Comprando um carro novo – parte I
photo credit: jmarconi
Seu carro está igual ao carro ao lado: pintura totalmente corroída, pneus mais carecas que o vovô, vive na oficina, o consumo de combustível é tão alto que você gasta mais de gasolina do que com a escola de seu filho. De repente, surge uma idéia: comprar um carro novo!! Você realmente acredita que ter um carro é melhor para seu estilo de vida do que depender do transporte público (se você mora em Brasília, é quase certo que isso aconteça!), pesquisou o mercado, já tem uma idéia do modelo que quer, mas ainda não está certo a respeito de uma série de coisas importantes: o carro é novo, seminovo ou usado? Se seminovo ou usado, qual o máximo admissível de idade do veículo e a quilometragem rodada? O carro vai ser financiado ou comprado a vista? São muitas dúvidas na cabeça do futuro proprietário! Nesse e no próximo artigo tentarei explorar possíveis respostas para elas.
Pois bem. A primeira coisa a fazer é calcular os custos do novo automóvel. E isso é algo que as pessoas normalmente menosprezam, porque levam em consideração apenas os custos com combustível. É um erro comum, principalmente entre as pessoas menos experientes com veículos automotores. É óbvio que o consumo de combustível é um fator relevantíssimo na decisão, mas não é o único fator a ser considerado. Outros fatores importantes, do ponto de vista da economia, são: gastos com manutenção, seguro do automóvel, depreciação do veículo e facilidade de revenda.
1 – consumo de combustível: os carros mais econômicos são Fiat Mille, Kia Picanto, Honda Fit, VW Gol (1.0) e VW Polo Bluemotion, que receberam classificação A pelo INMETRO.
2 – preço do seguro: segundo o site Carros na web, que pesquisou o preço de seguro no Banco Real e na Porto Seguro em 2009, os seguros mais baratos são os dos seguintes veículos, proporcionalmente ao preço do carro: Honda Civic LXS, Citroen C3 1.6, Ford Ka 1.0, Corsa Classic e o Ford Ecosport. Já o seguro mais caro é o dos carros Gol VW 1.0, Fiat Uno Mille, VW Golf, VW Fox e Fiat Siena.
Como o leitor pode perceber, não há relação direta entre o valor do carro e o do seguro: há carros relativamente baratos com seguros caros (Fiat Uno Mille, VW Gol), carros caros com seguro barato (Honda Civic
LXS), assim como carros baratos com seguro mais barato (Ford Ka) e carros caros com seguro mais caro (VW Golf). Por que isso acontece? Porque as seguradoras estabelecem o prêmio do seguro (o valor pago pelo segurado para ter direito à indenização) com base em uma série de fatores, como o perfil do condutor de determinados automóveis ou o quanto um carro de modelo específico é visado por ladrões. Por exemplo, o VW Golf é um carro de perfil esportivo, na média utilizado por pessoas que gostam de dirigir mais rapidamente, de maneira mais irresponsável (embriagado, por exemplo). Por isso, é um carro de seguro mais caro. O Uno Mille e o VW Gol, por sua vez, estão entre os carros mais furtados – razão pela qual seu seguro é mais caro.
3 – Custo de manutenção do veículo: Nesse quesito, normalmente os carros nacionais de perfil mais popular são de manutenção um pouco mais em conta, porque têm peças mais baratas, com grande disponibilidade nas oficinas. Assim, não necessitam ser importadas, processo que, por si só, já eleva o custo de manutenção. Por outro lado, carros mais populares também podem ter peças menos duradouras, mais fáceis de quebrar, do que modelos superiores, que têm não apenas peças mais duradouras, mas também utilizadas de maneira mais racional. Por exemplos, veículos de câmbio automático normalmente têm menos custo de manutenção do câmbio, justamente porque as marchas são passadas de maneira racional pelo sistema.
4 – Depreciação do veículo: Também é importante considerar a depreciação do veículo, porque alguns carros perdem mais valor do que outros. Por exemplo, carros novos no mercado normalmente têm alta depreciação, assim como carros zero-quilômetro. Por isso, às vezes é preferível adquirir carros seminovos com baixa quilometragem e uns dois anos de uso do que carros zero, porque nos dois primeiros anos a depreciação é mais aguda. Às vezes, a depreciação é irracional: o carro é bom, de baixo consumo, baixo custo de manutenção, mas não cai no gosto do mercado.
5 – Facilidade de revenda: Outro ponto de reflexão é a facilidade de revenda do veículo. “Pô, Fábio, eu vou comprar o carro já pensando em vender?”. Não é isso: mas o fato é que, por um motivo ou por outro, você precisará vender o veículo, seja porque precisou do dinheiro em algum momento ou mesmo para adquirir um novo carro daqui a alguns anos.
Esses são apenas alguns fatores a serem analisados. A compra de um automóvel é uma decisão financeira importante, já que os custos são bastante altos. É importante não cometer erros nessa situação. Mas há erros perdoáveis, como comprar um carro que se espera econômico, mas que depois se revela um pouco mais custoso do que o esperado; e erros imperdoáveis. O pior de todos, com certeza, é comprar um carro achando que está fazendo um investimento. Dificilmente um automóvel se valoriza – e, quando isso acontece, é com modelos mais caros, feitos para colecionador: algo impensável para o consumidor médio.
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Acabou a cobertura da bolha de Brasília? Passou para o lado de lá?
De forma alguma! Eu jamais debandaria pro lado de quem acha que Brasília é a única cidade do mundo em que as leis da economia não se aplicam. Mas especificamente sobre a bolha, confesso que não sei se há algo a mais para eu escrever: acho que já mostrei os motivos pelos quais acho que as coisas estão caras demais. Se você tiver alguma idéia nova sobre a questão, por favor, sugira uma pauta para o blog!
Abraços,
Fábio
A matéria é simplesmente fantástica…parabéns a equipe do Blog Pequeno investidor, vou postá-la em meu blog( claro que informando a fonte e rendendo os méritos).
Carlos Vianna – Diretor Comercial http://www.autopecasrj.com http://autopecasrj.wordpress.com
Obrigado pelos elogios!!