Crise e oportunidade

8 de fevereiro de 20102 comentários

Mais um novo episódio de crise parece estar se desenrolando. A bola da vez é a Europawpid-bbli-2010-02-8-10-45.png que, como já havíamos adiantado no artigo sobre a análise de Bill Gross, está cada vez mais endividada – em especial, os países ibéricos, Grécia e Irlanda. Além disso, a crise nos Estados Unidos ainda não passou – o índice de desemprego continua muito alto, e ainda há instituições financeiras insolventes.

Por esse motivo, aliado a uma expectativa de realização de lucros que já estava presente há alguns meses em razão das altas expressivas do ano passado, as bolsas de tudo mundo tiveram baixas bastante expressivas nas últimas semanas. Só o Ibovespa caiu aproximadamente 13% desde o último topo formado em janeiro.

É nebuloso o que vai acontecer nos próximos meses. Há muita incerteza no mercado que, como já sabemos, é bipolar: sobrevaloriza boas e más notícias numa inconstância digna de alguém com múltiplas personalidades. Não há como dizer se a bolsa irá cair ou subir nos próximos meses, embora as más notícias de hoje indiquem um panorama bastante pessimista.

Se Bill Gross estiver certo, contudo, há esperança para o investidor brasileiro no longo prazo, porque o país faz parte do seleto grupo que está com suas dívidas razoavelmente em boas condições e, além disso, tem empresas capazes de se sair bem no momento da retomada do crescimento.

O que deve fazer o investidor nesse momento?

Tudo depende de seu horizonte de investimentos em ações: se ele pretende manter seu dinheiro investido por 10 ou 15 anos, no longo prazo há uma grande probabilidade de a recente queda não ter grandes consequências em sua rentabilidade.

Melhor ainda, a recente queda pode se revelar uma grande oportunidade para que o investidor tenha bons lucros. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, o lucro não acontece no momento da venda de uma ação, mas no momento de sua compra. Quem compra barato, tem maiores lucros; quem compra caro, tem maior chance de vir a ter um prejuízo.

Não estou dizendo que no momento atual as ações estão baratas. Longe disso, a maioria dos preços ainda está alta para refletir o atual patamar de lucros das empresas. O investidor deve examinar cada ação individualmente e verificar se ela está cara ou barata. Mas, apesar disso, se havia investidores comprando ações quando o Ibovespa estava a 70.000 pontos, há mais razões para comprá-las agora, com o índice a 63.000 pontos.

Por isso, é importante a elaboração de uma estratégia de formação de preço médio: as crises criam excelentes oportunidades para o investidor. Se ela terminar agora e a bolsa começar a subir amanhã, o investidor pode ter aproveitado uma grande oportunidade de comprar ações; e se ela continuar a cair novamente, sempre será possível comprar mais ações a preços mais baixos.

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Comentários (2)

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  1. Antonio Alves disse:

    Olá Fábio, também acho isso, mas o que me preocupa mesmo é a inflação (principalmente a nossa) que diminui o poder do nosso dinheiro e das nossas receitas (salários) e junto com ela o aumento dos juros, o que influi no custo de oportunidade da bolsa. O que acha?
    PS: de qualquer forma tenho uma boa reserva de títulos atrelados a inflação e ao CDI.

    • Fábio disse:

      A inflação de fato é um problema e investir, em parte, significa buscar proteção contra ela, a fim de no mínimo manter o valor real do capital investido. Há boas opções no tesouro direto que oferecem juros + inflação medida pelo IPCA. Ou seja, além de oferecer proteção contra inflação, ainda oferece uma remuneração extra, o que é excelente no longo prazo. O investimento em algumas ações também é uma opção para se proteger contra a inflação: procure empresas cujos produtos têm reajuste conforme a inflação, e você estará se protegendo indiretamente também. É o caso das empresas de energia elétrica, cujas tarifas são reajustadas periodicamente.

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