Bill Gross e o panorama dos investimentos em 2010 (e além)

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Bill Gross, administrador de um dos maiores fundos de investimentos em títulos (bondswpid-wpid-bbli-2010-02-2-11-29-2010-02-2-11-29.png) nos Estados Unidos, da PIMCO, escreve uma coluna mensal no site da empresa. Desde o ano passado, Gross tem “cunhado” um termo interessantíssimo para cunhar o novo panorama econômico mundial, posterior à crise de 2008: o “Novo normal”, que é caracterizado por um mundo menos alavancado, mais regulamentado pelos governos, crescimento econômico mais menos, menores margens de lucro.

Na coluna desse mês, chamada “Anel de fogo” (Ring of fire), Gross apresenta mais evidências dessa nova realidade na economia mundial. Para ele, estão se concretizando as previsões de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff a respeito das consequências do aumento das dívidas públicas em resposta a uma crise financeira – que, como todos sabem, aconteceu nos últimos meses: para evitar a quebradeira geral, Obama e sua equipe precisaram aumentar bruscamente a dívida pública americana.

Segundo Reinhart e Rogoff, o verdadeiro legado de uma crise do sistema bancário é a dívida pública, que praticamente dobra nos dois ou três anos posteriores à crise. Além disso, as taxas de desemprego aumentam bastante, com um acréscimo médio de 7%,e  permanecem bastante elevadas por até cinco anos! E, como o endividamento público pressiona a economia do país como um todo, a sua taxa de crescimento desacelera à taxa de 1%. Ou seja, se o país tem capacidade econômica para crescer 3% ao ano, sua economia crescerá apenas à taxa de 2%, uma redução bastante significativa.

De acordo com Gross, isso tudo tem acontecido nos últimos doze meses, e os países mais vulneráveis estão naquilo que ele chama de anel de fogo, que têm o potencial de ter sua dívida pública superior a 90% de seu produto interno bruto (PIB):

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As áreas verdes e amarelas do gráfico (Finlândia, Dinamarca, Austrália, Noruega, Suécia, Alemanha, Holanda e Canadá) representam os países mais seguros, que ainda têm uma dívida razoavelmente controlada, ao passo que a área vermelha é a mais ameaçada, e que podem ter seu crescimento mais afetado por conta do endividamento público. São os seguintes países: Itália, França, Espanha, Irlanda, Inglaterra, Japão, Grécia e Estados Unidos.

Como se pode observar, países muito importantes para a economia mundial podem ter seu crescimento bastante afetado pelo alto endividamento nos próximos anos. Para estimar por quanto tempo os efeitos da resposta à crise podem durar, Gross remete a um outro estudo, elaborado pelo Grupo McKinsey a partir de 32 exemplos de processos de desalavancagem que ocorreram após uma crise financeira. E as conclusões são as seguintes:

1) O processo de desalavancagem começa dois anos após o início da crise e demora aproximadamente 6 a 7 anos. No caso, o início da crise aconteceu em 2008, o que significa dizer que esse processo está apenas começando;

2) Em aproximadamente metade dos casos estudados o processo de desalavancagem resultou em um período prolongado de crescimento econômico pífio. E a alternativa é desanimadora: ou a economia fica estagnada por um bom tempo, ou a inflação aumenta abruptamente.

A boa notícia de Bill Gross se refere à economia dos países emergentes, entre os quais se incluem Brasil, China e Índia. De acordo com ele, o nível de endividamento desses países é bastante inferior ao de vários países desenvolvidos, o que implica uma capacidade maior de financiamento da atividade econômica. Por essa razão, uma das recomendações de Gross para o investidor americano é que ele direcione seus investimentos para os mercados de países em desenvolvimento que estejam menos alavancados. Será essa uma boa notícia para os brasileiros?

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