a vendê-los em no máximo dois anos. Além disso, algumas das locadoras têm convênios com concessionárias autorizadas e, portanto, revisam os veículos periodicamente, de acordo com o indicado nos manuais do proprietário. Como as revisões são indicadas no próprio manual, a chance de que tenha havido alteração na quilometragem se reduz bastante. Ou seja, em regra são carros bem cuidados, mais baratos que o encontrado no mercado e muitas vezes com quilometragem mais baixa do que similares encontrados na rua. O leitor já deve ter percebido uma certa empolgação de minha parte, e isso acontece porque os dois carros que adquiri até hoje foram seminovos na Localiza (empresa negociada na Bovespa sob o ticker RENT3), e não me arrependo. Comprei carros quase novos, muito bem conservados, por um preço equivalente a carros zero de categoria muito inferior. Fica minha “propaganda”. :-)

Tudo bem. Você já decidiu se vai comprar um carro novo, seminovo ou usado, e tomou todas as precauções para evitar ser engambelado por vendedores picaretas. Falta definir, contudo, se a aquisição do veículo será à vista ou por meio de financiamento. Caso decida financiar a compra, fuja dos financiamentos de prazo muito longo, como 5 ou 6 anos: quando você terminar de pagar o carro, você terá pago 2 ou 3 vezes o valor do automóvel e terá nas mãos um veículo que vale 1/3 do valor que tinha no momento da aquisição. Tente fazer o máximo de esforço para pagar o carro o mais rápido possível. Pagar à vista é preferível tanto porque você não perde dinheiro com os juros quanto porque, às vezes, é possível ganhar algum desconto na aquisição. Isso é raro, porque as concessionárias normalmente recebem o valor do veículo à vista da instituição financeira, que é quem recebe o valor dos juros, e quando o financiamento é feito junto à própria concessionária, ela própria recebe o valor dos juros. Como os juros pagos normalmente estão bem acima dos recebidos nos investimentos financeiros, as empresas preferem não dar desconto algum nas compras à vista. Mas não é nada que um pouco de choro e negociação não resolvam…

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